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Efficience / mise en œuvre du Programme

Définition du critère d’évaluation et rappel des questions évaluatives

ENSEMBLE DU PROGRAMME

5 Efficience / mise en œuvre du Programme

Apesar de a intenção desta cartografia não ter foco na descrição dos autores presentes nos temas dos artigos, incondicionalmente observamos a gama variada de autores nos quais amparam-se as análises epistemológicas e organizacionais dos trabalhos, nosso foco de pesquisa. Senão vejamos: em 1995, Vergara e Carvalho Júnior, apresentaram um estudo sobre a produção científica brasileira na área de organizações, concluindo que era significativamente amparada por um referencial estrangeiro, sobremaneira estadunidense e uma menor representação por grupos de autores franceses, britânicos, alemãs e canadenses, havendo em segundo lugar a busca por referências brasileiras; em 2001, Vergara e Pinto, apresentou-se um estudo dando prosseguimento ao anterior, o qual apontou que as referências americanas continuam como as mais apontadas, e em segundo lugar as brasileiras.

Nesse contexto, observamos com esperança de mudanças paradigmáticas, os resultados das referências constantes nos trabalhos do evento em análise, pois, grande parte das fontes bibliográficas citadas vão dos clássicos aos contemporâneos das ciências sociais, como, Durkheim, Weber, Marx, Adam Smith, Ricardo; e contemporâneos, Sousa Santos, Kuhn, Foucault, Freud, Lacan, Simmel,

Popper, Habermans, Talcot Parsons, Norbert Elias, Bruno Latour, Edgar Morin, Giddens, elevando os referenciais a um pensamento universal.

Ainda mais alvissareiras são as citações de autores brasileiros, dentre eles; Guerreiro Ramos, Fernando Prestes Motta e MaurícioTragtenberg, acompanhados de autores mais recentes como Carlos Osmar Bertero, Silvia Constant Vergara e Ana Paula Paes de Paula, Rafael Alcadipani, Alexandre Carrieri, Genauto Carvalho França Filho, Maurício Serva, Fernando Guilherme Tenório, Caroline Andion, Carlos Osmar Bertero, Thomaz Wood Junior, Tânia Fischer, dentre outros, também brasileiros, mas que estão fora do foco da avaliação de nosso trabalho.

Essa diversidade de autores e referências teórico-metodológicas, suscita consigo, múltiplas visões de abordagens para análise dos problemas que se pretende estudar. Contudo, ainda nos ressentimos da citação de autores latinos americanos, além dos brasileiros, talvez denotando que ainda não confiamos nas fontes de referência das epistemologias do sul, do pensamento descolonial; talvez ainda estejamos reforçando a ideologia do pensamento local, o que já torna-se positivo, mas sem articular com pensamentos que carregam consigo as diferentes abordagens de uma descolonização das ideias, nos amparando nos clássicos, é certo, mas ainda olhando para os nossos próprios pés. Mas, apesar da ênfase comentada, encontramos três artigos que apontavam referências aos autores do movimento modernidade/colonialidade, “Em defesa da opção descolonial em administração: rumo a uma concepção e agenda”, “Organização familiar ‘otherwise’”, “The International Business and Management Discourse and Epistemic Colonization in Brazil in the 1950s and 1960s: A Postcolonial Reading of Guerreiro Ramos”. Esses artigos abrem perspectivas para o pensamento contra hegemônico, descolonial, a partir das referências de autores como Walter Mignolo, Henrique Dussel, Aníbal Quijano, Arturo Escobar, Ramón Grosfoguel, entre outros.

Mas como já mencionado, ainda persistem referências ao aporte de autores europeus oriundos das ciências sociais, como podem ser localizados aqueles vinculados aos paradigmas sociológicos de Burrel e Morgan, divididos entre o funcionalismo, estruturalismo, humanismo radical e estruturalismo radical, sendo estas duas últimas correntes teóricas, menos acentuadas. Verifica-se ainda, que a produção intelectual do conhecimento em administração adere ao modelo proposto por Burrel e Mogan a partir da citação de autores vinculados aos paradigmas por eles adotados, ora contrapondo-os, ora assimilando-os, como é o

caso de artigos que discutem a abordagem funcionalista na administração, os estudos de burocracia na administração pública, a racionalidade nas organizações ou a consideração do subjetivismo nos estudos organizacionais.

Consideramos além da referência teórico-metodológica de correntes e autores ligados ao norte global, em especial Estados Unidos e Inglaterra, que essa influência diz respeito à reificação sutil, influenciada pela ideologia das ideias colonialistas existentes, em termos de produtivismo acadêmico, no qual é bem aceito o fato de citar determinados autores e correntes no sentido de validar a comunicação perante a comunidade acadêmica, principalmente quando se trata de publicações em meios de divulgação em língua estrangeira.

Ao identificarmos acentuado emprego de autores do norte global, como referências teóricas, vimos reforçada a geopolítica presente na área das Ciências Sociais e conseguinte na Administração. Nesse sentido, também observamos o baixo emprego de autores da literatura brasileira, tendo em vista que em outras áreas ocorre com frequência referências a obras e autores da literatura nacional e até latina, seja em prosa ou em verso. Essa possibilidade abre caminho para trabalhar com aspectos da brasilidade, captados em obras que não necessariamente se referem a métodos elaborados de coleta e análise de dados, mas possuem riqueza de análise e de descrição da realidade do país, do seu povo e da sua cultura, captada por um olhar diferente da academia e que talvez por isso, consiga se desamarrar das medidas cartesianas ou de refutações, deixando o espírito livre para assimilação, do conhecimento do senso comum, e quem sabe já estivessem se iniciando na possibilidade de ir deste para a Ciência, já buscando um dever ser do conhecimento, um conhecimento-emancipação como sugere Santos (2006a).

Cabe ainda reforçar o argumento da constituição "norteadora" das ciências sociais, e no caso da Administração uma Ciência Social aplicada, desde a fragmentação do conhecimento nas universidades; conforme Wallerstein, (2002, p. 205) “A Ciência Social tem sido eurocêntrica ao longo de toda a sua história institucional”, expressa por meio da Historiografia, do Universalismo, do conceito de civilização, do seu entendimento sobre orientalismo e pela concepção de progresso e sua imposição; por meio dessas ideias validou-se o universalismo europeu nas ciências sociais, conforme o autor.

Nesse sentido, podemos sugerir que esse universalismo europeu pode se perpetuar com o pensamento em Administração caso as fronteiras não estejam abertas para novas perspectivas. Ou seja, as evidências oriundas dos trabalhos apresentados no colóquio denotam que estamos buscando identificar as bases constituintes do conhecimento em Administração, partindo de uma premissa paradigmática universalizada, devido à gama de autores europeus. Se por um lado, a ciência da Administração em sua versão prescritiva é adepta da cultura do management mantendo observância aos autores, principalmente americanos; por outro, podemos invocar Bloch (2006) e seu pensamento do "ainda não", ou seja ainda não temos um pensamento suleado (FREIRE, 2011) nesse conhecimento das ciências sociais e no conhecimento da Administração, mas já há indícios de que estamos refletindo numa postura paradigmática contra-hegemônica, a exemplo das metáforas do movimento tropicalista referidas em trabalhos da Administração no evento analisado, proposto por Wood Júnior, Tonelli e Cooke (2011), embora ainda seja necessário parcimônia para os trabalhos serem aceitos nos eventos acadêmicos.

Essa consideração nos remete ao grupo latino-americano de estudos sobre subalternidade e seus argumentos para a constituição de estudos pautados em problemas latinos, pensados por autores e intelectuais do sul, para o sul e no sul, numa proposta próxima a um pensamento de fronteira, em resposta ao universalismo e eurocentrismo incutidos na literatura e, consequentemente, permeando a constituição do conhecimento, aproximando-o da emancipação. Ou para sermos aderentes a nossa proposta de brasilidade, como fala Paulo Freire, suleando nossas ideias, entretanto não devem ser radicalizadas, tanto quanto a radicalização ou a constituição de um fundamentalismo hegemônico, pois “o que todos os fundamentalismos têm em comum (incluindo o eurocêntrico) é a premissa de que existe apenas uma única tradição epistêmica a partir da qual se alcança a Verdade e a Universalidade” (GROSFOGUEL, 2008, p. 43).

Contudo, observamos que o espaço proposto pelo colóquio se torna um espaço plural, no qual se evita perpetuar o culto ao individualismo, a cultura do management, a ênfase no pragmatismo dentre outras características associadas ao pensamento em administração, sob a ótica do conhecimento regulação, além de muito bem representar a grande parte dos eventos de Administração no Brasil. A apresentação de trabalhos com características de aproximação ao conhecimento

emancipação, ainda é singela, mas já existe. É provável que a intenção de compreender os fenômenos relacionados ao conhecimento em administração identifique uma possibilidade nesse sentido, contudo se observarmos sob a lente dos conceitos discutidos à luz da modernidade/colonialidade/descolonialidade, encontramos poucos trabalhos que versam nessa linha de pensamento.

4.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE PROXIMIDADES DO CONHECIMENTO

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