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Effets in´ elastiques

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1.2 Effets non lin´ eaires mis en jeu dans les fibres optiques

1.2.2 Effets in´ elastiques

Em Patterns of Sounds, Maddieson (1984, p. 42) mostrou que parece existir uma tendência universal em torno das fricativas para as línguas no mundo: segundo dados do UPSID (UCLA Phonological Segment Inventory Database), as fricativas são encontradas em 93,4% das línguas no mundo, o que as tornaria, basicamente, “essenciais” para comunicação humana. Os dados também revelaram, segundo o autor, que em grande parte das 317 línguas investigadas, as

fricativas apresentaram-se, ao menos, como alofones (MADDIESON, 1984). Em relação ao vozeamento, Maddieson (1984, p. 47) notou uma tendência bastante peculiar às fricativas: a existência de um fonema fricativo sonoro pressupõe a existência de um fricativo surdo, sendo que o inverso não é algo necessariamente verdadeiro.

Kent e Read (2015[2007], p.263) destacam que o traço articulatório necessário para a geração de ruído, característico de uma consoante fricativa, é a constrição estreita mantida em algum ponto do trato vocal. Dessa forma, essas consoantes possuem três características que as definem do ponto de vista articulatório, aerodinâmico e acústico: a formação de constrição em algum lugar determinado no trato vocal, o desenvolvimento do fluxo de ar turbulento, e a geração desse ruído de turbulência. O intervalo bastante significativo de energia aperiódica, que envolve a constrição laríngea ou supralaríngea incompleta, propicia a turbulência. Para geração de energia periódica (como as vogais abertas), ao contrário, há uma regulação da vibração do trato vocal em decorrência de uma constrição estreita ou total da glote.

Similarmente às fricativas, as oclusivas e africadas também geram ruído, porém, as fricativas possuem ruídos longos o suficiente para caracterizá-las como uma classe distinta. Klatt (1974, 1978 apud KENT; READ, 2015[2007]) mostrou que a duração da fricativa [] pode se estender a 50ms em encontros consonantais e para 200ms em posição final de sintagma. Shinn (1984), em estudos envolvendo consoantes fricativas em três línguas distintas (alemão, tcheco e mandarim), mostrou que a duração do ruído das fricativas era maior em relação às oclusivas e africadas.

As fricativas ainda podem ser classificadas como estridentes ou não estridentes (sibilantes ou não sibilantes). As consoantes consideradas estridentes possuem maior energia de ruído, como as alveolares e alveopalatais no PB, do que as não estridentes, a exemplo das labiodentais e da glotal, e é essa característica, conforme Kent e Read (2015[2007] p. 264), que as distingue perceptualmente. Ainda segundo os autores, as fricativas não estridentes são fracas em relação à sua energia total por possuírem espectros muito planos e difusos.

Seguindo o que propõem Kent e Read, as fricativas sonoras [] são produzidas por duas fontes de energia, uma quase periódica, gerada pela constrição estreita ou total da glote, que origina a vibração das pregas vocais, e a energia aperiódica do ruído de turbulência gerada por outra constrição que ocorre no trato vocal. Já as fricativas desvozeadas, a exemplo de [], possuem apenas uma fonte de energia (aperiódica), gerada pelo ruído da turbulência. Por esse motivo, as fricativas sonoras tendem a ter duração menor em relação às homorgânicas surdas (cf.

KENT; READ, 2015[2007]; SHADLE, 1995). As fricativas não estridentes, especialmente as labiodentais, possuem energia de ruído total notoriamente menor que a das estridentes. Essa característica peculiar às não estridentes faz com que seja improvável serem confundidas com uma estridente (cf. KENT; READ, 2015[2007], p. 273).

No espectrograma, podemos identificar o traço de vozeamento bastante característico em fricativas pela presença de ruído contínuo e pela presença da barra de sonoridade (BARBOSA; MADUREIRA, 2015), que, para as fricativas sonoras, pode ser identificada visualmente no espectro pelo tom de cinza escurecido da barra de vozeamento (ou o esmaecimento do tom de cinza, para fricativas surdas), pela presença ininterrupta da curva da frequência fundamental ou F0 – sendo a interrupção deste um indício de desvozeamento –, ou pela vibração dos pulsos glóticos, indicado pelas estriações na vertical no espectrograma e que também podem ser reproduzidas e visualizadas de maneira mais detalhada no oscilograma, indicado pelas linhas azuis na vertical através da ferramenta Pulses, no Praat (BOERSMA; WEENICK, 2006), como no exemplo (figura 7) a seguir:

Figura 7: Produção de “rajado” através da leitura da frase-veículo “Digo rajado baixinho” por uma paraibana, com faixa etária de 25 anos de idade. No exemplo, as setas vermelhas indicam as estrias que aparecem na vertical no oscilograma e no espectrograma, respectivamente, que representam as vibrações

glóticas que ocorrem durante a produção de um som vozeado; o quadrado mostra a presença da barra de vozeamento e a presença de F0 (indicado pela linha contínua na horizontal em azul), que também indicam

o vozeamento em []. A transição formântica está a partir de 2676 Hz.

Kent e Read (2015[2007], p. 266) apontam que as fricativas estridentes possuem uma energia intensa de ruído e são distinguidas entre si com relação ao vozeamento e ao espectro do ruído. Para essas consoantes, o espectrograma e o oscilograma mostram a energia de ruído contínua e a forma da onda. Dentre as estridentes, as consoantes alveolares possuem frequência mais alta que as alveopalatais, o que permite não confundir  com  diante de vogais, por exemplo. Barbosa e Madureira (2015, p. 386), baseados em dados do PB, mostraram que, em falantes adultos, a energia de ruído das alveolares está acima de 4000 Hz, enquanto que para as alveopalatais essa característica se estende numa região entre 2000 até 6000 Hz (vide figura 8), aproximadamente, bem como proposto por Kent e Read (op. cit), que sugerem transição abaixo de 3kHz. As fricativas labiodentais possuem região de energia de ruído distribuída de forma regular (ver características acústicas dessas consoantes na figura 8). Esses valores devem ser aumentados se aplicados às vozes de mulheres e de crianças, como propõem Kent e Read (2015[2007]).

Figura 8: Aspectos acústicos da distribuição de ruído em consoantes fricativas  produzidas por uma paraibana, com idade de 25 anos, no momento da gravação. Note-se a presença do

primeiro formante nos exemplos das consoantes surdas, à esquerda, em comparação às homorgânicas sonoras, à direita, onde em (A) temos as labiodentais; em (B), as alveolares; e, em (C), as alveopalatais.

[s] e [z] possuem transição formântica acima dos 5000 Hz, enquanto que [] e []possuem transição próxima dos 3000 Hz, como propõem Barbosa e Madureira (2015).

Fonte: O autor, com auxílio do Praat (versão 5.4.22).

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