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2.4 Surface charge properties

2.4.5 Electrical double layer models

A pesquisa sobre a Banda de Música numa perspectiva culturanalitica foi realizada em dois níveis. No primeiro, que denomino nível do instituído, teve o olhar dirigido para a Banda e para a Escola de Música, embora essa pesquisa não contemplasse como um todo a escola, mas sim, a banda. Compreendeu-se ser importante tecer algumas considerações sobre a escola para se esclarecer melhor como a banda se originou e onde ela está inserida. Para tanto se privilegiou inicialmente realizar um levantamento do perfil etnográfico da banda por meio fenomenológico descritivo tentando levantar os mapas de realidade e consciência da banda, investigando-se os aspectos mais visíveis e mais facilmente perceptíveis da cultura do ambiente, dos costumes e dos valores manifestos presentes.Esse nível da pesquisa considerou-se como do pólo patente.

Para a investigação de alguns aspectos da escola, levantou-se a história da criação da Escola de Música e a sua operacionalização, de forma elementar. Para alcançar esses objetivos foram realizadas pesquisas bibliográficas, entrevista com um dos fundadores da escola, com o setor pedagógico, com a direção, com o pessoal administrativo, com os alunos e os instrutores. Foram realizados, ainda, pesquisa de documentos e outros que pudessem servir de subsidio para investigação.

Para pesquisar o segundo nível do instituinte, considerado como o do pólo latente, foram utilizadas algumas atividades de pesquisa numa abordagem culturanalitica para investigar alguns aspectos do imaginário da Banda; sonhos, desejos, ideais, mitos, fantasias. Identificaram-se alguns rituais presentes no

cotidiano. A partir deles tentou-se levantar as aprendizagens possíveis e também se procurou investigar quais as práticas simbólicas organizadora do espaço tempo da banda.

É importante esclarecer que os pólos patente e latente não são formações separadas, dicotômicas. A separação que se evidência nessa exposição serve apenas de base didática de explicação da pesquisa. Na verdade, o par patente/latente comparece como uma polarização, cujo eixo denomina-se “transdutores híbridos”. (PAULA CARVALHO, 1991, p. 96).

Formas estruturantes plasma existencial

Códigos vivências Formações discursivas espaço

Sistemas de ação afetividade/afetual

Instituído Instituinte/magma

Organizações

Instituições grupos-totalizações Grupos formais

Aspecto lógico-cognitivo aspecto residual- afetivo- representacional imagético

pólo idiográfico pólo morfogenético arquetipal

Modos de pensar modo de sentir

Cultura patente cultura latente

A Culturanálise de Grupo, segundo Paula Carvalho (1991:37), pode desenvolver-se em dois níveis: o fenomenológico-descritivo ou sócio-antropográfico, que permite levantar os mapas de realidade e consciência do grupo e o da intervenção problemática. No primeiro caso, evidencia-se um perfil etnográfico da cultura patente e, no segundo, o perfil culturanalítico do imaginário do grupo.

Para realizar a pesquisa da Banda de Música numa abordagem culturanálitico, realizou-se inicialmente um trabalho de levantamento do perfil etnográfico da banda por meio fenomenológico descritivo, tentando-se configurar os mapas de realidade e consciência da banda. Para tanto, foi realizada a investigação dos aspectos mais visíveis. Para explicar os meios como se pretendeu trabalhar na pesquisa tomo emprestado o esquema dos transdutores híbridos, embora, se tenha consciência, de que a investigação se concentrou no primeiro esquema do gráfico, pela questão do tempo.

Formas estruturantes Plasma existencial

Códigos vivências Formações discursivas espaço

Sistemas de ação Afetividade/afetual

Mapas de realidade da Banda de Música Rituais

costumes,comportamento, valores, ambiente espaço-tempo

Instituído Instituinte Cultura patente Cultura latente

Em função disso, optou-se inicialmente por freqüentar diariamente a Banda de Música acompanhando a rotina dos alunos na tentativa de observar o fenômeno do cotidiano, ou seja: o que faziam, o que conversavam, como era o lazer, como se comportavam; os gestos, o recebimento dos instrumentos, a maneira de lidar com eles, a hora de entregar os instrumentos; presença ou ausência de rituais, o “estar-juntos”, entre outros. Interessava naquele momento todo e qualquer elemento que pudesse mapear as formas estruturantes da banda. E, partindo do pressuposto de que já conseguia levantar alguns valores manifestos da consciência da banda foi possível realizar a segunda etapa, aplicabilidade de questionário.

O questionário preparado foi do tipo semi-estruturado (modelo anexo no apêndice desse trabalho) cujas perguntas não estavam fora da realidade da cultura da banda. O objetivo desse questionário pautou-se na tentativa de captar elementos mais subjetivos de cada componente da banda, o que não seria possível somente com a observação. E também como preparação para investigar os aspectos subjetivos que seriam trabalhados nas atividades de investigação do perfil culturanalitico. O questionário foi aplicado em 70% dos alunos que compõem a Banda de Música e em 70% dos instrutores. O resultado dessa atividade colocou em

evidência alguns aspectos sociais, religiosos, míticos, sonhos e desejos dos componentes da banda, embora de forma particular, qualitativamente já era possível ter indício para o olhar oximorônico.

Quanto à Culturanálise de Grupo, Paula Carvalho propõe uma diversidade de heurísticas que podem ser utilizadas através de várias abordagens, individuais ou combinadas. Entretanto, seguindo sugestão da Profª. Drª Cecília Teixeira, com anuência do orientador valemo-nos da formação em Psicologia para a interpretação de dados selecionando algumas atividades como avaliações psicológicas e dinâmicas para capturar a cultura latente da banda. Elas são descridas em sua aplicabilidade e interpretação no capítulo referente “as atividades”, aqui serão apenas nomeadas. As atividades selecionadas foram:

1. As pirâmides coloridas de Pfister.

2. A dinâmica do Espaço Vital de Kurt Levin. 3. O Banquete Imaginário.

Para investigação da Culturanálise da banda utilizaram-se técnicas de análise prolongada em nível de Psicologia e de Psicanálise na relação projeção- inconsciente. As técnicas foram selecionadas, levando-se em consideração os recursos disponíveis, tempo, aplicabilidade da investigação e a identificação com a área de trabalho que facilitaram as interpretações. O ritmo foi conduzido pelo grupo participante. Deixa-se esclarecido neste trabalho que essas atividades investigativas não são descritas como heurísticas por Paula Carvalho, embora se concluam que as mesmas possam contribuir na investigação da cultura latente. Durante o processo de investigação tomou-se o devido cuidado em minimizar as possíveis interferências na aplicabilidade dos mesmos evitando-se mascarar os resultados.

A iniciativa de selecionar as atividades, que tomo o devido cuidado de não chamá-las de heurísticas, parte do princípio de uma interpretação do texto de Durand (1969, apud TEIXEIRA, 1999, p.22) que esclarece quanto ao campo de investigação:

[...] o campo de exploração do imaginário é imenso e, segundo G. Durand (1969), não devemos negligenciar nenhuma técnica ou método proveniente de diferentes especialidades, na medida em que cada uma delas pode esclarecer e integrar as demais. Por isso, deve-se evitar qualquer intenção de vetar “a priori” teorias ou heurísticas, o que provocaria um fechamento ideológico e metodológico, o que não significa, evidentemente, ecletismo ou a utilização de paradigmas conflitantes.

[...] neste sentido, a postura que orienta o grupo é a de um pluralismo epistemológico, entendido como a pluralidade de vozes dos pesquisadores a partir de um solo paradigmático comum. Este garante não só o embasamento e a unificação das pesquisas, como propicia a diversidade de olhares, de escutas e de coletas na diversidade de formação dos pesquisadores e na diversidade situacional de pesquisar. Tal postura permite que diferentes temáticas sejam tratadas de forma coerente, segundo o olhar e a escuta de cada pesquisador.

Como já expresso na Introdução deste trabalho um dos motivos que me levaram a mergulhar nesta pesquisa foi à perspectiva transdisciplinar, a abertura de um diálogo entre os saberes com possibilidades para visão de novos paradigmas, para um outro olhar sobre o saber. Que não é da Psicologia, nem da Educação, nem da Filosofia, nem da Arte, ou de qualquer outra Ciência, mas da possibilidade de um entre-saber. Acredita-se que somente a partir desse lugar é possível abarcar o homem na dimensão bio-psico-socio-cultural. Esta pesquisa não representa apenas obter o título de Mestre, mas é um desafio encantador transitar na música pela Culturanálise de Grupo.

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