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R´ egime de lumi` ere lente et ing´ enierie de dispersion dans les

2.3 Guides ` a Cristaux Photoniques

2.3.2 R´ egime de lumi` ere lente et ing´ enierie de dispersion dans les

O setting terapêutico tem a ver basicamente com o que acontece e como acontece entre os integrantes do processo psicoterapêutico, terapeuta/paciente. Nesse processo, o profissional depara- se no exercício da clínica psicanalítica com as múltiplas faces do sofrimento humano. Situações que muitas vezes nos colocam frente a desafios instaurados instantaneamente que necessitam de respostas rapidas, pondo em teste todo o conteúdo teórico que embasa a abordagem. A sensibilidade do terapeuta é fundamental para observação de elementos essenciais para chegar a conclusões psicodiagnósticas. Nesse campo são englobados todos os componentes organizadores do setting: o espaço físico de atuação, o contrato estabelecido, assim como os princípios da própria relação, transferencial e contratransferencial, estabelecida entre os envolvidos (BARROS, 2013). Nesse sentido, nos primeiros atendimentos foram trabalhados as questões acolhimentos, entrevistas para iniciar o processo avaliação, tendo como foco o estabelecimento de vínculo para uma transferencia positiva.

A partir das primeiras sessões, já é possível perceber que a dinâmica familiar da paciente é disfuncional, sua história familiar pregressa é marcada por conflitos que não são favoráveis para o

desenvolvimento saudável da personalidade de maneira geral, que de acordo com Dagnoni e Garcia (2014) para desenvolver-se de maneira saudável, é importante o indivíduo vivenciar ambientes mediados pela relação de vínculos apoiadores positivos, considerados os vínculos estabelecidos entre pessoas que promovem uma convivência harmoniosa entre os ambientes frequentados. Estes vínculos diminuem os conflitos cognitivos gerados pela convivência com a diferença, exercendo uma força positiva a favor do desenvolvimento. Ainda conforme Matioli, Rovani & Noce (2014) os alicerces da estruturação da personalidade de um indivíduo é a qualidade de interação entre o recém- nascido e sua mãe. A ausência de figuras cuidadoras constantes pode dificultar esse desenvolvimento. Uma mãe bem preparada deve suprir as necessidades físicas e emocionais de seu bebê e auxiliá-lo na construção de sua personalidade. Isto porque a criança recém-nascida chega ao mundo em uma condição de vulnerabilidade.

Diz que estar perdida, que não gosta de ninguém e ninguém gosta dela, fala frases do tipo “essa cidade me odeia”, “Acho que ninguém gosta de mim”. Vou questionando sobre essa percepção que ela tem sobre aceitar as pessoas e ser aceita por elas. Ela fala que as pessoas que deveriam gostar dela a abandonaram por que ela vai gostar das pessoas, “não tem lógica”, “meu pai eu nem sei quem é, queria saber, não achava que sentia falta de ter um pai, mas depois que terminei meu relacionamento, comecei a perceber que existe um vazio dentro de mim, uma frieza e desconfiança de tudo, minha mãe, sempre foi louca, deu a responsabilidade de me criar pra mim avó, pouco tempo atrás morei um tempo com minha mãe, mas não deu certo e ela acabou me expulsando de casa. Minha avó me criou por que não teve opção, então agora estou sozinha, sou sozinha”. (informação verbal).

Os processos de desenvolvimento da subjetivação da personalidade da paciente foram prejudicados pelo ambiente que foi criada, a falta dos vínculos maternos e familiares saudáveis influencia em todo o desenvolvimento da percepção de si e do mundo, nesse sentido, apresenta má formação nas estruturas do ego, suas angustias, seu discurso notadamente caracterizado pelo pessimismo sobre si e sobre as pessoas. Encontra-se com seu ego fragilizado, suas ansiedades, perspectivas fantasiosas para o futuro, e mecanismo mais primários como fuga e negação. Esses mecanismos de defesa tem diversas funções em operações mentais com o objetivo de reduzir as tensões psíquicas internas, tudo isso é processado pelo ego, ou seja, existe uma dificuldade de criar meios adequados para a satisfação dos prazeres (ZIMERMAN, 1999). Ainda o mesmo autor, fala que o funcionamento do indivíduo segue uma psicodinâmica de integração dos três componentes do aparelho psíquico, id, ego e superego, trabalhando junto para a percepção de tudo em sua volta. Lógicamente nesse contexto as disfunções em uma área acarretará na formação de outra, estamos falando no superego, visto que a paciente do estudo de caso, não possui desempenho adequado dessa estrutura, não conseguindo lidar com o id e ego, acabando na satisfação do prazer da maneira mais rápida e fácil, apresentando comportamentos delinquentes e dificuldade de respeito a autoridade e pouca consideração pelos ajustamentos sociais de maneira geral. Isso justifica alguns fatores da pré disposição para o envolvimento com drogas, uma busca direta e desenfreada para o prazer, para o alívio das tensões psicológicas. Andrade (2013) afirma que o uso abusivo de drogas como um sintoma do sujeito, deriva-se de um desejo recalcado. Já que em primeira instância a satisfação de tal desejo fora negada, ela encontrará uma outra ideia que não seja proibida pelo Ego. O uso abusivo de substâncias químicas seria então uma das formas da substituição de um jeito reconhecido não mais como satisfação primária, mas como um curativo para

Outro mecanismo de defesa identificado é o processo chamado de repressão, que conforme Silva (2010) é considerado um mecanismo comum do ego, que consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo-a a distância, no inconsciente, as ideias angustiantes intrapsíquicos resultantes de toda a conjuntura estrutural do sujeito. A paciente reprime praticamente toda sua infância, as tentativas em adentrar em na sua história infantil para identificar possíveis determinantes dos seus sintomas, foram surpreendidas por respostas

convictas de que não tinha muitas memórias da sua infância, foi apenas depois de muitas análises e intervenções que apresenta a evocação de algumas memórias, e todas elas com sentidos de abandono e desamparo.

Como o caso necessida de intervenção com certa urgencia, pela dependencia psicológica de substancias psicoativas e o severo desajustamento nas estruturas da personalidade e a vida intrapsíquica, o manejo clínico foi direcionado para uma psicoterapia voltada para a busca de insigths, sendo que os mecanismos terapêuticos não se sustentam muitas vezes na resolução de estruturas mais inconscientes, dado que as condições do paciente dentro do seu contexto atural podem não ser apropriadas, exigindo práticas com o objetivo de mitigar os sofrimentos atuais mais latentes do sujeito (BRAIER, 2008). A obtenção de insights vai aparecendo quando a paciente começa a falar sobre sua vida na infancia e adoslecencia, como foi criada pela avó, nesse sentido algumas angustias reprimidas tornam a consciência e ela começa a perceber as coisas positivas que aconteceram também na sua vida, pois, sempre teve condições de satisfazer os aspectos básicos de sobrevivência.

Relata que a avó sempre moveu mundos por ela, acha até que ela tinha até uma obsessão, sempre deu tudo que precisava, “sempre me protegeu muito, tenho só que agradecer a ela”, mas nunca tivemos uma relação muito carinhosa, recebia mais lições do que afeto. Foi criada com outro neto, um menino, que sempre podia fazer tudo, sair, trazer os seus amigos brincar na casa, e ela nunca pôde nada. Mas no inicio da juventude com 18 anos ela começa a sair e se envolve com um menino que viria ser seu namorado e quando a avó soube que ela fumava maconha, ai começaram as brigas, “foi muito conflitante”. Fala que nunca teve a sua avó como figura materna e de autoridade, “não tenho respeito de autoridade por ninguém”, apresentando falta de percepção de figuras de autoridade, bem como de regras e leis dentro do contexto social. (informação verbal).

É perceptível uma projeção da avó para com a neta, criando-a por meio de lições severas que não supriram as necessidades de vínculos saudáveis, pela sua cultura e também pela experiência materna que teve com a filha, mãe dessa neta. Assim, ao invés de estar desenvolvendo de maneira adequada sua personalidade, as identificações com o ambiente conflitante potencializa as lacunas entre id, ego e superego, é trabalhado então no sentido de integração desses sistemas, fazendo com que haja uma dinâmica de conta de procurar a homeostase psíquica (ZIMERMAN, 2004).

Como a paciente possui uma dependência psicológica do uso de substancias psicoativas, sugiro algumas coisas para que sejam feitas de modo a ajudar no processo de abstinência. A prática de exercícios físicos promove a diminuição da ansiedade e faz com que o corpo libere alguns hormônios que ajudam na sensação de prazer e bem estar. Conforme Gonçalves (2018, p. 8):

É comprovado que a musculação influencia tanto aspectos positivos relacionados à mente de um indivíduo, quanto aspectos físicos, que obviamente também estão inseridos com os aspectos neurológicos. A prática da musculação é capaz de estimular não só receptores diversos hormonais, mas também a produção de hormônios, os quais estão diretas ou indiretamente associados com os níveis de humor. Entre eles, pode-se citar a dopamina, a adrenalina, a

noradrenalina, a serotonina e a própria insulina, que de maneira indireta auxilia nos níveis elevados de energia ao corpo. Além disso, a musculação está associada com níveis elevados de testosterona, hormônio esse que se estiver em baixa quantidade no organismo, também poderá facilitar para que os indivíduos venham a ter problemas emocionais.

A paciente tem uma boa resposta a terapia, ela apresenta pensamentos mais positivos sobre si e os outros, fazendo caminhadas com seu cão, mas ainda sente vontade de fazer uso de maconha e álcool. Mas ela é tão fragilizada, que há um desentendimento com a tia, voltam os pensamentos fantasiosos de ir embora com uma barraca, de sentimento de culpa, de estorvo na vida da tia, vontade de fugir. Por ter baixa capacidade para lidar com frustrações, uma discussão é suficiente para que todo seu sofrimento psíquico apareça de repente.

A presença de múltiplos fatores que influenciam o quadro clínico da paciente em questão, configura o setting terapêutico intenso e complexo, exigindo do terapeuta paciência para adentrar nas questões mais particulares do sujeito ou por outro lado a intervenção mais diretiva para o problema, cumprindo a maior eficácia da metodologia implicada no processo psicoterapêutico.