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CHAPITRE 7 : ELECTRICITE

7.5 Etude détaillée de la consommation électrique de chaque usage

7.5.2 Eclairage

No dizer de Daniels (2003, p. 113), diferentemente de outros estudiosos que envidaram seus esforços analisando a ação mediada que foi uma das principais contribuições de Vigotski, Leontiev manteve seu foco nas atividades que proporcionam a interiorização de ações humanas externas na forma de processos mentais internos. E, com relação aos teóricos que se debruçaram nas pesquisas sobre a atividade, Engeström (1987) apresenta três gerações da Teoria da Atividade, que se desenvolveram posteriormente ao falecimento de Vigotski.

Para ele, a primeira geração da Teoria da Atividade baseia-se nas ideias de Vigotski de ação mediada. O modelo de representação triangular proposto por ele insere os elementos mediadores (artefatos culturais) na relação do sujeito com o objeto (Figura 10).

Ampliando as discussões e complementando o trabalho inconcluso de Vigotski sobre atividade, Leontiev distinguiu ação e atividade.

Figura 10 – Estrutura da ação mediada – Primeira geração da Teoria da Atividade

Fonte: Baseado em Engeström (2002)

Com suas contribuições é possível estabelecer uma estrutura hierárquica da atividade humana, sob a qual podemos perceber que as ações e as operações são indispensáveis (Figura 11).

Figura 11 – Estrutura hierárquica da atividade humana

Sobre a segunda geração da Teoria da Atividade, explica Daniels (2003, p. 114) que Engeström (1987) defende o uso de artefatos como componentes integrantes e inseparáveis do funcionamento humano; entretanto, argumenta que o foco dos estudos sobre mediação deveria se deter na sua relação com os componentes de um sistema de atividade. Para desenvolver suas ideias, Engeström expandiu a representação triangular da primeira geração da TA, objetivando possibilitar uma análise dos sistemas de atividade no “nível macro do coletivo e da comunidade, em preferência a um nível micro de concentração no ator ou agente individual operando com ferramentas” (DANIELS, 2003, p. 118). Essa análise se daria do geral para o particular, do macro para o micro. “Um sistema de atividade coletiva é conduzido por um motivo profundamente comum. O motivo é incorporado no objeto da atividade” (ENGESTRÖM, 2000, p. 964, tradução nossa).

Com a expansão da representação triangular da primeira geração (Figura 10), Engeström (1987) buscou representar elementos sociais e coletivos da atividade, adicionando a eles os conceitos de comunidade, regras e divisão do trabalho, no sentido de enfatizar a importância da análise de suas interações e inter-relações. Embora, segundo Daniels (2003, p. 118), ele reconheça a dificuldade metodológica de colher evidências sobre esses elementos.

Para Engeström (2002), esses elementos trazem um caráter coletivo para a análise das atividades humanas. O autor (2002, p. 183), ao aludir à comunidade, refere-se àqueles sujeitos que compartilham o mesmo objeto da atividade. A divisão

do trabalho diz respeito à divisão das funções e tarefas entre os membros dessa

comunidade, e as regras remetem às normas e aos padrões que regulam a atividade em questão. Na aprendizagem tradicional, que para Engeström (2001) é um sistema de atividade, pois é coletiva e relativamente duradoura, a comunidade é a sala de aula; a principal divisão se dá entre professor e alunos, porém há pouca divisão de trabalho entre os alunos; e as regras são aquelas que dizem respeito ao comportamento e regulam a avaliação conforme exemplifica o autor. Inserindo esses elementos na configuração da atividade humana da primeira geração, a atividade humana, estruturada na forma de um sistema, compreende o que Engeström representa na Figura 12.

Os componentes de uma atividade humana podem ser organizados de acordo com o modelo de sistema de atividade, o qual incorpora a unidade para compreensão das ações humanas (ENGESTRÖM, 1987).

Figura 12 – Modelo do sistema de atividade

Fonte: Sistematização da autora, baseada em Engeström (1987, 2001, 2011)

Nessa estrutura o sujeito pode ser um indivíduo ou um grupo que realiza a atividade; o objeto compreende a dualidade significado social-sentido pessoal; as ferramentas caracterizam o aspecto de mediação da atividade; a comunidade são os sujeitos que compartilham o mesmo objeto; a divisão do trabalho compreende a distribuição das responsabilidades dentro da atividade; e as regras nada mais são do que o conjunto de normas e regulamentos que regem a atividade.

Segundo o autor, o círculo ao redor do objeto indica, ao mesmo tempo, o papel focal e a inerente ambiguidade do objeto da atividade. Para ele, “o objeto é um convite à interpretação, à produção de sentido pessoal e à transformação social” (ENGESTRÖM, 2011, p. 78, tradução nossa). O autor ainda faz a distinção entre o objeto generalizado do sistema de atividade que evolui historicamente e o objeto específico de como aparece em uma determinada ação. Para ele, “o objeto generalizado está conectado ao significado social, já o objeto específico está

conectado ao sentido pessoal” (p. 78, tradução nossa). Para Daniels (2003, p. 118), o objeto do sistema de atividade proposto por Engeström é caracterizado pela ambiguidade, surpresa, interpretação, produção de sentido e potencial mudança.

O foco principal do sistema de atividade humano, para Engeström, está nas inter-relações complexas entre o sujeito e a sua comunidade. O autor, de acordo com Daniels (2003), dá ênfase à importância das contradições nos sistemas de atividade como força motriz da mudança e, portanto, do desenvolvimento dos sujeitos. Segundo Engeström, as contradições são o motor necessário, mas não suficiente, da aprendizagem expansiva em um sistema de atividade.

A teoria da atividade histórico-cultural é uma nova estrutura destinada a transcender as dicotomias de micro e macro, mental e material, observação e intervenção em análise e redesenho de trabalho. A abordagem distingue entre ações direcionadas a metas de curta duração e sistemas de atividade duradouros, orientados a objetos. Um sistema de atividade coletiva evolui historicamente, visto em suas relações com outros sistemas de atividade, [...] Os sistemas de atividades são conduzidos por motivos comuns que muitas vezes são difíceis de serem articulados para participantes individuais. Os sistemas de atividade estão em constante movimento e são internamente contraditórios. Suas contradições sistêmicas, manifestadas em distúrbios e inovações mundanas, oferecem possibilidades para transformações de desenvolvimento expansivas. Tais transformações procedem através de ciclos passo a passo de aprendizado expansivo, que começam com as ações de questionar a prática padrão existente, depois procedem a ações de análise de suas contradições e modelagem de uma visão para a sua zona de desenvolvimento proximal e, então, ações de exame e implementação do novo modelo na prática. (ENGESTRÖM, 2000, p. 960, tradução nossa)

Já a terceira geração da Teoria da Atividade, segundo Daniels (2003), foi desenvolvida também por Engeström, pois ele se indagou sobre o possível compartilhamento do objeto de uma atividade devido aos seus estudos com estudantes e redes avançadas de aprendizagem.

A terceira geração da teoria da atividade, como proposta por Engeström, pretende desenvolver ferramentas conceituais para compreender os diálogos, as múltiplas perspectivas e redes dos sistemas de atividade interativa. Ele recorre a idéias de dialogicidade e multivocalidade a fim de expandir a estrutura da segunda geração. A idéia de redes de atividade em que as contradições e lutas ocorre na definição do motivo e do objeto da atividade demanda uma análise de poder e controle dos sistemas de atividade em desenvolvimento. (DANIELS, 2003, p. 121)

Segundo ele, o sujeito, em uma atividade coletiva, nem sempre é a mesma pessoa. Normalmente, um indivíduo (raramente um grupo) assume o papel de

sujeito em qualquer ação, mas na próxima ação o sujeito talvez seja outro. Por estarem associados às ações, os motivos não se vinculam à atividade como um todo. “O motivo e o objeto de uma atividade coletiva são algo como um mosaico em constante evolução, um padrão que nunca está inteiramente acabado”. (ENGESTRÖM, 1996 apud DANIELS, 2003, p. 120). Ele considera que a perspectiva de alguns autores sobre a ação individual mediada é distanciamento das ideias de historicidade, de orientação a um objeto e da natureza coletiva da atividade humana. De acordo com Daniels (2003), a visão do autor é de que

[...] a construção de objetos mediada por artefatos é um processo colaborativo e dialógico em que diferentes perspectivas [...] e vozes [...] se encontram, colidem e se fundem. Essas diferentes perspectivas estão enraizadas em diferentes comunidades e práticas, que continuam a coexistir no mesmíssimo sistema de atividade coletiva. (ENGESTROM, 1999, p. 382 apud DANIELS, 2003, p. 120)

Engeström considera que a unidade de análise para a Teoria da Atividade é a atividade ou prática conjunta, no sentido de interessar-se pelo processo de transformação social e incluir a estrutura do mundo social na análise, levando em conta a natureza conflituosa da prática social. Para o autor, as tensões internas e as contradições atuam como força motriz da mudança e do desenvolvimento do sujeito. As transcrições e as reorganizações nos sistemas de atividade e entre eles fazem parte da evolução que não é apenas do sujeito, pois o ambiente também é modificado pela atividade mediada. “As apropriações reflexivas de modelos e ferramentas avançadas são saídas para as contradições internas que resultam em novos sistemas de atividade” (DANIELS, 2003, p. 120).

O modelo mínimo de representação para a terceira geração da Teoria da Atividade (Figura 13) mostra dois sistemas que exibem padrões de tensões e contradições. Ele usa como exemplo que o objeto pode ser um paciente específico entrando em um consultório (objeto 1), porém esse objeto passa a ser coletivamente significativo, uma vez que é o paciente construído como um espécime de uma categoria biomédica de enfermidade (objeto 2), ou seja, o paciente passa de um objeto geral de uma determinada doença para um objeto compartilhado ou conjuntamente construído para uma compreensão colaborativamente construída da situação de ida e do plano de saúde do paciente (objeto 3) (DANIELS, 2003, p. 123).

Figura 13 – Estrutura do sistema de atividade coletiva da Terceira Geração

Fonte: Sistematização da autora, baseada em Engeström (2011)

Engeström considera algumas características da Teoria da Atividade como alicerce teórico para a análise da aprendizagem: contextual e orientada para a compreensão de práticas locais historicamente específicas, seus objetos, artefatos mediadores e organização social; baseada em uma teoria dialética do conhecimento e do pensamento, focada no potencial criativo da cognição humana; norteada por uma teoria desenvolvimental que busca explicar e influenciar mudanças qualitativas nas práticas humanas ao longo do tempo (ENGESTRÖM, 1999 apud DANIELS, 2003, p. 122).

Engeström (1999 apud DANIELS, 2003) também sugere que a Teoria da Atividade possa ser resumida em cinco princípios: sistema de atividade coletivo como unidade de análise, mutivocalidade dos sistemas de atividade, historicidade, papel central das contradições como fontes de mudança e desenvolvimento e possibilidade de transformações expansivas nos sistemas de atividade (Figura 14).

Assim, como aponta Daniels (2003), um sistema de atividade coletivo, mediado por artefato e orientado para o objeto, visto em suas relações de rede com outros sistemas de atividade, é assumido como a unidade primária de análise.

Figura 14 – Cinco princípios da Teoria da Atividade proposto por Engeström

Fonte: Sistematização da autora, baseada em Daniels (2003)

Esse sistema é sempre uma comunidade de múltiplos pontos de vista, tradições e interesses, por isso multivocal. Os sistemas de atividade assumem forma e são transformados em longos períodos de tempo, por isso caracterizam-se pela sua historicidade. As contradições são tensões estruturais historicamente acumulativas nos sistemas de atividade, e entre eles elas geram perturbações e conflitos, mas também renovam tentativas de mudar a atividade.

As contradições geram conflitos, mas também renovam as tentativas de mudar a atividade, são fontes de mudança e desenvolvimento, por isso seu papel central nas ideias de Engeström. Para ele, existe uma possibilidade de transformações expansivas nos sistemas de atividade. Uma transformação expansiva é realizada quando o objeto e o motivo da atividade são ressignificados para abraçar um horizonte radicalmente mais amplo de possibilidades. Um ciclo total de transformação expansiva pode ser compreendido como uma jornada coletiva pela zona de desenvolvimento proximal (ZDP) da atividade (DANIELS, 2003).

Com a intenção de desvelar nosso objeto de pesquisa – o estágio na formação do professor de Matemática – em seu movimento, no próximo capítulo buscaremos a sua historicidade, ao apresentar o modo como o estágio foi sendo instituído nos cursos de formação de professores do Brasil – a partir da legislação brasileira que orienta essa formação. E também abordaremos a contribuição do estágio para a formação dos professores de Matemática a partir de autores que investigam essa temática.

4 O ESTÁGIO NA FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA: DA