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All emotions are not created equal: Reaching beyond the traditional disputes

Epidemias, há milênios, exterminam grandes contingentes populacionais em todo o planeta, sendo que a mais devastadora já ocorrida, se instalou em plena I Guerra Mundial em 1918, matando muito mais do que a guerra, embora não existam números exatos, de 20 a 40 milhões teriam morrido pela doença e metade da população do planeta Terra teria sido contaminada (A Tarde 04.05.2008).

A denominação “espanhola” não foi devida a ter se originado na Espanha, mas porque a imprensa espanhola foi a primeira a noticiá-la.

A I Guerra Mundial teria sido um dos fatores de disseminação devida as mobilizações de tropas em terra e nos portos.

A gripe “espanhola” seria uma das razões que aceleraram o fim do conflito, devido ao grande número de soldados afetados por ela, em ambas facções.

Devido ao afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães, o então Presidente Wenceslau Braz declarou guerra e com a guerra veio a gripe espanhola.

Foram enviadas tropas a zonas do conflito, tendo a “Divisão Naval em Operações de Guerra” (DNOG) atuado na costa africana com 8 navios e juntamente com a força japonesa tiveram relevante papel estratégico ao cobrirem este setor, propiciando a liberação de outras forças navais para ações em outras áreas.

Foi formada a “Missão Médica Militar” pelo Decreto de 10 de julho de 1918, para cooperar com os hospitais de sangue, na França, composta por 86 médicos (5 do Exército, 6 da Marinha, 75 médicos civis), 17 acadêmicos de Medicina, farmacêuticos.

Esta “tropa da saúde” foi embarcada no transatlântico “La Plata” que aportou na África, saindo em 18 de agosto de Dacar, Senegal com a “gripe espanhola” a bordo, matando passageiros e componentes da Missão Médica Militar que perdeu o Tenente Médico Dr. Scyla Teixeira e 3 outros médicos (Salles 2004).

100 Atribuiu-se a quatro marinheiros brasileiros, de um dos navios de guerra que aportaram em Dacar, Senegal onde adoeceram e foram mandados de volta ao Brasil sendo internados em Recife, no mês de setembro, a entrada da gripe no país.

Há um relato, em uma das teses apresentadas para verificação de título na FMB em 1919, de uma testemunha do que ocorreu em Recife.

Dr. Francisco Kurka Hotton, Doutor em Medicina pela Universidade de Heidelberg descreveu o impacto da doença: “os mezes de outubro e novembro de 1918, ficarão marcados nos annaes da cidade de Recife, com as tintas mais negras possíveis”.

A tese tem o título “Influenza Espanhola em Pernambuco em 1918” onde o autor relatou a elevação dos preços dos artigos de primeira necessidade, a desestruturação da economia com várias atividades produtivas paralisadas devido a força de trabalho doente, a incapacidade dos serviços de saúde para atender tal demanda, os meios terapêuticos empregados, etc.

O Presidente Wenceslau Braz entregou a nível nacional o combate a doença ao Prof. Carlos Chagas.

Em São Paulo a responsabilidade caiu sobre Dr. Arthur Neiva que criou 43 hospitais provisórios na cidade de São Paulo e 119 no interior do estado.

No Rio de Janeiro o encarregado de assistir a população durante a pandemia foi Dr. Belisário Penna que organizou 8 postos de atendimento com médicos e acadêmicos de medicina atendendo 40.000 pacientes e tendo percentagem mínima de óbitos.

Sobre a epidemia de gripe “espanhola” na Bahia existe um trabalho de autoria de Christiane Maria Cruz de Souza intitulado “A gripo espanhola em Salvador, 1918: cidade de becos e cortiços”, publicado em História, Ciências, Saúde no

1, p 71-79, jan-abr 2005, Manguinhos – Rio de Janeiro, cujas principais fontes de informação foram os jornais da época.

101 A doença teria chegado em Salvador em setembro, na primeira página do jornal “A Tarde” de 24 de setembro de 1918 está a afirmação de então existirem na cidade 700 pessoas contaminadas.

As autoridades da área de saúde na Bahia, a princípio, negaram a gravidade da epidemia, mas com o clamor da imprensa, o então Diretor de Saúde Pública da Bahia e também Professor da F.M.B. Dr. Alberto Müylaert, nomeou uma comissão formada por professores da FMB: Dr. Aristides Novis, Dr. Dionysio Pereira, Dr. Frederico Koch, para apresentarem um parecer.

Este parecer foi publicado pela “Gazeta Médica da Bahia, vol. L no

4 – outubro de 1918.

Há relato de terem visitado quartéis e enfermarias do Exército, Brigada Policial, Guarda Civil, Colégio dos Órfãos de São Joaquim, Escola de Aprendizes de Marinheiros, Hospital Militar, examinando mais de 500 pacientes com a doença e ainda obtiveram informações dos Inspetores Sanitários, informes de médicos clínicos, militares concluindo que se tratava de gripe periodicamente observada na Bahia; se manifestando na forma mais comum a respiratória, as vezes com distúrbios gastro-intestinais, sintomas que desapareceriam em 3 ou 4 dias.

Recomendaram medidas de profilaxia geral com desinfecção de locais públicos, irrigação constante das ruas etc., concluindo que “o mal não tomará outro caracter de virulência, tendo em vista ainda nosso clima impróprio às calamitosas façanhas do diplo – bacilo de Pffeifer”, tendo data de 03 de outubro de 1918.

Assim, após 1 mês do início da epidemia, foram dadas ordens para lavagem das ruas, desinfecção de locais públicos, instalada enfermaria especial no Hospital de Isolamento de Mont Serrat, Salvador dividida em 6 zonas sanitárias, nomeados médicos comissionados para atender a população de indigentes etc.

102 Em sessão da Congregação da FMB em 23 de outubro de 1918, o Professor de Higiene Dr. Josino Correia Cotias apresentou a seguinte proposta unanimemente aprovada:

“Proponho que a Congregação da FMB, tendo em mira o seu passado de sacrifícios gloriosos desde o anno de 1855, na grande epidemia, subseqüentes de febre amarella, de varíola e a sua dedicação por occasião da Guerra de Canudos, offereça ao Governo do Estado os seus serviços, no momento atual de crise pavorosa, determinada pela presença em nosso meio da influenza, que tem se alastrado rapidamente e já tem feito várias victimas”.

Não se pode saber, devido a uma série de fatores, como não haver notificação compulsória, inacessibilidade de grande parte da população aos serviços médicos etc., o número real de óbitos ocorridos em Salvador devido a gripe “espanhola”.

O “Serviço de Estatística Demographo-Sanitária” registrou 216 óbitos com a gripe entre 27 de setembro e 31 de outubro (“O Democrata” de 10 de Novembro de 1918 apud

Souza 2005).

Na estatística oficial, até o final de novembro, em Salvador, 130 mil pessoas teriam sido contaminadas e 338 evoluído para óbito.

A gripe “espanhola” também interferiu no ano letivo da FMB.

Em sessão de 23 de outubro, o Vice Diretor da FMB fez ler a seguinte petição dos estudantes:

“Alumnos de diversas séries dos Cursos Médico, Pharmacêutico e Odontológico, representados por comissões de cada série, excluindo o 6o anno médico, solicitam que os exames da 1a época, tenham início dia 20 de novembro, em vista de estar, grassando a influenza com caráter epidêmico, assumindo proporções de verdadeira calamidade pública”.

Prof. José Carneiro de Campos se posicionou contra o deferimento argumentando não ter a Congregação competência para resolver, o Art. 224 do Regimento só permitiria os exames em 20 de novembro, em caso de grande afluência de candidatos, por proposta do Diretor e não por solicitação dos alunos, o Art. 79, letra H, exigiria que qualquer alteração

103 teria de ter aprovação do Conselho Superior de Ensino e o Art. 75, Lei Maximiliano dizia que em caso de calamidade pública a data dos exames pode ser transferida para mais tarde, não sendo portanto permitido anteceder como solicitavam os alunos.

Prof. Luiz Pinto de Carvalho opinou que se deveria deferir “não podendo se achar que a Congregação rompeu o Regimento, como não foi quando fechou com a Guerra de Canudos, sendo elle plenamente justificado, agora mais do que nunca, pois se tratava de uma verdadeira calamidade pública nacional”, apresentando proposta neste teor que foi discutida e aprovada.

Em 05 de novembro foi feita uma sessão extraordinária para dar conhecimento ao “Aviso” do Ministro, referente aos exames, transmitido pelo Presidente do “Conselho Superior de Ensino”, em telegrama de 31 de outubro.

Aviso no 1113 de 29 do corrente mês (outubro):

“Communico-vos para os fins convenientes que em situação creada pela epidemia reinante, resolvi adiar por um mês, as inscripções e o início dos exames preparatórios e das escolas superiores.

Os estudantes do Curso Médico que provarem haver trabalhado ao menos seis dias, nos serviços de assistência mantidos pelo Governo, durante a actual epidemia, terão direito a uma época especial de exames que se realizarão dois meses depois das férias regulares.

Communico-vos outrossim: Ficam autorizados, os Inspectores dos Gymnasios e das Escolas Superiores nos Estados, a mandar fechar estes estabelecimentos, no caso de necessidade determinada pela epidemia”.

Um dos reconhecidos benfeitores da FMB, por em seu governo terem sido liberadas as verbas para reconstrução da FMB, após o incêndio em 1905, o Presidente Eleito Rodrigues Alves faleceu de gripe “espanhola” antes de iniciar o mandato em 1919.

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