CHAPITRE IV : ETUDE DE L’INFILTRATION DE LA SILICE PAR LE SBR 25E ET
III. Effet du greffage de la silice par le triéthoxy-octyl-silane
III.2. Effet du greffage sur l’infiltration
O processo de pesquisa inicia-se com questionamentos surgidos da observação direta dos integrantes do grupo desde a implantação do programa. Observando os cestos de descarte seletivo, ficou evidente que não havia distinção do conteúdo dos “recicláveis” e dos “úmidos”. Este fato desencadeou as reflexões e conseqüentes questionamentos do GERe sobre o programa de coleta seletiva.
Um dos questionamentos mais freqüentes foi: por que a comunidade não participa da coleta seletiva? Este desencadeou outros questionamentos e as primeiras propostas de investigação. As primeiras sugestões de pesquisa surgiram de um dos integrantes do curso de ciências biológicas, César, que ao fazer a observação dos cestos propôs que o grupo investigasse em quais pontos não estava havendo o descarte seletivo. Ele sugeriu a realização dessa investigação pela análise do conteúdo dos cestos. Outra sugestão foi elaborar uma “enquete” para conhecermos o públicocom o qual iríamos realizar as intervenções educativas.
Os integrantes do grupo apontaram algumas falhas na primeira divulgação da coleta seletiva, visto que essa não havia sido feita em todas as turmas de todos os cursos da instituição e que também não havia sido feita uma elucidação a respeito do que vinha a ser resíduos úmidos. Essa reflexão levantou a hipótese de que, provavelmente, esses dois fatores poderiam estar comprometendo a participação da comunidade, devido à falta de informação da existência de um Programa de Coleta Seletiva e sobre como deveria ser feito o descarte correto dos resíduos.
Figura 3: Sistematização da pesquisa-ação desenvolvida pelo GERe Tema gerador da pesquisa e da ação Coleta Seletiva Porque as pessoas não participam? quais pontos do
campus não está
havendo o descarte seletivo? O que a comunidade sabe sobre os resíduos? A CS está bem estruturada? A CS foi pouco divulgada? Precisa ser novamente divulgada Que resíduos podem ser descartados? Divulgação em cada sala Há problemas na estrutura Quais são os problemas estruturais?
coleta sinalização dos cestos
Que setores são responsáveis pela estrutura? administração Funcionários limpeza reunião Atividade educativa Reportagem EXTRA A comunidade tem dúvidas sobre descarte A comunidade conhece a problemática dos resíduos Problemas estruturais dificultam a realização de ações educativas Os resíduos comercializáveis Qual o consumo de copos e papel? Pesquisa consumo e gasto Divulgação e ampliação do grupo Como dar continuidade ao GERe? Formação do grupo Palestra
Calouros Implementação do “saber ambiental”
Os membros do GERe relataram que muitos de seus colegas de curso ou que dividiam casa, consideravam como resíduo úmido o que está com água (ou com restos de refrigerante e café, por exemplo) e não o resíduo que contém água, como os orgânicos. A partir deste fato, fizemos uma generalização e concluímos que essa idéia poderia ser a mesma de grande parte da comunidade do
campus.
Partindo dessa reflexão, concordamos que a primeira ação do grupo deveria ser a realização de uma nova divulgação do programa de coleta seletiva, em todas as classes, e que deveríamos estruturar o que seria dito para que os alunos pudessem conhecer o programa, ter as informações para que descartassem corretamente os resíduos e, também, que fosse um momento de divulgação do GERe. Decidimos então que durante a divulgação o grupo deveria abordar os seguintes temas (anexo 4):
Apresentação do GERe: quem somos e qual o nosso trabalho;
Motivos pelos quais foi criada no campus a Coleta Seletiva: funções ecológica, social e econômica; Como as pessoas devem descartar os resíduos gerados:
Recicláveis secos: copos plásticos, latas de refrigerante, papel picado, sacos plásticos que
esticam, vidros;
Resíduos úmidos: orgânicos (resto de comida e papel sujo); Lixo tóxico: pilhas e baterias em geral (incluindo de celular);
Convidar os alunos de outras faculdades para integrar o GERe.
Para organizar a divulgação, primeiramente conhecemos a grade curricular de todos os cursos e definimos uma disciplina de cada termo (que corresponde o semestre) e de cada curso das três faculdades da instituição. Solicitamos e copiamos o Mapa de Alocação de Salas de Aula do Primeiro Semestre de
2004, e assim descobrimos qual era o horário e a sala de aula das turmas selecionadas. Elaboramos uma
grade que foi distribuída aos integrantes do grupo (anexo 5). Ao todo deveriam ser visitadas 81 salas correspondentes a 81 disciplinas de 19 cursos diferentes das 3 faculdades. Decidimos que seria uma explanação não muito longa e que também deveria ser anotada qualquer sugestão propostas pelos alunos e seus respectivos professores.
Ao elaborarmos a divulgação, surgiu uma questão sobre quais resíduos deviam ser descartados no cesto dos recicláveis secos e quais no cesto dos resíduos úmidos. Teoricamente, no “úmido” deveriam ser apenas descartados os orgânicos, porém, como não há a destinação dos resíduos orgânicos para a
compostagem7, o cesto dos resíduos úmidos tem como destino o aterro sanitário. Dessa forma, nesse
cesto podem também ser descartados os resíduos que não terão como destino a reciclagem, como os isopores, por exemplo. A informação que o grupo tinha era de que no cesto dos recicláveis secos não devem ser depositados os copos sujos com café, pois esse conteúdo poderia sujar os demais papéis, tornando-os impróprios para serem reciclados. Diante dessa dúvida, decidimos investigar quais resíduos poderiam ser descartados conversando com as pessoas que comercializam esses materiais. Assim, resolvemos conhecer a central de triagem da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru. Além de sanar a nossa dúvida, essa visita também foi proposta para que o grupo conhecesse o local para onde os resíduos descartados seletivamente são levados e triados e os associados – qual a rotina diária de trabalho, como é a central de triagem, como eles dividem os lucros, enfim, a realidade do trabalho das pessoas que estão sendo beneficiadas pela coleta seletiva da UNESP-Bauru. Durante a visita à central de triagem da associação, conversamos com a assistente social da prefeitura que auxilia na organização da associação, a qual, além de mostrar toda a estrutura da central, nos apresentou todos os resíduos que são coletados e comercializados por eles e também nos informou que, dos resíduos provenientes da UNESP, apenas os papéis sujos, como os guardanapos não eram comercializados. Diante dessa informação, na divulgação dissemos que podiam ser descartados como recicláveis secos todos os plásticos, vidros e metais, mesmo contendo restos de líquidos e os papéis, com exceção dos guardanapos sujos.
Durante o tempo previsto para a divulgação, acompanhei duas alunas do primeiro ano para ajudá-las no trabalho em duas salas. Feita a divulgação, entendendo que as alunas estavam mais seguras, sugeri que elas fossem sozinhas, o que não ocorreu. Essa atividade, somada à incompatibilidade de horários das mesmas e ao início da greve no curso de química (do qual Cristiane era aluna) foram fatores que desestimularam as duas e elas saíram do grupo8.
Em um encontro onde discutimos a divulgação, os integrantes do grupo disseram que essa atividade foi comprometida devido ao período de provas. Mais tarde, o grupo chegou à conclusão de que a divulgação não foi suficiente para que a comunidade se sensibilizasse a respeito da problemática dos resíduos a ponto de participar efetivamente do programa de coleta seletiva. Esse questionamento foi abordado em vários encontros. Os integrantes do GERe sugeriram, em tom de brincadeira, que fizéssemos ações que intimidassem as pessoas quando fossem descartar os resíduos incorretamente. Uma sugestão foi colocar dois homens fortes para amedrontar as pessoas! Apesar da sugestão não ser séria, ela reflete a
7 Compostagem compreende a decomposição dos resíduos orgânicos com a formação de nutrientes no solo. 8 Mais tarde Isabella, a aluna do primeiro ano de biologia, retornou ao grupo participando esporadicamente.
idéia da coerção como estratégia educativa e solução para a participação. Essa idéia surgiu, principalmente, quando o grupo percebeu por meio das entrevistas, que a comunidade unespiana reconhecia os resíduos como um problema, mas, ao mesmo tempo, não participava no descarte seletivo. Concluímos que o conhecimento não se reverte em ação e que era preciso algo a mais nas ações educativas para que houvesse uma participação consistente.
A visão que tínhamos convergia com a concepção de que “a relação homem-natureza é mediada pelos conhecimentos técnico-científicos” (TOZONI-REIS, 2004, p. 29). Segundo a autora, essa representação revela a idéia de que, mediante a aprendizagem de conhecimentos científicos sobre o ambiente, o ser humano passa a entender os problemas ambientais, a transformar a natureza de forma sustentável e a fiscalizar ações predatórias e degradantes. A partir do momento em que percebemos que diante do conhecimento da problemática, a comunidade não buscava solucioná-la, nossa concepção de educação ambiental começa a ser modificada e dá um passo inicial para a concepção de que “saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção” (FREIRE, 1999, p. 52), neste sentido a busca da plena consciência dos problemas ambientais deve ser ponto central das ações educativas.
Outro momento importante de reflexão do grupo ocorreu durante a atividade de divulgação do GERe. A elaboração e execução da atividade para convidar os alunos de outras faculdades se configurou como um momento de síntese de todos os encontros e atividades que o grupo desenvolvera até aquele momento e resultou em conseqüências importantes para o andamento da pesquisa. Foram discutidos, coletivamente, os pontos principais que deveriam compor a atividade. A partir dessa discussão, elaborei uma apresentação em power point (figura 4). Os pontos sugeridos foram:
Apresentação do grupo: quem somos, o que cursamos; O objetivo do grupo;
As ações desenvolvidas.
Partindo dessas sugestões, enriqueci a apresentação acrescentando a ela outros elementos, tais como, qual foi o nosso motivador – a problemática dos resíduos –; o contexto pelo qual o grupo foi formado – a criação da coleta seletiva e a pesquisa de mestrado –; os conhecimentos que trouxemos ao grupo a partir das nossas experiências em biologia e na pesquisa; os conhecimentos que geramos coletivamente – os resíduos que podem ser descartados –; e os questionamentos para desencadear outras ações – O que desejamos? Quais são as nossas expectativas? O que precisamos conhecer? –
Nesse encontro, além dos componentes do GERe, compareceu apenas um aluno do jornalismo, Reinaldo. Ele se interessou pelo grupo, porque já conhecia o Coordenador da coleta seletiva e porque, por acaso me conheceu e eu o convidei para que participasse dessa reunião.
O encontro, apesar de não terem comparecido muitos alunos foi, para o GERe, um momento bastante importante. Ao questioná-los sobre o motivo pelo qual eles participam do grupo, Talísia disse que “desejava ver a coleta seletiva funcionando adequadamente”, ou seja, queria contribuir para que as pessoas participassem efetivamente. Talísia ainda fez uma observação que todos compartilharam a respeito de não compreender porque as pessoas não descartavam seus resíduos seletivamente. Todos nós levantamos hipóteses sobre os motivos e os alunos relataram que a coleta seletiva enfrenta problemas estruturais, tais como a sinalização dos latões, que estava apagada. Concluíram que esse fator poderia impedir a comunidade de participar, já que não havia como saber em qual cesto descartar o resíduo correspondente.
Outro ponto destacado foi a divulgação. Os integrantes relataram que essa ação foi insuficiente para sensibilizar os alunos e que, por esse motivo, não havia uma participação consistente. O aluno do jornalismo Reinaldo, que foi pela primeira vez na reunião, diante da fala anterior, disse que a comunidade da UNESP deveria ser educada e que as atividades deveriam levar as pessoas a conhecerem o problema dos resíduos para que elas fossem sensibilizadas a participar, descartando seletivamente. Em conseqüência dessa fala, César sugeriu que fizéssemos uma investigação com a comunidade para descobrirmos porque eles não estavam participando da coleta seletiva. Abrimos, então, uma discussão sobre a importância de desenvolvermos uma pesquisa para elaborarmos ações mais consistentes, principalmente as educativas. Reinaldo enfatizou esse ponto dizendo que “precisamos de dados, quanto mais tivermos maior a possibilidade de convencermos as pessoas”.
Finalizamos esse encontro com a decisão de que precisaríamos dividir as tarefas entre os integrantes do GERe. Desse modo, eu, no exercício de coordenadora do grupo, fiquei responsável por organizar a pesquisa enquanto os outros alunos se responsabilizaram pela execução.
Figura 4: Slides da atividade de apresentação do GERe