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L'ECRITURE SCRIPT

Dans le document L'Educateur n°9 - année 1945-1946 (Page 27-30)

Por intermédio das entrevistas, das escritas nos cadernos de anotações, percebe-se como os alunos pensam fora da sala de aula, como compreendem o conteúdo de geometria, como eles veem no seu cotidiano, as ideias de geometria.

Nesses momentos da fala dos alunos, os olhos brilham, o entusiasmo contagia o professor, que perde o medo de realizar uma atividade diferente nas aulas de matemática, onde a aula expositiva, com muitos exercícios é uma constante diária.

A experiência de fazer vídeo nas aulas de matemática foi relatada pelos alunos, como uma forma diferente e mais fácil de estudar. Os alunos também relataram que, a partir da produção de vídeo aprenderam muito, como verifica-se na fala do aluno A19, que diz: “Tô aprendendo muito, assim quando a gente trabalha

em grupo, se um não sabe uma coisa e ensina pro outro e assim vai indo”.

Após análise do conteúdo das falas dos alunos nas entrevistas, optou-se por selecionar as falas de alguns alunos que foram mais relevantes para a pesquisa. Nestas, percebe-se como eles se sentiram motivados a desenvolver aprendizagens, seja pelo trabalho em grupo, bem como pelo trabalho diferenciado (Quadro 2).

Quadro 2 - Com a produção de vídeo se aprende mais fácil.

Alunos Como está sendo a experiência de fazer vídeo nas aulas de matemática? A4 “É legal, é diferente, a gente vai aprendendo e se divertindo. Assim tu faz uma coisa

divertida e ainda aprende acima de tudo”.

A5 “Uma forma diferente de se estudar e se divertir também”. A6 “Aprendemos mais, gostamos de fazer na prática”.

A12 “Não achei fácil fazer vídeos de matemática, porque envolve muita experiência, muito conhecimento”.

A13 “Muito bom. Porque era mais fácil de estudar, porque era em grupo. Porque são mais pessoas pensando”.

A19 “Estou aprendendo mais ainda”.

A20 “Tô aprendendo muito, assim quando a gente trabalha em grupo, se um não sabe uma coisa e ensina pro outro e assim vai indo”.

A21 “Estou gostando das aulas. No sexto ano não conseguimos acompanhar o conteúdo e esse ano tá ficando melhor”.

A23 “Acho que é bem mais fácil assim de aprender, tu aprende com os ângulos assim vendo como é, aí tu aprende mais fácil, acho”.

A25 “Eu não sabia sobre os ângulos e agora aprendi nas aulas de matemática. Os exercícios das aulas são importantes pra gente”.

Nas aulas de matemática os conteúdos são percebidos, na concepção dos alunos, como difíceis e complicados, muitas vezes fazendo com que os mesmos desistam de tentar realizar problemas, de compreender, distanciando-se ainda mais de aprendizagens matemáticas. De acordo com D‟Ambrósio (2014) “a ação dos sistemas educacionais se reduz, quase que exclusivamente, à transmissão e à avaliação de conteúdos congelados, muitas vezes desinteressantes, obsoletos e inúteis aos alunos”. Com a produção de vídeo nas aulas de matemática foi possível transmitir o conhecimento da Geometria de forma interessante aos estudantes, pois os exemplos utilizados nas aulas foram sugeridos por eles, oriundos de seu cotidiano. Assim, os conhecimentos foram assimilados na forma de debates com os alunos e eles foram incentivados a construir ideias para representar o conteúdo de Geometria nos vídeos, com o intuito de tornar o conteúdo mais interessante do que uma aula “normal” em que copiar do quadro e resolver os exercícios nos cadernos é uma prática diária. Essa preferência por atividades diferenciadas é observada na fala do aluno A4: “É legal, é diferente, a gente vai aprendendo e se divertindo. Assim

tu faz uma coisa divertida e ainda aprende acima de tudo”.

A pesquisadora também percebeu que, após ter mencionado como seriam as aulas, que ocorreriam muitos debates e construção de ideias de Geometria, uma fala do aluno A5 chamou a atenção: “Ah, então não vamos precisar escrever no caderno,

não vamos escrever muito”. Após a confirmação para o aluno ouviu-se um “que bom” geral da turma e uma expressão de contentamento pelo aluno A19, que é

muito participativo nas aulas de matemática e que interage bastante com o professor. Percebeu-se, portanto, uma satisfação deles ao saber desta dinâmica de debates com pouca escrita nos cadernos e que eles, também, poderiam utilizar os celulares para enviar, tirar fotos, fazer os vídeos, enviar mensagens pelo WhatsApp, entre outras ações.

Na fala de outro aluno, também percebe-se que no início da produção de vídeo, alguns alunos, acostumados a caracterizar a matemática como difícil, ficaram desanimados quando a atividade envolvia matemática. Como o aluno A12 que, quando questionado se estava gostando de produzir vídeos nas aulas de matemática, respondeu: “Não achei fácil fazer vídeos de matemática, porque

envolve muita experiência, muito conhecimento”. Porém, em um segundo momento

“Muito bom. Porque era mais fácil de estudar, porque era em grupo. Porque são mais pessoas pensando”.

Assim, aproximar a matemática da vivência e do trabalho com o cotidiano dos alunos, possibilitou que os mesmos pudessem observar e comprovar a existência dos conteúdos estudados com o seu dia a dia. Segundo Pereira (2014c), o fazer vídeo é algo lúdico que contribui com o processo de criação de memória de longo prazo, o autor defende que o lúdico deveria fazer parte do processo de ensino aos alunos. Percebe-se que os alunos concordam com essa ideia, como diz o aluno A23:

“Acho que é bem mais fácil assim de aprender, tu aprende com os ângulos assim vendo como é, aí tu aprende mais fácil, acho”.

A afirmação dos alunos (é mais fácil de aprender) vai ao encontro das palavras da pesquisadora Oechsler (2018, p. 275) que em sua tese de doutorado concluiu que através dos vídeos os alunos “podem comunicar, com o auxílio da oralidade, dos gestos, dos figurinos, etc., o seu entendimento acerca da Matemática, aumentando suas formas de comunicação em relação a uma prova em que predomina a modalidade escrita”. O que corrobora com o pensamento de Moran:

A linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudes perceptivas: solicita constantemente a imaginação e reinveste a afetividade com um papel de mediação primordial no mundo, enquanto que a linguagem escrita desenvolve mais o rigor, a organização e a análise lógica. (MORAN, 1995, p. 29).

Desta forma, percebe-se na fala dos alunos que intercalar o conteúdo nas aulas de matemática, ora fazendo atividades em forma de exercícios, ora com atividades em que desenvolvam outras maneiras de comunicação com o conteúdo, como a produção dos vídeos, pode possibilitar aprendizagens, como destacado pelo aluno A25: “Eu não sabia sobre os ângulos e agora aprendi nas aulas de

matemática”. O mesmo aluno também afirma que: “Os exercícios das aulas são importantes pra gente”.

Assim, a produção de vídeo estudantil é um complemento às atividades de sala de aula. Com a produção de vídeo, portanto, cria-se um espaço para que o aluno exponha suas ideias e pensamentos acerca do conteúdo estudado. As atividades desenvolvidas nas aulas sempre incitavam os alunos a refletir em como poderiam utilizar os conceitos estudados em seus vídeos. Nestes momentos,

percebia-se, pelo silêncio dos mesmos, que estavam pensamento e analisando as possibilidades.

Essas discussões e reflexões dos alunos durante os debates nas aulas e durante a construção do projeto dos vídeos também vão ao encontro das palavras de Oechsler (2018, p. 275) quando afirma que “[...] as discussões podem nos levar a entender as facilidades e dificuldades dos alunos acerca do conteúdo e nos levar a valorizar o material produzido, como um sinal da aprendizagem do estudante [...]”.

Assim, ao analisar os relatos dos alunos, percebeu-se que os conteúdos de matemática passaram a ser vistos de forma positiva e com sentido para o aluno, pois ao produzirem seus vídeos desenvolveram aprendizagens, o que condiz com Pereira (2014c, p. 100) quando reforça que “o lúdico também educa, o lúdico também ensina”. E para o autor a “academia deve respeitar as diferentes formas de aprender, conhecer as dificuldades dos alunos e tentar administrar essas diferenças” (PEREIRA, 2014c, p. 35).

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