I. PART
1.1. EFTA 5
Sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) tornaram-se um padrão no gerenciamento de negócios em, praticamente, todos os setores em que a automação da informação é possível (SHAOJUN et al., 2008). Entretanto, diversos autores apontam que existe uma lacuna entre o que sistemas ERP conseguem contribuir para a manufatura, em termos de planejamento e scheduling, e o que as organizações realmente precisam (HVOLBY & STEGER-JENSEN, 2010).
De maneira geral, APSs oferecem melhor performance e maiores funcionalidades que ERPs, na área de planejamento da produção. Segundo vários autores, a implantação do APS foca em solucionar problemas de planejamento ao invés do sistema como um todo (HARJUNKOSKI, NYSTROM & HORCH, 2009; CHEN & JI, 2007).
Segundo Vidoni e Vecchietti (2010), faltam, em sistemas ERP, funcionalidades empresariais estendidas, flexibilidade ao se adaptarem às mudanças na cadeia de suprimentos, capacidade de suporte à tomada de decisões avançadas e a falta de uma arquitetura modular aberta. Segundo Ozturk e Ornek (2014), esses problemas estão atrelados, diretamente, ao raciocínio básico falho de sistemas MRP-II (Manufacturing
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2.6 SISTEMAS APS
Em uma cadeia de suprimentos, decisões devem ser tomadas constantemente, seja para a atribuição de uma tarefa a uma máquina ou para a construção de uma nova planta fabril de uma empresa. Assim, as atividades que compõe o planejamento de uma cadeia de suprimentos (Supply Chain Planning) abrangem desde o projeto da cadeia de suprimentos, coordenação operacional e até atividades de scheduling.
É sabido que o escopo, assim como o objetivo de aplicação, de sistemas Enterprise
Resources Planning (ERP) não residem na área de planejamento. Dessa maneira, sistemas Advanced Planning Systems (APS) têm a capacidade de preencher esta lacuna.
Os sistemas de planejamento avançado (APS) baseiam-se na implementação dos conceitos de planejamento anteriores a partir de padrões industriais e bases algorítmicas. Dessa maneira, a arquitetura de um sistema APS é aberta, de maneira a contemplar novos modelos e algoritmos.
Segundo a APICS (2008), um sistema APS pode ser definido como qualquer programa de computador que se utiliza de algoritmos matemáticos avançados, ou lógica, para realizar a otimização ou a simulação de capacidade finita, previsão e gerenciamento de demanda, planejamento de recursos, outsourcing, entre outras atividades. Um sistema APS, frequentemente gera e avalia múltiplos cenários, cabendo à liderança de uma organização selecionar um destes e assim, torná-lo o “plano oficial”.
Ainda segundo a APICS, um sistema APS deve apresentar as seguintes características:
1) Utilizar operações matemáticas avançadas para realizar otimizações e simulações; 2) Considerar recursos finitos;
3) Incluir, pelo menos, um dos seguintes componentes: a) Planejamento de demanda;
b) Planejamento da produção; c) Programação da produção; d) Planejamento da distribuição; e) Planejamento do transporte.
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Existem, atualmente, diversos pacotes de softwares que contemplam modelos e soluções algorítmicas, atribuídas pela pesquisa operacional, entretanto, um sistema APS, independentemente do desenvolvedor, apresenta uma arquitetura comum.
Segundo diversos autores, um sistema APS apresenta diversos grupos de funcionalidades, denominados “níveis de planejamento” ou “módulos” (FLEISCHMANN & MEYR, 2003; HADAYA & PELLERIN, 2008; HVOLBY & STEGER-JENSEN, 2010; KUNG & CHERN, 2009; MEYR, ROHDE & STADLER, 2002; STADLER, 2005; STAEBLEIN & AOKI, 2014; ZORYK-SCHALLA et. al., 2014; OZTURK & ORNEK, 2014). Assim, os níveis de planejamento são definidos segundo Fleischmann e Meyr (2003):
- Planejamento Estratégico; - Planejamento Agregado; - Gestão da Demanda;
- Planejamento de Materiais e Compras; - Programação Mestre da Produção; - Programação Detalhada;
- Planejamento da Distribuição; - Programação das Entregas;
- Gerenciamento de Pedidos e Estoques.
Os módulos listados, assim como os prazos associados, estão representados na Figura 2.
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Figura 2 – Módulos de um software APS cobrindo a matriz de planejamento de uma CS. Fonte: Adaptado de Meyr et al. (2005) e Azanha (2014).
De maneira resumida, os módulos apresentados são responsáveis por:
- Planejamento Estratégico: Contemplar locais de produção, armazéns e suas
localizações, capacidades produtivas das instalações, modais de transporte utilizados, entre outros fatores;
- Planejamento Agregado: Apresentar a maneira mais eficiente de atender as
previsões de demanda, em um período de médio prazo. Devendo coordenar atividades e processos ao longo da cadeia de suprimentos;
- Gestão da Demanda: Contemplar a previsão de demanda esperada, adicionando-
se as influências excepcionais;
- Programação Mestre da Produção em conjunto com Programação Detalhada: Contemplar um detalhamento do Planejamento Agregado, neste
detalhamento são considerados turnos, grupos de máquinas, fluxos de materiais, operações gargalo, assim como seus sequenciamentos e programações;
- Planejamento de Materiais e Compras: Utilizar informações de curto prazo, de
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Programação Detalhada), tais como a lista de materiais (Bill of Materials (BOM)) e programações, para aquisição de materiais;
- Planejamento da Distribuição: Contemplar atividades relacionadas ao
transporte de mercadorias aos consumidores (diretamente), assim como por meio de armazéns, centros de distribuição, cross docking, entre outros;
- Programação das Entregas: Apresentar planejamentos de carregamento/descarregamento de mercadorias, planejamento de rotas de distribuição, períodos de entrega, legislações de trânsito e a viabilidade da utilização de operadores logísticos;
- Gerenciamento de Pedidos e Estoques: Considerar o acompanhamento dos
pedidos de clientes, desde sua ordem de entrada, execução e entrega. Este módulo também é responsável por definir datas de entrega (due dates) e realizar o planejamento da falta de materiais (shortage planning).
De acordo com Shapiro (2001), o aumento do interesse por sistemas de planejamento avançado, no contexto do planejamento da cadeia de suprimentos deve-se a dois motivos principais:
- Primeiramente, a necessidade de modelos e processos de negócios auxiliarem na tomada de decisão, principalmente em atividades como projeto e operação de cadeias de suprimentos;
- Por fim, a necessidade de integrar decisões entre as funções da cadeia de suprimentos, em instalações geograficamente dispersas.
Com os avanços na área de Tecnologia da Informação, decisões baseadas em fatos tornaram-se possíveis e cada vez mais necessárias. Estas, são possíveis pois base de dados empresariais existem, atualmente, em diversas organizações, embora melhorias e ajustes em flexibilidade e funcionalidade desses sistemas ainda sejam necessárias.
Empresas que falham em usufruir dos extensos recursos proporcionados por suas próprias bases de dados, como a criação de modelos, enfrentarão sérias desvantagens competitivas. Novos processos de negócios são necessários para explorar, de maneira satisfatória, todas as vantagens e insights apresentados pelos modelos. Segundo Hvolby
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e Steger-Jensen (2010), a essência de um gerenciamento de cadeias de suprimento, baseado em fatos, possui três importantes dimensões:
- Integração funcional, a qual envolve atividades como aquisição, manufatura e distribuição interiormente à organização e entre seus fornecedores e consumidores;
- Integração geográfica dessas funções ao longo de instalações físicas localizadas em um ou vários continentes;
- Integração estratégica de decisões táticas e operacionais primárias no que diz respeito à aquisição e alocação de recursos e, execução do negócio.