• Aucun résultat trouvé

Estrada et al. (2013), em um estudo realizado na cidade do México, pontuam que as disciplinas de Psicologia são incluídas nos currículos de Licenciatura em Educação Física seguindo as especificidades de cada país.

No Brasil, os primeiros indícios da relação da Psicologia com o universo da Educação Física são encontrados em periódicos da própria EF a partir da década de 1930. Entretanto, há um discurso relativo à possibilidade de discussão e flexibilização desse marco histórico até então estabelecido (CARVALHO, 2012).

Diante da contextualização histórica, percebe-se que as justaposições entre Psicologia e Educação Física podem ter acontecido numa interlocução entre movimentos políticos e sociais. Esses estavam relacionados aos eventos eugênicos e higienista decorrentes das Forças

Armadas, do Exército, contando com estudos sobre Psicologia Geral e Experimental, no ambiente das primeiras escolas de EF do país fundadas em meados do século XX (CARVALHO, 2012).

Das décadas de 1930 e 1940, de acordo com a mesma autora, há artigos que tratam teoricamente de conceitos psicológicos, embasados nos fenômenos relativos ao desenvolvimento humano, ao caráter e personalidade, ao processo de aprendizagem, além dos processos psicológicos básicos como inteligência, motivação e cognição. No que tange à Educação Física, nesse mesmo período, os artigos mantém ainda um discurso eugênico e higienista.

Na década de 1950, o discurso envolvendo os fenômenos psicológicos amplia-se e direciona-se para um aproveitamento da Psicologia no domínio da atividade física e do esporte. Pode-se dizer que nesse ínterim, iniciaram-se as primeiras interlocuções da Psicologia e a Educação Física.

Ressalta-se que os vestígios encontrados da relação entre Psicologia e Educação Física, nas primeiras décadas do século XX do recorte temporal pesquisado, não marcam uma aplicação da Psicologia como acontece nos dias atuais. O que se pode dizer é que esse resgate anuncia a inserção da Psicologia no contexto da atividade física e do esporte, denotando uma “construção de um novo fazer psi no processo educacional” (CARVALHO, 2012, p. 10).

Para a autora, as aproximações entre Psicologia e Educação Física foram se constituindo, lentamente, embasadas em outras práticas psi, ao longo das décadas. Entendendo um pouco mais sobre esse percurso histórico, percebe-se que as reflexões sobre um diálogo entre Psicologia e Educação Física não esgotam as possibilidades de novas descobertas.

Apesar de um crescente interesse por essa interface entre as duas áreas de conhecimento, Psicologia e Educação Física, verifica-se que há poucos estudos que discutem as possibilidades de um diálogo entre elas, gerando poucas chances de se entender quais os respaldos que a Psicologia pode oferecer na formação do professor de EF.

O que Estrada et al (2013) perceberam é que a incorporação de disciplinas de Psicologia para formação do licenciado em Educação Física deve contemplar uma abordagem educativa, respeitando as competências e os papéis profissionais do futuro professor. Para esses autores, a formação profissional de EF pertence às ciências humanas, e a Psicologia converge para esse objeto em comum, que é o ser humano, atentando para o aspecto de sua subjetividade.

De acordo com Almeida e Azzi (2007), outros aspectos que também estão em foco em meio ao diálogo entre essas duas áreas são as relações que se estabelecem entre professor- aluno no ambiente de aprendizagem, a motivação ao desejo do aprender, os domínios, princípios, questões individuais de aprendizagem humana. Para essas autoras, as teorias da aprendizagem são algumas demandas advindas da fundamentação teórica da Psicologia, as quais podem auxiliar no processo de formação dos futuros professores. Seus maiores objetivos são averiguar, compreender e explicar o que se passa no ambiente contingencial da educação.

Entende-se que a Psicologia, como uma área do conhecimento e como uma disciplina nos cursos de formação de professores, tem o intuito de propiciar contribuições para a compreensão e transformação de uma prática educativa. Além de ser um possível instrumento em prol da prática pedagógica, os aportes advindos das disciplinas de Psicologia compreendem um contíguo de conhecimentos que nas trocas entre teoria e prática, transformam-se em dados formadores de saberes promovendo competências docentes.

As probabilidades de essas disciplinas contribuírem de uma maneira bem-sucedida na formação do professor de EF sugere a realização de uma conexão entre os conhecimentos advindos da área da Psicologia com a interlocução entre as práticas profissionais do licenciado em EF.

Têm-se as teorias psicológicas, como teorias da aprendizagem, teoria da emoção, do desenvolvimento cognitivo, da inteligência (ATKINSON et al, 2011), as quais permitem fundamentar o conhecimento de professores de EF. Porém, todas as teorias possuem a função de organizar os dados empíricos em um todo coerente, proporcionando uma compreensão maior da subjetividade humana.

A Psicologia, segundo Vieira (2004), ampara-se em concepções e teorias voltadas para compreensão dos processos de ensino e aprendizagem. Diversas correntes do pensamento filosófico se desenvolveram para interpretar questões relacionadas à natureza da aprendizagem. Algumas delas correspondem à concepção empirista, à concepção racionalista, à concepção fenomenológica e humanista, à concepção interacionista, entre outras.

Na concepção empirista, segundo a autora, o desenvolvimento intelectual do aluno é determinado pelo meio ambiente, ou seja, o sujeito aprende por meio de forças externas, de experiências vividas na prática, é de fora para dentro. O empirismo, associado ao positivismo, constituíram a base epistemológica e metodológica para o desenvolvimento do behaviorismo ou das teorias comportamentalistas.

Na concepção racionalista, de acordo com Vieira (2004), o comportamento é resultante de estruturas orgânicas inatas. Essa concepção possui uma visão inatista do conhecimento. Nesse ponto de vista, encontra-se o termo “Gestalt” ou Psicologia da Forma, termos os quais podem ser empregados para abranger a teoria da percepção visual, ou seja, a Teoria da Gestalt afirma que não se pode ter conhecimento do todo por meio das partes, e sim das partes através do todo.

Significa, de acordo com essa teoria, respeitar o ritmo de desenvolvimento de cada aluno e, por conseguinte de aprendizagem. Já que não é possível alterar a natureza orgânica do desenvolvimento, e como o aluno só aprende impelido por seus processos internos, cabe ao professor a facilitação da aprendizagem, a qual pode ser explicada pela presença de insights, que, por meio da teoria da Gestalt, pressupõe um conhecimento de algo que motiva um comportamento, pensamento ou mesmo uma ação (VIEIRA, 2004).

As concepções fenomenológicas e humanistas ressaltam a pessoa como um ser que evolui por meio de suas experiências e valores, visando ao seu próprio bem-estar no seu mundo-vida. No processo educacional, o principal objetivo dessas concepções é propiciar uma aprendizagem com significado para o aluno, que não seja restrita a um acúmulo de informações, mas que gere uma reorganização de toda a vida da pessoa: das emoções, da cognição, dos valores e das atitudes. Para que ocorra de fato a aprendizagem, (VIEIRA, 2004) ela deve ser autodirecionada pelo aluno, considerando seus objetivos. O professor se torna um facilitador da aprendizagem e o ensino deve ser centrado no aluno, nas suas motivações e seus interesses.

Na concepção interacionista, o conhecimento é composto pelas interações que o indivíduo realiza com o meio. O conhecimento é um processo que deve ser construído pelo indivíduo durante toda a sua vida, pois ao nascer, não está pronto. A concepção interacionista tem nos trabalhos de autores como Piaget e Vygotsky grande contribuição (VIEIRA, 2004), no entanto, esses autores pertencem a vertentes filosóficas distintas.

Atentando a essas concepções e teorias psicológicas voltadas para prática educativa, não se tem a intenção aqui de eleger uma teoria somente, mas elucidar o quanto pressupostos provenientes de algumas delas poderão trazer respaldos às duas áreas correlatas: a Educação Física e a Psicologia.

Contributos das disciplinas de Psicologia podem permitir uma compreensão do processo de aprendizagem e por meio delas evidenciar uma visão do aluno de uma maneira integral.

Quando esse aluno faz qualquer movimento, quer seja correr, pular, saltar, chutar, não é apenas um amontoado de músculos que está fazendo aquela ação, mas que outras dimensões, como as afetivas e cognitivas operaram de forma interligada (ALMEIDA et al., 2011, p.7094).

Mais importante que possuir habilidades de características motoras, seria, segundo Iaochite (2006), a possibilidade de o aluno sentir-se capaz de realizá-las. É necessário que o professor de EF reconheça a importância dos estímulos a serem oportunizados em aula e da reflexão sobre a prática desenvolvida junto com os alunos desde as séries iniciais. Essas ações podem reduzir situações aversivas em atividades realizadas não só no âmbito escolar, mas, para fora dos muros da escola, preparando-os para a vida.

6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Documents relatifs