3.3 Efficacit´e des coupures sur le signal ν ¯ e
3.3.3 Efficacit´e de la d´etection du neutron
Tendo em conta que o nosso estudo segue a metodologia do estudo de caso, optámos, tal como já afirmamos anteriormente, pela utilização de várias técnicas para a recolha de dados. Assim, foi utilizada para o grupo um o grupo em que os alunos manifestam uma participação efetiva e contínua nas atividades de voluntariado promovidas pelas escola/clube viver a vida, a técnica do focus group. Para Morgan (1997), esta é uma técnica qualitativa que propõe o controlo da discussão de um grupo de pessoas, imposta em entrevistas não diretivas. Segundo este autor, o focus group dá enfase à observação e ao registo de experiências e reações dos indivíduos participantes do grupo que seriam difíceis de registar por outros métodos, nomeadamente pelas entrevistas individuais ou questionários. Ainda segundo Morgan (1997), utilizamos a técnica do focus group quando se pretende realizar uma recolha primária de dados ou quando pretendemos fazer um estudo com maior profundidade já que proporciona uma multiplicidade de visões e reações emocionais, o que vai ao encontro dos objetivos da nossa investigação. Para Parasuraman
47
(1986), a técnica do focus group compreende uma “discussão objetiva conduzida ou moderada que introduz um tópico a um grupo de respondentes e direciona sua discussão sobre o tema, de uma maneira não-estruturada e natural” (p.245).
A seleção dos alunos para participarem nesta entrevista coletiva foi feita tendo em conta o seguinte fator: todos os alunos escolhidos para constituírem o grupo um já tinham participado pelo menos uma vez numa atividade de voluntariado com uma duração 4 a 5 dias, promovida numa parceria entre a sua escola/Clube Viver a Vida e o Movimento Juventude Hospitaleira - Casa de Saúde de Câmara Pestana. Era portanto, um grupo “homogéneo quanto a determinados parâmetros” Vichas (1982,p.113). Esta condição é deveras importante, segundo Vichas (1992), já que desta forma existe uma identificação e integração entre os participantes e as situações conflituosas e contraditórias são evitadas. No que diz respeito ao tamanho do grupo escolhido (onze jovens), segundo Mattar (1993) este deverá incluir 8 a 12 pessoas, pois “grupos acima de 12 pessoas inibem e reduzem as possibilidades de participação de todos” (p.173). A nossa amostra foi então selecionada por conveniência, sendo representativa sobretudo das experiências, das formas de interação ou das situações em estudo.
Neste contexto, optou-se por aplicar a técnica do focus group a um grupo de onze jovens voluntários num determinado espaço da escola para debaterem questões comuns acerca da sua prática do voluntariado. Esta técnica permitiu, igualmente, que eles construíssem e reconstruissem as suas posições no momento e em posições futuras relativamente aos assuntos discutidos. Porém, antes da aplicação da entrevista em grupo, houve a preocupação de preparamos cuidadosamente um guião que traduzisse o propósito da pesquisa, AaKer (2001) com uma série de questões relevantes acerca do voluntariado e estas foram por sua vez organizadas em grupo de tópicos e ordenadas numa sequência lógica (anexo 2). Neste inquérito por entrevista, houve a preocupação de recolher informação nas seguintes áreas: dados pessoais dos voluntários, questões relacionadas com o exercício do voluntariado e o impacto do voluntariado na vida do jovem. O guião da entrevista foi organizado em três partes:
*a primeira parte (Bloco B) - os dados pessoais:
idade
sexo
escolaridade
*a segunda parte (Bloco C) - o exercício do voluntariado:
motivações para o exercício do voluntariado;
48
influência de terceiros no exercício do voluntário;
quando decidiu se envolver em atividades de voluntariado;
grau de satisfação no exercício do voluntariado;
caracterização de uma experiência de voluntariado;
episódio significativo numa experiência de voluntariado.
.*a terceira parte (Bloco D) – o impacto do voluntariado na vida do voluntário:
Perceção do impacto da experiência do voluntariado na vida pessoal do aluno;
Grau e natureza do impacto – aquisição e desenvolvimento de competências pessoais e sociais;
Expectativas do voluntário – perceções de longevidade.
Na primeira parte do questionário, bloco B - identificação do voluntário – procurámos obter informação acerca da idade, género e escolaridade do jovem voluntário. No bloco C - exercício do voluntariado – procurámos conhecer as motivações que levaram o jovem a participar em ações de voluntariado, o modo como se envolveu, se recebeu ou não influência por parte de terceiros, quando é que decidiu dar o seu primeiro passo no voluntariado, o grau de satisfação presente, a caracterização de uma experiência de voluntariado que tenha vivido (local e o tipo de voluntariado realizado) e o relato de uma situação que tenha vivido no voluntariado que, na opinião do aluno, tenha sido significativa e marcante para a sua vida. No bloco D - o impacto do voluntariado na vida do voluntário - pretendemos saber se o aluno reconhece e identifica algum impacto do voluntariado na sua vida e no caso afirmativo, qual o grau e natureza desse impacto em termos de valores ou competências pessoais e/ou sociais e, por fim, as expectativas que o aluno tem relativamente à pratica do voluntariado, ou seja, se pretende continuar a participar em atividades de voluntariado a curto, médio ou longo prazo.
Uma vez elaborado o guião para a entrevista coletiva e semiestruturada, facultamo-lo a duas professoras da escola, uma da área das ciências e outra da área das letras, com o objetivo de o lerem e o analisarem no sentido de verificar se as perguntas estavam claras para alunos do 3º ciclo, pois, embora tenhamos consciência que o guião nunca passará de um mero instrumento de orientação geral, sabemos que a qualidade das respostas dos alunos está diretamente relacionada com a qualidade das questões. Uma vez obtida a “autorização” por parte das duas professoras, a entrevista foi aplicada ao grupo de onze jovens voluntários numa sala da escola, previamente preparada para o feito, onde os jovens se dispuseram à volta de uma mesa, em forma de “U”, ficando a investigadora/moderadora à
49
cabeceira. Por detrás da moderadora, colocamos a câmara de vídeo com o objetivo de filmar toda a sessão mas, principalmente, o jovem que participava oralmente e todas as suas expressões, que com um sistema de gravação áudio seria impossível de detetar (Krueger, 1994; Morgan, 1988; Greenbaum, 1993). A autorização para o início da gravação foi pedida a todos os alunos no momento antes de começar a entrevista. Houve ainda o cuidado de questionar aos alunos sobre o nome que gostariam que fosse usado para cada um deles modo a garantir o anonimato. Todos os alunos referiram que não desejavam o anonimato, já que se tratava de um trabalho sério, para além do voluntariado ser um motivo de orgulho para eles e, portanto, manifestaram o seu desejo que os seus nomes verdadeiros constassem nesta investigação. A entrevista ocorreu em dois momentos diferente. A primeira sessão realizou-se a 10.04.2013 entre as 10:20 e as 11:40h, teve uma duração de sensivelmente 90 minutos e realizou-se numa das salas da escola HBG. Os onze alunos tiveram a devida autorização da sua diretora de turma para se ausentarem da aula de Formação Cívica. Pensamos que esta foi uma boa oportunidade já que, desta forma, os alunos não teriam de vir de propósito à escola para a entrevista e não teriam de ocupar um tempo extra aulas, fatores que poderiam condicionar ou constituir um impedimento ao desenvolvimento desta investigação (os alunos em causa possuem muitos compromissos extraescola, nomeadamente atividades relacionadas com o desporto e música).
No fim da entrevista coletiva, questionámos os onze alunos acerca do grau de dificuldade em responder às questões colocadas por nós pois, segundo Morgan (1988), esta é a maneira mais fácil para avaliarmos a adequabilidade desta técnica. Os onze alunos inqueridos afirmaram que tinham compreendido todas as questões, que estiveram à vontade com elas e com as respetivas respostas e que não tinham sentido qualquer dificuldade em interpretá-las ou em responder às mesmas. A segunda sessão do focus group realizou-se no dia 16.04.2013 entre as 13:30 e as 15:00h e decorreu nas instalações da escola HBG. Uma vez realizada a entrevista coletiva ao grupo um, que se realizou em dois momentos diferentes, passámos, de seguida, à transcrição da informação para formato digital - Microsoft Word – (anexo 3), incluindo os risos, diferenças na entoação da voz e gestos, que posteriormente foi lida várias vezes e submetida a uma análise pormenorizada e indutiva. Seguidamente e, relacionando a fundamentação teórica deste estudo à comunicação facultada pelos voluntários, passámos à unitarização, Moraes (1999), ou seja, definição da “unidade de análise” (p.7). Relemos, posteriormente, cada unidade de análise e procedemos à categorização de dados “considerando a parte comum existente entre eles”, Moraes (1999). Para Olabuenaga e Ispizúa (1989), citado por Moraes (1999), o processo de categorização implica uma redução de dados e as categorias expressam a consequência de um empenho de síntese de uma comunicação, tendo sempre o cuidado de salientar os aspetos mais importantes, tendo em vista os objetivos da investigação e as questões
50
investigativas que se pretende ver respondidas. Com este cuidado, garantimos a “validação ou pertinência” da categorização, ou seja, garantimos que as “categorias criadas fossem significativas e úteis em termos do trabalho proposto, sua problemática, seus objetivos e sua fundamentação teórica, Moraes (1999, p. 9). Esforçamo-nos também para que a categorização obedecesse ao “critério da exaustividade”, Moraes (1999, p.10), ou seja, que todos os dados significativos para o estudo fossem classificados e introduzidos numa dada categoria. A “homogeneidade” das categorias, Moraes (1999), foi um outro critério que tentámos obedecer e, por isso, a organização das categorias fundamentou-se num único princípio ou critério de classificação. Garantida a exaustividade e a homogeneidade das categorias formadas, esforçamo-nos para que, um mesmo dado não fosse incluído em mais do que uma categoria-critério da exclusividade, Moraes (1999). Posto isto e por se tratar de uma abordagem qualitativa, decidimos passar à descrição, ou seja, para cada categoria escrevemos “citações diretas dos dados originais”, Moraes (1999, p.11). Tendo em conta a natureza do nosso estudo, procedemos de seguida a uma interpretação, não só sobre os “conteúdos manifestos pelos autores [alunos], como também sobre os latentes, sejam eles ocultados consciente ou inconscientemente pelos autores [alunos] ”, Moraes (1999, p. 12). Assim, tentámos procurar captar através dos dados categorizados, “sentidos implícitos” e captar algo de quem o “autor (alunos) nem tinha consciência plena” (Moraes, p. 13), captando nas entrelinhas motivações inconscientes ou indizíveis, reveladas por descontinuidades e contradições” (ibidem).