• Aucun résultat trouvé

: Effets de l’engagement sur la motivation, la satisfaction, l’apprentissage et

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 189-196)

CHAPITRE V : L’engagement en contexte de formation

ETUDE 7 : Effets de l’engagement sur la motivation, la satisfaction, l’apprentissage et

O sujeito da percepção, frente a uma situação, busca o sentido sem apegar- se a outros dados objetivos que não o próprio objeto que conheceu pela experiência. Ao se olhar um cubo representado em perspectiva isométrica de três maneiras diferentes, haveria um “gênio perceptivo” que busca sempre “alguma coisa”. A organização da profundidade do cubo se dissolve quando são postas em um desenho ambíguo (segmentos EH e AD, na figura central), pois separam elementos de um mesmo plano enquanto agregam elementos de diferentes planos. Se são postas linhas aleatórias interiores aos planos inerentes a um cubo, as quais não afetam a correlação entre arestas e planos, a imagem não se torna ambígua e ideia de “cubo” pode ser concebida quase como na imagem inicial. Isso porque ambas condizem com a experiência sobre a forma de um cubo e isso não confunde a leitura do desenho. As linhas EH e AD mudam o sentido do conjunto. Ao se percorrer a imagem, se houver uma inspeção do olhar e não do espírito, ao ser fixada a face ABCD ela se tornará nítida e mais próxima do sujeito e o cubo se organizará. A profundidade seria a dimensão pela qual os objetos, ou seus elementos, interagem uns com aos outros, mas a largura e a altura seriam dimensões que os justapõem.

Figura 12 - Representação da ideia sobre as interferências na percepção do cubo (MERLEAU- PONTY, 1994, p. 354).

47 Esse sentido também é explicado ao se vislumbrar uma paisagem. Diante de um panorama arborizado, os espaços entre a vegetação não serão vistos como coisas, assim como as árvores não serão vistas como fundo. Baseado na experiência, o sujeito assume uma situação e reúne o sentido usual dos fenômenos pelo que eles mesmos têm a mostrar (cf. MERLEAU-PONTY, 1994, p. 354 - 357).

Para mim, meu olho é uma certa potência de alcançar as coisas, não uma tela onde elas se projetam. A relação entre meu olho e o objeto não me é dada sob a forma de uma projeção geométrica do objeto no olho, mas como um certo poder de meu olho sobre o objeto, ainda vago na visão marginal, mais rigoroso e mais preciso quando fixo o objeto (MERLEAU-PONTY, 1994, p. 374).

Assim, ao se aceitar que as imagens utilizadas para a representação gráfica de uma construção devem ser claras, abrangentes e fiéis à realidade, essas reflexões vêm mostrar que o indivíduo está preparado pela experiência para identificar e compreender os objetos com suas conformações costumeiras. A unidade se dá no ato da percepção com a participação ativa da associação e sem esperar pela consciência. Assim, imagens inverídicas a respeito da localização, da vizinhança, das distâncias para os elementos do entorno tenderiam a confundir a concepção espacial do elemento representado e a impossibilitar a percepção de sua unidade. É o que se pode notar nesta imagem que compõe o material de divulgação de um empreendimento em Salvador, em uma região densamente urbanizada, mas que é mostrada por meio de uma imagem esquemática, a tal ponto que a transforma em um lugar cheio de vazios inexistentes, como se pode ver na imagem do satélite anterior ao empreendimento.

Figura 13 - Imagens de divulgação do empreendimento “Acupe Exclusive”, da empresa OAS, no bairro Acupe de Brotas, em Salvador/BA.

49 Se para a fenomenologia o juízo e o sentir estão diferenciados - o juízo como tomada de posição e reconhecimento do que é válido para si e para outros e o sentir como remeter-se à aparência sem buscar possuí-la ou torná-la verdadeira -, haveria no exemplo anterior o comprometimento do juízo e consequentemente da capacidade de análise. Pelo que se abordou até aqui, se “signo sensível” e “significação” não se separam, a significação advinda desse signo é de local isolado e cercado de vegetação. Quais são as vantagens que esse distanciamento da realidade traria ao público alvo desse material publicitário? Por que algo suficientemente claro para ser percebido, como um edifício ou sua localização em uma área central da cidade, tende a ser divulgado sem veracidade ou sequer verossimilhança? A Lei 5971/2001 obriga que no panfleto de divulgação de empreendimentos esteja “[...] de forma clara e legível, para imediato reconhecimento do consumidor, a titulação e o nome do autor do projeto arquitetônico e/ou urbanístico, bem como do responsável técnico pela sua execução [...]” (SALVADOR, 2000). Por que há preocupação com a autoria do projeto e não há com a clareza e veracidade na representação gráfica dos elementos a serem construídos? Por que não se exigir que as imagens revelem a vizinhança que existe de fato, com recuos e volumes proporcionais aos reais?

A fenomenologia dá ao sentido grande importância e, também nisso, se contrapõe ao intelectualismo, corrente que aceita os dados captados pelos sentidos do indivíduo - olhos, ouvidos, tato etc., os quais são entes do mundo -, mas não pode criar uma “zona de subjetividade” de onde o mundo deve ser visto e ouvido. Dessa forma, torna-se incoerente aceitar-se um “não-ser” que não se reconhece em um “eu encarnado” provido de cinco sentidos, mas que se admite situado nele (cf. MERLEAU-PONTY, 1994, p. 286-288).

Discutindo o “sentir” a fenomenologia redescobre a “associação” e o “entendimento”, tentando libertá-los das visões empirista ou racionalista, como se viu anteriormente. Para Merleau-Ponty (1994), o sentir não deve ser visto como posse das qualidades e deve distinguir-se delas. O entendimento também deve ser redefinido, uma vez que estaria em toda vida intencional, tornando-se livre de ser a “função geral de ligação” como se pensa em Kant (cf. MERLEAU-PONTY, 1994, p. 83-85). A sensação não seria estado ou qualidade, nem a consciência de um estado ou de uma qualidade. Nos estudos sobre estímulos com cores e reações motoras, Merleau-Ponty (1994) destaca que não se aceita a relação de causalidade entre

estímulo e qualidade, admitindo-se que nessa ligação há uma estrutura geral pela qual o sujeito se “adapta” ao mundo. Pelas experiências com estímulos pelas cores, a reação motora se faz antes da tomada de consciência da cor. Não acontecem sensação pela cor e depois a reação a ela, como fatos distintos, mas o corpo permite que se estabeleça a qualidade azul ao adotar uma atitude. O sujeito põe seus sentidos esperando uma sensação, entregando uma parte do seu corpo ou o corpo inteiro. Como resultado as diferentes vibrações vêm preencher um espaço corporal receptivo para cada cor (cf. MERLEAU-PONTY, 1994, p. 284 - 285).

O sujeito da sensação não é nem um pensador que nota uma qualidade, nem um meio inerte que seria afetado ou modificado por ela; é uma potência que co-nasce em um certo meio de existência ou se sincroniza com ele (MERLEAU-PONTY, 1994, p. 285).

A atitude analítica do sujeito, o qual observa uma imagem que representa um objeto, dependerá de sensações anteriormente filtradas por outro sujeito que construiu a imagem e que define pontos de vista, campo visual e qualidades a serem nessa mostrados. O sentir, para esse segundo indivíduo, quando se tratar de um projeto, será um ressentir, uma revivescência, a qual trará ao corpo a experiência de um momento passado, onde se pôde perceber um objeto de propriedades similares, em razão de o objeto atual ainda não existir de fato. O resultado desses registros anteriores o faz tomar decisões sobre o que e como mostrar o objeto que a experiência lhe apresentou, mesmo sem identidade perfeita, pois, como se abordou anteriormente, a associação constitui os conjuntos significativos sem modelos ideais.

Entende-se que a análise solicita a percepção empírica. Admitindo-se a hipótese da Fenomenologia da Percepção, num primeiro contato com um objeto cuja forma seja desconstruída de outra conhecida, o sujeito perceberá o todo como algo novo e, depois, pela ação da percepção empírica detalhará suas partes, podendo então fazer associações com as formas que lhe foram dadas pela experiência. Tratando-se da interpretação do projeto arquitetônico, já se pressupõe uma fase de análise e é necessário que as imagens que representam o objeto remetam o leitor, do modo mais claro e objetivo, a algo possível de estar no mundo que conhece, com parâmetros ligados à realidade do local.

Na percepção analítica trata-se de aprofundar a percepção, fixando o olhar em uma parte do campo visual para o que seria uma “atitude analítica”. Para o sujeito, essa fixação significa deixar o quadro geral e voltar-se a uma tomada local, a

51 fim de se obter a qualidade sensível como resultado dessa atitude de curiosidade. A fixação da visão em um objeto único se faz sobre a imagem que substituiu as duas imagens das retinas, mas essa está feita antes do ato de fixar-se essa substituição justamente porque a imagem dupla não tem solidez. Quando os olhos deixam de estar separados para serem usados como um só órgão, não é um “sujeito epistemológico” que efetua essa síntese; é o corpo que se ordena e renuncia à separação por sinergia, voltado a um propósito específico, e essa intencionalidade não é um pensamento. Esse poder de síntese não estaria no “corpo objetivo”, mas no “corpo fenomenal”, o qual pode admitir-se projetado em um meio e no qual as várias partes têm consciência umas das outras de forma dinâmica, ao tornar possível a percepção do objeto por sinergia. Assim, a “síntese perceptiva” e a “síntese intelectual” são distintas. A síntese perceptiva coloca-se no mundo, não no lugar metafísico do sujeito pensante, e essa se baseia na unidade “pré-lógica” do esquema corporal, a qual não possui nem o objeto nem o corpo, mas põe o objeto como algo transcendente (cf. MERLEAU-PONTY, 1994, p. 303-313). A sensação é concebida como a percepção mais simples, daquele primeiro contato - “campo originário” -, por nela não haver um agrupamento de qualidades e, sim, um campo perceptivo, no qual não estão pré-definidos nem o sujeito nem o objeto. Porém, essa natureza pré-objetiva não dispensa a ideia de síntese e para se perceber uma superfície é necessário que seja retido o percurso de ligação entre os pontos de seu contorno (cf. MERLEAU-PONTY, 1994, p. 324-325).

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 189-196)