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As cidades de porte médio têm como vantagem aproveitar as aglomerações existentes dos polos maiores, ao mesmo tempo servem de base para a estrutura de apoio para a formação de uma rede urbana mais equilibrada. Segundo Adeodato (2010) as cidades médias possuem capacidade administrativa para uma gestão de serviços comuns aos que existem nas metrópoles, porém em escalas diferenciadas, e estes são compartilhados com os três níveis de governo: municipal, estadual e federal.

É importante ressaltar que conforme Sposito (2000) distingue-se a cidade de porte médio de cidade média, a primeira caracteriza-se pelo tamanho demográfico, já a segunda é relacionada ao papel desempenhado por esse nível de cidade em sua articulação na rede urbana, ou seja, na interurbana e ainda conforme a autora, no intraurbano.

É a partir desse raciocínio que se torna importante estudar as cidades pequenas e médias dentro da rede urbana, bem como suas definições, processos, papéis e urbanização. O papel da cidade média é o que desempenha a função de centro sub- regional, apresentando uma maneira de polarizar os centros menores e de articular relações de diversas ordens, principalmente, a relação com as metrópoles regionais, mesmo não compondo uma relação contínua, essa assume uma posição importante na hierarquia urbana entre cidades regionais e cidades locais, podendo ou não assumir importância regional.

Sposito (2004) salienta que há maior número de cidades de porte médio que cidades médias, isso talvez seja devido ao tamanho demográfico, mas não justifica sua posição como cidade média, visto que esta é ocupada por desempenhar funções regionais ou intermediárias. De acordo com Christaller (apud Sposito 2004) uma cidade é considerada média sobre dois aspectos, pela posição da cidade na rede urbana e pela sua posição geográfica, condição essa para saber se a cidade possui potencial para exercer uma função intermediária.

Conforme Sposito (2004) para definir uma cidade média deve-se considerar as seguintes preposições: a cidade não deve fazer parte de regiões megalopolitanas, metropolitanas e aglomerações comprometendo a intermediação, devido ao alto índice de integração e coesão da rede estruturada. A distância maior ou menor em relação às cidades de maior porte, para saber

como a cidade média assume o papel de maior centralidade em relação aos bens e servidos à sociedade. O papel intermediado de uma cidade deve-se às suas relações com centros urbanos maiores, menores, além das relações com os espaços rurais.

Para Santos e Silveira (2001), as cidades médias tem um papel de relação direta entre o meio rural e urbano, sendo especializadas nas necessidades da produção regional, é portanto, o suprimento próximo da informação requerida no meio agrícola, interpretes da técnica e do mundo. Observa-se assim o consumo consumptivo e o consumo produtivo, no primeiro refere-se ao consumo final das famílias (educação, saúde, lazer, os serviços que a cidade oferece) e das administrações, e o segundo se refere ao consumo das empresas e suas necessidades para produção de bens e serviços.

Assim, a cidade média não deve ser vista como uma posição intermediária entre metrópole e cidade pequena, é necessário entendê-la pela sua especificidade, e para isso, analisá- la perante o seu movimento de totalidade, de modo, a descobrir a sua influência e seu território. É divisão do trabalho e a rede urbana, que concede valores diversos às metrópoles, cidades regionais e locais. Além de considerar a divisão do trabalho na escala da rede urbana, deve-se analisar na escala local, pela porosidade do modelo e pela contiguidade do território.

Através do mapeamento do IPEA de 1995 (Figura 11) observa-se que a região de Chapecó é a que possui maior quantidade de estabelecimentos industriais da região Oeste de Santa Catarina. “[...]em 1995, no município de Chapecó havia 456 empresas industriais, 5.562 estabelecimentos comerciais e 7.519 empresas prestadoras de serviços.” (FACCO, FUJITA e BERTO, 2014, p. 205)

“Já no ano de 1998 estavam registradas no município 560 indústrias, 6.450 estabelecimentos comerciais e 8.856 empresas prestadoras de serviços, o que comprova que, apesar dos problemas econômicos e da crise nacional, em Chapecó, houve crescimento.” (FACCO, FUJITA e BERTO, 2014, p. 205)

Figura 16 - Santa Catarina - Número total de estabelecimentos ou unidades locais – Indústria 1995 – em destaque Chapecó.

Fonte: IPEADATA (apud FUJITA, MATIELLO, ALBA, 2009), Adaptado pela autora

A evolução dos números de estabelecimentos da Industria de Transformação, mostra o dinamismo das regiões do Estado, nesse ponto o Oeste Catarinense se destaca. Observa-se pela Figura 12, o aumento de números de estabelecimentos durante de 1989 a 2009, tendo como destaque o entorno de Chapecó.

Figura 17 - Número de estabelecimentos da Indústria de Transformação em Santa Catarina (1989, 1999 e 2009) – em destaque Chapecó.

Fonte: Mioto (2011, p. 98), adaptado pela autora

O desenvolvimento industrial refletiu diretamente na economia do município e no estado de Santa Catarina. De acordo com Fujita, Matiello, Alba (2009) o município ocupa o quarto

lugar no estado de Santa Catarina em 2008, entre as cidades onde a indústria tem maior participação do PIB.

De acordo com Facco, Fujita e Berto (2014) a cidade possui mais de 130 indústrias de grande porte dentre elas 12 são exportadoras e 2 estão entre as maiores indústrias brasileiras, Sadia na 63ª posição e a Cooperalfa em 511ª.

“Chapecó influência fortemente a região oeste, destacando-se também nas atividades de comércio e na oferta de equipamentos e serviços.” (FACCO, FUJITA e BERTO, 2014, p. 188) De acordo com Pimenta (2012, p. 288) a indústria frigorífica do Oeste Catarinense concentrou-se em Chapecó, em função das vantagens de localização e infraestrutura que o lugar oferecia, já que a cidade foi ponto de irradiação de ocupação da região.

[...] esta concentração foi conferindo a Chapecó um papel cada vez mais centralizador da região Oeste do Estado.” Em 2012, a cidade contava com o Frigorífico Chapecó, a Sadia Avícola S.A., e o Frigorífico da Cooperativa Central Oeste Catarinense. É a partir de Chapecó que distribuem-se para áreas vizinhas atividades e unidades frigoríficas. (PIMENTA, 2012, p. 288)

Em conjunto com o desenvolvimento da Agroindústria Chapecó vem desenvolvendo a prestação de serviços, comércio e empresas. De acordo com o IBGE (1997/2002)44 Chapecó teve uma variação relativa de 52,50% de aumento nas unidades locais de empresas. No estado de Santa Catarina foi a que apresentou terceiro maior variação, estando atrás somente de Balneário Camboriú e Florianópolis.

Tabela 1 - Número de unidades locais e variação relativa nos municípios com as maiores taxas de crescimento em Santa Catarina - 1997/2002

Município 1997 2002 Variação relativa

(%)

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