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18. Proposed Values for Constants

18.2. Emission Interval

Os problemas continuam nos cursos universitários, uma vez que apesar do número significativo de discentes matriculados4 no curso, a pesquisa de Sá e Santos (2011) alerta que o quantitativo de estudantes que tem chegado ao final do curso é muito baixo, e pior, dos poucos que chegam a concluir o curso, nem todos irão para a sala de aula na EB. O que nos remete a problemática maior que é o fato de muitos desses estudantes se matricularem em um curso de formação de professores, porém não terem a perspectiva de atuar na área, ou seja, utilizam o curso apenas como um “trampolim” para outros cursos que possuem áreas afins.

Outro aspecto que podemos pontuar segundo pesquisas, como as de Bortoletto e Carvalho (2012), Lapa e Silva, (2014) é que os estudantes alegam que o Ensino de Ciências, especificamente o de Química, é desinteressante, “chato”, cansativo de difícil compreensão etc. O que os leva a rejeitar as áreas profissionais que estejam ligadas a essa disciplina, ou seja, se já não há o interesse em exercer a profissão docente pela falta de valorização e reconhecimento, menos ainda quando se trata de um professor de Química.

Mesmo diante das dificuldades que são ainda encontradas na EB, alguns poucos estudantes resolvem superá-las, no entanto ao chegar ao ensino superior algumas outras problemáticas emergem. Como por exemplo, uma base não muito sólida referentes aos conteúdos específicos e necessários para evolução em sua formação, isto acaba contribuindo para evasão do curso (UFRPE, 2010).

Problemas também relacionados aos diversos currículos dos cursos de graduação que se apresentam fragmentados com um número excessivo de disciplinas que compartimentalizam o conhecimento da área e não enfatizam o primordial do campo de

4 Com todo este crescimento, em 2006 dar-se início o turno vespertino com uma oferta de 40 vagas na primeira e única entrada, portanto, o curso passa a oferecer 120 vagas anuais sendo 80 no turno noturno e 40 no turno vespertino. Alcançando um corpo discente de cerca de 600 estudantes regularmente matriculados (UFRPE, 2010).

conhecimento. Diversas vezes essa compartimentalização leva á repetição de conteúdos de forma desnecessária. Os currículos de licenciatura, normalmente, apresentam essa estrutura e com isso, tornam-se meros apêndices de cursos de bacharelado (UFRPE, 2010). Ademais, é constatado que as licenciaturas possuem como características ser um curso com falta de integração entre teoria e prática, o que ocasiona uma desarticulação entre disciplinas ditas de conteúdos específico em Química e as chamadas de psicopedagógicas.

Também são encontradas discussões no âmbito de uma concepção de docência como um dom, isto acaba ocasionando um desprestígio à profissionalização docente, relegando os conhecimentos pedagógicos a um segundo plano. Dessa forma, desvalorizando essa área na formação do professor em todos os níveis, mas principalmente no universitário. Nota-se a preocupação de autores como (ANTUNES, 2011; TARDIF, 2012) em relação à formação de professores, pois muitas vezes esta visa muito mais a parte teórica, que a prática em si ou ainda não é feita a devida relação entre ambas. Nessa direção, acaba por afastar o ensino das necessidades reais da escola e da sociedade. Imbernóm (2000), Lima (2007) remetem suas considerações às fragilidades da formação inicial, a qual ressalta muito os conteúdos voltados às áreas específicas em prejuízo das questões pedagógicas.

Segundo as Diretrizes Curriculares Nacional (BRASIL, 2015), para que a formação seja oferecida com um padrão de qualidade acadêmica e que esteja em conformidade com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e o Projeto Pedagógico de Curso (PPC) faz-se necessário institucionalizar a licenciatura com identidade própria. Dessa forma, a instituição de educação superior que ministra atividades, programas e cursos de formação inicial e continuada, deverá abranger a tríade entre ensino, pesquisa e extensão.

O currículo, bem como o perfil do egresso são documentos que são encontrados no PPC do curso. Ao tratar do currículo este é pontuado como fator de dificuldade na formação inicial. Analisando o trabalho de Lapa e Santos (2015) percebemos que este mostra que apesar das muitas discussões referentes à Ciência ou a maneira que o ensino tem acontecido, o PPC referente aos cursos de licenciaturas dos principais campos das universidades federais da capital, se vê aquém dessas discussões ou ainda quando apresentam, elas são encontradas apenas nos documentos, não chegando à formação de fato.

No entanto, pontuamos as mudanças recorrentes dos últimos anos no ensino, que tem sido tratado de forma muito especial, segundo Núñez e Ramalho:

A reforma curricular para o Ensino Médio no Brasil apoia-se em princípios que caracterizam uma verdadeira “revolução” nas formas de pensar do ensino, a aprendizagem, a educação, no contexto escolar, inserida no movimento internacional de mudar a escola no século XXI. O “Novo Ensino Médio”, como tem se denominado esse nível de escolaridade, sugere dialogar com as exigências de uma nova sociedade, gerado no âmbito das transformações tecnológicas, econômicas, das novas formas de produção do conhecimento; da globalização, não só das econômicas, como também do conhecimento. Esse movimento de mudanças na educação traz consigo outras tantas competências profissionais a serem adquiridas pelos professores, novas formas de organização do tempo e do espaço escolar, assim como a compreensão a respeito do papel da escola, centrada “na vida”, preocupada com a cidadania, com a inclusão escolar, sobretudo quando as contradições e desigualdades são aguçadas no abismo que separa os diferentes segmentos da sociedade (2008, p. 1).

Os autores relacionam a necessidade das alterações no currículo, com as rápidas transformações que ocorrem na sociedade e as chamam por “revolução”, no sentido de acreditarem na precisão de uma grande reforma. Esse “Novo Ensino Médio” sugere as interações entre ensino e sociedade no âmbito mais amplo da palavra. Enfatizando que essa mudança no currículo trará uma postura diferenciada ao professor, o qual assume um comportamento, com novas formas de trabalhar com o tempo e espaço escolar. Atrelada à mudança no curso de formação de professores a escola também deve se engajar nas mudanças já que possuem o importante papel na formação de cidadãos críticos. Adentraremos em algumas discussões sobre as mudanças na educação, pois de certa maneira a forma como o processo educativo se estabelece reflete a formação do professor.