1. INTRODUCCIÓN
1.4 Limpieza intestinal
1.4.2 Factores que influyen en la limpieza intestinal
1.4.2.2 Factores modificables
1.4.2.2.4 Educación sanitaria al paciente
Elle e James chegam a uma pequena cidade ao som de sinos de igreja. A cidade recebe muitos turistas e está sempre cheia, pois há uma igreja com uma árvore dourada que, segundo uma crença popular, traz sorte para quem se casar lá. James pergunta a Elle se ela havia se casado nessa igreja, mas ela é interrompida pelo celular e não o responde. Os dois entram em um museu e após Elle desligar o telefone, a conversa entre eles adquire um tom de implicância: ela reclama de seu filho, ele defende o menino, ela fica brava, ele ri da situação e continua defendendo-o.
No museu, Elle leva James para ver o quadro Musa Polimnia e explica que essa obra é chamada “cópia original” e que, para ela, é considerada uma “Gioconda da Toscana”. Elle relata que a descoberta de que a obra era uma cópia foi feita há apenas 50 anos atrás. Um guia entra na sala onde está o quadro e começa a contar a história do quadro para alguns turistas em italiano. Elle traduz todas as informações para James:
Por muitos anos se pensou que fosse um quadro da Arte Romana. Só no século XX, há uns 50 anos, se descobriu que era obra de um talentoso falsário napolitano. Mas o museu resolveu conservar este retrato extraordinário como se fosse um original. Neste caso, a cópia é tão bela quanto o original. (CÓPIA... 2010, min 37:45).
Novamente é possível ver uma referência à tradução de idiomas feita no início do filme: ao traduzir, Elle está copiando o que está sendo falado pelo guia e a tradução chega a James com as informações.
A cena em que Elle mostra o quadro para James vê-se o reflexo dela no quadro e posteriormente o reflexo dele. Os dois estão refletidos e falando sobre o tema principal do livro e, consequentemente, do filme.
Figura 11 – Reflexos dos personagens no quadro
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
Após a explicação sobre a o quadro Musa Polimnia, James começa a olhar outras obras do museu e fica diretamente sobre um reflexo de um armário de vidro. Os personagens voltam a discutir sobre a relação entre cópia/original, James argumenta que não acha necessário ressaltarem que a obra é uma cópia, uma vez que o original é a modelo que gerou as duas reproduções, a original e sua cópia. Ele afirma que até mesmo a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, é uma cópia da Gioconda. Irritada, Elle pergunta para James o que, então, ele considera como original e ele responde que é o marido da assistente de Elle, o homem gago. Mais uma vez a questão da linguagem como cópia e originalidade é trazida para a discussão.
Neste momento a relação dos dois ainda se caracteriza como leitor/autor, mas nos diálogos e nas falas já existem alguns indícios de intimidade, como pode ser visto no jogo de implicâncias criado pelos dois.
3.1.4 Café
Após a visita ao museu, os dois vão a uma cafeteria próxima. O recurso cinematográfico nesta cena tange a uma frontalidade, ou seja, os atores quase olham para a câmera tanto quando James está sendo enquadrado como quando Elle está sendo enquadrada.
Figuras 12 e 13 - Elle e James com o posicionamento de câmera quase frontal
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
A cena durante o café apresenta várias informações sobre os dois que despertam, novamente, no espectador uma dúvida sobre o que está realmente ocorrendo entre eles. James começa a contar a história de seu livro. O escritor começa descrevendo que, há cinco anos, quando estava em Florença a trabalho, sempre via uma moça e seu filho caminhando, a moça sempre na frente com os braços cruzados e o menino andando atrás e distante:
(James) – [...] ela parava, se virava e olhava rua acima, até ver um garotinho de uns oito anos. Ele usava shorts e uma enorme mochila. Quando ela o via, ela seguia caminhando. Sempre de braços cruzados, como você. Quando chegava à próxima esquina, ela se virava de novo, e se certificava de que ele ainda a estava seguindo. [...] Mas o que me fascinou foi que eles nunca caminhavam juntos. (CÓPIA... 2010, min 45:15).
James relata que a ideia do livro veio quando, certo dia, viu os dois juntos pela primeira vez. Eles estavam conversando sobre uma estátua, que era apenas uma cópia, em uma praça, a mãe falava sobre a estátua e o menino, que não sabia que o monumento em questão era uma cópia, continuava olhando para a obra de maneira genuína. O diálogo entre os dois começa a ficar sinuoso a partir desse momento. James compara Elle a tal mulher que via caminhando na rua e Elle diz que a situação toda parecia bem familiar e chora enquanto está falando. James pergunta se ela conhecia a mãe e o filho e ela responde que não estava
bem naquela época. Neste instante, o telefone de James toca e interrompe o diálogo, o homem sai do café para atender.
A cena descrita traz uma série de elementos que alteram a relação leitor/autor. Primeiro, James descreve uma situação muito próxima a cena do início do filme: Elle e seu filho caminhando, ela na frente de braços cruzados e o filho bem mais atrás olhando o celular. Depois, os dois começam a falar da ocasião como se estivessem vivenciado o mesmo momento juntos. James a questiona se ele está correto em algumas informações, ela se coloca no lugar da moça que falava da estátua para o filho, ela chora e ele fica em silêncio.
Ao sair do café, James tem sua imagem refletida na porta de vidro. Ele sai de quadro e apenas seu reflexo aparece por alguns segundos. A dona do café começa a conversar com Elle sobre James, ela o designa como marido de Elle e a personagem não a corrige. As duas conversam e Elle reclama do “marido” que nunca está presente. Mais informações são dadas que fazem referência a cenas anteriores: Elle diz que mora em Florença há 5 anos, mesma época em que James estava em Florença e teve a ideia de seu livro.
A dona do café comenta algo em relação à barba de James e Elle responde que seu marido faz a barba dia sim dia não. Essa informação será retomada mais para frente. Enquanto elas conversam, James aparece refletido em um espelho atrás da dona do café.
Figuras 14 e 15 - Reflexos de James ao falar no telefone
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
Quando James volta da ligação, Elle lhe diz que a dona do café tinha achado que eles eram casados e que ela não havia corrigido a informação. Mais uma vez a relação deles inicial começa a oscilar.
Na cena seguinte, o telefone de Elle toca e ela deixa o café. Agora é o reflexo dela que é possível ver na janela do local. James a segue e os dois começam a andar pela rua.
Figura 16 - Elle refletida falando no telefone
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
Após o telefonema de seu filho, Elle começa a se referir a James como parte da família e ele não contesta e se envolve na conversa.
(Elle) - Idiota! É a cópia fiel do pai! Não aceita nada, é um teimoso! (James) - Com as crianças, sempre há uma solução.
(Elle) - Eu não encontro e você nunca está em casa. É preciso ser severo para que o outro seja suave. Bom policial, mau policial. Se você faz os dois papéis...é insuportável!
(James) - Faço o papel do policial mau?
(Elle) - Não precisa fazer nenhum papel. A senhora do café disse que até um mau marido é bom. Você, mesmo como mau marido, podia estar mais presente.
(James) - Não é justo você me dar o papel do pai ausente. Às vezes, um dos pais precisa se ausentar, por alguma razão. (CÓPIA... 2010, min 57:50)
Eles conversam como se realmente fossem casados, mas frases como “não é justo você me dar o papel do pai ausente” retomam a ideia de que eles podem estar apenas interpretando um casal, copiando uma família e atuando. Durante esse diálogo, o idioma utilizado pelos dois varia: em alguns momentos eles se comunicam em inglês e em outros em francês.
3.1.5 Capela
James e Elle, após a discussão, visitam a igreja citada no início do filme. Lá, vários casais aguardam para tirar fotos. A partir desse momento até o final do filme, os personagens vão se encontrar com diversos casais de diferentes gerações e alguns deles vão
aparecer em tela por alguns momentos e depois de algumas cenas vão interagir com os dois, como é o caso de um casal mais velho que está observando uma escultura na capela e que, mais tarde, encontram com James e Elle em uma praça.
Em uma das cenas é possível ver uma noiva aguardando para tirar foto. Depois, James entra no quadro e vê-se apenas o reflexo da noite em um vidro atrás dele. Após James sair do quadro, outra noiva ocupa seu lugar e tampa o reflexo que era possível de ver da primeira noiva citada.
Figuras 17, 18 e 19 – A movimentação de James e o reflexo da noiva
Figuras 17, 18 e 19: Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
Elle continua com o jogo de ser casada com o James e cria uma situação em que um dos jovens casais implora a James para que os quatro tirem uma foto juntos, uma vez que,
segundo Elle, eles haviam se casado ali há 15 anos e o jovem casal gostaria de ter a mesma sorte que eles. James reluta no início, recusa o chamado de Elle, do jovem noivo e, apenas quando a jovem noiva o pede, ele cede e vai tirar a foto com o casal. Durante toda cena, eles se comunicam em francês e italiano.
Ao sair da igreja, a implicância presente entre os protagonistas retoma. Elle elogia as palavras que James falou para o jovem casal, mas critica o tom de ironia e desdém que ele utilizou. Ele retruca, dizendo que não tinha a intenção de soar daquele jeito, mas que não conseguiria dizer de outra maneira.
(James) - É que vi no rosto deles seus sonhos e esperanças e não consegui compartilhar aquela ilusão.
(Elle) - É uma doce ilusão.
(James) - Pode ser doce, mas não vai durar. Quanto mais doce no começo, mais amarga a realidade depois. Já passamos por isso.
(Elle) - É triste...
(James) - Não é triste, é assim mesmo. (CÓPIA... 2010, min 1:02:50).
Mais uma vez, eles se colocam na situação de marido/mulher. O diálogo é mantido, durante toda cena, no idioma inglês e eles continuam a caminhar.
3.1.6 Praça
Os personagens chegam a uma praça e Elle caminha ao redor da estátua que está no centro da praça, a personagem contempla o monumento com admiração no olhar. A câmera fica na altura de Elle e o espectador não consegue ver a estátua por completo, apenas os pés e o pequeno lago em que ela se situa. James entra em quadro e comenta que Elle está parecendo com seu filho. Este comentário retoma a conversa no café na qual James conta a história de como teve a ideia de escrever o livro após observar um menino olhando para uma estátua e sua mãe conversando com ele.
Figura 20 – Elle na praça e James refletido na água
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
No momento em que a conversa ocorre no café, surge a dúvida se a história envolvia mesmo Elle e seu filho. Com o comentário feito por James na cena que se desenvolveu na praça ocorre uma espécie de validação do que foi dito no café. Entretanto, Elle não reage de uma maneira que afirma ou nega, ela simplesmente diz que gosta da estátua.
Eles começam a discutir os aspectos da estátua em francês. James continua exigindo para que ela explique por que gosta tanto da estátua e Elle se recusa a se explicar. O clima de implicância retorna.
Os personagens saem de perto da estátua e o espectador finalmente consegue ver o objeto em questão em sua totalidade. A estátua completa é revelada na cena refletida em um espelho de uma loja de móveis antigos e no retrovisor de uma moto que está estacionada em frente a essa loja.
Figura 21 – Dois reflexos em dois espelhos
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
A discussão sobre a obra continua e o reflexo da estátua nos espelhos continua presente para que o espectador possa acompanhar as descrições que estão sendo feitas pelos dois. Neste momento, o diálogo entre os dois volta a ser o da relação entre leitor/autor. Elle se coloca como leitora e reivindica respostas, James se irrita.
(Elle) - Então seu livro também é estúpido! Achei que não importasse a obra em si, mas nosso olhar diante dela. Pensei que sua abordagem fosse subjetiva, pessoal, criativa, inventiva, sei lá...O que importa ali? A maestria técnica? A reputação do artista? O olhar não vale nada? Responda isso.
(James) - Não quero responder. O que você está dizendo me faz detestar tudo. A arte... O original, as cópias, essa estátua, você, tudo!
(Elle) - Sei que você me detesta, não posso fazer nada. Mesmo assim, tente ser um pouco coerente.
(James) - O que quer dizer?
(Elle) - Preciso lembrá-lo do que diz no livro? É meu direito de leitora perguntar isso. Vamos chegar perto da escultura e você me fala do seu valor. (CÓPIA... 2010, min 1:07:07).
Após essa interação, Elle vai à procura de pessoas para pedir a opinião sobre a estátua e comprovar o que estava querendo dizer para o outro personagem. James apenas fica observando ao lado do espelho da loja e atrás do espelho do retrovisor da moto. A posição dele cria um jogo interessante: no espelho maior vê-se a estátua, uma parte da praça, as costas de James, a parte de trás do retrovisor da moto, uma parte da moto e Elle conversando com duas pessoas. Já no espelho da frente, o retrovisor da moto, só é possível ver a praça e Elle interagindo com outras pessoas. São duas imagens praticamente iguais, mas que, devido ao posicionamento dos espelhos, uma fica dentro da outra. É importante ressaltar que, mesmo
com algumas informações a mais no espelho da loja, o principal da cena - a estátua e Elle fazendo perguntas - aparece nos dois reflexos.
Figura 22 – Reflexos complementares
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
Em seguida, os dois protagonistas deixam de ser exibidos e a cena mostra um senhor de costas e uma senhora de frente para ele, este casal já havia aparecido na igreja quando James e Elle vão ver a árvore dourada. A principio, tem-se a impressão de que o homem está brigando com a mulher, pois fala de forma exaltada que não é para contradizê-lo e continua a usar frases e tom desagradáveis. Quando ele se vira de lado e sai andando, o espectador constata que ele estava falando no telefone e não com sua esposa. Essa pequena cena remete a toda narrativa do filme vista até agora: há uma impressão do que está acontecendo, mas nunca uma confirmação e, de repente, a impressão se altera.
O senhor e a senhora começam a andar e são interrompidos por Elle, que pede a opinião do casal sobre a estátua. Ela os aborda já dizendo que estava discutindo com seu marido sobre a obra. Novamente a relação marido e mulher é resgatada. Vê-se Elle conversando com os dois, a senhora começa a falar apontando para a estátua e Elle chama James par ouvir a opinião do casal.
Enquanto a senhora começa a falar sobre a estátua para James, é possível ver um pouco mais da obra, mas não ela toda, como vista no espelho da cena anterior. A cena possui certa estranheza: Elle insiste que a senhora diga sua opinião e a resposta dela é algo vago,
voltado mais para as obras de arte da Itália. Elle continua quase que implorando para que a senhora fale sobre a estátua. Enquanto isso a câmera vai circulando o grupo. O senhor que acompanha a senhora entra no diálogo e repete para ela o que Elle gostaria que ela dissesse: que a estátua é tocante, pois representa a força do homem e a serenidade da mulher encostada em seu ombro. A senhora concorda, mas diz que essa ideia veio inteiramente de Elle e que ela não havia formulado isso. Elle fica um pouco apreensiva e o senhor chama James para conversar.
O senhor em questão é interpretado pelo roteirista, escritor e ator Jean-Claude Carrière1. Ele conversa com James e lhe dá conselhos, dizendo que tudo que Elle pede é que “[...] ele caminhe ao seu lado e coloque a mão em seu ombro. É o que ela espera” (CÓPIA... 2010, min 1:12:57). James agradece o conselho e segue com Elle, em certo ponto da caminhada, ele coloca a mão no ombro dela e anda ao seu lado, como sugerido pelo senhor no instante anterior. No momento, parece que eles estão aprendendo a ser um casal.
3.1.7 Restaurante
Os dois personagens chegam a um restaurante. Neste momento o posicionamento da câmera volta novamente a promover uma angulação de frontalidade. Na cena do café, na primeira parte do filme, a posição da câmera é quase frontal aos atores, agora, no restaurante, ela está diretamente frontal, ou seja, quando os atores olharem para frente, eles fixam o olhar na a câmera e, consequentemente no espectador.
1 Roteirista e escritor conhecido mundialmente por seus trabalhos em filmes como A Insustentável Leveza do Ser (1988), O Discreto Charme da Burguesia (1972), Bela da tarde (1967) e Reencarnação (2004).
Figura 23 – Elle olha para a câmera/espectador
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
Elle encara James – no caso, ela olha para o espectador, o espectador é James – e eles começam a conversar em francês. Elle continua a olhar fixamente para a câmera, mas quando o plano envolve James, ele nunca mira diretamente para a câmera, seu olhar está sempre um pouco mais para cima ou para lateral, como se estivesse se esquivando de fitar Elle, e para os espectadores, diretamente. Após alguns instantes, James fala em inglês, fato que causa estranhamento em Elle e a faz desviar o olhar da câmera.
Figura 24 – James desvia o olhar da câmera
A personagem pede licença para ir ao banheiro e ao chegar lá, a câmera assume o lugar do espelho. Sendo assim, o espelho passa a ser a câmera, ela olha para a câmera e se arruma. Os espectadores, nesta ocasião, ocupam também o lugar do espelho. A lógica é a mesma utilizada no café e quando os dois estão sentados em uma mesa no restaurante: a câmera se posiciona frontalmente em relação aos atores e os espectadores assumem o lugar do que eles estão olhando, sendo assim, na cena em que Elle está no banheiro, o espectador vira o próprio espelho em que ela se arruma.
Figura 25 – A câmera no lugar do espelho
Abbas Kiarostami, Cópia Fiel, 2010.
Ao voltar do banheiro, Elle se decepciona por James se mostrar indiferente a sua arrumação no banheiro. Ele está mal humorado com o vinho servido no restaurante e começa a falar alternando entre francês e inglês. Eles começam a brigar novamente, Elle o acusa de não saber aproveitar o momento e James fica mais irritado.
Após alguns instantes, Elle começa a olhar pela janela do restaurante e reconhece o mesmo casal recém-casado que eles haviam encontrado na igreja e tirado fotos próximo à árvore dourada e isso provoca mais irritação em James. Elle volta a discutir com ele:
(Elle) - Olhe para sua mulher, que se enfeitou para você hoje! Olhe! Abra seus olhos!
(James) - Este não é o momento! São 17h, estou faminto e preciso de uma bebida! (Elle) - Então quando é o momento? Quando é um bom momento? Ontem à noite não foi. Quando é um bom momento?
(Elle) - Foi nosso... Pelo menos não se esqueceu do nosso aniversário. Você voltou depois de 15 dias de viagem. Quero acreditar que foi uma viagem profissional. Ao sair do banheiro, encontro você roncando a sono solto. Mexi no seu travesseiro, para ver se você reagia. Você se mexeu um pouco, me olhou rapidamente e voltou a dormir! Posso saber quando é um bom momento?
(James) - Querida, eu estava cansado. Por que não pensou: "Pobre marido, está tão exausto que caiu no sono".
(Elle) - Que audácia! Pobre marido? "Está tão exausto que caiu no sono"? Também estou cansada! Por que não diz que não me ama mais?
(James) - Essa é uma interpretação absurda! Não é razoável esperar que a gente se sinta como aquele casal! Não depois de 15 anos! (CÓPIA... 2010, min 1:20:10).
Novamente, o diálogo entre eles, Elle sempre falando em francês e James sempre falando em inglês, se transforma em uma briga de casal, retomando a relação marido/mulher. Entretanto, a conversa sofre diversas alterações que colocam em dúvida essa relação. Pode-se destacar quando James aponta que o que ela está falando é uma “interpretação absurda”, há uma ambiguidade nesta fala: ele pode estar se referindo a ela imitar uma frase que ele havia dito antes ou pode estar se referindo a toda interpretação que está sendo feita tanto quando eles se comportam e agem como leitor/autor como marido/mulher.
James se levanta em sai de quadro enquanto Elle chora e continua olhando para a