Chapitre 2 : Les ontologies 1 Introduction
9. Editeurs d’ontologies
No trabalho “Perspectiva funcional da frase portuguesa”, Ilari (1992) apresenta uma proposta de análise do Português baseada na articulação Tema Rema (ATR). Através da proposta da articulação Tema-Rema, Ilari pretende distinguir três níveis análise das orações: o da articulação gramatical (relacionado a fenômenos morfossintáticos); o da articulação nocional (relacionado a fenômenos semânticos); e o da articulação tema rema (relacionado a fenômenos da organização da informação).
Como primeira ferramenta de análise, Ilari utiliza o que chama de “teste de pergunta natural” para identificar qual seria o tema e qual seria o rema das orações42. Ele
propõe que “toda oração pode ser encarada como uma resposta a uma pergunta virtual” (ILARI, 1992, p. 40). Esse teste permitiria não somente identificar a porção do tema e a do rema, mas também lidar com as diferentes possibilidades de entoar uma mesma oração. A oração “Pedro não veio”, pode ser entoada de duas maneiras, com foco, ou seja, com uma proeminência entonacional, em “Pedro”; ou ainda com um foco em “veio”. Se a oração é produzida com o foco em “veio”, ela seria uma resposta à pergunta virtual “O que fez Pedro?”; ao contrário, se o foco recair sobre “Pedro”, a oração é uma resposta à pergunta virtual “Quem não veio?”.
A partir do teste da pergunta natural, identifica-se que há uma porção de informação que é comum à oração em análise e à sua pergunta virtual. Essa porção de informação em comum (ou seja, informação conhecida ou compartilhada) é o Tema, enquanto a informação a que só temos acesso na oração original é o Rema (ou seja, informação nova).
Para Ilari (1992), o Rema é necessariamente associado a um foco, definido como uma proeminência entonacional, a qual “é capaz de expressar o valor performativo da oração” (p. 50), ou seja, há uma relação entre o rema e a expressão de um ato de fala (mas essa ideia não é aprofundada). O autor propõe sua análise apenas às orações que seriam enunciadas em apenas uma unidade entonacional (ou orações não cindidas), por considerar que essas seriam as mais comuns na fala. Essas orações seriam aquelas que apresentam apenas um ponto focal.
42 É importante ressaltar que, embora o autor esteja preocupado em oferecer respostas que sejam adequadas à realidade do que ele trata como “português informal”, os exemplos analisados são todos criados pelo próprio autor, logo, avaliações sobre o que seriam as características mais recorrentes ou mais “naturais” são resultado do julgamento particular do autor sobre os dados criados.
Ao considerar que o aspecto entonacional está relacionado com a expressão da informação, faz-se necessário estabelecer uma distinção entre o Tema e o Tópico. Enquanto o Tópico será sempre o tema, nem sempre o tema será um Tópico. Para entender essa noção, vejamos de que modo o autor identifica o Tópico nos parágrafos seguintes.
Ilari entende que algumas orações podem ocorrer elementos isolados por pausas. As pausas podem isolar elementos com características entonacionais independentes; nesse caso, cada elemento apresentaria a sua própria articulação em Tema e Rema. Por outro lado, haveria outros casos em que um dos elementos separados por pausa apresenta propriedades entonacionais previsíveis. Quando esse tipo de elemento de propriedades prosódicas previsíveis encontra-se no início da oração, ele recebe o nome de Tópico. Caso esteja no final da oração, é chamado de AntiTópico43.
Para Ilari, o Tópico em PB seria sempre isolado por uma pausa e executado com uma entonação tal que a curva entonacional realiza um movimento descendente- ascendente. A pausa não significa necessariamente um “silêncio”. Para ele, a pausa é uma impressão de ruptura da linha entonacional, causada pela diferença no padrão melódico das duas unidades.
O autor reconhece então três tipos de Tópicos, que se relacionariam a estruturas análogas aos exemplos (do próprio autor):
a. As viúva pobres, ninguém quer sair com elas. b. Com as viúvas pobres, ninguém quer sair.
c. Quanto às viúvas pobres, ninguém quer sair com elas.
Nos casos similares a “a” e “c”, o Tópico é correferencial a um pronome presente no Comentário (chamado de pronome-cópia, pronome-sombra ou ainda pronome- lembrete). A particularidade de “b” seria o fato de apresentar obrigatoriamente uma preposição, que expressaria a relação “nocional” entre o Tópico e o verbo presente no comentário.
Por sua vez, as estruturas análogas a “c” permitiriam incluir também o verbo na expressão topicalizada: “Quanto a tentar matar a sogra, Pedro fez isso cinco vezes, sem sucesso”. Esses casos seriam similares àqueles introduzidos por perífrases como “por falar em”, “a propósito de”, “já que você tocou em”. Uma característica importante desse tipo de
43 O AntiTópico pode ser relacionado à unidade informacional de Apêndice de Comentário na perspectiva da TLA. Porém, essa teoria oferece uma caracterização mais detalhada em termos funcionais e entonacionais. Sobre esse assunto veja a tese “O apêndice de comentário no português do brasil: uma análise baseada em corpus” (OLIVEIRA, 2012).
Tópico assinalada por Ilari é o fato de identificarem termos que não interferem na estrutura semântica dada pelo verbo da oração (no Comentário).
Desse modo, a topicalização serve como recurso na fala para delimitar o tema e o rema. O Tópico marcaria o limite esquerdo do Rema, enquanto o AntiTópico marca o limite direito do Rema. Uma das funções da topicalização seria então retirar do Rema as expressões que se quer tratar como temáticas (ILARI, 1992), uma vez que o Tópico não está em relação de dependência sintática ao verbo do Comentário. Esta não seria, entretanto, a única e nem a mais importante função do Tópico. Nesse sentido, Ilari concorda com Lambrecht ao associar ao Tópico a expressão de uma relevância pragmática, que como vimos, é entendida no sentido de Strawson, como um ponto de interesse, aquilo que é comunicativamente importante na interação.
A relação existente entre o Tópico e o Comentário é expressa nos seguintes termos: “é necessário que o comentário e o Tópico se digam mutuamente respeito” (Ilari, 1992, p. 147), de modo que tal relação é dada contextual ou situacionalmente. Ilari reconhece a vagueza da definição, porém acredita que, no estágio em que se encontrava a investigação sobre o Tópico, seria mais prudente e preferível “reter a ideia de uma relação desligada em princípio da estrutura da oração e que, conforme as diretrizes gerais do intercâmbio comunicativo e as próprias características da oração, ajuda a interpretá-la de maneiras variadas” (Ilari, 1992, p. 152).