O potencial de mercado associado às viagens de idosos não poderá continuar a ser ignorado, necessitando de uma pesquisa factual, séria e concreta do comportamento sénior no turismo. Como foi já referido, sendo este, um grupo fortemente heterogéneo, surge a primeira questão relativa ao estatuto ou definição adequada do consumidor sénior para a indústria de viagens: quem realmente é o consumidor sénior e como podemos identificá-lo?
Existe uma significativa ausência de consenso na definição de consumidor sénior, principalmente na exposição de indicadores reais como a idade ou a reforma que permitam dimensionar e conceptualizar este grupo. Escolher uma única idade, que defina e distinga um consumidor sénior contribui exatamente para alargar ainda mais a heterogeneidade acima referida. Significaria admitir, por exemplo, que um grupo de pessoas dos 50 aos 100 anos são, homogeneamente, consumidores séniores. Ora estaríamos perante um grupo altamente complexo e diversificado, em termos de receitas, necessidades, saúde, hábitos de consumo e valores. Inevitavelmente, este critério está diretamente relacionado com a história, valores e cultura de cada país e/ou região. Aquele é um intervalo de idades dinâmico que poderá sofrer alterações mediante impactos sociais estruturais, avanços na medicina, deliberações políticas e variações na natalidade. Por sua vez, também na literatura do turismo, tem havido muito pouca consistência na definição clara da pessoa mais velha e dos seus comportamentos enquanto turista. Os turistas mais velhos são, portanto, um grupo muito heterogéneo, com necessidades e expectativas muito diversificadas, em relação à idade, condições de
saúde, panorama social e constrangimentos familiares (cuidadores informais dos netos) e nível económico. No entanto, podemos identificar algumas características comuns, apontadas ao perfil de um turista sénior:
1. Os viajantes mais velhos procuram adquirir mais experiências e menos bens. Sentem que viajar enriquece as suas vidas, fá-los sentir mais rejuvenescidos, participativos e acima de tudo ativos (Patterson, 2009: 68).
2. O turista sénior representa para as empresas ligadas a este sector um enorme e importantíssima fonte de receitas, não só pela sua crescente dimensão, caracterizada pelo contínuo envelhecimento da população mundial, mas também pela sua disponibilidade e tempo para viajar (Le Serre, 2008: 6).
3. É, por excelência, o turista com mais tempo disponível ou tempo livre. Estudos demonstram que os turistas seniores dedicam mais 40% do seu tempo livre ao turismo e recriação relativamente aos jovens (Sniadek, 2006: 104).
4. A expectativa média de vida tem sofrido, por várias razões, um aumento significativo. Uma saúde garantidamente mais cuidada e estabilizada – devido aos avanços da medicina e mesmo à alteração de mentalidades, quanto aos cuidados essenciais com o corpo e mente e benefícios de uma vida ativa – faz com que o turismo, servindo este propósito, tenha cada vez mais clientes, com maior longevidade e mais saudáveis:
After remaining fairly constant for most of human history, life expectancy (the average number of years a person can expect to live) has nearly doubled in the past century. The maximum life span—the longest number of years a human being has lived—has increased spectacularly as well. There is little disagreement over these facts.” (Research Highlights in the Demography and Economics of Aging, 2006)
5. Este segmento revela-se um autêntico e precioso valor no combate à sazonalidade, sendo que muito seniores escolhem viajar em alturas e épocas menos concorridas, menos ocupadas e substancialmente mais calmas. Acaba por ser um mercado fortemente afluente e saudável (Alén et al. 2012: 147).
6. Um consumidor sénior é um indivíduo que se sente mais jovem do que a sua idade cronológica indica, principalmente no que respeita ao exercício de atividades de lazer e ocupação do tempo livre (Le Serre, 2008: 12)
7. São pessoas com condições específicas de vida familiar. Possuem maior liberdade e independência relativamente aos anos anteriores da sua vida. Usufruem de uma crescente autonomia, podem beneficiar de algum conforto económico devido a poupanças durante anos anteriores, com perspetivas algo reduzidas para investimentos futuros (Cavaco, 2009: 36).
Há, portanto, uma latitude acentuada na caracterização do consumidor sénior, ou das atividades exclusivamente praticadas ou consumidas por pessoas mais velhas, neste sector, pelo que parece justo afirmar que o turismo sénior não deve ser interpretado como uma atividade dirigida a um grupo específico. Deve consistir numa atividade muito mais extensa que engloba várias gerações, que se encontra em franco crescimento e cujos integrantes não deverão ser definidos exclusivamente por uma idade concreta, mas sim por um conjunto lato de pessoas, com diferentes níveis de vida, reformados ou não, que assumem um conjunto de comportamentos e atitudes diversos. Depois, os seniores, começam lentamente a substituir a sua inteira devoção à família por atividade autoimpostas, como a formação e aprendizagem ao longo da vida, diversão e entretenimento, entendendo o turismo como uma recriação e um prémio meritório de uma vida inteira, dedicada ao trabalho e ao exercício de funções relacionadas com a sua atividade profissional.
Naturalmente, devemos admitir que este é um mercado em plena expansão. Até muito recentemente, a indústria do turismo andara especialmente concentrada no fluxo de turistas mais jovens, de gerações mais recentes, com boas possibilidades económicas. Agora, esse panorama está a mudar sendo que os marketeers começam a consciencializar-se da dinâmica expressiva e imparável do mercado sénior, especialmente no sector das viagens. Todos os responsáveis devem de forma urgente adaptar as suas estratégias para o mercado sénior. As empresas que conseguirem criar produtos que melhor acompanhem as necessidades particulares deste segmento, serão empresas de lugar destacado no mercado.