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- EFFET DE LA SERVITUDE

Dans le document COMMUNE DE FONTENAY-AUX-ROSES (Page 23-26)

“O que acontece com o Outro, que cova cavo nele, se condeno este corpo à morte (suicídio de separação) ou o mortifico com drogas que o anestesiam e o privam de responder às suas demandas?” (BRAUNSTEIN, 2007, p. 53). Esta é uma boa pergunta que permite situar a uma certa dualidade auto destrutiva que permite a um sujeito viver.

Para o autor, o uso compulsivo em uma posição de “subtração do sujeito” remete a uma tentativa de gozo pleno, que por isso, é mortífero e destrutivo:

Há um método de subtração do sujeito ao intercâmbio simbólico que é, esse sim, objeto de uma decisão e de uma eleição. Algo que permite uma conexão quase

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experimental com o gozo e que opera um curto-circuito com relação ao Outro e a seu desejo. (BRAUNSTEIN, 2007, p. 279).

Para entender a hipótese da droga como objeto de eleição, Braunstein faz uma alusão à escolha de objeto, relacionando essa escolha a fase oral infantil:

Na falta do peito da mãe, a criança se entrega ao prazer autoerótico acompanhado de fantasias de repetição dessa experiência: o chuchar, anseio máximo que seria o de beijar seus próprios lábios, a demanda oral que logo se transformará no uso de sucedâneos do mamilo e, finalmente, na afeição aos beijos, à bebida ou ao cigarro que se fuma. (BRAUNSTEIN, 2011, p. 313).

O conceito de objeto está, nessa citação, vinculado ao conceito de narcisismo, por isso, trata-se de um objeto autoerótico, de compulsão à repetição, como consequência eminente na toxicomania. Braunstein, quanto a eleição de um objeto, postula: “Eleger não é escolher um objeto do qual se haverá de gozar. [...]. Eleger é aceitar a perda, abrir mão do gozo” (BRAUNSTEIN, 2007, p. 271). Daí o uso compulsivo ser paradoxal, se analisado segundo a teoria lacaniana, pois a “satisfação” pelo uso de uma substância requer repetição, excluindo-se o gozo. Isso se alinha aos escritos freudianos de “Além do princípio do prazer” (1920), cuja marca da repetição se refere a pulsão de morte na busca incessante de um certo prazer que, paradoxalmente, também leva a um sofrer e esse sofrer provoca um inércia compulsiva que, de algum modo, também é prazerosa. Para Freud, em “Além do Princípio do Prazer” (1920), a repetição de algo recalcado é acompanhada de uma satisfação pulsional que pode ser desagradável em sua consequência para o sujeito (eu) que a recalca. A droga teria esse poder fantasmático de amenizar a consequência para o sujeito que, de certa forma, a “elege” como objeto. Para Lacan, como explica o psicanalista Guillot, corroborando com Braunstein:

[...] essa repetição a que Freud se referiu como sendo a marca da pulsão de morte. Ela concerne a todas as pulsões. Ela não é o apanágio de uma pulsão específica que seria a pulsão de morte. Ela concerne a todas as pulsões parciais. Toda pulsão é uma ultrapassagem repetitiva do princípio do prazer para tentar atingir — em vão — um gozo perdido para sempre, ao preço, por vezes, de deixar sua vida, como se manifesta, por exemplo, na toxicomania. (GUILLOT, 2014, p. 12).

b) Uso compulsivo de drogas/toxicomania como uma recusa à alienação significante

A toxicomania é vista como uma recusa total da alienação significante, ou seja, uma recusa a Lei do desejo, à castração. Braunstein (2007) ver nessa recusa algo de paradoxal, por “esse método” ser oferecido ao sujeito pelo Outro “no comércio que pode satisfazer essa demanda de uma separação radical, de aniquilação do “penso”, em benefício de um “sou” sem atenuantes e além de qualquer cogitação” (BRAUNSTEIN, 2007, p. 279). Para o autor, a

intenção do sujeito em se separar do Outro, em oposição a de se alienar no Outro, é a chave para entender o que é toxicomania. Sabe-se que a forma mais radical de separação do Outro é a morte. Ainda que na toxicomania não haja morto, a princípio pelo menos, mas há um “dar-se por morto” (BRAUNSTEIN, 2007, p. 280). Um morto ou quase morto não pensa, não elabora, ou seja, no uso compulsivo há a tentativa de prescindir do Outro que provoca “cogitação”. Retira-se a possibilidade de um “eu” pensante. Daí, por exemplo, o tratamento de certos grupos como os alcóolicos e narcóticos que se denominam anônimos. A singularidade da ética psicanalítica se perde nesse tipo de tratamento, onde todos que lá estão se tratando são universalizados como: drogados, adictos, dependentes, doentes ou viciados.

Para Braunstein, “o uso do álcool e das demais drogas configura uma “conduta” e não uma estrutura clínica” (BRAUNSTEIN, 2007, p. 280), defendendo a ideia de que se trata de situação passível de ocorrer com qualquer pessoa. Quando o sujeito diz “sou toxicômano”, lhe confere um “semblante de identidade”, de certo modo, acomodando-o em um lugar onde não precisa elaborar aspectos outros que lhe formaram. É nesse lugar de um “semblante identitário” que a toxicomania permite ao sujeito “uma via de acesso privilegiada e direta, em curto-circuito, até o gozo e que seria um modo de contestar a exigência do Outro e da cultura de renunciar ao gozo” (BRAUNSTEIN, 2007, p. 280).

c) Será a droga um objeto da pulsão ou do fantasma?

Aqui a noção de objeto é novamente colocada em questão, porém, dessa vez Braunstein (2007) diz que a diferença entre o objeto da toxicomania e o objeto da pulsão se dá pelo fato “da falta a ser” não ser provocado por um objeto não-nomeável e irrecuperável, no caso o objeto para sempre perdido, mas por esta “falta a ser” ser provocada por “uma mercadoria”, conceituando a “droga” como um “objeto de necessidade”. Assim a droga “substitui o desejo inconsciente que fica mais desconhecido do que nunca ao se disfarçar como uma exigência do organismo” (BRAUNSTEIN, 2007, p. 281).

Não sendo a droga um objeto pulsional, ou seja, um substituto do objeto sexual, não há valor fálico nela, sendo então:

[...]um substituto da sexualidade mesma .... É assim que a droga se assemelha ao autoerotismo da proibição originária: o sujeito administra em si mesmo uma substância que o conecta com um gozo que não passa pelo filtro da aquiescência ou pelo forçamento do corpo do outro (BRAUNSTEIN, 2007, p. 281).

Assim, sem valor fálico também, como nos diz Lacan: “Não há outra definição da droga que é o que permite romper o casamento com o pipi” (LACAN, 1975), caracterizada pela

substituição do Outro na cadeia de significantes pelo objeto-droga. Nesse casamento com a droga fica suspensa, também, a “dívida simbólica” fundante, onde o Outro permitiu sua entrada na vida humana com sua inscrição na Lei do Interdito do incesto e sua introdução na cultura. Com isso, segundo Braunstein, o sujeito “[...] entrega sua vontade sob a forma de um corpo privado de reações vitais, pura máquina metabólica sem desejo, negação fantástica e fantasmática da castração, por meio da negação do falo” (BRAUNSTEIN, 2007, p. 282). Pode- se pensar que o que os adictos querem é gozar sem desejar.

5.3.2 Seria a adição uma ausência de dicção?

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