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Electrical conductivity

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4.3 Principal-Hugoniot study

4.3.7 Electrical conductivity

Figura 3.2 – Disposição familiar de agricultores para a atividade de feirante

A figura 3.2 apresenta a atividade de feirante realizada por mulheres agricultoras, mãe e filha, de maneira a revelar uma disposição familiar ao negócio, mesmo que em condições precárias, sob o chão do espaço da feira. Essa realidade faz parte, como vimos no segundo capítulo desta tese, da origem das feiras que, de uma maneira geral, estão relacionadas às dimensões socioeconômica e político-cultural construídas em cada realidade. Para se ter uma ideia, Garcia-Parpet (1977, 1984) mostrou que as origens dos feirantes e feiras nos estados da Paraíba e Pernambuco estavam relacionadas às estruturas de poder concentradas nas mãos dos senhores de engenho e nas estratégias de sobrevivência criadas pelos indivíduos subordinados, que, a depender do tipo de coerção, poderiam permanecer sob formas tradicionais de subordinação (no exercício da troca de mercadorias e relações sociais) ou apresentar-se com alguma expressão da autonomia camponesa. Numa perspectiva sobre a origem das feiras rurais no Brasil, Mott (1979) ressalta a existência delas na região Nordeste e enumera alguns fatores como justificativa: estrutura socioeconômica, composição populacional, densidade demográfica e facilidades de comunicação.

De um modo geral, em todo o território brasileiro as feiras aconteciam como manifestação da atividade comercial, em que pequenos agricultores vendiam os produtos por eles cultivados ou pequenos comerciantes revendiam algumas mercadorias de necessidade imediata. Elas surgem após a colonização enquanto “instituição copiada” daquela que os colonizadores já conheciam e praticavam secularmente no Reino (MOTT, 1979, p.64).

Em nossa pesquisa, observamos, por um lado, que a composição sócioespacial é um elemento importante na caracterização originária de feirantes, pois mais da metade dos

entrevistados nasceu (50,9%) e reside (90,4%) nos municípios das feiras pesquisadas. Ainda assim, vale salientar que uma grande quantidade de feirantes se divide entre alguns desses municípios; a maioria (65,0%) dos que trabalham em Água Branca reside em Delmiro e em menor proporção; outros (32,0%) trabalham em Delmiro e moram em Água Branca. Na verdade, notamos um trânsito frequente de feirantes para viver e trabalhar nesses territórios.

Por outro lado, esse fluxo tem relação com os aspectos político-culturais aos quais feirantes fizeram e ainda fazem parte. Existe uma rede de interação formada em termos de parentesco entre esses sujeitos, pois mais da metade (55,0%) mantiveram ou mantêm parentes feirantes. Portanto, o local de nascimento, moradia e parentesco de feirantes podem explicar a participação desses sujeitos nos espaços das praças de comércio, uma vez que constituem o que podemos chamar de disposição do contexto familiar e social nos modos de viver e trabalhar dos sujeitos pesquisados.

Entretanto, é importante salientar que quase a metade dos entrevistados nasceu em outra localidade (49,1%). Isto reflete a migração ocorrida durante o processo de modernização, conforme descrito no segundo capítulo. Mas, mesmo vindo de outras regiões, notamos ainda que esta migração fez com que quase todos (90,4%) se fixassem nos municípios das feiras que trabalham e que esses perpetuassem um habitus familiar de feirantes, pois um pouco mais da metade (55,0%) deles teve ou tem familiares feirantes.

Destacamos ainda que uma grande proporção dos feirantes morava nos sítios e povoados da região. No entanto, atualmente observamos uma mudança no local de residência deles, participando assim de uma experiência citadina, com mais da metade (71,0%) deles morando em cidades. Essa vivencia rural encontrada na trajetória dos feirantes pesquisados foi observada no estudo de Mott (1975), para quem a residência dos feirantes e frequentadores em geral das praças de comércio estavam estritamente ligada ao rural, o que levou a intitular as feiras como uma instituição rural. No entanto, vale dizer que essas experiências não acontecem de formar linear e histórica, pois ao analisar especificamente a feira de Água Branca, a frequência de moradores da “zona rural” aumenta para mais da metade (52,2%), o que corrobora a maior proporção de pessoas morando na zona rural à urbana, segundo IBGE, 2010. Vale dizer que os feirantes moradores do campo eram produtores/cultivadores que comercializavam nas feiras. Entretanto, a forma como realizaram tais ações estava inscrita em um processo de colonização, especificamente dos fazendeiros de gado e senhores de engenho que mantiveram um código de subserviência para com estes, que só deixava brechas para sua

sobrevivência41. Essas coreografias permitiram, quando muito, conseguirem um pequeno lote de terra para plantação/criação. Relembrando a trajetória da família, Vitorino conta-nos que

“a terra sempre foi pouca”, os avós e pais viviam como moradores dos patrões, e foi somente

com o trabalho fora da região que os irmãos e ele conseguiram comprar algumas tarefas para os pais. “Eles nunca deixaram de se mexer para produzir alguma coisa a mais para vender e

comprar as coisas que não tinham em casa, mas nunca deu para comprar uma tarefa sequer”.

O agricultor Vitorino é casado, tem 62 anos, e seis filhos, que moram no entorno e na cidade de Delmiro Gouveia. Vale dizer que Vitorino mora no sítio do município de Delmiro, onde é feirante. Migrou para ajudar na compra das tarefas para o pai e para si, ainda migra esporadicamente, principalmente no período do “entre safra”, manda dinheiro para cuidar do grupo doméstico, da produção e, quando volta, vende na feira.

Historicamente, esses territórios foram se constituindo pela migração de entrada ou saída de sujeitos. A chegada ao território se deu pelo desejo de “melhorias”, pois muitos indivíduos vieram acreditando ser o projeto de modernização proposto por Delmiro a saída para seus problemas. No entanto, alguns tiveram que se adaptar às condições impostas pelo “civilizador” Gouveia e outros recuaram, preferindo observar à distância o que acontecia, enxergando os “espaços modernos” pela ida a feira. Podemos destacar três espaços que caracterizaram a moradia dos feirantes durante esses períodos: sítios/serras, a vila da Pedra e os demais que ficava no seu entorno. A maior concentração de feirantes, segundo relatos de seus parentes da época, residia no entorno da vila e sítios/serras, e somente alguns, que moravam na vila, exerciam também a atividade na praça de comércio. A saída acontece principalmente por migração temporária, em períodos alternados, para complementação do orçamento familiar e compra de bens para grupo doméstico, inclusive terras.

O traçado sobre a origem dos feirantes somente ganhará contorno quando apresentarmos os elementos (Caracterização socioeconômica e político-cultural desses sujeitos; O “negócio de feirante”: suas particularidades e conexões; Interações e trocas simbólicas dos agentes das praças de comércio; Satisfação e perspectivas de futuro com o “negócio de feirante”) que delineiam o perfil deles. Isto porque eles ultrapassam a aparente lógica da comercialização ou da atividade de feirante relacionada à simples ferramenta do

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A sobrevivência era conseguida por meio de uma diversificação de suas atividades, que incluíam os serviços prestados aos patrões (em nome de proteção ou com ganhos ínfimos) à produção para consumo, pagar o arrendamento e, o excedente, vender na feira.

mercado, que a mantêm marginalmente, para os valores simbólicos de produção e reprodução social.

Tabela 3.3 – Origem familiar e espacial de feirantes

Características Feirante em Água Branca n (%) Feirante em Delmiro Gouveia n (%) Total n (%) Local de nascimento* Água Branca Delmiro Gouveia Outros municípios 88 (57,1) 12 (7,8) 54 (35,0) 99 (28,5) 56 (16,1) 192 (55,4) 187 (37,3) 68 (13,6) 246 (49,1)

Município onde residem Água Branca Delmiro Gouveia Outros municípios 39 (24,8) 102 (65,0) 16 (10,2) 112 (32,0) 205 (58,6) 33 (9,4) 151 (29,8) 307 (60,6) 49 (9,7) Local de Moradia Cidade Campo 75 (47,8) 82 (52,2) 278 (79,4) 72 (20,6) 360 (71,0) 147 (29,0) Familiares Feirantes Sim Não 89 (56,7) 68 (43,3) 190 (54,3) 160 (45,7) 279 (55,0) 228 (45,0) Não responderam/não sabem: 6*.

Fonte: Pesquisa de campo, 2011.

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