CHAPITRE II. METHODOLOGIE GENERALE
IV. E VALUATION ELECTROMYOGRAPHIQUE
A partir do processo no qual as tecnologias e as formas de comunicação tecnologicamente mediada adquirem um papel chave como articulador das relações na sociedade contemporânea ter acesso a tais dispositivos se tornou fundamental para os indivíduos efetivarem sua existência na Sociedade em Rede, dessa situação surge a necessidade de se pensar em incluídos e excluídos digitais.
Antes de existir incluídos e excluídos digitais é preciso compreender que esse conceito apenas se aplica à realidade atual de conexão permanente e acesso à bens tecnológicos, ele surge dos incluídos e excluídos sociais. E o que é isso? Inclusão social vem da ideia de possibilitar a todos o acesso à bens e serviços, trabalho e lazer, enfim, participar da sociedade em todas as suas esferas. Dessa forma, criou-se o conceito de indivíduos que por algum motivo não tem acesso à determinados produtos materiais e imateriais e, portanto, é preciso criar formas de aproximar essa população daquilo que não se tem acesso.
A exclusão pode acontecer em função de diferentes fatores, e essa motivação pode ser de ordem econômica, ou seja não possuir condições financeiras para adquirir determinado produto ou serviço; o indivíduo ter algum tipo de deficiência física ou intelectual; há ainda a exclusão em função do gênero da pessoa ou questão da racial. Há autores que afirmam não haver inclusão ou exclusão, uma vez que todos seriam frutos da sociedade.
Assim, em uma sociedade na qual a tecnologia possui a importância verificada atualmente se torna fundamental que todos tenham acesso aos bens tecnológicos disponíveis.
No Brasil a exclusão social e consequentemente digital ocorre na maioria das vezes em função de problemas econômicos, uma vez que, segundo dados do Censo de 2010 a renda média do brasileiro é de R$688,00, apesar de metade da população viver com R$ 375,00. Outra questão que influencia no problema diz respeito ao acesso à educação e a cultura, dado explicitado através da taxa de analfabetos com idade acima de 15 anos que é de 9% da população.
Apesar de na última década os índices de desenvolvimento do país tais como níveis de emprego, renda, anos de estudo por parte da população apresentarem melhora, ainda há muito o que se fazer. No ano de 2011 o Brasil alcançou o 84º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mas ainda está bem atrás de outros países da América do Sul como Chile (44º), Argentina (45º) e Uruguai (48º).
Para se pensar a questão da inclusão digital é preciso delimitar o que se entende por isso. A princípio o conceito aqui empregado será o de prover o simples acesso ao computador, com as noções básicas de utilização e a conexão com a Internet. Dessa forma, para a efetivação dessa etapa dependeria de computador, telefone, softwares básicos de edição de conteúdos e acesso à rede. Além de uma infraestrutura física
de fios, cabos e demais aparelhos para expansão das redes de telecomunicações que também precisa ser ampliada para dar conta do processo de inclusão das tecnologias no cotidiano em curso no país.
A partir de uma realidade que ainda precisa de uma infraestrutura de rede, da ampliação do acesso ao computador com conexão à Internet e a educação e a cultura apresentam a questão da inclusão digital/social como muito mais do que simplesmente promover o contato puro da população com a tecnologia disponível atualmente.
O que se verifica é que de fatores econômicos e sociais acaba por surgir uma ampliação nas distâncias entre a população que tem condições de adquirir bens tecnológicos e aqueles que não conseguem participar do jogo tecnológico da atualidade “Todo período histórico possui um conjunto de tecnologias que as sociedades dominantes – e dentro delas, suas elites – utilizam como fonte especial de poder e de reprodução da riqueza” (CASTELLS, 2000)
A lógica da Internet é a da participação de todos aqueles que desejam ser ouvidos, fortalecendo a ideia de cidadania pois os serviços públicos e privados se tornam mais acessíveis a todos os participantes do ciberespaço, entretanto, em função de questões socioeconômicos, a sociedade da informação acaba por evidenciar as distâncias entre os que fazem parte do jogo tecnológico e aqueles que estão fora dela, expondo uma fratura social da sociedade informacional.
Apesar de nos últimos tempos ter havido um barateamento nos equipamentos e serviços relacionados à tecnologia além da melhora da renda das pessoas no Brasil, há ainda, como afirmou Sérgio Amadeu há “...um total descompasso com o ritmo de inserção dos extratos mais pauperizados na era da informação.”(AMADEU,2001)
Segundo dados do Ibope/ Nielsen do ano de 2011, no Brasil, teríamos em torno de 80 milhões de internautas e no período de 2007 a 2011, segundo pesquisa realizada pela Fecomércio/RJ/Ipsos, no mesmo ano, o percentual de brasileiros conectados à Internet teria passado de 27% para 48% da população, sendo que a maior parte do acesso, 31% seria feita em lan houses, 27% na própria residência e 25% dos acessos realizados na casa de parentes ou amigos. Fato que demonstra que apesar do aumento no números de acesso nos últimos anos, ter um computador com acesso à Internet ainda está distante da realidade de boa parte da população.
Quando se pensa nas razões para se desenvolver estratégias para promover a inclusão digital, Amadeu afirma que é preciso, em primeiro lugar, definir seu objetivo principal, se voltada à cidadania, como forma de capacitar para o mercado de trabalho, ou voltada à educação como formação cultural em um ambiente no qual a tecnologia e a informação possuem papel central. Tais objetivos não são excludentes, uma vez que eles podem coexistir em um mesmo projeto, contudo, é a partir de sua definição para as bases do trabalho.
Quando se define qual o objetivo a ser atingido ficam mais claros quais resultados são possíveis, e fica claro que um computador com acesso à Internet e softwares básicos para edição de conteúdos cria uma série de possibilidades e dá a noção que a inclusão digital é mais do que apenas o acesso à um computador e a rede mundial. Se tornava possível o acesso aos múltiplos conteúdos disponíveis, a ideia de ter uma identidade no ambiente digital, acesso à sites e programas diversos, um espaço no qual é permitido criar e publicar diferentes conteúdos, expressar sua opinião em uma espécie de praça da contemporaneidade. “A Internet possibilita que a democratização de discurso, problemas identificados e caminhos sugeridos seja instantânea”. Contudo, segundo Amadeu, boa parte dos projetos destinado a esse fim acaba por se limitar a prover o acesso a Internet e isso será analisado mais detidamente à frente.
Como se afirmou no primeiro capitulo a respeito da importância das tecnologias como fomentadoras de um modelo de sociedade
“ uma sociedade dependente de tecnologias da inteligência, ou seja, que ampliam imensamente a capacidade de gerar conhecimento, o que requer um preparo e capacitação complexa de amplos
segmentos da sociedade.”(CASTELLS, 2001)
é preciso se pensar em maneiras de além de capacitar para o trabalho, formar cidadão aptos a viver nas “cibercidades” e que propõe a título de um artigo do pesquisador André Lemos, a selecionar informações em um ambiente onde há grande quantidade disponível, produzir e publicar conteúdos de diferentes formatos, enfim, atuar no contexto presente.
Se incluir no ambiente digital é mais do que conectar a Internet ou saber utilizar as funções básicas de um computador, se novos conhecimentos se tornam necessários no contexto, novas habilidades cognitivas para a compreensão da realidade presente fica evidente a urgência em pensar a respeito da formação ampla do indivíduo para a utilização consciente, criativa, crítica e pertinente das tecnologias digitais de comunicação, em virtude da importância de tais dispositivos como articuladores da vida em sociedade, ou seja, saber usar bem e em toda a sua potência a ferramenta é fundamental para existir no ambiente digital.
Dessa percepção se torna necessário pensar de que maneira essa formação será realizada, é uma questão de cidadania uma vez que a vida também se dá no ambiente virtual e o simples treinamento para a operação de softwares e aplicativos não dá conta de atender a essa demanda. Não basta saber operar o sistema ou acessar um site, é preciso pensar sobre a ferramenta para utilizá-la da melhor maneira para que o objetivo desejado seja alcançado, caso contrário o efeito pode ser negativo.
São as habilidades pensadas por Jenkins e citadas no primeiro capítulo, e elas seriam a participação, a performance, a simulação, a visualização, a navegação transmidiática, a ideia de trabalho em rede, a negociação, a inteligência coletiva, a cognição distribuída, o julgamento, a apropriação e ideia de trabalho em multi-tarefas para atuar no ciberespaço e de quem é a função de realizar esse trabalho? Da Escola tradicional, de centros destinados à formação? Qual o espaço para esse processo?
Ainda não se sabe ao certo, Vilém Flusser, filósofo tcheco que viveu alguns anos no Brasil e escreveu a respeito do impacto das tecnologias no cotidiano, em seu artigo intitulado “A Fábrica”, afirma que é nesse local, nessa fábrica da contemporaneidade pois é desse espaço onde são “produzidos” Homens “as fábricas são lugares onde sempre são produzidas novas formas de homens: primeiro, o homem - mão, depois, o homem – ferramenta e, finalmente, o homem – aparelhos – eletrônicos.”(FLUSSER, 2000)
Esse espaço, para Flusser denominado de fábrica do futuro seria um “...lugar onde as potencialidades criativas do Homo Faber poderão se realizar.” Seriam lugares de aprendizagem, uma vez que os aparelhos eletrônicos exigem a criação de um novo processo de aprendizagem mais abstrato a fim de se adequar às novas demandas, seria, assim, como uma escola. E descobrir em conjunto, Homem e Máquina, o quê, para quê e a forma de colocar as descobertas em uso. Assim, ainda segundo Flusser
“O que importa é que a fábrica do futuro deverá ser o lugar em que o Homo Faber se converterá em Homo Sapiens Sapies, porque reconhecerá que fabricar significa o mesmo que aprender, isto é, adquirir informações, produzi-las e divulgá-las”(FLUSSER, 2000)
Então, já se teria um lugar para desenvolver esse trabalho, contudoainda há muito o que se pensar e fazer a respeito principalmente
porque ainda se está pensando em como realizar a tarefa proposta, os papeis não estão definidos, se essa é uma função do Estado ou da sociedade civil, se da escola ou do trabalho, enfim, o que se sabe é da importância de se estar conectado às redes sociais através da Internet e de seu poder para a criação e a troca de informações entre as pessoas.
O modelo a ser adotado ainda não foi pensado, o processo ainda está em curso, entretanto, existem políticas públicas em diferentes esferas do poder executivo, ou seja, federal, estadual e municipal para empreender tal tarefa e ainda outras tantas de caráter privado, como o trabalho desenvolvido por ONGs, entidades sem fins lucrativos e empresas interessadas em ampliar o acesso à tecnologia por outras camadas da sociedade.
Para além da formação conceitual e no estímulo ao uso criativo do ciberespaço e das tecnologias, para uma efetiva inclusão da população é preciso que se reforce toda infraestrutura de telecomunicações no país e que sejam dadas as condições para todos, independente de qualquer limitação ter acesso pleno e irrestrito aos bens tecnológicos disponíveis hoje. A inclusão digital passa necessariamente pela inclusão social e pelo avanço econômico, educacional e científico do país, pois desta forma será possível com que todos independente de qualquer fator tenham plenas condições de acesso.
Quais os modelos de gestão de projetos destinado à prover o acesso às tecnologias é o nosso passo seguinte, primeiro analisando as políticas públicas destinadas a inclusão digital e mais a frente os trabalhos desenvolvidos por entidades privadas e que também buscam aproximar as tecnologias do cotidiano das pessoas.