3.2 Pairing interactions and mean-field theory
3.2.1 Electron-phonon coupling and BCS theory
BRAçO DA BILLINGS. Fonte: SVMA/ Felipe Spina.
103
5. BiODivERSiDADE, uNiDADES DE CONSERvAçãO E RESERvAS iNDíGENAS DO BiLLiNGS
migraram com o motivo fundamental de passar a se situarem em um meio natural concebido nas pro- ximidades da "Terra Sem Males".
A Região Metropolitana de São Paulo abriga quatro núcleos que foram ocupados pelos indígenas desde meados do século xx. Atualmente, nesses locais, a presença de políticas públicas ligadas à educação, saúde, família tornou-se um meio de recriação da identidade cultural. Através da designação nhandereko (o
modo de ser), projeta-se um universo próprio de conhecimentos que se impõe como uma estratégia cultural e política para os índios mbya. As aldeias Krukutu, Tenonde Porã e Pico do jaraguá (com 2 núcleos), situadas em São Paulo, vêm construindo seu modo de vida seguindo normas tradicionais, embora sofrendo pressões e influências pela presença do jurua (branco). Duas destas aldeias situam-se as margens do Reservatório
Billings, são elas: a Aldeia Tenondé Porã e a Aldeia Krukutu.
Costuma-se ouvir dos etnólogos estudiosos dos mbya que estas aldeias formam o subgrupo mais des- tacado e mais resistente, pela forma com que conduzem as suas tradições míticas. As duas aldeias mantêm a casa de reza Opy, os seus xamãs (lideres religiosos) e seus costumes, como as festas e as rezas noturnas. Além disso, eles mantêm a língua entre os seus habitantes, ou seja, todos entre si só falam guarani.
5.4.1. aldeia Tenondé porã
A aldeia Tenondé Porã está localizada em Parelheiros, zona sul do Município de São Paulo, em uma das ro- tas históricas da migração Guarani. Esta aldeia também é chamada de Morro da Saudade ou Aldeia Barragem. Ocupa um território de 26 hectares, demarcado como Reserva Indígena na década de 1980 e homologada pelo Decreto Federal nº 94.223, de 15 de abril de 1987. Sua criação se deu em 1965 por famílias vindas da Aldeia Palmeirinha do Paraná, do Vale do Ribeira e do Litoral Paulista. Com mais de cem famílias e aproximadamente 900 pessoas, entre as quais a maioria são crianças de 0 a 6 anos, é a mais populosa das aldeias paulistas. Assim como a aldeia Krukutu, a Tenondé Porã mantém suas tradições, como a dança, o canto e a reza.
Preocupados com o processo de manutenção e resgate cultural, a aldeia possui duas escolas, uma Mu- nicipal de Educação Infantil, Centro de Educação da Criança Indígena - CECI – e outra estadual. Nas duas escolas lecionam professores indígenas.
VISTA PARCIAL DA ALDEIA TENONDÉ PORã. Fonte: Marta ângela Marcondes/ Luciano Eduardo Morello Polaquini.
VISTA DA ÁREA OCUPADA PELA ALDEIA. A LINHA AMARELA MARCA OS LIMITES DA ALDEIA.
104 BILLINGS
5.4.2. aldeia Krukutu
O nome da aldeia Krukutu foi concebido devido à localização da ocupação no Bairro com esse nome. Relata-se também, que a região apresentava uma fauna e flora singular, com pequenos roedores, insetos e répteis endêmicos, muito apreciados por aves de rapina, em particular as de hábitos noturnos, como as corujas. Desta maneira, no local, existiam pelo menos cinco espécies de corujas, entre elas a coruja murucututu ou curucutu (Pulsatrix perspicillata) (http://www2.prefeitura.sp.gov.br/noticias/ars/sppa/2006/12/0006). Es- ses animais vocalizam emitindo um som parecido com o nome Kru-kutuuu. O Sr. Olívio jekupé relata: “O nome Krukutu vem do pio da coruja, porque havia muitas corujas aqui. Elas cantam Kru-ku-tuuuu25”.
Primeiramente, a ocupação tomou vulto como um centro de menor tamanho nas proximidades da Aldeia Barragem (Tenondé Porã), nos anos 1960-1970 quando esta última concentrava parentelas que se enraizavam na área. Como afirma LADEIRA (2008) e também contam os mais antigos, a aldeia originou-se como um prolongamento da aldeia Morro da Saudade, em decorrência de sua dependência econômica, ritual e aos vínculos familiares (LADEIRA, 2000).
A Aldeia ocupa uma área de 26 hectares. Ela foi homologada pelo Decreto Federal nº 94222/87, mas a comunidade reivindica a sua ampliação, justificando nesta demanda os conceitos tradicionais da ocupação de terra e uso do espaço.
Na aldeia existem duas escolas, um CECI e outra estadual de ensino fundamental básico (primeiro ciclo). Nas duas escolas são trabalhadas questões da cultura e da língua indígena.
A formação dos assentamentos familiares ocorre em locais que tenham os recursos necessários para a manutenção do modo de ser indígena. São chamados de tekoa. De acordo com LADEIRA (2008):
“O tekoa não tem seu sentido restrito às condições de um espaço físico. Há uma inter-relação entre os aspectos
sociais, espirituais e ambientais. Todavia, na atualidade se observa que o fator mais definitivo é a composição social do(s) grupo(s) familiar e a força espiritual de seu dirigente. Mesmo situadas em lugares onde as condições ambientais são muito precárias, a aldeia pode ser considerada um tekoa, em razão da sua coesão social, do comportamento em relação ao mundo dos brancos e o empenho em seguir os princípios éticos e religiosos definidos no teko”.
As duas aldeias encontram-se em posições muito importantes, ou seja, além de serem Terras Indígenas reconhecidas e demarcadas, também estão posicionadas em Unidades de Conservação de extrema impor- tância (Parque Estadual da Serra do Mar e APA Capivari-Monos), além de se situarem em Área de Proteção aos Mananciais e fazerem parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo - MaB/ UNESCO (MaB – Man and the Biosphere).
Mesmo com estas características importantes e todo este apelo de conservação, as terras são cons- tantemente ameaçadas por ocupações irregulares e grandes empreendimentos. Vale lembrar que, assim como outras áreas indígenas, esta comunidade preserva a área que ocupa, indicando que o caminho para a manutenção de áreas como as de mananciais, deveria ser melhor discutida com estes povos.