2 - APPROCHE STRATEGIQUE ET OPERATIONNELLE
2 Elaboration des messages
A análise das competências comunicativas resultou de diferentes observações efectuadas em diferentes contextos educativos.
O tempo de observação não formal compreendeu os meses de Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro, sendo efectuadas observações bi-semanais, nos diferentes contextos educativos, por períodos médios de 10 minutos, em cada sessão. Esta decisão, que, de algum modo, pode parecer demasiado exígua, não foi inocente. De facto, este contacto, destinado ao período de observações, abriu de igual modo a oportunidade de se iniciar o estabelecimento de vínculos afectivos com as crianças, no sentido de estas não se deixarem intimidar pela nossa
presença e sentirem-nos como mais um membro da comunidade educativa. Esta aproximação, paulatina, foi deveras importante para o conhecimento das características de cada um, nomeadamente a nível das competências comunicativas que serviram posteriormente de base para a selecção e estruturação dos Ambientes integrados de aprendizagem, aferindo de igual modo, as competências tecnológicas que possuíam antes de iniciarmos a investigação, sem que, para tal, impuséssemos demasiadamente a nossa presença.
Com efeito, em contexto de sala de actividades, retirámos informações correspondentes ao nível de participação oral de cada uma das crianças participantes e que resumidamente apresentamos no quadro que se segue:
PARTICIPANTES COMPETÊNCIAS EXPRESSIVAS COMPETÊNCIAS RECEPTIVAS
C1
Utiliza com frequência o elemento de ligação “depois”, no seu discurso.
Revela omissões de sílabas no inicio da palavra Revela reduplicações de sílabas no inicio da palavra
Utiliza enunciados de 3 a 4 elementos
Dá continuidade a uma conversa iniciada pelo adulto
Compreende instruções simples Compreende instruções com duas ordens
Repete sequências rítmicas, segundo modelo
C2
Revela no seu discurso omissão de sílabas em situação inicial da palavra
Utiliza frases de duas a três palavras
Compreende ordens simples Aguarda pela sua vez para falar
C3
Recorre frequentemente ao gesto para auxiliar uma mensagem oral
Utiliza essencialmente a holofrase no seu discurso oral, omitindo grande parte das sílabas que compõem a palavra
Nomeia as pessoas da sala
Utiliza expressões faciais e corporais para fazer entender melhor a sua mensagem oral
É capaz de estar atento a ouvir uma história simples
Compreende instruções simples, dadas pelo adulto
Quadro 18 – Resumo das competências linguísticas dos sujeitos participantes
No que concerne às competências tecnológicas, assistimos a várias sessões na sala de informática em contexto de grupo, com a utilização do computador e diferentes periféricos, nomeadamente a track-ball12 e o rato. Com estas observações pretendíamos verificar a capacidade de utilização dos dispositivos de input (track-ball, rato e teclado), assim como do
12
A trackball é um periférico, com as mesmas funcionalidades do rato, que se encontra inserida numa base fixa, sendo recomendada a crianças de tenra idade e/ou que apresentem dificuldade ao nível da motricidade fina, tendo as crianças mais facilidade em controlá-la, relativamente a um rato normal.
Capítulo IV Apresentação, discussão e análise do material recolhido
interface gráfico e, consequentemente, adaptar as soluções a implementar em função dos resultados obtidos.
Durante essas observações as crianças revelaram facilidades no manuseamento da track- ball e na navegação dos programas, confirmando-se algumas competências a nível de destrezas manipulativas, e até mesmo com a utilização do rato. As observações posteriores com os dispositivos de input centraram-se na interacção com o rato, tendo todos os participantes revelado competências ao nível da manipulação de programas com este periférico. Optámos por eleger este periférico como dispositivo de interacção com os conteúdos, pelo facto do rato normal possuir um cursor mais eficiente e por esta constituir uma oportunidade de as crianças treinarem e aperfeiçoarem os movimentos de coordenação olho-mão, implicados com o manuseamento deste periférico na interacção com o computador.
Essas sessões incidiram, igualmente, na recolha de informações relativamente aos programas preferidos pelas crianças e com o manuseamento dos mesmos percebermos quais os ícones que melhor resultariam com eles na navegação dos conteúdos a preparar, bem como as personagens que melhor poderiam resultar na interacção com os conteúdos a propôr.
Dentro dos programas por eles escolhidos com mais frequência encontravam-se “O foguetão 2000”, “O baú dos brinquedos” e um CD de imagens com músicas tradicionais portuguesas, tendo-nos incentivado para a construção das histórias e dos extractos das canções de carácter multimédia.
Este período de observações, permitiu-nos igualmente aferir qual a viabilidade de fazer o estudo contemplando a hora dos momentos de escolha. Com efeito, podemos constatar que a agitação natural resultante da interacção com o computador, fez desviar o foco de atenção dos sujeitos participantes em detrimento das produções verbais dos colegas que se encontravam posicionados nos diferentes pontos da sala. Sentimos, igualmente, dificuldade em perceber as produções verbais das crianças participantes, sendo por isso solicitada à Directora do colégio para que a nossa intervenção se desenvolvesse no período anterior ao período de escolhas, especificamente das 9:00 às 10:30, a fim de evitar, por um lado, a sobrecarga na sala de informática, que apenas está preparada para receber 6 crianças por turno, e principalmente, por termos a percepção de que a presença dos colegas iria condicionar a prestação dos sujeitos participantes, daí a nossa opção ter recaído em sessões de carácter individual.