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El problema en el seu context

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Capítol 1: El plantejament del problema

1.1 El problema en el seu context

Na prática discursiva há um feixe de relações em que os discursos se relacionam e se formam. Esses feixes criam um sistema de formação dos enunciados, mas não devem ser tomados como blocos imóveis e estáticos. O sistema de formação deve ser compreendido como um feixe de relações que funcionam como regras que determinam “o que deve ser correlacionado em uma prática discursiva, para que esta se refira a tal ou a tal objeto, para que empregue tal ou tal enunciação” (FOUCAULT, 2008, p. 82). O sistema de formação “caracteriza um discurso ou um grupo de enunciados pela regularidade de uma prática” (FOUCAULT, 2008, p. 82).

Por meio das regras ou sistemas de formação, novos objetos, sujeitos, contextos aparecem e recobrem um mesmo discurso. Dessa forma, pode haver mudanças na forma como o discurso se materializa devido às práticas discursivas, mas não na regularidade e no interior dos discursos (FOUCAULT, 2008). A formação discursiva está relacionada à esta regularidade presente nos discursos produzidos por um mesmo conjunto de regras de formação, ou seja, um mesmo sistema de formação. Ela

[...] não desempenha, pois, o papel de uma figura que pára o tempo e o congela por décadas ou séculos: ela determina uma regularidade própria de processos temporais; coloca o princípio de articulação entre uma série de acontecimentos discursivos e

outras séries de acontecimentos, transformações, mutações e processos. Não se trata de uma forma intemporal, mas de um esquema de correspondência entre diversas séries temporais (FOUCAULT, 2008, p. 83).

A correspondência pode ser relacionada ao objeto do discurso, visto que em uma formação discursiva os discursos formam, de forma sistêmica, os seus objetos. Contudo, os objetos podem não ser constantes, podem variar, pois o contexto social também o muda – mas não o sistema de dispersão, os sentidos, as relações que o compõe. Os discursos pertencentes a uma mesma formação discursiva estão ligados por um mesmo conjunto de enunciados em diferentes momentos de enunciação. Metaforicamente seria como os espaços de uma teia, onde cada espaço – cada discurso – tomaria uma forma, mas ainda estaria ligado aos outros discursos. Haveria uma regularidade, uma ordem nesses enunciados que deriva do seu sistema de formação, isto é, do nexo das regularidades que regem sua dispersão (FOUCAULT, 2008). É o sistema de dispersão que determina a regularidade da formação discursiva.

No caso em que se puder descrever, entre um certo número de enunciados, semelhante sistema de dispersão, e no caso em que entre os objetos, os tipos de enunciação, os conceitos, as escolhas temáticas se puder definir uma regularidade (uma ordem, correlações, posições e funcionamentos, transformações), diremos, por convenção, que se trata de uma formação discursiva (FOUCAULT, 2008, p. 43).

As regularidades/formações discursivas possuem um mesmo núcleo de sentido, justamente pela semelhança nos enunciados ou pelas regras de formação e dispersão. Orlandi (2013) aponta que o sentido por si só é inexistente, ele é determinado pelas posições ideológicas do processo sócio-histórico em que as palavras são produzidas. Desse modo, a concepção de formação discursiva permite compreender o processo de produção de sentidos e a sua relação com a ideologia, além da possibilidade de estabelecer regularidades no funcionamento do discurso. A formação discursiva “se define como aquilo que numa formação ideológica dada – ou seja, a partir de uma posição dada em uma conjuntura sócio- histórica dada – determina o que pode e deve ser dito” (ORLANDI, 2013, p. 43).

Dessa noção, Orlandi (2013) assinala dois pontos importantes: o primeiro é que o sentido do discurso se constitui por estar inscrito em uma dada formação discursiva. As FDs representam no discurso as formações ideológicas, assim, o sentido ele próprio é determinado ideologicamente. Os discursos que os sujeitos produzem possuem um traço ideológico que se relaciona a outros traços ideológicos, refletindo, dessa maneira, a forma como linguagem e ideologia se relacionam.

Para Orlandi (2013, p. 43) “[...] todo discurso se delineia na relação com outros: dizeres presentes e dizeres que se alojam na memória”, nesse sentido a autora expõe o conceito de interdiscurso, segundo o qual, uma formação discursiva pode ser entendida como “regionalizações do interdiscurso”. Isso significa que as FDs são blocos do discurso que se relacionam umas às outras e fazem com que determinado discurso faça sentido em relação a si mesmo e em relação aos outros.

Tal afirmação leva ao segundo ponto destacado pela autora: “É pela referência à formação discursiva que podemos compreender, no funcionamento discursivo, os diferentes sentidos” (ORLANDI, 2013, p. 44). Uma mesma palavra ou frase pode possuir diferentes significados por se inscreverem em diferentes formações discursivas, consequentemente diferentes contextos de produção e de relações com o objeto. Dessa forma, observando o contexto e produção e a memória discursiva, isto é, o já dito, “o saber discursivo que torna possível todo o dizer” (ORLANDI, 2013, p. 31), o analista deve remeter o dizer às formações discursivas possíveis para compreender o sentido presente no discurso pronunciado, no discurso dito.

Sobre o sentido, Orlandi (2013, p. 45) reflete que o ele é um efeito ideológico, e que a sua existência no discurso dito camufla o caráter material do discurso, constituído pela historicidade da sua construção. O sentido, portanto, é condicionado “dada a forma com que os discursos se inscrevem na língua e na história” (SILVA, 2008, p. 42). O sentido, de acordo com Silva (2008), reflete o falado antes, em outro espaço e tempo, reflete o interdiscurso, que fornece materiais para uma formação discursiva. Assim, o sentido, que é constitutivo do discurso dito, está sob domínio da memória discursiva (SILVA, 2008), daquilo que já foi dito em outro espaço-tempo.

De todo modo, Orlandi (2013) aponta que “ao longo do dizer, há toda uma margem de não-ditos que também significam, [...] há sempre no dizer um não-dizer necessário” (ORLANDI, 2013, p. 82). O não-dito, está imbricado não somente na noção de interdiscurso e ideologia, como também na noção de formação discursiva, pois uma formação discursiva pressupõem outra; um dito, pressupõe um não dito, um sentido oculto no discurso dito. Nas palavras da autora, o analista, numa prática que ela denomina como leitura discursiva, deve

[...] considerar o que é dito em um discurso e o que é dito em outro, o que é dito de um modo e o que é dito de outro modo, procurando escutar o não-dito naquilo que é dito, como uma presença de uma ausência necessária [...] porque [...] só uma parte do dizível é acessível ao sujeito pois mesmo o que ele não diz (e que muitas vezes ele desconhece) significa em suas palavras. (ORLANDI, 2013, p. 34).

Portanto, como aponta Silva (2008), é da relação entre o dizível e o não-dizível, isto é, entre o dito e o não-dito, que decorre a produção do sentido no discurso. Assim, os sujeitos e os sentidos do seu discurso, são afetados e determinados pelas formações discursivas “as quais operam através dos saberes constituídos na memória do dizer. As formações discursivas, como lugar de construção dos sentidos, são inscritas numa formação ideológica e determinam ‘o que pode ou deve ser dito’” (SILVA, 2008, p. 43). Ao dizer, a formação discursiva na qual o discurso do sujeito está adscrito estabelece relação com a ideologia, com a memória discursiva em torno do objeto e com uma gama específica de não-ditos que fazem “os contornos do dito significativamente. Não é tudo que não foi dito, é só o não dito relevante para aquela situação significativa” (ORLANDI, 2013, p. 83).

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