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Educational Models of Context

2   Understanding and using context in TEL

2.2   Educational Models of Context

O ato de pesquisar engloba diversas escolhas, diversos acertos entre pesquisados e pesquisador, entre pesquisador e as teorias estudadas, entre pesquisador e os métodos utilizados.

Nesta seção, relato como se deu o processo de produção dos dados e quais foram os materiais de pesquisa produzidos. Trago algumas discussões empíricas, principalmente no que compete às observações e às filmagens, o que elas transpareceram e no que potencializaram o processo desta pesquisa, pois, ao olhar atentamente o material, apreendo nuances jamais esperadas para esse processo.

As observações foram realizadas em tempos e momentos diferentes, em cada um dos três anos do ciclo de alfabetização, haja vista ter sido o primeiro procedimento de coleta. Cada conjunto de observações ocorreu de acordo com a disponibilidade, tanto minha quanto das demais participantes da pesquisa, em dias e escolas distintas. Na escola A, as observações foram efetivadas no mesmo dia da semana (segunda-feira), no turno da manhã, sendo o primeiro conjunto realizado na turma da professora Arita3 e, logo em seguida, passei ao segundo conjunto de observações, realizado na turma da professora Erenilda. Na outra escola, as observações foram realizadas na sexta-feira de manhã na turma em que atua como regente a professora Juliana. Ambas as observações ocorreram de forma concomitante, visto terem sido em dias da semana alternados.

Abaixo, apresento três quadros que sintetizam as observações, dias e tempos de realização.

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Cabe destacar que as professoras participantes da pesquisa aceitaram, como consta no termo de consentimento livre e esclarecido em apêndice, serem chamadas por seus próprios nomes. Em conversa anterior à efetivação da pesquisa, coloquei às professoras que sentia a necessidade de situá-las, ou seja, de marcá-las, pois entendia que a pesquisa contava assiduamente com a participação delas, que a pesquisa era com elas e não sobre elas. Dessa forma, entenderam e aceitaram terem seus nomes destacados. Saliento, também, que, mesmo colocando minhas justificativas, consideraria a solução delas sobre tal organização, uma vez que para mim faziam parte da pesquisa.

Tabela 1: Síntese das observações realizadas na sala de aula da professora Juliana4.

Dia das Observações Tempo da Observação

15/ago/2014 ≡ 3h

12/ago/2014 ≡ 3h

Total ≡ 6h

Fonte: Caderno de campo do pesquisador.

Tabela 2: Síntese das observações realizadas na sala de aula da professora Arita. Dia das Observações Tempo da Observação

14/jul/2014 ≡ 3h

11/ago/2014 ≡ 3h

18/ago/2014 ≡ 3h

Total ≡ 9h

Fonte: Caderno de campo do pesquisador.

Tabela 3: Síntese das observações realizadas na sala de aula da professora Erenilda

Dia das Observações Tempo da Observação 25/ago/2014 ≡ 3h

01/set/2014 ≡ 3h 29/set/2014 ≡ 3h

Total ≡ 9 h

Fonte: Caderno de campo do pesquisador

Para começar as observações, reformulei algumas ideias e teorizações do projeto inicial. Da reformulação dos processos de coleta, três questões tornaram-se base para a atividade de observação em sala de aula:

1. Conhecimentos da professora e das crianças desenvolvidos em sala de aula a partir do conteúdo específico das ciências e da pedagogia.

2. Forma das professoras gerirem a sala de aula e uso dos espaços da sala de aula e/ou da escola para apreensão dos conhecimentos.

3. Desenvolvimento dos conhecimentos, em sala de aula, a partir das estratégias e formas de trabalho utilizadas pelas professoras, como métodos, metodologias, teorias epistemológicas de ensino e de aprendizagem.

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Saliento que, diferentemente das observações realizadas nas salas de aula das professoras Arita e Erenilda, na sala de Juliana pude desenvolver somente duas observações em função de problemas de ordem pessoal da professora.

Reestruturei meu olhar para que, de fato, o processo de coleta e análise dos dados pudesse dar conta dos objetivos propostos em um tempo específico para a sua realização, o que entendo ter qualificado mais o trabalho, pois, a partir das questões base para a coleta de dados, havia maior possibilidade de interlocução com as professoras participantes da pesquisa e de seus pupilos (crianças). As conversas, a escuta, a observação atenta a partir daquilo que se propunha, trouxe à pesquisa ganhos, pois abriam diferentes caminhos para a construção de um corpus de dados que considero infinito para ser analisado.

Como material bruto coletado, aquele sobre o qual o pesquisador necessita debruçar-se para lapidar, existe um conjunto de oito observações, de duração em média de três horas cada uma. Trata-se de registros feitos em diário de campo no qual anotava o que acontecia durante as aulas e fazia registros de impressões que tinha sobre aquilo que estava acontecendo. Em síntese, existem 24 horas de observações realizadas nos três anos do ciclo de alfabetização.

As filmagens foram realizadas logo após o término das observações e duraram, em média, dois meses. Em seguida, apresento um quadro-síntese representando os dias e a duração de cada filmagem realizada em cada ano/ciclo pelas professoras participantes da pesquisa.

Tabela 4: Síntese de videogravação produzido pela professora Juliana

Dia Quantidade de videogravação\dia Tempo de cada videogravação Total

13\10\2014 5 00:16:07 00:00:05 00:08:17 00:07:31 00:18:03 00:50:03 15\10\2014 1 00:18:24 00:18:24 Total 2 dias 6 01:08:27

Fonte: Material em vídeo produzido pela professora pesquisada e transcrito pela bolsista de Iniciação Científica PROBIC/FAPERGS, Lizandra Farias da Costa Machado.

Tabela 5: Síntese de videogravação produzido pela professora Arita

Dia Quantidade de videogravação\dia Tempo de cada videogravação Total

24/08/2014 2 00:14:27 00:29:48 00:44:15 26/08/2014 1 00:08:37 00:08:37 27/08/2014 3 00:08:35 00:06:07 00:06:22 00:21:04 31/08/2014 6 00:04:20 00:00:33 00:00:52 00:01:09 00:00:21 00:01:05 00:08:20 Total 4 12 01:22:16

Fonte: Material em vídeo produzido pela professora pesquisada e transcrito pela bolsista de Iniciação Científica PROBIC/FAPERGS, Lizandra Farias da Costa Machado.

Tabela 6: Síntese de videogravação produzido pela professora Erenilda

Dia Quantidade de

videogravação/dia

Tempo de cada videogravação Total

16/09/2014 1 00:19:51 00:19:51 17/09q2014 1 00:00:07 00:00:07 21/09/2014 2 00:00:20 00:35:03 00:35:23 24/09/2014 1 00:30:06 00:30:06 10/10/2014 2 00:02:53 00:00:32 00:03:25 Total 5 7 01:28:52

Fonte: Material em vídeo produzido pela professora pesquisada e transcrito pela bolsista de Iniciação Científica PROBIC/FAPERGS, Lizandra Farias da Costa Machado.

As gravações somam um total de 4h33min58s. Cabe ressaltar que, diferente das observações, as quais aconteciam durante todo turno de trabalho, as videogravações eram realizadas de acordo com o critério de seleção dos momentos. A seleção era feita pelas professoras a partir do entendimento sobre o que era importante para a pesquisa por apresentarem momentos de ensino e de aprendizagem em Ciências.

Além dos materiais coletados, já relatados, compõe, ainda, o corpus de materiais que podem ser utilizados para análise, o material produzido pelas professoras para organização dos momentos pedagógicos, a saber:

1. Da professora Arita: Caderno de Programação das aulas onde consta, para cada dia de trabalho, a atividade e no que consiste sucintamente; memoriais, um para ingresso no mestrado realizado no Instituto Federal Sul Rio-grandense Campus Pelotas e outro escrito por ocasião da seleção

para bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, do qual participou até 2013.

2. Da professora Juliana: projeto de atividades para o mês de agosto e carta de intenção, documento escrito para o processo de seleção à bolsista de educação básica do projeto de pesquisa OBEDUC-Pacto, ao qual está vinculada como bolsista.

3. Da professora Erenilda: as atividades propostas aos alunos em folhas; documento com a descrição dos objetivos das aulas que foram observadas; um texto em que escreve sua formação, angústias, anseios e vontades, por mim solicitado.

Dos materiais coletados, ou seja, das observações e das filmagens, algumas reflexões cabem neste momento, pois favoreceram e compõem o processo de aprender a ser pesquisador.

Compreendo que estar atento a todas as formas de manifestações daqueles que são o foco da pesquisa, observar quais tipos de coleta de dados são mais ou menos interessantes para “decifrar” e quais práticas são melhores recebidas pelos alunos podem trazer melhores resultados analíticos para a pesquisa, o que desenvolve, também, o aprendizado enquanto pesquisador. Assim, observar, estar atento de forma a relacionar essas questões à pesquisa são de extrema importância para mostrar ao leitor os focos e os caminhos seguidos pelo pesquisador.

Por esses motivos, pretendo, aqui, tecer alguns comentários e trazer algumas discussões que a mim tornam-se pertinentes à medida que, como aprendiz, tomo como objetivo qualificar meu processo de aprender a fazer pesquisa. Três são os focos de aprendizado que construí como pesquisador: a qualificação da ação profissional pela observação, relato, descrição, discussão de práticas de colegas; a qualificação enquanto pesquisador, porque, no processo de leitura, releitura, escrita, análise e discussão, tanto no texto quanto fora dele, o perfil e o aprendizado de gerir uma pesquisa vão se ampliando e trazendo contribuições importantes; a qualificação do campo de estudo escolhido, tendo em visto a necessidade de maiores pesquisas na área e de mais aprofundamento teórico-prático.

Tomo como início das reflexões o fato de conhecer o referencial teórico para saber de que forma e em qual momento devem-se tecer determinados comentários e buscar, das colegas professoras que foram voluntárias da pesquisa, palavras que podem suscitar diversas análises.

Quando o pesquisador entra no campo empírico, já conhecedor das “teorias”, ou seja, do referencial teórico a que se propôs estudar, as relações tornam-se muito mais amplas e os aprendizados maiores. Destaco esse aspecto porque desde o momento em que me desafiei e me desafiaram a ler e estudar sobre um conhecimento por mim desconhecido, e somente quando, junto aos pares, percebi a aprovação de tal trabalho, iniciei o processo de desbravamento de respostas a questões que para mim ainda eram um tanto quanto gigantescas. Mas, agora, feito o percurso, posso dizer que se tornaram um pouco menores.

Quando o esforço teórico é reconhecido e aceito, o pesquisador sente-se mais confiante, mas, ao mesmo tempo, desafiado a mostrar algo ainda melhor. Neste intuito, descrever como foi organizada a coleta de dados e como foram realizadas favorece um olhar idiossincrático da pesquisa pelo pesquisador.

Ao deter-me atentamente aos dados coletados, às observações e às filmagens, noto o quanto incomum se tornam esses dois métodos de levantamento de dados. Muito embora os autores tragam já descritos as relevâncias e as pertinências de ambos os processos, no caso da observação, que entendo ter sido participante, encontrei uma forma de me aproximar da realidade pesquisada. Enquanto pesquisador, me inseri num ambiente, tornando-me parte dele e, portanto, consegui manter contato direto com os participantes da pesquisa (OLIVEIRA, 2013). Já no caso da filmagem, compreendi-a como meio de organizar discussões sobre casos reais de ensino, cujo foco é o trabalho pedagógico conduzido pela professora e a sua qualificação docente. Ao participar e vivenciar esses dois processos de coleta de dados, percebo as nuances de cada um.

Na observação, registrava em meu diário de campo o que acontecia na sala, do início ao final das aulas. Quando retomava as observações, compostas pelas anotações dos diálogos, dos modos como estava organizada a sala, as crianças e quais eram as sistemáticas utilizadas pelas professoras, as aulas pareciam ter cortes e ausência de segmento, sem uma relação entre as atividades.

Essa quebra parece ocorrer porque quando escrevemos, mesmo que tenhamos a vontade de que haja uma riqueza de detalhes, existem momentos em que essa possibilidade inexiste. Ao pensar e fazer pesquisa com/na realidade, os acontecimentos vão passando e o pesquisador, muitas vezes, não consegue relatá- los da forma ou na ordem que aconteceram. E, mesmo que o pesquisador relembre as situações observadas, nossas mentes, nossos cérebros não são máquinas e,

portanto, são infiéis porque não conseguimos nos lembrar de tudo e de todos os processos que aconteceram. Por isso, ao voltarmos as nossas observações, parece que existem quebras, “buracos”, ainda mais quando a realidade sobre a qual se escreve ou se fala são salas de aula dos anos iniciais do ensino fundamental, espaço onde o foco de atuação das professoras são crianças, inquietas por natureza, falantes, imaginativas, indagadoras.Ao observar os momentos escolhidos pelas professoras para serem videogravados, parece que a quebra identificada nas observações não existe, ainda mais quando o momento escolhido tem um começo, um meio e o fim.

Nas filmagens, principalmente naquelas em que a professora aparece explicando a tarefa ou que ela direciona a tarefa, logo em seguida há o desenvolvimento da mesma e, por fim, a apresentação dos resultados. Tudo pode ser observado: todas as falas, todas as inquietações, todas as ações, todas as mediações; percebe-se, portanto, o contexto. Nas observações, parece muitas vezes que esse contexto está ausente.

Dessa forma, a partir das exposições apresentadas, entendo e compreendo que apresentar no conjunto das discussões materiais onde o pesquisador pode perceber o processo de desenvolvimento das ações pedagógicas organizadas pelas professoras, indica uma força de compreensão sobre as práticas pedagógicas nos anos iniciais, especialmente quando o que se pretende é analisar a prática de ensino de Ciências conduzidas pelas professoras alfabetizadoras.

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