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Dynamiques relatives de la contagion et des chocs exo- exo-gènes

Dans le document Analysis and Measure of Systemic Risk (Page 51-55)

Como vantagens de frequentar a escola, os jovens limitaram-se apenas às possibilidades de saber ler e escrever e conseguir emprego, ao passo que para os “mais velhos” as vantagens de

frequentar a escola são vistas no duplo sentido: a escola como educação escolar e a escola como educação escolar e evangelização. Como vantagens apontam o saber ler, porque “se não souber ler corre o risco de levar o bilhete à polícia que te vai pôr na cadeia. Apresenta o bilhete e eles põe-te na cadeia, porque você mesmo é quem trouxe recomendações de te pôr na prisão” (Silva Canjamba, 15.01.2015).

A frequência da escola retarda os casamentos precoces, na medida em que os jovens estudantes têm a tendência em concluir os estudos e, por essa razão, celebram os seus casamentos tardiamente. Diferentes dos jovens que não frequentam a escola, acabam por contrair matrimónio muito cedo. “Os que não estudam, aos 12 anos procuram namorar” (Filipe Jongo Elau, 28.12.2014).

Outras vantagens da frequência da escola foram referenciadas pelos entrevistados como o complemento à educação tradicional na medida em que há exaltação dos valores morais e do papel do professor no processo de ensino-aprendizagem, com incidência para o ensino colonial ao afirmarem que “O professor do tempo colonial ensinava também os ensinamentos dos mais velhos. Se o mais velho passa, eles mandam levantar os alunos, agora não acontece, porque, mesmo os tais professores, não têm essa preparação” (Filipe Jongo Elau, 28.12.2014). “Aquele que estudou pode ser enfermeiro, pode ser doutor, político, para avançar o país, tudo isso é preciso. Todos os que possuem os filhos devem levar-lhes à escola” (Adriano Cambia, 13.01.2015).

Além de mais, a frequência da escola previne as pessoas sobre a ignorância. Eram frequentes no tempo colonial, casos de incriminação de pessoas em cartas que os “culpados” eram ao mesmo tempo portadores dessas cartas, entregando-as no posto administrativo para serem castigados. Consta como, exemplo, o caso relatado pelo entrevistado (Silva Canjamba, 15.01.2015).

Em 1967, um homem sobre quem recaiu a culpa da falta do pessoal ao recenseamento, recebeu a carta das mãos do soba para levá-la ao cabo128. A carta dizia que ele era culpado da falta do pessoal no recenseamento e, por isso, deveria ser castigado. Mas, como ele sabia ler, abriu a carta e descobriu a armadilha e não entregou a carta, não foi descoberto e nem sofreu castigo. Nós que sabíamos como era no passado, se entregasse a carta seria severamente castigado. É aí onde está o valor de estudar.

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Escalão imediatamente superior ao sipaio, agente da administração colonial, encarregue de executar os castigos ordenados pelo administrador, que vão desde a chicotada à palmatória.

Na escola aprende-se a fazer a gestão de um determinado empreendimento. O entrevistado Adriano Cambia (13.01.2015) explica como perdeu a riqueza do seu avô, produto do analfabetismo dos pais progenitores e dos tios, irmãos do pai, tendo dito o seguinte: “A escola é necessária, porque a escola é a vida, se os nossos [pais] estudassem, veja que o meu avô Cambulo que esteve cá [Caimbambo], como soba, possuía 5.000 cabeças de gado. Tinha as 5.000 cabeças. Com a sua morte, os filhos, nossos pais, como não estudaram, tudo se perdeu”. Adriano Cambia (13.01.2015) exterioriza o seu pensamento sobre a importância da escola da seguinte maneira: “Não existe outro remédio capaz de colocar juízo na pessoa que não seja a escola. Porque aquele que passou pela escola equivale a uma panela que passou pelo fogo com a batata-doce que ferve e depois retiramos a água e comemos a batata-doce, é assim que é”. Pretende o entrevistado com esta expressão demonstrar o quão é difícil estudar e o quão é tão bom o “sabor” do estudo.

De entre as vantagens da frequência escolar os entrevistados destacam a oportunidade de acesso ao emprego e o direito ao salário com que se pode enfrentar as necessidades da vida e ajudar a família e a possibilidade do exercício de cargos na direcção do país. Logo, é a via para a mudança, pois, na opinião dos entrevistados, todos quantos não estudaram vivem num mundo de limitações: “Aquele que não estudou vive misturado com as velhas, nada sabe” (Ngunga Soma, 15.01.2015).

Os entrevistados defendem que a frequência escolar devia andar de mãos dadas com a possibilidade do acesso ao emprego, porque, ao contrário, contribui para os maus comportamentos, tal como refere um dos entrevistados: “Se estudar e não conseguir emprego, assim a escola não presta. Mete-se em delinquências, vai para Luanda129, pronto está estragado” (Feliciano Cateve, 16.01.2015).

Mas também são referidas as dificuldades de funcionamento da escola. A falta de professores qualificados, por exemplo, é um dos factores que contribui para a redução das

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Geralmente, os jovens que imigram para as grandes cidades como Luanda estão desprovidos de meios de sustento e são expostos à delinquência. Alguns jovens Vahanya, imigrados para Luanda, para sobreviverem, inventam os seus próprios empregos, compram os carros de mão aos fabricantes locais com os quais transportam cargas de clientes dos mercados formais e informais para as residências ou para outros destinos determinados por estes. Em troca, recebem valores ínfimos. Muitas vezes, surpreendidos por meliantes, a caminho de suas residências, são vítimas de assalto. Alguns, ainda, realizam a sua pequena atividade comercial nos mercados informais. Sobre o comércio informal, Honwana (2012) refere que, em muitos países africanos, é característico homens, mulheres e jovens serem encontrados ao longo das ruas de grandes cidades a venderem frutas, cartões telefónicos pré-pagos, pequenos aparelhos electrónicos, e uma variedade de bens.

vantagens esperadas na frequência escolar. Os entrevistados da Lutura Wemba levantam questões sobre a falta de professores e assinalam que os poucos que existem não permanecem na área, desmotivando as crianças e jovens que se mostram interessados em estudar e, inclusivamente desmotivam os próprios pais e encarregados de educação. Há casos de professores que concorrem para determinadas vagas de emprego no sector da Educação e não entram, mesmo com bons resultados. As vagas existentes são preenchidas pelos concorrentes residentes nas capitais dos municípios ou das províncias que não aceitam permanecer nas áreas rurais, onde foram abertas as vagas, evocando a falta de condições.

Honwana (2012) salienta que os governos africanos progrediram significativamente na criação de condições de acesso às escolas primárias, somente por estarem pressionados com o alcance das metas das Nações Unidas do Desenvolvimento do Milénio que vieram propor que até ao ano 2015 todas as crianças de ambos os sexos terminariam o ciclo completo do ensino primário. Expandiram a educação básica, mas sem as qualidades exigidas. Não basta ter uma estrutura escolar sem que nela se possam obter as competências exigidas no mundo do trabalho.

Para enaltecer as vantagens com a frequência escolar, os entrevistados citam exemplos como o da “ganância da balança”, usada para a pesagem dos produtos dos agricultores. Dizem que, antigamente, alguns comerciantes brancos procuravam enganar os camponeses por intermédio da balança, aproveitando o fato de o vendedor não saber ler, então, era penalizado com o seguinte procedimento:

Acontecia que quando chegava na loja, você nada sabia, afinal o branco está a roubar. Ao pesar o produto, se espreitares na balança ele bate para não descobrir segredo da sua roubalheira. No dia em que os nossos filhos abriram o olho, aprenderam ler e escrever os brancos construíram amizade connosco porque toda a manobra que pretende fazer é descoberta (Canjangui Tutuvili, 01.02.2015).

Para os dias de hoje, segundo os interlocutores, a frequência escolar é a base da vida. Não é possível falar do progresso sem a formação escolar. Temos como referência do que foi dito atrás, alguns exemplos palpáveis de entrevistados com dez a catorze filhos, todos com formação escolar (também é frequente estenderem à educação escolar aos netos, aos bisnetos e aos sobrinhos).

Os entrevistados jovens, apesar de não terem emitido muitas opiniões sobre as vantagens da frequência escolar, apresentaram posições coincidentes com as representações sociais dos “mais velhos”.

5.1.4 A relação entre a frequência escolar e as actividades desenvolvidas na

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