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3.2 Factorisation des Fonctions Utilisant des Registres à Décalages

3.2.1 Embrouillage

Maria Tecla Artemesia Montessori nasceu a 31 de agosto de 1879 na Itália, em Chiaravelli. É considerada em muitas obras, uma mulher à frente do seu tempo devido ao seu percurso académico e contributos em diferentes áreas científicas. Assim, Maria Montessori foi a primeira mulher italiana a frequentar e a concluir o curso de medicina. Posteriormente candidatou-se ao curso de filosofia, psicologia experimental e antropologia, na Universidade de Roma (Cardoso & Librelotto,2011; Silvestrin, 2012). Ainda como médica, Montessori utilizou os conhecimentos da psicologia para compreender a criança e as suas necessidades e, desenvolveu materiais e técnicas que promovessem o desenvolvimento cognitivo, motor e psíquico, das crianças com deficiência nas instituições onde trabalhou. Devido ao seu trabalho desenvolvido, Montessori foi convidada pelo diretor geral do Instituto Romano dos Beni Stabili a ocupar-se da educação de crianças pequenas e carentes num complexo habitacional. A aceitação desse encargo deu origem à Casa Dei Bambini, fundada em 6 de janeiro de 1906, onde desenvolveu o seu trabalho como pedagoga (Silvestrin, 2012).

Na Casa dei Bambini, ou Casa da Criança, Montessori procurou aplicar um método que utilizara previamente com crianças portadoras de deficiências, com o objetivo de constatar a eficácia desse método também com crianças “normais” com idades entre os três e os seis anos. Em pouco tempo, surpreendeu-se com os bons resultados obtidos pelas crianças “a criança, depois de haver trabalhado, ficava mentalmente mais forte e saudável que antes. Foi preciso tempo para que eu me convencesse de que não era uma ilusão” (Montessori, 1988, p. 135 citado

por Silvestrin, 2012). De acordo com Ferrari (2008, citado por Silvestrin, 2012, p.20) Montessori afirmava que “o seu método não contrariava a natureza humana e, por isso, era mais eficiente do que os tradicionais”.

Autores consideram que, a base teórica do Método Montessori, está assente nos conhecimentos oriundos da psicologia do desenvolvimento (Antunes, 2005, citado por Silvestrin, 2012). Devido à sua significativa dedicação, Montessori integrou no seu método os diferentes períodos de desenvolvimento infantil associados à aprendizagem. O primeiro período compreende o nascimento até os seis anos de idade e subdivide-se em “mente absorvente inconsciente” (dos zero aos três anos) que é a fase em que a criança absorve inconscientemente tudo o que está no ambiente e a “mente absorvente consciente” (dos três aos seis anos) que é a fase em que a criança age sobre o ambiente para desenvolver-se e construir novas aprendizagens. O segundo período, que é denominado por período intermediário, dos seis aos doze anos de idade, é caracterizado por grandes mudanças psicológicas e físicas. Nessa fase a criança também desenvolve a sua consciência moral e procura simultaneamente uma maior participação em atividades coletivas para desenvolver as suas competências sociais. Por último, o terceiro período que tem como marco a puberdade (dos doze aos quinze anos) e a adolescência (dos quinze aos dezoito anos). Nessa fase o sujeito sente uma maior necessidade de fazer parte de um grupo por afinidade e simultaneamente desenvolve a consciência crítica e de reflexão. Na puberdade, segundo Antunes (2005, citado por Silvestrin, 2012, p.35) Montessori considera “que esse é um período difícil, podendo ser até mesmo perigoso para o indivíduo, por causa das transformações abruptas por que ele passa”. A adolescência é considerada a última fase do desenvolvimento, pois é estabelecida pela conquista da independência e autonomia económica que determina a entrada na vida adulta.

Através da observação naturalista, Montessori percebeu que as crianças inconscientemente procuravam ter controle sobre seu ambiente e organizou uma estrutura de

sala de aula que promovesse a livre exploração do ambiente, conduzindo a um desenvolvimento gradual da independência.

Sob esta perspetiva, a pedagoga afirmou que é fundamental que a aprendizagem ocorra em contextos de interesse dos alunos e, por isso, desenvolveu materiais específicos com o objetivo de criar situações para atraí-los, fomentando a interação e a aplicação do conteúdo aprendido no ambiente em que estão inseridos (Mendonça,2017). Sendo assim, os materiais montessorianos estão ligados a cinco áreas: à Educação Cósmica (que se refere ao conhecimento das Ciências Sócio-Históricas e Ciências Naturais); à Educação Matemática (materiais que desenvolvam a noção de número, de adição, subtração, divisão, multiplicação, entre outros); Educação dos Sentidos (desenvolvimento dos sentidos através de materiais como as caixas de cores, de rumores, de cheiros, de sabores, de texturas, entre outros, além de desenvolverem conceitos como alto/baixo, pesado/leve, forte/fraco, liso/áspero, etc); à Linguagem (materiais de preparação da mão para a escrita com o uso conjunto da fonética, materiais de leitura, e de produção textual); e à Vida Prática, isto é, um ambiente onde as crianças desenvolvem a motricidade e ganham autonomia através da realização de atividades do dia-a-dia (ter cuidados com o ambiente e consigo através de tarefas como lavar e secar a louça, regar plantas, lavar as mãos, lavar a roupa, etc.) (Mendonça, 2017; Silvestrin, 2012).

Segundo Mendonça (2017), o ambiente da sala de aula montessoriana é organizado, tanto a nível físico como conceitual. A estrutura de uma sala de aula montessoriana (da pré- escolar ao ensino básico) é geralmente ampla, com mobiliário pequeno, adaptado ao tamanho da criança, com mesas pequenas que possibilitam um trabalho individual e em pequenos grupos, incentivando a aprendizagem cooperativa. Os materiais montessorianos são dispostos nos armários, organizados por área de aprendizagem (matemática, linguagem, sensorial, educação cósmica etc.) e por grau de dificuldade (do mais fácil ao mais complexo) visto que, desse modo, há uma maior possibilidade da ocorrência de uma aprendizagem eficaz. A

organização da sala possibilita o respeito ao ritmo de cada criança e o material é autocorretivo, fazendo com que o próprio aluno desenvolva a atividade escolhida com entusiasmo e atenção. O professor Montessori, é um educador com formação específica no Método, que compreende o princípio da não intervenção (observa e intervém somente quando necessário ou requerido) e sabe como adaptar o ambiente de forma a facilitar o processo de ensino-aprendizagem, perspetivando o aluno como o foco e o centro de todo o processo.

De forma geral, Rodrigues e Oliveira (2017) explicam que os princípios gerais da pedagogia montessoriana estão assentes no respeito pelo potencial de cada criança e jovem, pelo tempo de aprendizagem e pelas limitações de cada um.