3. EAP-FAST Protocol
3.5. EAP-FAST Session Identifier
A partir da análise dos fotolineamentos do Gráben do Cariatá foi possível detectar a influência dos mesmos sobre a macro-compartimentação do relevo e direcionamento da rede de drenagem (Figura 28). A sedimentação neocenozóica que responde pelos modelados dos topos tabuliformes confinados ao interior do gráben, revelou-se totalmente poupada de estruturas lineares, o que reforça o fato da sedimentação haver ocorrido em períodos posteriores ao estabelecimento da rede de estruturas lineares identificada. Neste caso a tectônica não haveria operado na área por pelo menos desde o término da sedimentação no gráben, definida por Corrêa et al. (2005) para cerca de 23.000 anos AP. Caso tenha ocorrido uma atuação da neotectônica nesse período, a mesma não colaborou para a formação de estruturas lineares detectáveis em sensores remotos e deve ser investigada a partir de dados observados diretamente em campo, como a partir da sobreposição de possíveis fraturas e falhas aos capeamentos sedimentares.
Figura 28 - Densidade de fotolineamentos da Folha Sapé: lineamentos de relevo se limitam as bordas N e S do gráben; tabuleiros (parte central) não apresentaram lineamentos. Tectônica não haveria operado na área pelo menos desde o término da sedimentação no gráben.
Os lineamentos na rede de drenagem estudados ao longo do Rio Paraíba demonstraram a ocorrência de diversos joelhos de inflexão, knickpoints, rápidos e segmentos lineares. Estas feições evidenciam uma reativação dos níveis de base locais controlados a partir da drenagem coletora principal da região, podendo indicar também controles neotectônicos. O rebaixamento geral dos níveis de base da região, após o término da sedimentação confinada ao gráben, determinou o entalhamento destes sedimentos a partir do desenvolvimento de uma rede de drenagem ortoclinal de primeira ordem. A exumação da superfície pré-deposicional gerou um patamar de eversão entre as encostas desenvolvidas nos capeamentos sedimentares e o eixo principal de drenagem do Rio Paraíba (Figura 29).
Figura 29 - Modelo digital do terreno da Folha Sapé elaborado a partir das imagens SRTM (Shuttle Radar Topographic Mission) com lineamentos de relevo e drenagem na área do gráben do Cariatá.
A partir de uma análise focada na correlação dos fotolineamentos com a litologia, verifica-se que, no Horst ao sul do gráben, os lineamentos estão mais concentrados nas áreas compreendidas pelo Complexo Sertânia (Pst), que é uma unidade metassedimentar característica do Terreno Alto Moxotó. Esta unidade se encontra no limite inferior do gráben e apresenta valores de densidade de fotolineamentos que variam entre 0,5 a 0,9. O complexo gnáissico-migmatítico também apresenta altas concentrações de lineamentos ainda em maior escala que o Complexo Sertânia com valores acima de 1,0 (Figuras 7 e 29). No Limite Norte da área, os lineamentos ocorrem em apenas na unidade litológica Serra do Jabitacá, composta por ortognaisses e migmatitos. Nesta unidade os valores da densidade de fotolineamento são elevados. Os mesmo variam entre 0,2 até 1,1. Já as coberturas eluvio-coluviais, que estruturam os pequenos tabuleiros que estão confinados no gráben, não apresentam estruturas lineares.
A partir da análise dos diagramas de rosáceas verificou-se que as cabeceiras de drenagem seguem dois padrões de comportamento: uma direção E-W, certamente adaptada à estrutura geral do Gráben e outra N-S, mais provavelmente decorrente do posicionamento obsequente da drenagem à noventa graus do coletor principal (Figura 30). Logo, esta direção não é tectônica, mas apenas uma resposta da drenagem lateral à circundenudação promovida
pelo rebaixamento do nível de base do gráben a Leste. Assim a erosão regressiva atuou em um contexto rebaixado de nível de base, truncando a cobertura sedimentar ao longo do eixo principal do rio Paraíba, enquanto que as drenagens de primeira ordem que demandam aquele coletor principal modelaram pequenos alvéolos cujas cabeceiras se estabeleceram a partir da linha de exudação do lençol freático, que se forma no contato entre o capeamento sedimentar e o embasamento subjacente. Neste mesmo contexto das drenagens que demandam o rio principal (rio Paraíba), pode-se observar um bloqueio dos exultórios dessas drenagens em função da maior taxa de sedimentação ao longo do eixo das planícies alúvio-coluvionares (subida momentânea do nível de base dos coletores principais) e uma incompetência dos drenos laterais de pequena dimensão (drenagem obsequente jovem).
Figura 30 - Diagrama de rosetas apresentando o direcionamento das cabeceiras de drenagem, os tributários do rio Paraíba.
Observou-se também que os lineamentos são preferencialmente de direção E-W, direção estrutural predominante no leste da Província Borborema, associada à zona transversal contida entre os lineamentos Patos e Pernambuco. No entanto, secundariamente também ocorrem lineamentos de direção NE-SW de grande comprimento, associados às zonas de cisalhamento subordinadas aos lineamentos E-W (Figura 32). Os lineamentos NE- SW e NW-SE de maior tamanho também controlam a direção das cabeceiras de drenagem, mas a maior percentagem de pequenos lineamentos de cabeceira, na direção N-S sugere um controle mais evidente da própria morfologia das encostas como resposta às mudanças de nível de base ao longo do eixo da drenagem do rio Paraíba (Figura 32).
Figura 31 - Direcionamento do relevo. Estes lineamentos correspondem as áreas norte e sul (Horst). Os lineamentos apresentam uma concordância com a posição geral do gráben (NE-SW).
Figura 32 - Direcionamento dos principais cursos fluviais do rio Paraíba, nota-se a presença de um direcionamento NE-SW, ou seja, a drenagem está em acordo com o posicionamento geral do gráben, a