3. EFFETS DU PROJET SUR L’ENVIRONNEMENT ET LA SANTÉ
3.5. EFFETS SUR LA SANTE
O efeito é, segundo Nord (1991, p. 149), a impressão que se pode observar no receptor e que resulta do “processo comunicativo entre emissor e receptor”191, mas igualmente do conhecimento e do campo
emocional deste. Para a teórica trata-se de uma categoria pedagógica, pois o emissor subentende como seu texto irá atuar no leitor.
Para Nord (1991), o efeito já fora pressuposto pelo emissor quando da intenção de produção do TP e deverá ser reconhecido durante o processo de tradução, ao passo que o tradutor poderá esperar dois efeitos: o que se aproxima daquele do TP ou um outro possível no TC.
No que concerne ao receptor, o efeito resulta de seu contato com o texto, o que, por sua vez, pressupõe seu pré-conhecimento (capacidade de leitura, por exemplo), seu “Horizont” (conhecimento de mundo) e sua disposição para recepção do texto. Aqui, os fatores internos, como o tema, o conteúdo (NORD, 1991), o humor, os mitos, o espaço, as personagens e a trama (fatores de sucesso em livros de LI, conforme Tabbert) desempenham um papel relevante por influenciar emotivamente o leitor.
A seguir, gostaríamos de comentar mais especificamente essa questão do efeito com base na recepção de nossa tradução, durante leituras em campo.
2.2.9.1 Recepção da tradução entre crianças
Como proposto por Tabbert (1994), deve se prestar atenção para a leiturabilidade de uma obra, pois isso influencia na sua recepção, ou seja, na sua compreensibilidade. Neste trabalho, entretanto, testamos apenas a compreensibilidade, por meio da leitura do livro em dois grupos de criança, sem adaptar o texto para narração.
A princípio, selecionáramos apenas uma turma na creche municipal Waldemar da Silva Filho em Florianópolis. Mas após a leitura achamos interessante escolher mais uma, cuja idade era diversa, a fim de confirmar qual dos dois públicos mais conseguiria recepcionar e se expressar sobre o texto. Por isso, realizamos uma segunda leitura no colégio particular Tradição, também em Florianópolis.
A primeira leitura realizada na creche municipal Waldemar da Silva Filho, no dia 20 de novembro de 2009, tinha um público de cerca de vinte crianças, entre quatro e cinco anos. A leitura durou aproximadamente quinze minutos o que deixou as crianças impacientes. A professora da turma folheava o livro, mostrando as ilustrações enquanto o texto era lido. Após a leitura, conversamos com as crianças, a fim de observar o seu entendimento da narrativa. Apesar de as crianças
não conseguirem repetir os nomes das personagens que foram copiados (conforme a estratégia discutida no item 2.2.6.2.1.2), eles perceberam os principais fatos da história e indicaram quem as tinha feito: o gato, o velho ou o seu vizinho. Eles citaram também as armadilhas usadas pelas personagens: a galinha de balão, bombinhas, corda e lençol branco.
A segunda leitura foi realizada no colégio particular Tradição, no dia 4 de dezembro de 2009, em uma turma de 2ª série do Ensino Fundamental, na faixa etária dos oito anos. Primeiramente fizemos a leitura (em torno de 15 minutos), sem apresentar as ilustrações. Depois discutimos com as cerca de vinte crianças sobre as personagens e sobre o enredo em geral. Para nossa surpresa, apesar dos nomes terem sido copiados, as crianças conseguiram se lembrar e pronunciá-los. Muitas delas se prontificaram a esclarecer o que faziam as personagens dentro da história, assim como quais armadilhas foram montadas.
Em seguida, dividimos o grupo para que todos vissem as ilustrações. Primeiro as meninas folhearam e reconheceram elementos da narrativa no texto visual e outros detalhes não presentes no texto verbal que fora lido. A seguir foram os meninos que fizeram questionamentos, como do significado da interjeição “pang” que aparece escrita em letras vermelhas e amarelas bem grandes. Para a pergunta, no entanto, não tivemos nem tempo de responder, eles mesmos identificaram-na como “Bummm”. Depois reconheceram o pronome interrogativo “wie?” (como?), o qual eles já haviam visto em aula.
Então, a primeira turma conseguiu acompanhar a narrativa, mas teve dificuldades em apresentar detalhes da história, talvez porque a leitura foi muito longa (15 min.). Do mesmo modo, não é possível se ignorar que os fatores idade e escolaridade podem ter influenciado na recepção, lembrando que a obra é destinada na Alemanha para crianças a partir dos três anos, como visto no item 1.1.
A segunda turma conseguiu recontar a história em alguns trechos, demonstrando que o léxico e a sintaxe foram entendidos em certa medida. Aqui, a entonação da leitura auxiliou na identificação de uma repreensão de Pettersson ao Findus, por exemplo. É o que aponta Nord (1991), segundo a qual, em textos que apresentam elementos estilísticos- retóricos, o efeito não é alcançado apenas pelo o que se diz, mas como se diz.
Entretanto, reconhecemos a limitação da pesquisa em campo, uma vez que o texto não fora adaptado para narração. Além disso, apresentando o livro em um grupo grande de crianças impossibilitou o trabalho individual, necessário com livros como do objeto de estudo, cujo texto verbal e visual narram em conjunto (livro misto - ver item 2.2.5.1).
Ainda assim, a leitura foi essencial para corrigir possíveis problemas para o estilo do texto (por exemplo, o emprego de léxico complexo: “nicho”, “haste”). Também pudemos visualizar que o texto funcionou em diferentes medidas para os dois grupos de criança.
Com base nas análises realizadas, podemos afirmar que o texto de Nordqvist está ligado à CP, no que se refere, por exemplo, à presença de elementos da CP. Estes elementos encontrados nas ilustrações, como roupas, construção e natureza (a isto se soma o nome das personagens no texto verbal), sugerem os marcadores temporais e locais. Estes marcadores constituem o livro e foram mantidos após a tradução, desta forma procuramos não apagar os rastros da CP. Isso porque, eles são essenciais para que o receptor na CC perceba que está recebendo uma literatura originada em outro contexto.
A complexidade na definição dos efeitos é confirmada por Nord (1991), segundo a qual deve-se tentar pelo menos manter um ou mais fatores, a fim de alcançar um efeito semelhante no TC. Isso foi o que objetivamos nesta proposta, através da tradução dos pronomes pessoais, das partículas modais, das interjeições e de outros aspectos da sintaxe como entonação. Ou seja, por meio da tradução destes elementos internos, tentamos evidenciar a intenção instrutiva de Nordqvist, sem perder o caráter lúdico do texto, cujo efeito de diversão nos receptores pudemos presenciar nas leituras.
Sendo assim, o modelo de Nord demonstrou ser aplicável ao nosso estudo e tradução de uma obra de LI, pois ofereceu uma estrutura que abarcasse aspectos externos e internos à obra. Como se trata de uma abordagem sem restrição de tipo textual e língua, recorremos, para lidar com nosso objeto de estudo, a outros modelos, como de Camargo (1998) e de Tabbert (1994).