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ACROSS THE EDITOR'S DESK

Dans le document CD 9* (Page 42-45)

Neste subcapítulo serão analisados os grupos que maior influência tiveram no contexto Italiano. Será feito um enquadramento de todos os Radicais nesta geografia, mas será dada maior pormenorização a alguns destes grupos experimentais. Mais informações relativamente a autores individuais e respetivos projetos poderão ser revistas com maior precisão nos anexos na parte final deste trabalho.

Na experiência radical deste período começam a surgir divergências no mundo da arquitetura. Esta ramificou-se em modos de pensar sobre política, arte e cidade. Da parte radical abre-se um processo de revisão drástica dos paradigmas institucionalizados para a gestão da cidade, uma revisão cuja expressão prática consiste na procura por espaços alternativos, incluindo interstícios, nos quais se experiencie modos e procedimentos de sobrevivência.

Para libertar estes espaços, para abrir caminho a experiências alternativas, recorre-se às armas da profanação, do paradoxo, da ironia e do risco do jogo. 118

O arquiteto e crítico de arquitetura Emanuele Piccardo119 divide o período Radical Italiano em quatro

principais eventos:

A mostra-encontro “Utopia e/o Rivoluzione” organizada em Turim em 1968 por um grupo de assistentes da Faculdade de Arquitetura, denominados U e/o R (Pietro Derossi, Giorgio Ceretti e Carlo Gianmarco, Aimaro D’Isola, Adriana Ferroni, Elena Tamagno, Graziella Derossi), que estabeleceram a ligação entre os grupos italianos que se contrapunham ao sistema e lutavam contra o modelo consumista, os radicais, com os protagonistas do debate dentro e fora da arquitetura. Foram convidados Paul Virilio e Claude Parent (Architecture Principe), Paolo Soleri, Archigram, Yona Friedman, Utopie Group, Archizoom, Noam Chomsky, James Agee, Lara Vinca Masini e Achille Bonito Oliva.

O segundo importante evento ocorreu em 1972, quando Emilio Ambasz cura no MoMA a mostra “Italy: the new domestic landscape” onde todos os arquitetos radicais são convidados, representa o reconhecimento internacional de quando o Movimento está quase a esgotar a sua energia.

É, de facto, em 1973 com a cobertura da Casabella dedicada aos Global Tools (...) que acaba a experiência radical. Em Novembro desse ano a ABO organiza em Roma, no parque da Villa Borghese realizada por Luigi Moretti, a “Contemporanea” à qual convida Archizoom, UFO, Pettena, Strum, La Pietra e Ettore Sottsass Jr. 120

Os coletivos que mais fortemente se impuseram no panorama Radical Italiano foram sem dúvida os Superstudio e os Archizoom, mas a par destes, outros autores e colectivos, apesar de menor dominância, habitavam igualmente o contexto italiano neste período:

Em Florença estes arquitetos radicais incluíam Gianni Pettena, Remo Buti e os grupos U.F.O., Zziggurat e 9999; em Milão havia Ugo La Pietra, Alessandro Mendini, Gaetano Pesce, Franco Raggi e Ettore Sottsass; em Nápoles, Ricardo Dalisi; e em Turim haviam os grupos Libidarch e Strum.121

118 | Pietro Derossi, Ricordi Radicali, In Ottagono Magazine n.99, Junho 1991 p. 96

119 | Emanuele Piccardo, arquiteto, fotógrafo, crítico de arquitetura. Desde 2005 inicia uma pesquisa sobre a Arquitetura Radical Itali- ana, entrevistando os protagonistas do Movimento activos no decénio 1963-73. É curador da revista digital Archphoto.it

120 | Emanuele Piccardo Architettura Radicale In http://architetturaradicale.blogspot.pt/2009/05/architettura-radicale.html 121 | Marie Theres Stauffer, Utopian Reflections, Reflected Utopias, Urban Designs by Archizoom and Superstudio. Em AA files 47, London: Architectural Association, 2002, p.25

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Como consequência da já referida impossibilidade de enquadramento dos jovens arquitetos no panorama da construção, durante este período, as funções do arquiteto e do designer são reinventadas e reinterpretadas:

Denota-se uma crescente marginalização do papel do arquiteto na participação na resolução de problemáticas sociais, que leva estes profi ssionais a recorrer ao design de objetos do quotidiano como nova forma de expressão, tentando ilustrar uma nova aplicação social do design através da criação de objetos que contribuíam para gerar comportamentos novos e não-estereotipados.122

Esta nova reinterpretação é abordada de formas distintas pelos diferentes autores e colectivos, como explica Tafuri:

Apesar de os grupos Strum e 9999 terem rejeitado totalmente o projeto, Ettore Sottsass e os grupos Archizoom e Superstudio uma vez mais vertem a sua veia irónica no design. Os seus desenhos conquistaram um mercado que se havia mantido fechado aos produtos da ‘neoliberdade’123

Por sua vez, Derossi, do gruppo Strum, a título de curiosidade, no artigo “Ricordi Radicalli” afi rma que este abandono do design por parte do grupo não é assim tão linear como encarado por Tafuri:

É interessante denotar como Tafuri, falando das propostas do gruppo Strum no seu livro “Storia dell’archittettura moderna” as entende como um abandono do design. Tafuri parece considerar a mediação e o design irreconciliáveis. 124

É assim perceptível as diferentes abordagens e perspetivas de interpretação do trabalho destes autores, cada um à sua maneira, partilhavam de uma mensagem comum de radicalização, explorando-a com recurso aos mais diversos tipos de manifestação:

A força da arquitetura radical residiu na união dos grupos separadamente que, como os Archizoom e os Superstudio operavam sobre o plano teórico e UFO, 9999, Pettena que intervinham no espaço público: o urboeffi meri dos UFO [...], as projeções sobre a Ponte Vecchio dos 999 [...], as performances de Pettena com o inserimento de palavras-objetos no espaço urbano. Tudo mediatizado e fi ltrado pela cultura do happening inventado por Allan Kaprov, dos ambientalistas americanos, da cultura da vanguarda, futurista e dada, até aos artistas cinéticos Gruppo T, Colombo, Boriani e De Vecchi.125

Desta forma, os diversos autores e coletivos irão abordar a problemática da relação ‘arquiteto - arquitetura - cidade’ dos mais variados pontos de vista:

Os Archizoom trabalharam na ideia da cidade sem arquitetura, a No-Stop-City; os Superstudio trabalharam na ideia da arquitetura sem cidade, o Monumento Contínuo; UFO trabalharam no tema dos objetos sem arquitetura e sem cidade; depois havia os Situacionistas como Pettena, Buti e outros que trabalharam na ideia do arquiteto que produz comportamentos sem arquitetura.126

122 | Daniela Prina, Design as conceptual research and political instrument: role and legacy of the Italian Radical movement. Em Networks of Design: Proceedings of the 2008 Annual International Conference of the Design History Society (UK) University College Falmouth, 3-6 September. Fiona Hackney, Jonathan Glynne, & Viv Minton ed. Boca Raton, Florida: Universal-Publishers, 2010 p.100. 123 | Manfredo Tafuri, History of Italian Architecture, 1944-1985. Jessica Levine (trad.).  Cambridge, Massachusetts: The MIT Press, 1988, p.99

124 | Pietro Derossi, Ricordi Radicali, In Ottagono Magazine n.99, Junho 1991 p. 96

125 | Emanuele Piccardo Architettura Radicale In http://architetturaradicale.blogspot.pt/2009/05/architettura-radicale.html

126 | Andrea Branzi, Interview by Olympia Kazi, Milan, 13 Jan. 2006. In Beatriz Colomina & Craig Buckley (ed.) Clip, Stamp, Fold. The Radi- cal Architecture of little magazines 196X to 197X. Urtzi Grau: Image Editor. Barcelona: Actar. 2010 p. 13

Gruppo Strumm “La lluita per l’habitatge”

(fonte: http://www.metalocus.es/content/en/blog/hàbitats-i- contra-hàbitats-“italy-new-domestic-landscape”-moma-1972)

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