2. MARC TEÒRIC
2.1 EL CONFLICTE DELS CONCEPTES
As necessidades de informação acompanham o ser humano durante a trajetória de vida. Platt (1959 apud SHERA, 1977) afirma que o ser humano possui cinco necessidades: primeiramente as quatro fundamentais: ar, água, abrigo e alimentação, “e a quinta necessidade do homem [...] é a necessidade de informação, de um fluxo de estímulos contínuo, novo, imprevisível, não redundante, e surpreendente".
Existem diferentes concepções com relação ao significado de necessidade de informação. Essas, geralmente, são relacionadas ao próprio conceito de informação defendido por pesquisadores distintos.
Le Coadic (1996, p. 9), por exemplo, narra o surgimento de uma necessidade de informação (NI):
nosso estado (ou nossos estados) de conhecimento sobre determinado assunto, em determinado momento, é representado por uma estrutura de conceitos ligados por suas relações: nossa “imagem” do mundo. Quando constatamos uma deficiência ou uma anomalia desse(s) estado(s) de conhecimento, encontramo-nos em um estado anômalo de conhecimento.
Para o autor, a necessidade de informação representa uma anomalia cognitiva constatada pelo indivíduo. Também Miranda (2006, p. 102), com base nos estudos de Le Coadic (1998) discute o tema e afirma que as necessidades de informação:
8 A partir do levantamento bibliográfico realizado no trabalho de Trein (2013) e
também a partir da observação pessoal desta pesquisadora, percebemos que pesquisas envolvendo o tema Competência Informacional vêm obtendo representatividade dentre os temas explorados em publicações e eventos científicos na área da Ciência da Informação dos últimos anos, o que contribui para o fortalecimento do corpus teórico da temática.
traduzem um estado de conhecimento no qual alguém se encontra quando se confronta com a exigência de uma informação que lhe falta e lhe é necessária para prosseguir um trabalho. Ela nasce de um impulso de ordem cognitiva, conduzido pela existência de um dado contexto e pela constatação de um estado de conhecimento insuficiente ou inadequado.
Carol Kuhlthau (1993) parece pertencer à mesma linha de Miranda (2006). A autora afirma que uma necessidade de informação surge quando o indivíduo se dá conta de que existem gaps cognitivos, que dificultam a realização de uma tarefa. Então, o indivíduo sente a necessidade de “fazer uma ponte” entre esses gaps, o que caracteriza a busca pela informação.
A definição de Le Coadic que apresentamos anteriormente vincula a necessidade de informação a uma situação, um contexto. Por isso, a autora, ainda com base em Le Coadic (1998), ressalta que a necessidade de informação “é uma necessidade derivada, comandada pela realização de uma necessidade fundamental [...] não pode estar separada do contexto, da situação, do ambiente, que são essenciais para estabelecer o seu diagnóstico” (MIRANDA, 2006, p. 102).
Martínez-Silveira e Oddone (2007) também esclarecem sobre a característica da necessidade de informação como uma necessidade derivada, e ainda afirmam que estas geralmente se originam de situações relacionadas à vida e a atividades cotidianas dos indivíduos. Miranda (2006) também nos esclarece que a necessidade de informação nasce dos papéis dos indivíduos na vida social, como, por exemplo, de uma situação no trabalho.
Le Coadic (1996) classifica as necessidades fundamentais em dois grupos. Nesta obra, o autor defende que a causa imediata para uma necessidade informacional pode ser tanto comandada pelo simples desejo de saber (em função do conhecimento); quanto pela necessidade de atender a um objetivo (em função da ação).
Miranda (2006), a partir da leitura da literatura científica sobre Necessidades de Informação (NI), classifica-as em três dimensões: cognitiva, situacional e afetiva. A dimensão cognitiva se refere às lacunas de conhecimento e de sentido (que, em nosso entendimento, pode corresponder à necessidade em função do conhecimento determinada por Le Coadic). A dimensão situacional acontece quando a NI é gerada a partir de situações que acontecem no ambiente em que o
indivíduo está inserido: trabalho, estudo, etc. Sugere corresponder às NI em função da ação estabelecida por Le Coadic (1996). Já a dimensão afetiva é gerada por sentimentos de incerteza e insegurança diante de uma situação problemática, que pode ser de ordem cognitiva ou situacional. Porém, o que guia o indivíduo na busca e uso da informação são os sentimentos.
Independentemente de qual seja o contexto maior, Kuhlthau (1991) ressalta que a necessidade de informação gera um sentimento de inquietação, de frustração e de ansiedade: acontecem devido à percepção de que “algo está errado”. Esses sentimentos são saudáveis, pois desencadeiam no indivíduo a necessidade de identificar essa necessidade, e então, iniciar o processo de busca pela informação.
Miranda (2006) ainda estabelece uma relação entre o princípio das NI e o princípio da Competência Informacional (ilustração 2). Para a autora, “a Competência Informacional pode ser definida em torno de três dimensões relacionadas ao saber (conhecimentos), saber-fazer (habilidades) e saber-agir (atitudes)” (MIRANDA, 2006, p. 109). Ainda, cada dimensão de uma necessidade de informação requer uma competência específica para a busca e uso da informação. Então, a autora estabelece as competências específicas que os indivíduos devem desenvolver para a busca e uso da informação, de acordo com a natureza de suas necessidades de informação. Para Miranda, as necessidades cognitivas demandam o desenvolvimento da competência que contempla o saber (conhecimento); as necessidades situacionais demandam o saber fazer (habilidades); enquanto as necessidades cognitivas exigem dos indivíduos competências relacionadas com o saber agir (atitudes).
Ilustração 2: Ligação possível entre as dimensões das NI e as competências
É clara a relação entre NI e Competência Informacional: isso ocorre, primeiramente, pelo fato de a NI constituir uma etapa do processo de desenvolvimento dessa competência. Ou seja, entendemos que, sem que as necessidades de informação estejam clarificadas, não existe desenvolvimento da Competência Informacional. Martínez- Silveira e Oddone (2007, p. 119) esclarecem: “a necessidade de informação só é percebida quando expressa pelo indivíduo”. Dessa forma, não existe desenvolvimento, tampouco estímulo para o processo de busca, se não houver o reconhecimento dessa necessidade por parte do próprio indivíduo.
O processo de desenvolvimento da Competência Informacional também é composto, segundo Vitorino e Piantola (2011), por quatro dimensões, que serão abordadas na próxima subseção.