Muitos compostos orgânicos formam complexos com metais de transição, os quais podem ser extraídos de soluções aquosas. Entre estes compostos citam- se os ditiocarbamatos e xantogenatos, os quais são amplamente empregados na química analítica. Nos ditiocarbamatos, as propriedades complexantes são devidas aos dois átomos de enxofre elétron-doadores. Estes determinam a natureza do metal que pode complexar e a força da ligação do respectivo complexo.^°® De maneira geral, os complexantes podem ser divididos em dois grupos:
1
) aqueles que são polarizáveis, denominados de moles (como, por exemplo, os que possuem S e P como átomos doadores) e 2) os não-polarizáveis, denominados de duros (como, por exemplo, os que contém N, 0 e F como átomos doadores). Por outro lado, conforme a afinidade dos metais com estas bases complexantes, estes também são classificados em dois grupos:1
) os que formam ligações mais estáveis com as bases moles, são denominados de moles (como, por exemplo. Hg, Tl, Ag, Au e outros com características semelhantes) e 2) os que formam ligações mais estáveis com as bases duras, são denominados de duros (como exemplo, o Ca, Mg, Al, Ga e outros com características semelhantes).Os derivados do ácido 0,0-dialquilesterditiofosfórico (DTP) contém um grupo complexante análogo aos do ácido xantogênico e ditiocarbâmico. A Fig. 9 mostra a estrutura do NH
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-DDTP, onde R e R’ podem ser substituintes orgânicos diversos (metil-, etil- propil-, butil-, entre outros). Devido à semelhança entre estes grupos complexantes, o seu comportamento frente á complexação com metais deve ser similar. Também, os grupos alquila substituintes podem influenciar na complexação, bem como, na extração do complexo do meio a q u o s o . O s primeiros estudos sistemáticos referentes à complexação com DDTP começou no início da década de 60, onde foi demonstrado que o mesmo forma complexos estáveis com uma série de semi-metais e metais de transição, os quais dependem da natureza do ácido (HCI ou H2
SO4
) e da sua concentração. Os respectivos complexos foram extraídos adequadamente do meio aquoso com CCI4
e medidosRevisão Bibliográfica
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por espectrofotometria Apesar da boa estabilidade dos
dialquilditiofosfatos e de seus complexos frente a soluções fortemente ácidas (tanto com o HCI ou poucos trabalhos de aplicação em química analítica foram feitos empregando extração líquido-líquido (Tabela
p {- N H /
R ’ - 0 c
Figura 9. Estrutura do 0,0-dietilditiofosfato de amônio (DDTP). R e R’ sâo grupos etila, mas podem ser outros grupos alquila.
Entretanto, o DDTP e alguns de seus homólogos (R e R’ com maior número de carbono) foram usados na determinação de diversos elementos, em procedimentos de separação/pré-concentração através da sorção de seus complexos em carvão ativo,^’®'^^® sílica e nas paredes de capilares
de p t f e.^^®’^“ Na Tabela 3 constam os principais trabalhos feitos com estes
complexantes.
Tabela 3. Trabalhos de separação/pré-concentração empregando dialquilditiofosfatos.
Elemento Processo Reagente Amostra Técnica Ref.
Cu, Ag, Au, Cd, Hg, In, Pb, As, Sb, Bi, Se, Te, Mo, Re, Pd
Extração líquido-líquido
DDTP Uv-Vis 108,
112
, 113As^^ As®* Extração
líquido-líquido
DBDP águas naturais GFAAS 115
Bi, Cd, Cu, In, Pb, TI
sorção carvão ativo
DDTP Al, Ga FAAS 116
Bi, Cd, Cu, In, Pb, TI
sorção carvão ativo
Continuação da Tabela 3 Mo Ag sorção carvão DDTP ativo sorçáo carvão DDTP ativo
geológicas e bio- FAAS 118
lógicas GFAAS
água do mar e GFAAS 119 rio, solo
Cd, Ou, Pb sorçáo Ci
8
DDTP cinza de carvão, FAAS 120sedimentos e solo Cd, Ou, Pb NI, Co, Mn Zn Cd, Cu, Pb Pb Bi As Cu, Se, Cd, Pb, Bi
Cu, As, Se, Cd, In, Hg, TI, Pb, Bi sorçáo Ci
8
sorçáo Ci8
sorçáo Ci8
sorçáo Ci8
sorçáo capilar PIFE* sorçáo capilar PIFE* sorçáo Ci8
sorção Ci8
sorçáo Ci8
DDTP biológicas DTP* água do mar e estuarina DTP* biológicas, solo, água do mar, rio e estuarinaDTP* solo e sedimento
DDTP biológicas, água do mar, rio, solo e sedimento DDTP biológicas e sedimento DDTP água DDTP água do mar GFAAS GFAAS FAAS FAAS GFAAS GFAAS ETV- ICP-MS 121 122 123 124 125 GFAAS 127 126 128
DDTP biológicas e água ICP-MS 129
Dialquilditiofosfatos diversos.
3. PROPOSTA DE TRABALHO