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1.2 EFFETS DE LA CHAUX ET DU CIMENT SUR UN SOL FIN

1.2.6 Effets sur le comportement hydromécanique

Johann Rengger foi bastante objetivo em seu relato. Já no primeiro capítulo – e em sua primeira frase – procurou definir a localização geográfica do país visitado, afirmando que: “El Paraguay es la porción de América del Sur delimitada por los ríos Paraguay y Paraná”. (RENGGER, [1835] 2010, p. 43). Ciente das dificuldades impostas pelos grupos indígenas, primeiramente, aos espanhóis, e, posteriormente, ao recente Estado paraguaio, para a implantação de uma colonização efetiva da região do Gran Chaco, Rengger considerava esta região como de domínio indígena.172 Nesses termos, o Paraguai era apresentado como uma espécie de ilha na mesopotâmia sul-americana, que, apesar do desrespeito dos portugueses aos limites e aos tratados assinados no século XVIII, encontrava-se, para Rengger ([1835] 2010, p. 44), “[...] ubicado en el centro de un gran desierto”. A afirmação do médico suíço de que o Paraguai estaria envolto em um deserto devia-se, certamente, não por conta da aridez da região, mas, sim, pela distância de núcleos civilizados, quer dos povoados brasileiros ao norte e ao leste, quer daqueles ao sul, que contavam, segundo Rengger, apenas com uns poucos correntinos. Se, o médico suíço carregava nas tintas ao comentar as ações isolacionistas praticadas pelo governo de Francia, por outro lado, não parecia perceber o isolamento

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A região do Gran Chaco permaneceu ao longo de todo o século XIX e até a primeira metade do século XX como uma área litigiosa, caracterizada por um estado de abandono – ainda que não de desinteresse, como ressalta o geógrafo Fabrício Vázquez (2011) – e pela baixa densidade populacional. Ainda que todo o território paraguaio tenha sofrido com a ocupação centralizada em Assunção, esta situação se acentuou no Gran Chaco devido às hostilidades impostas pelo meio natural e pela baixa populacional ocasionadas pelas guerras do Paraguai (1864 – 1870) e do Chaco (1932 – 1935). Enquanto que o primeiro conflito acabou por definir as fronteiras paraguaias ao leste e ao sul, o segundo conflito fixou os limites da região chaquenha com a Bolívia (VÁZQUEZ, 2011).

geográfico que ele próprio impusera ao país em sua descrição.173 O mesmo pode ser percebido na carta cartográfica que encontramos na obra Viaje al Paraguay (figura 9) – feito por Rengger, com base em um mapa de Félix de Azara, possivelmente extraído da carta dos estados da Bacia do Prata, anteriormente publicado em sua obra Ensayo Historico (figura 10) – na qual situa o Paraguai entre os rios mencionados e completamente afastado de cidades situadas além de suas fronteiras.

Ao mesmo tempo que a presença dos caudalosos rios Paraguai e Paraná permitiu a eficaz circulação de mercadorias e pessoas por meio de diversos tipos de embarcações, como destacou Rengger, ela também influenciou decisivamente toda a geografia do país. Atualmente, o primeiro rio não apenas dá nome ao Paraguai, como o divide em duas regiões geográficas distintas: sua margem esquerda forma a Região oriental e a sua margem direita a Região ocidental ou Gran Chaco. Região não explorada pelo médico suíço, ela ocupa 2/3 de todo o território paraguaio e caracteriza-se por sua extensão (elevando-se paulatinamente em direção à fronteira com a Bolívia), por ser aplainada e por uma vegetação esparsa. A Região oriental, por sua vez, apresenta uma diversidade natural maior, com biomas que variam entre o campo na região central e a floresta ao leste e sul. No primeiro, observa-se o predomínio de gramíneas e, de forma isolada, de árvores e de arbustos maiores, formando apenas corredores de florestas nas proximidades dos leitos dos rios. Já a vegetação de floresta apresenta uma densidade maior de árvores que se estendem por planícies e colinas, favorecidas pela combinação de temperaturas elevadas com altos índices pluviométricos.

Não foram poucas as vezes em que as características próprias dessa Região oriental do Paraguai se manifestaram nas viagens de Johann Rengger pelo interior. Chuvas torrenciais aliviavam o forte calor, mas prejudicavam o prosseguimento da marcha devido às cheias de rios, de arroios e de regiões pantanosas, que quando não impossibilitavam a passagem, a tornava muito mais difícil. À noite, à presença constante dos mosquitos que atormentavam o sono, somava-se o receio do ataque de animais selvagens ou de índios. Cabe ressaltar que este tipo de informações pode ser acessado no diário de Rengger, sendo bem menos frequentes em seu relato de viagem. O mesmo se dá em relação às descrições da paisagem paraguaia. Se comparado com outros viajantes, Rengger é comedido em seu relato, o que não significa que não tenha se dedicado a olhar, enquadrar a cena, organizar os elementos vistos e a descrevê-

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O tema do isolacionismo do Paraguai esteve muito presente na historiografia paraguaia ao longo do século XX, como advertem os estudos da historiadora Liliana Brezzo (2003; 2009). Nesse sentido, ressalta-se a importância da realização de uma investigação sobre a influência dos escritos dos primeiros viajantes do período independente e de outros relatos oitocentistas na produção historiográfica do país, especialmente, a desenvolvida pelos primeiros historiadores do século XX.

los. Ainda que seu relato de viagem tenha sofrido alterações, devido ao seu precoce falecimento e à intervenção feita por seus parentes, nos capítulos que tratam do solo, clima, das águas, das cidades e povoados, encontraremos pulverizadas muitas dessas descrições presentes no diário de viagem.

A caminho de Assunção, navegando pelas proximidades de Agatapé, no Rio Paraguai, Rengger e Longchamp apenas puderam lançar olhares em direção às margens, sendo que os registros de 16 de julho de 1819 confirmam um olhar distanciado, que privilegia o mapeamento dos elementos e a aproximação à nova realidade:

Esta mañana abandonamos Agatapé, que no es un pueblo, sino una simple granja. Más arriba se ve en la orilla, de vez en cuando, una choza. Estas viviendas tienen un aspecto limpio e incluso se asemejan un poco a las casas de campesinos suizas ya que igualmente están cubiertas con una variedad de paja (RENGGER, [1835] 2010, p. 290).

No entanto, a recorrente estratégia de aproximar a realidade observada no Paraguai da realidade suíça produziria impressões cada vez menos favoráveis aos paraguaios. Dois dias depois, após decidirem permanecerem atracados em uma das margens, os médicos puderam realizar uma pequena incursão pela terra firme, o que levou Rengger a constatar que:

Por lo que vi, el campo no ofrece ningún panorama bello a lo largo de una legua desde la orilla, sólo pequeños bosques y llanuras de hierbas. Encontré nada más que tres chozas, extremadamente pobres; los moradores me parecieron indolentes y el suelo, en su mayor parte pantanoso, no precisamente fértil (RENGGER, [1835] 2010, p. 292).

Poucas léguas depois, a impressão de asseio das moradas camponesas deu lugar à descrição da pobreza e de habitantes indolentes, assentados em um solo de qualidade duvidosa e que em sua extensão somente oferecia aos olhos de Rengger gramíneas e alguns conjuntos de árvores isoladas. A estabilidade das formas naturais na amplitude da superfície e a relação pouco industriosa que os escassos moradores mantinham com a natureza não correspondiam ao conceito de belo do viajante. Tampouco a chegada à capital, e maior cidade do Paraguai, foi capaz de alterar o tom das notas de Rengger: “Aunque el paisaje de la capital de Paraguay no tiene nada atractivo para un europeo recién llegado, nos agradó sin embargo la tranquilidad y el orden que se advertía en ella por todas partes” (RENGGER, [1835] 2010, p. 296). Em seu primeiro dia em Assunção, Rengger deixa claro que cada vez mais distantes ficavam as imagens da sua Suíça e de outras partes da Europa. Em compensação, continuava a endossar a imagem de um Paraguai ordeiro em meio a uma região conflituosa. Nesse sentido, a paisagem paraguaia ganha um atenuante, pois nela não se percebiam as marcas brutais de

destruição e de abandono que os exércitos de Artigas haviam imposto à paisagem correntina, por exemplo, confirmando a influência da crítica política sobre a avaliação do ambiente natural, espaço das relações humanas.

Figura 9 – Mapa do Paraguai desenhado por Rengger

Figura 10 – Mapa dos Estados da Bacia do Prata de Azara com correções de Rengger

Fonte: RENGGER; LONGCHAMP (1827).

As breves e pontuais descrições de Johann Rengger sobre a paisagem do Paraguai até aqui destacadas nos permitem perceber algumas preocupações que o médico suíço demonstrou em relação à natureza e aos habitantes do país, como a fertilidade e o uso do solo, as características da vegetação e as ações praticadas pelos paraguaios. No entanto, o

levantamento e a análise das descrições das paisagens em sua totalidade, contidas na obra

Viaje al Paraguay, evidenciam duas estratégias fundamentais na narrativa sobre essa

temática: (1) a existência de um topos de percepção da paisagem e (2) de um padrão paisagístico.

Já nas proximidades de Assunção, em 29 de julho de 1819, Rengger registrou, em seu diário, que haviam visto o Cerro Lambaré, e que, entre 8 a 9 léguas antes da capital, iniciava uma pequena colina, a partir do rio Paraguai em direção ao norte, sobre a qual Assunção estava situada.174 A informação poderia passar despercebida se não fosse o apontamento final, no qual Rengger afirma: “Es un verdadero placer para nosotros volver a ver una colina en las cercanías” (RENGGER, [1835] 2010, p. 295). Percorrendo partes da bacia do rio da Prata, os viajantes de fato tinham ante seus olhos um relevo formado, essencialmente, por planícies, apresentando de forma esparsa formações com alguma altitude. O sentimento de satisfação que isto proporcionou explica em parte o porquê de as colinas e de as montanhas formarem um lugar-comum, um topos na percepção e na descrição da paisagem por Johann Rengger.

Em um primeiro momento, a justificativa para o apreço dos viajantes pelas regiões mais elevadas poderia ser associada à nacionalidade de ambos, mas este seria um argumento generalizante e teleológico. Afinal, nem todos os suíços se sentem arrebatados pelas montanhas. Contudo, o estudo de Simon Schama (1996) nos ajuda a compreender a expressividade que a paisagem alpina assumiu no imaginário dos suíços, especialmente na construção simbólica da nacionalidade, a partir do século XVIII. Atento às nuances que a paisagem assumiu na longa duração, oscilando entre as descrições bucólicas quinhentistas, nas quais eram valorizadas as qualidades da vida no campo, os costumes e o caráter dos camponeses, e uma retórica do sublime, típica do Setecentos, bem como a expressão de sentimentos diversos, tais como o medo, o pavor e o poder, o autor conclui que:

No entanto, foi o século XVIII, com sua obsessão pela virtude primitiva, que recriou os Alpes suíços a sua imagem. Os textos mais antigos forneceram aos suíços os mitos necessários a uma topografia e uma história patrióticas. Os autores quinhentistas fizeram o possível para assemelhar ao máximo os habitantes das montanhas e dos vales, integrando-os numa comunidade de cantões. Agora, porém, celebrava-se como virtude nacional justamente a diferença alpina E aquelas qualidades naturais desenvolvidas nos prados altos (Alp significa, literalmente, campo), tornaram-se objeto de um culto internacional (SCHAMA, 1996, p. 478).

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A topografia de Assunção é irregular em virtude do seu desenvolvimento sobre sete colinas – as lomas Kavará, San Gerónimo, Clavel, Cachinga, del Mangrullo, de la Encarnación e de las Piedras de Santa Catalina. Atualmente, o ponto mais alto da capital é o Cerro Lambaré, com 156 metros de altitude.

Os Alpes constituíram-se, portanto, além de um “templo da sublimidade” em um cenário, onde a liberdade, a tradição política de autonomia dos cantões e sua autossuficiência, serviam de inspiração e de modelo para o restante da Europa, que vivia ainda sob o Antigo Regime (SCHAMA, 1996, p. 477-478). No entanto, recordar as origens, suscitar sentimentos patrióticos e, mesmo de liberdade, constituiu-se em apenas uma face da percepção das montanhas, pois, ao longo da segunda metade do século XVIII até a primeira metade do século XIX, elas não apenas foram descobertas pela ciência, como estiveram no centro de grandes debates, contribuindo com avanços científicos.

Juntamente com vários outros elementos da natureza, o interesse pelo estudo das montanhas nesse período foi estimulado pela descoberta de materiais, como os fósseis e outras amostras geológicas. Os primeiros foram essenciais para a ponderação sobre sua formação, a evolução das espécies, a real idade da Terra e suas origens, cujo resultado foi a divulgação de teorias como o catastrofismo,175 o evolucionismo176 e o uniformitarismo,177 bem como as tentativas de sua exegese a partir da narrativa bíblica. Já as diversas amostras minerais ensejavam a reflexão sobre a formação das rochas, a razão das diferenças entre si, promovendo novas correntes teóricas como o neptunismo178 e o plutonismo.179 Como destaca Pere Sunyer Martín, mediante o estudo das montanhas “[...] se pretendía aportar datos para contestar a diferentes cuestiones; entre ellas, [...] El origen de la Tierra y la formación del relieve; la composición y estructura vertical de la atmósfera y su variación espacial y temporal; el estudio de los seres vivos en las alturas [...]” (MARTÍN, 2000, p. 3).

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O catastrofismo foi uma teoria defendida, especialmente, pelo naturalista francês Georges Cuvier, por meio de sua obra Discurso sobre as Revoluções na Superfície do Globo, de 1812, e, a partir de 1825, publicada separadamente sob o título Investigações Sobre Ossadas Fósseis de Quadrúpedes. Cuvier procurou, por meio da análise de vestígios fósseis e amostras geológicas, explicar a extinção de determinadas espécies e outros fenômenos ocorridos na história da Terra. Sua teoria sustentava que a estrutura biológica e geológica do planeta era resultado da ação de vários fenômenos catastróficos, como inundações, que em um primeiro momento seriam locais, admitindo posteriormente a possibilidade de fenômenos globais. Refutando as ideias transformistas das espécies, Cuvier identificava nos fósseis o meio de estudo das configurações geológicas e biológicas de uma determinada região (FARIA, 2010).

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Processo biológico referente à mudança das características hereditárias entre gerações de uma mesma espécie. Dentre os vários mecanismos teorizados para a realização dessas mudanças, a seleção natural de Darwin, na segunda metade do século XIX, logrou o reconhecimento da comunidade científica.

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Princípio desenvolvido pelo geógrafo escocês James Hutton (1726 – 1797), que advogava que as leis que regiam a natureza eram constantes e graduais ao longo da história, de modo que os processos geológicos estudados no presente permitiriam a análise da evolução geológica (FARIA, 2010).

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Desenvolvida pelo geólogo e mineralogista alemão Abraham Gottlob Werner (1749 – 1817), a teoria do neptunismo explicava a formação das rochas, da estrutura e da evolução geológica da Terra como resultado da deposição de minerais nas águas de um oceano primordial. Estes sedimentos se solidificariam em cima de elevações submersas, originárias da Criação Original, dando forma às estruturas geológicas. Portanto, o neptunismo defende uma origem marinha das rochas.

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Teoria proposta por James Hutton para a formação das rochas. Contrária ao neptunismo, defendia que as rochas haviam sido criadas a partir da atividade vulcânica.

A busca de conhecimento sobre as montanhas teve nos Alpes suíços o seu campo de estudo por excelência na Europa, atraindo a atenção de vários naturalistas, dentre os quais se destacou, por seu pioneirismo, Saussure180 (MARTÍN, 2000). Já na América do Sul, a comparação entre as cadeias alpinas e os Andes foi inevitável para os viajantes, tanto que, em 1861, o alpinista e membro da Real Sociedade de Geografia da Inglaterra, Thomas Woodbine Hinchliff, deslocou-se para a América meridional com o objetivo de comparar os Andes com os Alpes, o que acabou não sendo realizado (DE CRISTÓFORIS, 2010, p. 114).181

O naturalista que conferiu às montanhas uma condição singular foi Humboldt, a ponto de Pere Sunyer Martín afirmar que “Si hasta aquel momento [da subida do Chimborazo pelo viajante prussiano] daba la impresión de que en su viaje no existía un objetivo claro, posteriormente y poco a poco, tras su primera campaña montañera, fue configurando su extensa obra” (MARTÍN, 2000, p. 10). Escalando e realizando medições de latitude, longitude, altitude e temperatura e, verificando as condições da pressão atmosférica, da umidade e coletando amostras do solo e da vegetação circundante, Humboldt conseguiu conformar graficamente a sua visão da natureza americana por meio da sua Naturgemälde. Extrapolando classificações isoladas, o naturalista deu forma a um microcosmo orgânico e conectado, que permitia a visualização dos dados geográficos e atmosféricos e das plantas coletadas conforme a altitude em que haviam sido localizadas, acrescentando, ainda, a ideia de zonas climáticas distribuídas pelos continentes e informando quais as espécies da fauna e da flora que nelas poderiam ser encontradas (WULF, 2016). Suas descobertas científicas eram relatadas com detalhes, e acompanhadas de uma vivacidade estética, sendo que em sua obra

Quadros da Natureza – publicada, originalmente, em 1808 e revisada e ampliada nas edições

de 1826 e 1849 – Humboldt moldou as imagens que os europeus e os próprios sul-americanos passaram a ter dessa porção da América. Segundo Mary Louise Pratt, entre os anos de 1810 e 1850,

Três ícones em particular, canonizados pelas Imagens [Quadros da Natureza] de Humboldt, combinaram-se para formar a representação metonímica padrão do ‘novo continente’: florestas tropicais superabundantes (o Amazonas e o Orinoco),

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Natural da Suíça, Horace Bénédict de Saussure (1740 – 1799) foi um naturalista e geólogo, que, interessado em botânica, viajou várias vezes pelo Alpes e escalou o Mont Blanc em 1787. De suas viagens alpinas e das observações realizadas resultou a publicação, entre 1779 e 1796, da obra Voyages dans les Alpes, em quatro volumes.

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Segundo Nadia A. de Cristóforis (2010), Thomas Woodbine Hinchliff (1825 – 1882) já havia publicado um livro no qual comparava os Alpes com os Andes e, apesar do fracasso do seu objetivo principal, sua viagem lhe proporcionou a publicação do relato intitulado South American Sketches; or a Visit to Rio Janeiro, The Organ Mountains, La Plata, and the Parana, em 1863. Cabe salientar que Hinchliff era sobrinho por parte materna do já citado diplomata inglês Woodbine Parish, figura importante na libertação de prisioneiros do governo de Francia, no momento em que Rengger e Longchamp também obtiveram suas autorizações para deixarem o país.

montanhas de picos nevados (a cordilheira dos Andes e os vulcões do México) e as vastas planícies (os llanos venezuelanos e os pampas argentinos) (PRATT, 1999, p. 219-220).

Se, por um lado, as montanhas não constituíram um objeto de estudos científicos para Johann Rengger, pois ele limitou-se a verificar informações essenciais, como as coordenadas de longitude e de latitude, não mencionando a realização de medições mais sofisticadas, por outro, a paisagem paraguaia não poderia ser explicada sem a sua presença. Rengger é categórico, ao afirmar que “El Paraguay es, en su mayor parte, una región de montañas [...]” (RENGGER, [1835] 2010, p. 47), distanciando-se de sua maior referência, o naturalista Félix de Azara, que, apesar de ter apresentado a América meridional como um todo, hesitou ao falar sobre as montanhas da região:

Ahora añadiré que su vasta superficie no forma más que una llanura unida y cuya mayor parte es sensiblemente horizontal, porque todas las excepciones se reducen a algunas alturas o pequeñas montañas de poca extensión, que no tienen más de 90 toesas de elevación sobre sus bases y a las que no daría el nombre de montañas si no estuvieran en una llanura (AZARA, 1998, T. I, p. 57).

Convencido da presença de montanhas no território paraguaio, a leitura do diário de Rengger confirma que em suas viagens as elevações eram uma referência constantemente procurada e cotejada com outras áreas, como, por exemplo, quando esteve nas Missões ao sul, ocasião em que registrou laconicamente que “[...] aquí y allá se encuentra una colina más grande, pero no se ve una verdadera cadena montañosa” (RENGGER, [1835] 2010, p. 334). Interessado na correta interpretação e descrição da configuração do solo paraguaio, Rengger observa, acertadamente, que a região meridional do país apresentava apenas ondulações em meio às planícies formadas pelos rios Paraná e Paraguai. As cadeias montanhosas estavam, portanto, situadas acima desta região, especialmente, na região leste do Paraguai, em função de ser um prolongamento das estruturas geológicas do planalto brasileiro. A principal delas era a cordilheira de Mbaracayú e da qual as demais eram originárias. Se, nas terras baixas, caracterizadas por banhados e pântanos, as colinas eram isoladas, com formas irregulares e uma vegetação composta por gramíneas, as regiões central e norte apresentavam, de acordo com Rengger, elevações mais altas, mais próximas uma das outras, com uma forma mais regular e um dos lados mais acidentado, além de uma vegetação mais densa formada por