HABITAT HAUTE QUALITE ENVIRONNEMENTALE (HQE) ET ANALYSE DE CYCLE DE VIE (ACV)
I. Habitat HQE
II.5. Inventaire d’analyse du cycle de vie
II.6.3. Effet de serre
2.4 Situação da Construção Civil no Eixo Urbano Guarda-Covilhã-
Fundão-Castelo Branco
2.5 O sector da Construção no Âmbito Habitacional
2.6 Conclusões Preliminares
O Sector da Construção Civil em Portugal
2.1 Definição/Conceito
A construção civil é um termo geralmente associado à engenharia e à arquitectura. Consiste na execução de um dado projecto previamente elaborado de uma edificação ou de uma obra de arte, como habitações, pontes, viadutos ou túneis. Como o próprio nome sugere, construção é construir, desde a fase das fundações até aos acabamentos, o que consta em projecto, respeitando as técnicas construtivas e as normas técnicas vigentes. A construção é uma actividade económica com especificidades próprias, caracterizada por uma grande diversidade de clientes, projectos, produtos, operações produtivas, tecnologia e unidades produtivas [1].
A construção é um sector de actividade que sofreu ao longo dos tempos alguma evolução, ao nível das tecnologias construtivas, e dos materiais utilizados. Na Antiguidade, em Roma utilizava-se o betão. Mais tarde, na Idade Média, construções bizantinas e muçulmanas, eram executadas em estruturas de madeira. No Renascimento, foram construídas as grandes cúpulas da basílica de São Pedro. No período da revolução industrial há o ressurgimento do betão e são construídas as primeiras estruturas em ferro. No Século XIX, grandes estruturas de ferro, são executadas as primeiras estruturas de aço e surgem também os primeiros arranha- céus. A evolução não estagnou, Emílio Baumgart inventa aquilo que é até hoje mais utilizado em Portugal em estruturas, o betão armado. O que marca o Século XX e a actualidade, é a compilação de tudo o que foi inventado nos Séculos anteriores, grandes pontes, edifícios cada vez mais arrojados e a grande e importante revelação do computador no projecto de estruturas.
A construção é uma actividade que difere das restantes actividades industriais, por possuir características demasiado próprias e distintas. A indústria da construção tem características que em separado são comuns a outras indústrias mas que em combinação aparecem apenas na construção. Quer isto dizer que, a construção influência directamente e é o resultado da actividade das várias indústrias existentes.
2.2 Importância Sócio-Económica da Construção no País
Cada país tem uma divisão própria das suas actividades económicas. Tradicionalmente, cada país tem três sectores de actividade: primário, secundário e terciário. O sector da construção civil insere-se no sector secundário, característico de países em desenvolvimento e países desenvolvidos. À medida que um país se vai desenvolvendo, a tendência é para que as pessoas sejam transferidas do sector primário para o secundário e terciário, como se verifica em
outros sectores da economia e é o sector que mais emprego cria, dado o elevado número de empresas de construção existentes e a dinâmica própria da actividade construtiva que gera actividade noutros sectores da economia. Cada emprego criado na construção pode gerar 3 postos de trabalho no conjunto da economia. O gráfico 1 traduz a variação do volume de emprego na área da construção e a sua relação com o total do emprego em Portugal, entre 1998 e 2006.
Gráfico 1: Variação do número de trabalhadores na construção entre 1998 e 2006 [3]
A qualidade da construção está intimamente relacionada com as técnicas construtivas utilizadas, os materiais, a disponibilidade de meios, a existência de projecto e planeamento da obra, mas acima de tudo de quem constrói, ou seja, as empresas de construção. Dada a sua importância na concepção da construção é importante fazer a sua caracterização. A estrutura empresarial do sector da construção é muito ampla e diversificada englobando grandes empresas multinacionais, empresas regionais, empresas especializadas e empresários em nome individual [1]. Deste conjunto, a grande maioria são empresas pequenas e só uma pequena parte (1%) são empresas de maior dimensão. No entanto, estas detêm aproximadamente 40% do mercado e 20% da mão-de-obra. As pequenas e médias empresas, devido ao seu elevado número, contribuem em larga escala para a criação de empregos e para a produção, são por isso, de grande importância. Existe ainda, um infinito número de empresários em nome individual, que trabalham neste sector e executam uma diversidade de trabalhos, nomeadamente no âmbito da reparação, manutenção e reabilitação.
A estrutura empresarial já teve, contudo, melhores dias e as perspectivas que se avizinham também não são as mais animadoras. No mês de Dezembro de 2010, existiam em Portugal 62.125 empresas de construção, ou seja, menos 560 empresas face ao mês anterior, registando a maior queda mensal (-0,89%) [4]. A base de dados da Informa D&B, vai mais além, e apresenta mais números comprometedores, afirmando que 24.237 empresas apresentam elevado risco de insolvência, ou seja, 39% do total. Só em Dezembro do ano anterior, foram dissolvidas 388 construtoras, declararam insolvência 63 e tinham acções judiciais 1.614. Em contrapartida foram constituídas 224 [4].
-10% -5% 0% 5% 10% 15% 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 % Emprego na Construção/ Emprego Total Taxa de Variação Emprego na Construção
Face a estes números, as empresas para resistirem sentiram necessidade de reagir. A solução encontrada para ultrapassar a situação está a passar pela sua internacionalização. Esta é uma solução que satisfaz as grandes empresas, quanto às pequenas devido ao baixo volume de negócios e fracas infra-estruturas a solução não tem suporte nestes moldes, e a solução passou pelo seu encerramento.
Em Portugal existem um total de 74646 empresas deste sector, das quais 33775 somam um total de vendas de cerca de 32 mil milhões euros no sector [5]. Particularizando para a área em estudo, dados da AEP [5], relativos ao ano 2004, referem que no distrito de Castelo Branco existiam 512 empresas de construção que empregavam 2709 trabalhadores, o que equivalia a um total de vendas de cerca de 250 milhões de euros. No distrito da Guarda, estes valores são ligeiramente diferentes, existindo um total de 399 empresas, com trabalho para 2.296 homens, totalizando cerca de 170 milhões de euros em vendas.
A construção civil em Portugal é portanto de grande importância tanto a nível económico como social. Mobiliza meios materiais e económicos significativos e tem à sua volta uma carga humana muito rica que tudo tem a ganhar com a globalização [6].
O sector da construção civil é na generalidade o que mais contribui para a dinamização económica de uma região, sendo que, na maioria dos casos é a única actividade com capacidade de gerar emprego e riqueza fora dos sectores tradicionais, como a agricultura e os serviços locais [1], daí a sua importância na economia e sociedade de um país.
A seguinte ilustração expressa o número de trabalhadores nas diversas áreas da indústria.
Ilustração 1: Número de trabalhadores nas diversas áreas da indústria [3]
O sector da construção em Portugal, evolui harmonicamente com a economia do país, exibindo, no entanto, ciclos de crescimento/recessão mais acentuados. Em períodos de crescimento o sector cresce mais do que a economia, mas em períodos de recessão decresce mais. A recessão do sector da construção é um factor preocupante, já que, este é
0,0 1000,0 2000,0 3000,0 4000,0 5000,0 6000,0 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 ANO N .º d e t ra b a lh a d o re s
Emprego global - Total
Emprego global - Indústria, electricidade, gás, água e construção - Total
Emprego global - Indústria
Emprego global - Electricidade, gás e água Emprego global - Construção Emprego por conta de outrém - Indústria, electricidade, gás, água e construção
postos de trabalho do emprego global [7]. Analisando o “Boletim Estatístico de Janeiro de 2011” do Banco de Portugal [7], assiste-se, a um decréscimo acentuado da taxa de empregabilidade desde 2005, cuja taxa correspondia a 10,9%, Esta tendência declinante, já era evidente em 2002, tendo-se verificado uma ligeira recuperação no início de 2004 [3]. Esta redução de taxa de empregabilidade repercute-se, obviamente no aumento do desemprego, atingindo 14% no sector da construção do total dos inscritos nos Centros de Emprego em Novembro de 2010 [8].
A ilustração seguinte confirma o aumento gradual do número de desempregados oriundos do sector da construção entre Janeiro de 2008 e Janeiro de 2011.
Ilustração 2: Evolução do N.º de desempregados do sector da construção (fonte FEPICOP)
No entanto, os postos de trabalho que a construção gera não são o único factor determinante na economia, o VAB (Valor Acrescentado Bruto) é um parâmetro igualmente importante, pois traduz a proporcionalidade da produtividade no Sector da Construção e o número de trabalhadores. A construção tem um contributo de cerca 5,9% no VAB na economia nacional (dados de 2005) [9].
Um outro factor que pesa na economia nacional é o contributo da construção no PIB. A contribuição do produto da construção para o produto interno bruto (PIB) é de cerca de 7% [3]. A crise económica e financeira que o sector atravessa tem dado um contribuído negativo para o PIB nacional. Esta situação passa-se também noutros sectores de actividade. No conjunto de todos os sectores assistiu-se a uma variação negativa do PIB em 2009 de 2,5%. No final de 2010, as perspectivas são bem mais animadoras, apontando para um crescimento do PIB em relação ao ano anterior em cerca de 1,4% [10]. Esta evolução positiva espera-se ser um bom indicador para a construção.