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EM estimation

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6.2 Object detection

6.2.3 EM estimation

A construção desta imagem está pautada numa expressão simbólica, onde o aspecto mais importante é o que diz respeito à sua faculdade de somente ser apreendida como uma totalidade. “É a expressão que desaparece quando isolamos umas partes das outras, por exemplo, escondendo o conjunto de um retrato, para considerar separadamente as partes" (GUILLAUME, 1960: 164). Nesse caso, tem-se na primeira parte da referida construção imagética a palavra "paraíso" conferindo inúmeras significações que Aurélio Buarque de Holanda apresenta como "lugar de delícias, o céu, lugar aprazível...”.

Em relação à palavra água, dentro da construção Maceió, paraíso das águas, a mesma aparece no discurso desta imagem 67 vezes, e embora possa ser entendida enquanto complementariedade, quando da potencialização da idéia de sonho tropical, denota a sua força, como símbolo natural, sobretudo pelo fato desse elemento se sobressair em relação à palavra paraíso (44).

Nessa perspectiva, a palavra "paraíso" adquire uma significação que vincula um objeto – o turismo em Maceió- a um signo - a água-, que por sua vez é capaz de evocar a imagem de tal objeto. As idéias construídas através deste signo conferem um significado à

118 cidade, que é representado como lugar de delícias, o céu, lugar aprazível... Desta forma, o signo é entendido como intermediário entre a consciência subjetiva e o mundo dos fenômenos

[...] o signo é (...) um excitante - os psicólogos dizem um estímulo, cuja ação sobre o organismo, provoca a imagem memorial de um outro estímulo; a nuvem evoca a imagem da chuva, a palavra evoca a imagem da coisa (GUIRAUD, 1980: 15).

A imagem construída de Maceió, paraíso das águas, a partir da análise do conteúdo de revistas, folders, guias e jornais, também está potencializada nas chamadas publicitárias constantes no gráfico 4.3, como por exemplo: saia do lugar comum (5), aqui você tem

sombra e água fresca (2), Maceió: revelação de pura magia (2), Maceió: modelada pelas mãos da natureza (3). Demonstra-se aqui a mencionada construção abstrata no sentido de

gerar um clima (ar) idealista e, com isso, transmitir um produto diferente daquele experimentado e vivido no cotidiano.

O paraíso das águas é, portanto, uma construção que, ancorada em valores

aferidos à natureza e a determinados conceitos abstratos, supostamente positivos, transmitem ao consumidor (turista) uma idéia de cenário incomum, inigualável, e portanto, imperdível. A imagem está associada ao Paraíso e ao seu elemento natural translúcido, cristalino, morno, tranqüilo, belo e diferente de tudo, numa representação da idéia de ter sido esta cidade feita sob encomenda pela natureza para agradar os turistas e todos aqueles que a experimentam. E assim o complexo lagunar, os mares, a sucessão de alagados rasos, verdadeiras piscinas naturais, são apresentados enquanto guardiões de águas, num espetáculo (12) indescritível (45).

Cumpre salientar o fato de que os adjetivos estruturantes da imagem construída paraíso das águas derivam de uma situação de similaridade entre significante e significado. Por exemplo, as águas e o espetáculo indescritível não apenas representam um lugar turístico significante), mas representam uma imagem positiva de aconchego, de tranqüilidade (significado), no sentido de reforçar a agradabilidade do mesmo.

A relação icônica destas categorias assume grande importância, porque torna possível a correlação imagética entre objetos (signos) e seus relevantes intermediários (espetáculo, águas calmas, lugar ideal etc.): significados.

“Quando se fala em conceito de espaço de uma determinada época, trata-se dos princípios formais transformados em signos convencionais comuns a diversos lugares significativos..." (PEIRCE, 1977: 51). Por isso, um coqueiro, isoladamente, não tem um significado particular: o significado emana de um conjunto de elementos que o ressaltam, tais

como a areia da praia, a cor do céu, o azul do mar. E aqui o significado alcança a fantasia, o sonho a partir dos elementos naturais; na concepção de Bachelard, é uma atividade de vontade, que permite ao homem imaginar e romper com o concreto real, instaurando uma outra realidade. É através da fantasia que a imaginação se manifesta como uma atividade criadora, uma forma de ‘sonhar conscientemente’, para que assim o homem participe e habite o sonho, chegando ao profundo das coisas, criando novas imagens. “O devaneio é considerado como uma atividade onírica, na qual a consciência está presente; daí, no devaneio, a possibilidade de se formar um cogito” (BACHELARD, 1991: 40).

O material icônico aqui discutido apresenta conteúdos que a propaganda turística resgata do imaginário de paraíso, enfocando, valorizando e ancorando os atrativos naturais dos lugares, como por exemplo, o mar, os coqueiros, a areia. A natureza é sempre mostrada como único lugar capaz de renovar e reciclar as energias do ser humano, desperdiçadas em atividades estressantes em seu cotidiano.

[...] Minhas observações provam que denominar uma pessoa ou coisa é precipitá-Ia (como uma solução química é precipitada) e que as conseqüências disso são três: (a) uma vez denominada, a pessoa ou coisa pode ser descrita e adquire certas características, tendências etc; (b) ela se toma distinta de outras pessoas ou coisas através dessas características e tendências; (c) ela se toma o objeto de uma convenção entre aqueles que adotam e partilham a convenção (MOSCOVICI, 1989: 34).

Desta forma, sendo denominada de “paraíso”, o lugar aparece como sinônimo de natureza no universo ideológico da propaganda. A relação entre elemento natural e a idéia de natureza intocada está apoiada em ideologias ambientais mais recentes e transformada em mercadoria, o que a coloca à venda para o turismo “sob a forma de significação simbólica” (VESTERGAARD e SCHRODER, 1994: 174).

A imagem aqui construída produz deleite nas formas mais diversificadas, pois nesse paraíso o pecado não existe, a culpa não é vivida. É transmitida uma idéia de desfrute de uma piscina natural no meio do mar e que se abre para uma faixa de praia virtualmente particular, tendo de brinde a “sensação robinson-crusoélica” de hospedagem (AOUN, 2001).

A cidade de Maceió está aqui representada como um lugar que reúne muitos dos elementos do estereótipo do paraíso no Ocidente: águas translúcidas, de rara qualidade, beleza despretensiosa, simplicidade e rusticidade.

Paraíso, nesse caso, é uma idéia provocadora de muitas das “imagens primordiais” definidas como “as formas mais antigas e universais da imaginação humana”, segundo teoria da psicologia analítica. Imagens localizadas no inconsciente, envolvendo sentimento e

120 pensamento, manifestam uma condição entendida como preexistente e armazenada. Denominadas por “arquétipos” que, impulsionados por uma carga de sugestões, despertam o desejo e as necessidades para o atendimento das idéias influenciadas pela mídia, traduzidas por aquisição e consumo do produto (JUNG, 1983: 58).

A imagem veiculada da cidade de Maceió apresenta a idéia de paraíso sob uma forma atraente ao alcance de todos. Ela tenta promover o encontro do indivíduo com o paraíso, realizando dessa forma o antigo e acalentado desejo de voltar ao jardim do Éden, ao lugar da origem humana. O paraíso nesse universo do turismo não é mais um sonho impossível ou outra utopia fantástica. É a imagem turística veiculando o paraíso aqui na terra, apoiada numa clara referência ao consagrado relato bíblico do jardim do Éden e com toda carga simbólica que ele representa para o Ocidente. Portanto, a utilização especificamente de palavras, chamadas e apelos provenientes do universo religioso, demonstrou possuir força suficiente para fixar uma imagem utilizada para vender o produto de consumo turístico: a Maceió tropical (AOUN, 2001).

O paraíso aqui oferecido é rico em prazeres, em deleites, em situações idílicas, feitos na medida e ao gosto de qualquer pessoa disposta a aventurar-se, a romper com seu cotidiano, dando vazão aos seus desejos e às mais extravagantes fantasias, de onde não se é expulso, ao contrário, permanece-se e desfruta-se de tudo o que ele pode oferecer.

4.5. Imagem reforço: coleção de praias deslumbrantes

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