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The E10.5 CE Cells are not Predefined as Supporting or Interstitial/Stromal Cells100

3.2 Supporting cell lineage specification and sex-specific differentiation into Sertoli or

4.1.1 The E10.5 CE Cells are not Predefined as Supporting or Interstitial/Stromal Cells100

Por ser o mais indicado para estudar a evolução das representações sobre aspectos do mundo físico e social (DELVAL, 2002; CARRAHER, 1982), foi utilizado o método clínico. Escolha justificada por Vygotsky, que em muitos de seus primeiros trabalhos, apoiou-se nos estudos de Piaget. Entre os argumentos mais favoráveis, ele considera ser esse método “valioso para o estudo dos todos estruturais complexos do pensamento infantil em suas transformações evolutivas. Esse método unifica as suas diversas investigações e nos proporciona um quadro vivo, coerente e pormenorizado do pensamento infantil” (1934/1987, p. 10). Diz também que

Piaget deve a obtenção de novos fatos e seus terrenos auríferos, antes de tudo, ao novo método que introduziu – o método clinico, cujas forma e originalidade o promovem a um dos primeiros lugares na metodologia da investigação psicológica e o tornam um recurso insubstituível no estudo das formações complexas e integrais em desenvolvimento e mudança no pensamento infantil (VYGOTSKY, 1934/2001, p. 23-24).

Denominado por Piaget de Método Clinico Psicogenético ou Método Clínico Experimental, em consideração aos seus objetivos epistemológicos, o método clínico combina uma hipótese prévia e um núcleo referencial que se problematiza e se apresenta ao sujeito. As perguntas e enfoques são então ampliados e seguem o curso de respostas ou explicações dadas pelo sujeito. Para tentar apreender a sequência do pensamento das crianças, Piaget empreendeu com os sujeitos “[...] conversas do tipo das entrevistas clínicas com a finalidade de descobrir algo sobre os processos de raciocínio que estavam por trás de suas respostas correlatas, com um interesse particular pelo que ocultavam as respostas falsas” (PIAGET apud DELVAL, 2002, p. 5514).

Ao invés de contabilizar o número de respostas pré-determinadas como corretas, sistema comum dos testes já existentes, Piaget optou pela análise das justificativas que as crianças davam ao responder suas indagações, iniciando, assim, o seu método clínico, que passou por várias etapas até chegar a sua forma final. Esse método consiste num diálogo com a criança, de forma sistemática, de

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Autobiographie. In: Jean Piaget et les Sciences Sociales. Cahiers Vilfredo Pareto, 10, 1966, p. 128-159.

acordo com o que ela vai respondendo ou fazendo. Em certas situações, cumpre uma tarefa, em outras explica algum fenômeno físico ou biológico. Muito antes do que se pensa, a criança concebe sua percepção do mundo, cria suas teorias, formula suas respostas. Muitas vezes, a lógica infantil surpreende os adultos. Conversar com as crianças utilizando o método clínico nos ensina, então, a descobrir como elas pensam.

Segundo Vygotsky (1934/2001), Piaget descreveu com muita aproximação e quase precisão as respostas esperadas para cada nível de pensamento, de acordo com os estágios cognitivos. Não há resposta certa nem errada. A intenção é avaliar o pensamento da criança. Para uma adequada interação com a criança, o entrevistador deve assumir uma atitude flexível e espontânea. No diálogo com as crianças, é possível perceber a originalidade do pensamento infantil e observar de maneira sistemática que sua forma de ver o mundo não coincide com a adulta.

O método clínico não está resumido a conversas com crianças. Considerando ser um método para investigar como elas pensam, percebem e agem, a essência desse método não reside na entrevista, mas sim “no tipo de atividade do experimentador e de interação com o sujeito” (DELVAL, 2002, p. 67). O método clínico é, então, um procedimento de entrevista com crianças, em que se acompanha o seu pensamento, com intervenção sistemática. A partir das respostas, elaboram-se novas perguntas e se avalia a qualidade e abrangência das respostas. Também se avalia a segurança que a criança tem sobre as suas respostas diante das contra-argumentações.

Um aspecto que deve ser ressaltado como intrigante e motivador na aplicação do método clínico é que o entrevistador tem diante de si um sujeito único, com coerência interna e toda a singularidade e especificidades da condição humana – a maneira como o indivíduo resolve os problemas apresentados, como chega às suas explicações, se busca coerência, se percebe as contradições e, de forma mais peculiar, a criatividade de suas respostas.

Criticado por constituir-se uma forma sugestiva das perguntas, orientadoras das respostas em uma determinada direção, o método clínico, entretanto, revela-se fecundo “pelo alcance das ideias postas em marcha. Quando outros pesquisadores acolhem seus trabalhos com a disposição de pô-los à prova, empregando os métodos mais estritos de mensuração, na maioria dos casos apenas o confirmam” (BATTRO, 1976, p. 15).

A riqueza de situações vivenciadas nas entrevistas realizadas e a análise das mesmas confirmaram o acerto da escolha desse método para este estudo em razão de ser a entrevista um procedimento caracterizado pela reflexão conjunta e negociação de significados e que traz à tona processos cognitivos essencialmente dinâmicos demandados pela motivação e interação.

A partir dessa reflexão propiciada pelos estudos piagetianos e vigotskianos, bem como propiciada por esses autores citados neste item, que justificam o uso do método clínico para o estudo do pensamento de crianças, justifica-se a presente escolha: o uso de entrevistas individuais com as crianças; elas constituíram uma rica referência, tomadas como deflagradoras de discussões visando à geração de dados para a presente investigação.

Foram realizadas entrevistas individuais com todos os sujeitos a partir de um roteiro (Apêndice C) estruturado em três partes. Na primeira, foram feitas perguntas diretas sobre ‘meio ambiente’ e seus correlatos como ‘poluição’, ‘reciclagem’, ‘furacão’, ‘contaminação’ e ‘reflorestamento’, constitutivos de um sistema conceitual hierarquizado. São conceitos científicos discutidos no dia-a-dia das crianças e temas de muitas reportagens da mídia televisiva e escrita. Na segunda parte, foi apresentada uma sequência de questões que buscavam mais indícios da compreensão da criança sobre o conceito de meio ambiente, porém mediada por uma atitude de proteção e preservação ao meio. Na terceira, foram apresentadas algumas situações-problema buscando, mais uma vez, pistas sobre a compreensão da criança. As situações-problema propiciavam seu envolvimento na temática quando se esforçavam para explicar à pesquisadora a relação entre certas medidas propaladas na mídia e a proteção e preservação da natureza que decorriam dessa medida.

As sessões aconteceram na biblioteca da escola-campo, com duração aproximada de 25 minutos, totalizando cerca de 450 minutos de registro. Com o objetivo de diminuir a tensão de uma entrevista videogravada e realizada por pessoa estranha àquele meio, antes de se iniciar a gravação a pesquisadora conversava informalmente com a criança sobre coisas do interesse dela e mostrava como funcionava a câmara direcionada de modo a focar seus movimentos. Depois, a criança era convidada a conversar sobre questões relacionadas ao meio ambiente, fazendo-se necessário aproximar esse conceito da compreensão da criança. A partir da anuência da criança, iniciava-se a entrevista propriamente.