7.1.1 Grupo “M” (Musculação)
No que diz respeito à força, neste grupo pudemos constatar que não se verificaram melhorias significativas entre o 1.º e o último momento de avaliação, apesar de na extensão do joelho os valores finais serem sempre superiores aos iniciais, ao contrário do que se verifica na flexão, onde se denota uma tendência para a diminuição da força (com percentagens de alteração de -10.01, -4.66 e -0.93%), facto para o qual não encontramos qualquer explicação. Estes dados não estão de acordo com a literatura, pois são vários os estudos que referenciam ganhos de força com um treino específico, tanto na extensão, como na flexão do joelho (Carvalho, 2002; Spila, e col., 1996; Brandon e col., 2000, Puggaard e col., 1994; Vincent & Braith, 2002; Cavani e col., 2002). Este facto poderá estar relacionado com os elevados níveis de força inicial das nossas idosas que eram bastante activas (dados não apresentados mas verificados através do questionário de Baecke Modificado).
Venâncio (2004), num estudo similar ao nosso, também em mulheres idosas, divididas em dois grupos, um de musculação e outro de ginástica de manutenção, corrobora os nossos resultados, não obtendo melhorias significativas neste grupo e obtendo inclusive um resultado significativamente negativo, tal como nós. Este resultado negativo foi coincidente com o nosso (flexão a 180º/seg. do membro não dominante), sendo a sua explicação difícil, teremos que concordar com o autor quando este refere que estes resultados são produto de vários factores, entre os quais se inclui a elevada velocidade do
exercício (180º/seg.), que é oposta às recomendações feitas às idosas durante as sessões de musculação. Para além deste facto, apenas foi realizado um exercício específico para a flexão (seated leg curl), o que pode ser insuficiente para melhorias significativas nestes idosos (Spila e col., 1996).
É ainda de salientar que em metade dos parâmetros (extensão do membro dominante nas duas velocidades, do não dominante a 60º/seg. e flexão do membro não dominante a 60º/seg.), os valores do 2.º momento de avaliação são significativamente superiores ao do 1.º momento, apesar de o 3.º momento não apresentar essas melhorias. Estes valores podem dever-se ou ao factor aprendizagem, ou a factores neurais que, como sugerem vários estudos, são responsáveis por aumentos significativos de força nos primeiros meses de treino. Por exemplo, Pyka e colaboradores (1994), encontraram aumentos da força “isotónica" em idosos após um ano de treino de força, sendo que esta aumentou após os 3 primeiros meses e depois entrou num “plateau”, tal como verificou Carvalho (2002). Também Lexell e colaboradores (1995), realizaram um estudo onde os idosos, após 6 meses de destreino, realizaram um treino de 11 semanas, apresentando ganhos lineares, quer nos extensores do joelho, quer nos flexores do cotovelo. Estes ganhos após re-treino foram, na sua globalidade, mais baixos do que na fase inicial de treino, com duração semelhante e idêntico protocolo experimental. De acordo com todos estes autores, os seus resultados sugerem que a primeira fase de aprendizagem e o controlo neural podem ser determinantes para os maiores ganhos iniciais de força.
Para além disso, podemos considerar, também, a desmotivação dos idosos na realização deste teste pela terceira vez, aspecto fundamental na realização dos testes e que influencia sobremaneira a forma e o resultado deste. Assim, e apesar de tentarmos sempre dar um incentivo verbal para que seja sempre efectuada a força máxima em todos os momentos de avaliação, parece-nos possível que os factores motivacionais tenham tido uma influência negativa na 3ª avaliação, e provavelmente positiva na 2ª.
7.1.2 Grupo “G” (Ginástica geral)
Neste grupo verificaram-se ganhos significativos na força muscular em 3 dos 4 parâmetros da extensão e 1 dos 4 da flexão, os restantes resultados, apesar de não serem significativos, apontam também para uma melhoria dos níveis de força, apresentado percentagens de alteração positivas que variam entre os 2.28 e os 10.64%. Estes dados são um pouco surpreendentes, pois não estão de acordo com a maioria da literatura, onde se verifica que, sem um treino específico de força não se verificam ganhos significativos da mesma (Carvalho, 2002; Fiatarone e col., 1994, Latham e col., 2004; Fontes, 2004). Isto apesar das melhorias da força isométrica que Puggaard e colaboradores (1994) verificaram no seu estudo com a aplicação de um programa de treino generalizado, o mesmo acontecendo com Venâncio (2004) no grupo de “Ginástica de Manutenção”. Por exemplo, Carvalho (2002), num estudo realizado em idosos do Grande Porto, divididos em 2 grupos, um que apenas praticava “Ginástica de Manutenção” e outro que para além dessa praticava “Musculação”, concluiu que as sessões de “Ginástica de Manutenção” não induziram ganhos significativos de força nos músculos flexores e extensores do joelho. À mesma conclusão chegou Fontes (2004), também num grupo praticante de “Ginástica de Manutenção”. Ambas as autoras justificaram esses resultados com a possível baixa intensidade e cargas de treino insuficientes para ganhos de força significativos. Também Carvalho e colaboradores (2004a) verificaram que um programa bissemanal de actividade física geral não provoca alterações significativas na força dos idosos.
7.1.3 “M” vs “G”
Quando comparamos os valores de força entre os dois grupos verificamos que, apesar de não se verificarem resultados significativos, o grupo M apresenta sempre valores mais elevados do que o G em todos os
momentos. O mesmo se verifica nos resultados de Carvalho (2002) e Venâncio (2004).
No que diz respeito às modificações induzidas pelos diferentes treinos, verificamos que existem mais diferenças estatisticamente significativas do 1.º para o 3.º momento de avaliação no grupo G do que no grupo M (0 do grupo M contra 3 na extensão e 1 na flexão do grupo G), o que contraria totalmente a maioria da literatura onde os ganhos de força são superiores no treino específico em relação ao treino aeróbio (Spila e col., 1996; Frontera e col., 2000; Lynch e col., 1999; Frontera e col., 1991; Carvalho, 2002; Brandon e col., 2000, Puggaard e col., 1994; Vincent & Braith, 2002; Cavani e col., 2002).
Apesar disso, quando comparamos as percentagens de alteração de ambos os grupos, não encontramos diferenças estatisticamente significativas. De qualquer forma, o grupo G apresenta percentagens de alteração superiores ao grupo M em todos os parâmetros, excepto a extensão do membro não dominante a 60º/seg., mais uma vez contrariando a literatura consultada, mas de acordo com os resultados obtidos por Venâncio (2004).
Ainda assim, se verificarmos as diferenças entre o 1.º e o 2.º momento de avaliação, podemos encontrar, no grupo M, valores significativamente superiores neste último, que depois são mais ou menos mantidos até ao final do protocolo, o que vai de acordo com a literatura que refere os maiores aumentos na fase inicial de treino, devido a factores neurais (Pyka e col., 1994; Lexell e col., 1995;Carvalho, 2002; Venâncio, 2004).
O facto de não se verificarem melhorias significativas em todos os parâmetros nas avaliações das nossas idosas, pode dever-se ao facto de estas serem bastante activas no seu dia-a-dia, o que levou a que os seus valores basais fossem, já por si, bastante elevados. Já Carvalho (2002) verificou que o grupo de idosos menos activo apresentou ganhos de forças superiores ao mais activo em todas as variáveis estudadas, mas beneficiando mais com o programa combinado de “Ginástica de Manutenção” + “Musculação” . Também Gauchard e colaboradores (2003) referem que os ganhos de força estão associados aos níveis iniciais da mesma, assim como aos valores basais de
actividade física, pois valores mais baixos tornam mais evidentes os ganhos obtidos.