Paragraphe I : La mise en place d’une base de données statistiques
Paragraphe 4 Eclairage public
A estrutura de capital tem sido um tema cada vez mais estudado, muitas vezes com o intuito de perceber o que influencia esta estrutura, quais as suas determinantes e com que intensidade esta influência ocorre. Apesar de este tipo de estudos empíricos adotar, geralmente, um posicionamento ao nível das grandes empresas, já se encontram disponíveis alguns focados nas PME’s, tal como acontece no nosso caso.
O nosso estudo foi desenvolvido com o propósito de executar o modelo definido por Gama (2000), e testar as suas hipóteses relacionadas com as diferentes possíveis determinantes da estrutura de capital. Nesse sentido, recorremos à base de dados SABI, de onde recolhemos dados relativos a 1214 PME’s, através de uma filtragem apoiada no
Volume de Negócios, Total do Ativo e Número de Funcionários. Após a devida correção e exclusão de outliers, identificados na amostra, obtivemos uma amostra total de 812 PME’s, o que nos permitiu prosseguir com o nosso estudo. No sentido de apresentar um contributo para além do que já se tinha realizado, decidimos incluir também no nosso estudo, uma análise aos sectores secundário e terciário, excluindo o sector primário, por falta de dados suficientes para uma comparação justa entre sectores. Dessa forma, criámos mais duas amostras, uma de 415 PME’s que atuam no sector secundário e outra de 373 PME’s do sector terciário. O período temporal analisado foi de 4 anos, abrangendo valores anuais de 2006 a 2009. A razão para este período prende-se pela falta de dados completos relativos a anos mais recentes e também porque se teve o intuito de verificar se os resultados se alteravam muito por analisarmos essencialmente anos de crise face aos demais.
As variáveis analisadas por nós foram as mesmas que Gama (2000) adotou no seu estudo – Outros Benefícios Fiscais, Risco, Dimensão, Composição do Ativo, Reputação, Rendibilidade e Crescimento. Optámos também por dividir o endividamento em três variáveis dependentes (Endividamento Total, Endividamento de Curto Prazo, Endividamento de Médio e Longo Prazo) por alguns autores considerarem que o contributo das diferentes variáveis independentes não é o mesmo entre o ECP e o ELP, fazendo com que seja pertinente analisá-los de forma independente.
As nossas amostras foram estruturadas e analisadas na forma de dados em painel, tal como sugerido noutros estudos, resultando num total de 3248 observações. Aplicámos três modelos de regressão às nossas amostras – Pooled dos Mínimos Quadrados, Modelo dos Efeitos Fixos (MEF) e Modelo dos Efeitos Variáveis. Após a realização da estatística F e o teste de Hausman, optámos pela utilização dos resultados propostos pelo MEF.
De uma forma resumida, os resultados obtidos pela estatística descritiva permitiram-nos concluir que as empresas analisadas possuem, de um modo geral, um grau elevado de ET (aproximadamente 71%). Existem diferenças entre o ET do sector secundário (72,54%) e o sector terciário (69,10%), onde se conclui que as PME’s que atuam no sector secundário estão mais endividadas. O ECP médio das amostras analisadas apresenta valores de 57,30% no sector secundário e 56,43% no sector terciário, o que pode sugerir que os investimentos das PME’s são efetuados, na sua maioria, com
recurso a financiamento externo. Por outro lado, o ELP apresenta valores de 15,24% no sector secundário e de 12,67% no sector terciário, onde se evidencia um maior recurso a este tipo de financiamento por parte do sector secundário.
Os resultados obtidos pela aplicação do MEF permitiram-nos concluir que:
Não existe evidência estatística de que os Outros Benefícios Fiscais têm influência no nível do endividamento total. No entanto, encontrámos evidência de uma relação negativa entre os OBF e o ELP. Confirma-se a Hipótese 1 na amostra total e no sector secundário para o ELP.
As empresas com um maior Risco de negócio tendem a reduzir o peso do endividamento na sua estrutura de financiamento. A Hipótese 2 confirma-se no caso do ET e ELP na amostra total e sector secundário e no caso do ECP no sector terciário;
A capacidade de endividamento (total e de médio e longo prazo) aumenta à medida que a empresa cresce (Dimensão). E mais uma vez, não encontrámos esta evidência no sector terciário; A Hipótese 3 confirma-se para o ET e ELP na amostra total e sector secundário;
Quanto maior for o valor de garantia dos ativos da empresa (Composição do Ativo) maior será o rácio de endividamento total e de endividamento de médio e longo prazo. No caso do ECP, a Comp.A apresentou uma relação negativa (contrária ao esperado). A Hipótese 4 é aceite para o ET e ELP na amostra total e para o ELP no sector secundário e sector terciário;
Não conseguimos encontrar, na nossa amostra total, evidência estatística de que a Reputação de uma PME influencia o rácio de endividamento. Esta evidência foi encontrada na nossa amostra do sector terciário, porém, com uma relação contrária (negativa). Encontrámos sim, no caso do ELP, evidência estatística de uma relação negativa. Confirma-se assim, a Hipótese 5 para o ECP na amostra total e sector terciário;
Quanto maior é a Rendibilidade da empresa, menor é a proporção de endividamento na estrutura de capital dada a sua capacidade, via autofinanciamento, de financiar o seu crescimento. Esta posição é idêntica para
os três tipos de endividamento, e nas três amostras, logo, aceitamos a Hipótese 6 para todos os tipos de endividamento estudados e nas três amostras;
O nível de investimentos recentes (Crescimento) está positivamente associado ao aumento do nível de endividamento. Observou-se esta relação entre o crescimento e o ET e ECP no caso da amostra total e sector secundário, e nos três tipos de endividamento no caso do sector terciário. Assim, aceita-se a Hipótese 7 nas três amostras;
A Hipótese 8 é confirmada na amostra total e rejeitada nas amostras sectoriais, isto porque, apenas na amostra total foi possível comprovar que todas as variáveis são determinantes de algum tipo de endividamento;
Finalmente, a Hipótese 9 é rejeitada, ou seja, a análise das amostras do sector secundário e terciário levaram a resultados e conclusões diferentes, o que permite confirmar a validade de um estudo deste género.
Através da análise destes resultados, podemos concluir que se confirma a teoria pecking order, por se verificar uma ordem preferência na escolha dos tipos de financiamento. As variáveis que supostamente confirmam a teoria pecking order são a Rendibilidade, a Dimensão e o Crescimento com uma relação negativa (na primeira variável) e positiva (restantes) com o ET.
A teoria trade-off verifica-se para as variáveis Dimensão e Composição do Ativo, isto porque se observa uma relação positiva entre estas e o Endividamento Total (na amostra total). Concluímos, assim, tal como Serrasqueiro et al. (2011) e Junior (2012), que as teorias pecking order e trade-off são, apenas de forma conjunta, explicativas da estrutura de capital e não isoladamente.
O nosso trabalho sobre determinantes da EC consistiu em preencher a lacuna existente, apontada por Junior (2012), relativa à divisão das PME’s portuguesas em sectores de atividade. Estudámos as PME’s portuguesas, especificamente, as que atuam nos sectores secundário e terciário, assim como a análise da amostra total, incluindo as restantes PME’s do sector primário, permitindo assim, uma comparação mais fácil com os restantes estudos. Os resultados que obtivemos permitiram-nos concluir que existem
diferenças entre estes dois sectores e que os determinantes da EC não são os mesmos nem atuam da mesma forma.
Esperamos assim que este nosso modesto contributo possibilite um maior conhecimento sobre o estado atual das nossas PME’s e uma abertura de novas portas na investigação destes temas. Gostaríamos também, no futuro, de assistir a novos estudos realizados nesta área, que permitam perceber melhor, de que forma a crise de 2008 alterou as necessidades de financiamento das PME’s, assim como as diferenças na “facilidade” de obtenção desse financiamento, enumerando os novos obstáculos existentes. Para isso seria necessário obter uma amostra mais extensa que incluísse pelo menos cinco anos anteriores e posteriores ao ano de 2008, para nos permitir uma comparação mais consistente. Outra proposta de estudo é a de realização de um estudo semelhante a este mas considerando um período temporal mais alargado e com valores mais recentes que o nosso, visto esse ter sido um dos grandes obstáculos que enfrentámos na realização deste trabalho. Tal como Novo (2009) sugere, também gostaríamos de ver estudos alargados a outros mercados, como o Ibérico, por exemplo.
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