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Effet de l’exercice

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IV. 3.1.1.3. Effet du type d’exercice

IV.3.3. Protéine porteuse d’IGF-I (IGFBP-3)

IV.3.3.1. Effet de l’exercice

São os já reconhecidos trabalhos da geógrafa brasileira Bertha K. Becker que, tratando das questões geopolíticas da região amazônica, atentam para a fundamental consideração dos processos de organização social que vêm se constituindo frente às mudanças estruturais na região. Trata-se da emergência do que ela chamou de “novas territorialidades” (BECKER, 2001) de grupos sociais que resistem à expropriação e concomitantemente representam experimentos de outras propostas de sociedade associados à sociobiodiversidade. É evidente no trabalho da autora a relevância dessas novas territorialidades na consideração da organização espacial e na elaboração de políticas territoriais, ou seja, para a Geografia e a Geopolítica da região amazônica.

Expressão e consequência de tal processo de organização por uma parte da sociedade civil, está no que aponta Porto Gonçalves (2002). Trata-se do ocorrido em 1992, em que, concomitantemente ao Fórum Internacional da ECO-92 no Rio de Janeiro, outro encontro foi promovido por ONGs e movimentos sociais diversos, o que constituiu um marco para o ativismo socioambiental. Neste encontro, revelou-se e reivindicou-se o protagonismo desses agentes no tratamento da questão ambiental mundial. Politizando-se o debate sobre a natureza, estes questionavam as posturas e as políticas preservacionistas que incidem sobre os espaços ocupados por povos tradicionais. Ao invés de uma concepção de sociedade “contra” a natureza, esses agentes defendem a ideia de sociedade “com” a natureza e reivindicam a permanência destes povos nas áreas que se pretendem preservar. Colocam assim um termo nas políticas territoriais preservacionistas com base nas Unidades de Conservação de preservação permanente e integral, que excluem a possibilidade da convivência destas populações “com” a natureza (PORTO GONÇALVES, 2002).

Como explica Martin (1997), a questão ambiental vinculada aos movimentos sociais a partir de meados dos anos 1990 não constitui um novo paradigma para a abordagem destes. Corresponde sim a um novo modo de produzir que atribui à natureza outro significado. Como resultado das transformações daí decorrentes, os movimentos sociais também se modificaram. Contudo, como afirma o autor, continuam a ser central nas demandas e na própria articulação destes movimentos as questões do desenraizamento social e da volatização dos lugares (MARTIN, 1997), sendo sua luta voltada à conquista do lugar.

O “modelo moderno-colonial” de sociedade imposto a partir de 1942 nas Américas, pela exploração extensiva e intensiva dos recursos naturais, os reduziu a fragmentos de “espaços de conservação” os quais, como afirma Porto Gonçalves (2002), coincidem atualmente com os

abrigos das populações que escaparam às consequências profundas da modernização ao longo da história dos lugares e regiões. Ora, na atualidade, dado também os avanços da biotecnologia, a biodiversidade adquire status político estratégico, assim como os espaços onde ela se concentra. Desta forma, além de reservas de terras a serem futuramente exploradas, estes se tornam o foco de interesses econômicos nacionais e internacionais, ao mesmo tempo em que são os espaços vividos reivindicados pelas populações que, como afirma Porto Gonçalves (2002), com eles “co-evoluiram”. Diante disto, ao assumirem um discurso ambientalista e conservacionista, estas populações, assim como seus parceiros, potencializam o atendimento de sua reivindicação básica: o direito ao lugar (MARTIN, 1997).

Este é o caso dos povos indígenas, como quero aqui destacar. Dentre os movimentos sociais que assumiram o discurso ambiental como pauta fundamental em sua luta pelo território, o dos povos indígenas no Brasil merece destaque.

A relevância da presença indígena para a Geografia do território brasileiro é hoje indiscutível. Isto se verifica pelas conquistas concretas e institucionalmente reconhecidas através das demarcações de terras indígenas, assim como pelas resistências representadas em diferentes regiões do Brasil por manifestações e retomadas de terras. Como afirma Becker (2004) para o caso amazônico:

a demarcação dos territórios indígenas não é fato desprezível. Trata-se de um problema histórico no Brasil. É algo fantástico, de conquista, da luta das sociedades e dos grupos indígenas, que vêm tendo seus territórios demarcados. Vale registrar que alguns grupos indígenas são dos mais “espertos” que existem no Brasil; têm uma inteligência impressionante, um aprendizado rápido sem destruir sua cultura (BECKER, 2004, p. 13).

A organização social indígena se disseminou em território brasileiro de tal modo que em praticamente todas unidades federativas existem terras indígenas já identificadas pelo órgão oficial indigenista, com a exceção do Piauí (FUNAI, 2016). Isso demonstra que, apesar de quantitativamente minoritários, esses povos, suas territorialidades e territórios são fatos a serem considerados nas análises geográficas do território brasileiro que, contudo, muitas vezes negligenciam tais existências, intencionalmente ou não, fazendo com que Becker (2004, p.13) cheguasse a afirmar: “as vezes penso que as pessoas não dão valor ao que de fato ocorre em termos de mudança na sociedade brasileira”.

Dessa forma, penso ser importante aos estudos na área de Geografia contribuir com o debate sobre os povos indígenas no Brasil, seus territórios e suas territorialidades frente à organização do espaço em território nacional. Acredito que os instrumentos teórico-

metodológicos dessa disciplina cinetífica têm importância estratégica na discussão sobre os avanços e desafios enfrentados pelas populações indígenas na conquista de seus direitos, sobretudo territoriais, além do questionamento que daí se depreende sobre os rumos das políticas territoriais no Brasil.

Por outro lado, a relevância de uma abordagem geográfica nos estudos sobre os povos indígenas no Brasil reside em uma questão geopolítica geral que envolve seus territórios, como demonstrado por Porto Gonçalves (2002). Os territórios indígenas no Brasil, em sua grande maioria, coincidem hoje com alguns dos últimos redutos de biodiversidade no País. Isto não se dá por acaso. Como afirma o autor, foram estas populações que mantiveram modos de vida tradicionais e que, por esse convívio “com” a natureza, são as responsáveis pela continuidade da existência de formações vegetais, animais e geomorfológicas, ou melhor, de sistemas ambientais e paisagístico ainda presentes em seus territórios. Na atualidade, com o desenvolvimento da biotecnologia, estas áreas são alvos de interesses econômicos diversos, expressos em diferentes escalas26, ao mesmo tempo em que são os espaços vividos dos povos

tradicionais. É através da visão dicotômica da relação entre sociedade e natureza – “sociedades contra a natureza”– que os interessados na biodiversidade existente nestas áreas defendem a expropriação dos povos que as habitam, através da ideologia de se manter uma “natureza intocada” (PORTO GONÇALVES, 2002). Como aponta Becker (2009), estas áreas representam para as grandes potências econômicas reservas de valor passíveis de serem exploradas. Neste sentido, são estoques de natureza tanto por seu conteúdo em termos de biodiversidade, que decodificada e instrumentalizada contribui com o avanço da biotecnologia, quanto por alguns recursos ali existentes que são ou podem vir a ser explorados mercadologicamente, tais como a água, a vida e até mesmo o ar a partir da comercialização de créditos de carbono. É, portanto, pelo “capital natural” representado por aqueles espaços, que as grandes potências buscam estabelecer seu controle sobre os mesmos (BECKER, 2009). No novo contexto geopolítico identificado pela autora, no qual uma efetiva ocupação territorial passa a ser prescindível, os agentes econômicos tratam de influenciar os Estados nacionais para controlar essas áreas de interesse, configurando o que Porto Gonçalves (2002) define enquanto “latifúndios genéticos”.

26 Bertha Becker (2004), para o caso amazônico, trata das diferentes escalas de representação da região, às quais

correspondem particulares motivações econômicas e políticas. Tratam-se dos multiplos interesses de agentes localizados em diferentes regiões do planeta que influenciam as ações que incidem sobre o espaço desta região, transformando-o.

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