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4.5 Results and discussion

4.5.2 Electricity demand and price scenarios

Dos elementos constituintes da crosta terrestre apenas dez (10) são considerados elementos maiores (O, Si, Al, Fe, Ca, Na, K, Mg, Ti e P), os outros elementos são considerados elementos traço e suas concentrações em matrizes ambientais, como o solo, ficam abaixo de 100 mg kg-1. Os teores naturais dos elementos traço no solo estão relacionados à sua matriz mineralógica, uma vez que, estes ocorrem como constituintes de minerais primários nas rochas ígneas, metamórficas e sedimentares (OLIVEIRA; MARINS, 2011).

Embora existam em baixas concentrações na crosta terrestre, as intensas atividades antrópicas durante os últimos séculos, aumentaram significativamente as concentrações dos elementos traço (metais traço) no meio ambiente (BAIRD, 1998; CALLENDER, 2004). Os metais e metaloides são considerados contaminantes quando suas concentrações no ambiente excedem os valores estabelecidos ou adotados por órgãos de proteção ambiental (FORSTNER; WITTMANN, 1981), tais como o da United States Environment Protection Agency – USEPA e Canadian Council of Ministers of the Environment- CCME.

O descarte de resíduos industriais e urbanos, a utilização de agrotóxicos e fertilizantes são as fontes de emissões antrópicas mais impactantes dos metais para o meio ambiente. Estes compostos chegam ao ambiente estuarino, principalmente, associados ao material particulado em suspensão e/ou dissolvidos na coluna d’água dos sistemas fluviais e também por deposição atmosférica. A posterior deposição e acúmulo desses metais nos sedimentos estuarinos dependerão das características da região (LACERDA; SOLOMONS, 1998; OLIVEIRA; MARINS, 2011).

Os metais fazem parte da composição de vários agrotóxicos e fertilizantes, por isso, em comunidades rurais, insumos agrícolas como pesticidas, calcários,

fertilizantes minerais e orgânicos são as principais fontes de liberação destes compostos para o solo. Alguns pesticidas têm altas concentrações de Zn, chegando até 25% de massa total, dessa forma, o uso de agrotóxicos contendo sais de Zn, bem como, arsenatos de Cu e Pb e compostos organo-metálicos têm elevado os níveis de contaminação desses elementos nos solos, rios e sedimentos fluviais e estuarinos (TILLER,1989; KIEKENS,1990).

Pezzarossa et al.(1993), verificaram que a aplicação de fertilizantes fosfatados em hortaliças aumentava a concentração de Zn no solo. Gimeno-Garcia et al. (1996), também registraram a incidência de metais traço na aplicação de pesticidas e fertilizantes em cultivo de arroz, resultando em altas concentrações de Cu, Zn, Co e Cd advindos de superfosfatos e pesticidas.

Pesquisa realizada por Ramalho et al. (2000) mostraram que os sedimentos da Microbacia de Caetés, Paty do Alferes- RJ, apresentavam incrementos nos teores dos metais Cd, Co, Cu, Mn Ni, Pb e Zn, em relação aos baixos valores obtidos desses elementos à montante da área de influência da atividade agrícola, com destaque para os aumentos na concentração de Zn e Mn que foram próximos de 200%. Campos et al. (2005), também constataram presença de Cd, Cu, Cr, Ni, Pb e Zn em fosfatos naturais e solúveis, sendo este insumo indicado como a principal fonte de introdução de Cd por atividades antrópicas

Os metais presentes em sedimentos podem estar sob diferentes fases geoquímicas devido às condições ambientais do meio sedimentar e também da coluna d’água. A determinação da fase geoquímica em que o metal se encontra no sedimento torna-se, portanto, uma importante ferramenta para compreender se o mesmo está biodisponível ou não para o ambiente (TESSIER et al., 1979; LOUREIRO et al., 2012).

Além disso, a capacidade de transferência e biodisponibilidade dos metais no ambiente diferem de acordo com suas formas químicas, podendo os metais dissolvidos ou fracamente adsorvidos estarem disponíveis para as plantas e organismos aquáticos, enquanto que, os metais ligados a rede cristalina estrutural dos minerais só estão disponíveis para a biota caso ocorra um intemperismo geoquímico (CALMANO et al.,1993). Esta mobilidade e disponibilidade dos metais traço é diretamente controlada pelas reações químicas e processos físicos que dependem de alguns parâmetros como pH, condição redox do meio, capacidade de

troca catiônica (CTC), teor de matéria orgânica e constituição mineralógica (MATOS et al., 2001). Esses parâmetros, por sua vez, são controladores dos equilíbrios físico-químicos, como precipitação-dissolução, adsorção-dessorção e complexação dos metais (SALOMONS; FÖRSTNER, 1980; 1984).

A granulação dos sedimentos é outro importante fator de controle da distribuição de metais traço em áreas costeiras. As frações mais finas do sedimento, como silte e argila, possuem grandes áreas superficiais com alta capacidade de adsorção, fazendo com que a matéria orgânica e os óxidos de Fe-Mn fiquem adsorvidos a esta superfície. Desta forma, os sedimentos finos desempenhem importante papel no controle da deposição dos metais traço em áreas costeiras e estuarinas (HORNBERGER et al.,1999; IP et al., 2006).

As respostas às reações e processos ocorridos nos sedimentos são inerentes para cada fase em que o metal se apresenta. Por exemplo, para o Alumínio (Al), ocorre a floculação dos aluminosilicatos em ambientes estuarinos, sendo este um mecanismo dominante no processo de retenção desse elemento no sedimento. Para o Fe, a solubilidade dos oxi-hidróxidos em águas fluviais é afetada pela mudança na sua especiação em zonas de mistura, em decorrência da competição de cátions de origem marinha na neutralização das cargas desses compostos. A concentração de Mn dissolvido, por sua vez, é afetada pelas condições redox do ambiente, favorecendo a oxidação de Mn2+ a Mn4+ e consequente deposição no sedimento. Já a presença de sulfetos em ambiente redutor, favorece a precipitação de metais como, Fe, Zn, Cd, Cu, Ni, Mo e Pb. Contudo, a natureza das interações dos metais traço com os minerais tipo sulfeto é fortemente dependente das propriedades intrínsecas dos metais (COOPER; MORSE, 1998).

Nos últimos anos, o estudo das concentrações de metais traço em sedimentos de ambientes estuarino, no intuito de se entender as mudanças ambientais ocorridas, vem sendo bastante utilizado em testemunhos verticais (HORNBERGER et al.,1999; SILVA,P et al., 2011; BAPTISTA NETO et al., 2013; CHO et al., 2015). De uma forma geral, um aumento nas concentrações desses metais em testemunhos pode representar variações temporais da deposição atmosférica, escoamento superficial nas bacias de drenagem, e outros tipos de influxos associados a atividades antrópicas (BORGES et al., 2007).

Além disso, a variação da concentração de elementos químicos em sedimentos pode ser caracterizada em função de fatores como a geologia da região, o uso e ocupação da área do entorno, o regime hidrológico, o tipo de vegetação e a presença de mineralizações (PEREIRA et al., 2007; MAHIQUES et al.,2013)

Como a concentração dos metais traço nos sedimentos é fortemente influenciada pelas diferentes frações granulométricas, torna-se importante e necessário eliminar o efeito do tamanho das partículas, para corrigir esta variação. Esta correção pode ser feita através de uma normalização com substâncias que apresentem grande afinidade com os contaminantes (ex. MO) e os argilominerais (normalização geoquímica). Entretanto, deve-se ter cuidado na escolha do elemento normalizador, pois, não se pode utilizar um elemento normalizador que possua maior coeficiente de variação que os metais traço a serem normalizados, para não se obter valores distorcidos de enriquecimento dos metais (WEIJDEN, 2002)

4.6 COMPORTAMENTO EQUALIZADO DOS METAIS-TRAÇO AO LONGO DO