LISTA DE FIGURAS ... 28 LISTA DE QUADROS ... 30 LISTA DE TABELAS ... 32 LISTA DE GRÁFICOS ... 34 INTRODUÇÃO ... 38 2 OBJETIVOS ... 48 2.1OBJETIVOGERAL ... 48 2.2OBJETIVOSESPECÍFICOS ... 48 3 REVISÃO DE LITERATURA ... 50 3.1SISTEMASDEINFORMAÇÃOEINFORMÁTICAEMSAÚDEE ENFERMAGEM ... 51 3.1.1 Artigo I: Padrões de dados, terminologias e sistemas de
classificação para o cuidado em saúde e enfermagem ... 55 3.1.2 Artigo II: Contribuições dos registros eletrônicos para a
segurança do paciente em terapia intensiva: uma revisão integrativa . 65 3.1.3 Processo de enfermagem: breve histórico e etapas para
desenvolvimento ... 83 3.1.4 Artigo III: Processo de enfermagem conforme a Classificação Internacional para as Práticas de Enfermagem: uma revisão
integrativa ... 88 3.2SEGURANÇADOPACIENTE:CONCEITOS,INDICADORESDE SEGURANÇADOPACIENTEEAPRÁTICADEENFERMAGEM
BASEADANAEVIDÊNCIA ... 97 3.2.1 Conceitos relacionados à segurança do paciente ... 104 3.2.2 Indicadores de segurança do paciente ... 108 3.2.3 Prática de enfermagem baseada na evidência... 113 3.3REFERENCIALTEÓRICO–CLASSIFICAÇÃOINTERNACIONAL PARAASPRÁTICASDEENFERMAGEM:CIPE®VERSÃO1.0 ... 116 4 MATERIAL E MÉTODOS ... 130 4.1NATUREZADOESTUDO ... 130 4.2TIPODEESTUDO ... 130 4.3VARIÁVEISDOESTUDO ... 131 4.4LOCALDOESTUDO ... 137 4.4.1 Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago ... 137
4.4.2 Hospital Regional Homero de Miranda Gomes ... 138 4.4.3 Instituto de Cardiologia de Santa Catarina ... 139 4.5POPULAÇÃODOESTUDOEAMOSTRA ... 140 4.6PROTOCOLOSDOESTUDO ... 141 4.6.1 Pesquisa metodológica e produção tecnológica ... 142 4.6.2 Pesquisa Semi Experimental ... 144 4.6.3Detalhamento do protocolo do estudo ... 145 4.7CRITÉRIOSDEINCLUSÃODOSPARTICIPANTES ... 148 4.7.1 Enfermeiros ... 148 4.7.2 Avaliadores (Professores e Programadores) ... 148 4.8CRITÉRIOSDEEXCLUSÃODOSPARTICIPANTES ... 148 4.9CONSIDERAÇÕESÉTICAS ... 148 4.10INSTRUMENTOSPARACOLETADOSDADOS ... 149 4.11ORGANIZAÇÃOEANÁLISEDOSDADOS ... 150 5 RESULTADOS ... 152 5.1MANUSCRITOI:PROCESSODEENFERMAGEM
INFORMATIZADO:METODOLOGIAPARAASSOCIAÇÃODA AVALIAÇÃOCLÍNICA,DIAGNÓSTICOS,INTERVENÇÕESE
RESULTADOS ... 153 5.2MANUSCRITOII: METODOLOGIAPARAESTRUTURAÇÃOE MODELAGEMDEUMPROCESSODEENFERMAGEM
INFORMATIZADOEMTERAPIAINTENSIVA ... 173 5.3MANUSCRITOIII:SISTEMASDEALERTASEOPROCESSODE ENFERMAGEMINFORMATIZADOPARAUNIDADESDETERAPIA INTENSIVA ... 191 5.4MANUSCRITOIV:TEMPODESPENDIDOPELOENFERMEIRO PARAREALIZAÇÃODOPROCESSODEENFERMAGEMEM
TERAPIAINTENSIVAAPARTIRDACIPE®1.0 ... 215 5.5MANUSCRITOV:USABILIDADEDOPROCESSODE
ENFERMAGEMINFORMATIZADOEMUNIDADESDETERAPIA INTENSIVA ... 239 5.5MANUSCRITOVI:CARGADETRABALHODOPROCESSODE ENFERMAGEMINFORMATIZADOEMUNIDADESDETERAPIA INTENSIVA ... 264 CONCLUSÕES ... 288 REFERÊNCIAS ... 292 APÊNDICES ... 326 ANEXOS ... 340
INTRODUÇÃO
Numa perspectiva atual, a tecnologia tem se manifestado na forma de conhecimentos e habilidades, bem como, na utilização e aplicação dos recursos e objetos, de modo crescente dentro de um sistema tecnológico nos quais os governos, as organizações e as pessoas estão integradas com o objetivo de maximizar a eficiência e a racionalidade. Assim, é um erro supor que a inovação tecnológica tem apenas um efeito unilateral e que, igualmente, é um erro definir a tecnologia apenas como instrumentos e técnicas ou associá-la a compreensão de superioridade, especialização e profissionalismo (MARTINS; SASSO, 2008).
Entende-se que a tecnologia influencia o mundo em torno das pessoas. No entanto, a concepção de tecnologia tem sido muitas vezes utilizada de forma enfática, incisiva e determinante, porém equivocada na prática diária, sendo concebida corriqueiramente, apenas como um produto ou equipamento. Esta percepção de forma reducionista e simplista é ampliada pela United Nations Education, Social and Cultural Organization – (UNESCO), uma vez que esta Organização não associa a tecnologia somente a máquinas ou equipamentos. Para a UNESCO (2000), a tecnologia é definida como processos de saber e criativos que auxiliam as pessoas na utilização de instrumentos, recursos e sistemas para solucionar problemas, bem como, proporcionam o aumento do controle sobre o ambiente natural e o ambiente produzido, visando assim à melhoria da condição humana.
Na área da saúde, a rápida expansão dos conhecimentos e habilidades, o desenvolvimento de aparelhos modernos, complexos e sofisticados e a introdução da informática trouxeram benefícios e rapidez no combate as doenças. Observa-se que a evolução e a utilização da tecnologia tem contribuído para a solução de problemas antes difíceis de solucionar e, inúmeras vezes, revertendo situações graves ou riscos de doenças em melhores condições de vida e saúde para as pessoas (BARRA, 2008). Esta integração entre evolução e uso da tecnologia, segundo os autores Sasso, Peres e Silveira (2006), agiliza o processo de tomada de decisão dos profissionais de saúde, proporciona visibilidade ao cuidado de Enfermagem, organiza e permite a detecção de erros e, promove a segurança do cuidado ao paciente.
Sasso e Martins (2008) apontam que a prática de Enfermagem continua a ser fortemente revolucionada pelo impacto da tecnologia.
Diante deste contexto, o avanço tecnológico e científico que acompanha os dias atuais exige dos enfermeiros o desenvolvimento de um trabalho competente, seguro e com habilidades para a tomada de decisão baseada nas evidências nas mais variadas situações clínicas.
Nesta perspectiva, as exigências de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) determinam que os enfermeiros possuam uma ampla base de conhecimentos científicos e de especializações, que utilizem suas habilidades técnicas e intelectuais na prática assistencial e administrativa diária, bem como, tenham competências para integrar as informações e priorizar as ações, considerando a rapidez e a complexidade das alterações clínicas apresentadas pelos pacientes internados nestas unidades (FERRAREZE; FERREIRA; CARVALHO, 2006; DUCCI et al., 2007; KOERICH et al., 2007; RODRIGUES et al., 2007; LINO; CALIL, 2008; AMANTE; ROSSETO; SCHNEIDER, 2009; SILVA, FERREIRA, 2011; SILVA, FERREIRA, 2011)
O cuidado de Enfermagem, especialmente em Terapia Intensiva, é complexo e desafiador. Os enfermeiros estão regularmente expostos a situações clínicas difíceis que requerem atenção e controle e, ao mesmo tempo, a inovações tecnológicas que precisam estar integradas de forma consistente, correta e segura ao sistema de cuidado. Assim, conforme afirma Zuzelo et al. (2008), cada tecnologia adicionada ao cuidado e ao sistema organizacional aumenta a complexidade do trabalho da Enfermagem embora, também, possa potencializar a redução da carga de trabalho e, consequentemente, melhorar a qualidade do cuidado e diminuir a ocorrência dos erros e eventos adversos.
Um dos principais desafios apresentados para a equipe multidisciplinar de saúde é o enfoque na cultura de segurança e, neste sentido, os profissionais que atuam nas instituições de saúde, em especial nos hospitais, têm buscado incessantemente a qualidade e a excelência do cuidado ao paciente (WACHTER, 2010). Segundo Padilha (2001), Beccaria et al (2009), Fernandes, Pulzi Júnior e Costa Filho (2010) uma das metas a serem cumpridas, principalmente pela equipe de Enfermagem da UTI, é prevenir a ocorrência dos erros e eventos adversos/iatrogenias no sentido de promover e garantir a segurança do paciente.
Ao prestar o cuidado direto e qualificado aos pacientes, entende- se que as principais funções do enfermeiro no cuidado é que ele faça uma avaliação diagnóstica de Enfermagem, elabore a evolução clínica a cada turno de trabalho, faça as intervenções de Enfermagem complexas que necessitam de habilidades e conhecimentos especiais, desempenhe suas atividades integradas à equipe de saúde e manuseie os
equipamentos tecnológicos disponíveis na UTI (ANTUNES, 2006; NASCIMENTO et al., 2008).
Dentre as diversas tecnologias utilizadas e/ou desenvolvidas na prática, o Processo de Enfermagem (PE) é considerado uma tecnologia do cuidado que orienta a sequência do raciocínio e julgamento clínicos, constituindo-se numa ferramenta que deve ser utilizada pelos enfermeiros na sua prática profissional, pois evidencia o desencadeamento dos pensamentos e juízos desenvolvidos durante o cuidado. Corroborando com vários estudos, acredita-se que o PE demonstra a valorização da prática de Enfermagem e melhora a qualidade do cuidado por permitir ao enfermeiro sistematizar suas ações/intervenções de forma contínua, clara e organizada, centradas nas perspectivas dos pacientes (ZUZELO et al., 2008; HAKES; WHINTTINGTON, 2008; KRING, 2008, MURPHY et al., 2008; LEDESMA-DELGADO; MENDES, 2009; POKORSKI et al 2009; TRUPPEL et al., 2009).
O Processo de Enfermagem deve ser realizado, de modo deliberado e sistemático, em todos os ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. [...] deve estar baseado num suporte teórico que oriente a coleta de dados, o estabelecimento de diagnósticos de enfermagem e o planejamento das ações ou intervenções de enfermagem; e que forneça a base para a avaliação dos resultados de enfermagem alcançados (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2009, p.2-3).
Em um setor como a UTI, o PE além de integrar, organizar e garantir a continuidade das informações e dos cuidados da equipe de Enfermagem permite também avaliar a sua eficácia e a eficiência, modificá-los de acordo com os resultados na recuperação do paciente e ainda servir de fundamentação permanente para a educação, pesquisa e
gerenciamento em Enfermagem (ORGANIZACIÓN
PANAMERICANA DE LA SALUD, 2001; HANNAH; BALL; EDWARDS, 2009; LEADEBAL; FONTES; SILVA, 2010).
Não há dúvidas que o volume de dados e informações na UTI, assim como nos demais cenários de cuidado é enorme e que estas informações são heterogêneas, distribuídas, complexas e pouco estruturadas. As informações são centrais no processo de cuidar em saúde, ou seja, o acesso à informação sobre a prática fortalece os
enfermeiros com evidências clínicas para sustentar as contribuições da Enfermagem nos resultados do paciente. Portanto, existe uma conexão essencial entre o acesso à informação pelo PE, os resultados e a segurança do paciente (ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD, 2001; HANNAH; BALL; EDWARDS, 2009).
Sob outro ângulo, Santos, Paula e Lima (2003) observam que as informações manuscritas registradas nos prontuários pela Enfermagem não revelam qualidade, não possuem uma sequência lógica, não objetivam a situação clínica do paciente e não demonstram o adequado procedimento nos cuidados para atender às suas necessidades. Além disso, as anotações são muitas vezes inconsistentes, ilegíveis e subjetivas, não havendo uma definição metodológica estruturada.
Entende-se que o registro clínico precisa ser objetivo, claro e completo, de forma que todos os membros da equipe de saúde com acesso a tais informações entendam o contexto e o significado das mesmas. Por meio desse registro é que se pode assegurar a execução e a continuidade do tratamento adequado, bem como, viabilizar à equipe de saúde a prestação de um atendimento respaldado no conhecimento e nos aspectos éticos e legais (MARIN, 2000).
Atualmente, constata-se uma nova visão mundial referente aos registros clínicos de Enfermagem, uma vez que, por meio dos registros, os enfermeiros tanto melhoram e apoiam a segurança do paciente quanto propiciam a visibilidade do cuidado e das ações cotidianas de Enfermagem (LIMA; NÓBREGA, 2009; NÓBREGA, NÓBREGA, SILVA, 2011).
Neste contexto, a Organización Panamericana de la Salud (OPAS, 2001) aponta que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) têm sido utilizadas como um caminho para aperfeiçoar os registros clínicos em saúde e apoiar o desenvolvimento do PE, pois permitem integrá-los em uma estrutura lógica de dados, informação e conhecimento para a tomada de decisão do cuidado de Enfermagem. As TICs são conceituadas como um conjunto de recursos tecnológicos integrados entre si que proporciona, por meio das funções de hardware, software e telecomunicações, a automação e a comunicação dos processos de negócios, da pesquisa científica e de ensino e aprendizagem, ampliando os horizontes entre o real e o virtual, expandido assim o seu uso e suas potencialidades (FLOCUS, 2007).