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Dynamique « Harmo »

Dans le document RAPPORT ANNUEL 2011 PROJET ASSNIP 5 RDC (Page 11-0)

3.1 C ONTEXTE

3.1.4 Dynamique « Harmo »

Como procedimentos padrão, ao iniciar a transcrição de uma sessão nova, o pesquisador incluía as informações sobre a sessão, tais como: o número da sessão, a data da mesma, o nome fictício da criança, a data de nascimento e a idade na sessão. Ao abrir o documento e iniciar a transcrição, o pesquisador identificava o documento de transcrição incluindo as seguintes informações:

Pesquisador: Pedro

Tempo de início da transcrição: 00:01

Quadro 4.1: Exemplo do registro de início da transcrição de um determinado trecho das filmagens.

Ao final ele deve encerrar sua transcrição com as seguintes informações:

Pesquisador: Pedro

Tempo final da transcrição: 00:22

Quadro 4.2: Exemplo da finalização da transcrição de um determinado trecho das filmagens.

O pesquisador deve salvar o arquivo sistematicamente no próprio computador. Ao final de seu trabalho, o documento deverá ser salvo também no CD correspondente.

As convenções utilizadas na transcrição devem ser explicitadas para melhor leitura da mesma. Os sinais produzidos são representados por palavras do português em letras maiúsculas. Quando mais de uma palavra representa um único sinal, elas devem aparecer unidas por hífen, assim como também as letras das palavras que são soletradas

1 Parte deste protocolo foi elaborado com Ronice Müller de Quadros e aceito para publicação na revista

Cadernos de Estudos Lingüísticos da Unicamp, sob o título ‘Aquisição da língua de sinais brasileira: constituição e transcrição dos corpora’.

através do alfabeto manual. O nome das pessoas envolvidas em cada diálogo deve constar no início da sua fala, colocando-se um asterisco e o nome da pessoa em letras maiúsculas. Quando há uso de apontação, o sinal será transcrito com letras minúsculas dentro da marcação IX< >, conforme exemplos dados a seguir.

O tempo da transcrição2 deve ser inserido a cada momento que a conversação for reiniciada incluindo o nome das pessoas envolvidas a cada entrada do diálogo, conforme o exemplo a seguir3:

00.26.48 *LÉO: LIVRO

*MÃE: <IX<livro> NÃO>neg ESCOLA SOMENTE *LÉO: <LIVRO>top EU | <2PEGAR1>imp

Quadro 4.3: Exemplo de trecho da transcrição indicando o tempo do ato conversacional.

As entradas devem estar ordenadas seqüencialmente. Se alguma informação não for compreendida, são utilizados parênteses com um ponto de interrogação acrescentando, quando possível, o sinal que parece ser apesar de não haver certeza a respeito: (CARRO?) ou, simplesmente, (?).

As marcas não-manuais devem ser incluídas na própria transcrição sobre o seu escopo, que também será representado entre < >, e as demais informações relativas à transcrição em si, na seqüência, conforme detalhamento a seguir.

4.1.1 Informações sobre o contexto da filmagem

O pesquisador deve incluir informações suficientes para que ele tenha condições de identificar o que a criança quis dizer. Por outro lado, não se deve incluir

2 O termo “tempo de transcrição” refere-se ao tempo de sessão transcorrido desde o início do vídeo até o

reinício da conversação.

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informações que sejam irrelevantes e que venham a tomar muito tempo de transcrição de cada sessão. A proposta é equilibrar o tempo e o esforço da transcrição com as informações que sejam de fato necessárias para os pesquisadores que venham acessá- las. Conseguir expressar o contexto em si de forma apropriada favorece a identificação dos dados relevantes para a sua pesquisa.

O pesquisador deve apresentar o contexto de cada bloco de interação comunicativa. Não é necessário incluir cada detalhe e repetir informações sistematicamente, mas sim apresentar a situação. Veja o exemplo a seguir:

LÉO está brincado com o conjunto de brinquedos levado pelo filmador juntamente com sua mãe. Há também outros brinquedos pessoais e uma caixa de livros. Após brincar com os brinquedos levados, LÉO pega os livros e pede para a mãe contar as histórias.

Quadro 4.4: Exemplo de descrição do contexto da interação comunicativa.

Os vários atos de fala, nos quais a criança torna clara a sua intenção, são fundamentais. Entre eles, destacam-se os seguintes: solicitar informação, solicitar alguma coisa, solicitar alguma ação, desejar alguma coisa, dar ordens, descrever uma situação, um estado de eventos ou um objeto.

A seguir são apresentados os possíveis contextos para o enunciado produzido seguidos de traduções para o português. Cabe ressaltar que as informações sobre o contexto são iniciadas com o símbolo de porcentagem (%):

*LÉO: LIVRO

%LÉO quer o livro. Me dá o livro. %LÉO solicita informação sobre o livro. Onde está o livro? %LÉO pede o livro. Me alcança o livro. %LÉO identifica o livro. Isto é um livro.

Estes são alguns exemplos do que a criança quer dizer quando produz uma sentença, mesmo sendo esta composta apenas por uma única palavra. A pessoa que está realizando a transcrição não tem a tarefa de determinar o que a criança quer dizer, mas sim de dar elementos suficientes para que os pesquisadores possam identificar a sua intenção ao produzir um determinado sinal, ou sinais.

A transcrição deve estar focada na produção da criança e deve-se deixar claro com quem a criança está interagindo através de sinais. Também se deve ter o cuidado de incluir informações quanto aos objetos relacionados com a expressão da criança.

*LÉO: BATER++4

%LÉO pede para o boneco bater no outro boneco.

Quadro 4.6: Exemplo de informação contextual relacionadas ao enunciado.

Quando a direção do olhar não estiver associada a um verbo, deve-se acrescentar a informação em relação à direção do olhar para um objeto, pessoa ou localização.

%LÉO está apontando para o brinquedo e olhando para o adulto.

%LÉO está caminhando em direção ao sofá enquanto olha para a cozinha. %LÉO fala com o pai olhando para o brinquedo.

Quadro 4.7: Exemplos de transcrições que incluem a informação quanto à direção do olhar.

Se a produção for gestual, isto também deve ser registrado. Assumimos os critérios de Casey (2003) para determinar se a criança produz um gesto ou um sinal, apresentados a seguir por ordem de importância:

1) Forma: qual configuração de mão, movimento, lugar da articulação e orientação teve a produção? Esta é parecida com sinais da língua ou é uma produção

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comum em termos gestuais (como acontece com o gesto DAR) em todas as crianças independentemente de serem surdas ou ouvintes?

2) Contexto semântico: se parece ser um sinal da língua, o seu significado encaixa com o contexto? Caso contrário, qual o seu significado na referida situação? 3) Contexto lingüístico: se a produção foi mera imitação ou não.

4) Idade da criança: as produções até 1:11 de idade parecem ser mais gestuais do que gramaticais.

5) Intuição do falante nativo: esta deve ser considerada quanto a uma possível produção gestual.

O registro deve ser feito da seguinte forma:

* LÉO: DAR

%LÉO produz o gesto de DAR.

Quadro 4.8: Exemplo de transcrição de gesto.

4.1.2 Marcações manuais

Como já foi comentado anteriormente, utilizam-se glosas com palavras do português (e do inglês) para expressar o que está sendo produzido em língua de sinais. Algumas vezes, são necessárias várias palavras do português (e do inglês) para expressar o significado em um único sinal. Nesse caso, serão utilizadas as palavras do português que dão sentido ao sinal produzido, indicando por meio do hífen que houve a produção de um único sinal.

*LÉO: CAMINHAR-PARA-CIMA-E-PARA-BAIXO CANSADO O Léo subiu e desceu (as escadas) ficando cansado.

Quadro 4.9: Exemplo de trecho da transcrição em que foi necessária a utilização de várias palavras do português para expressar um único sinal.

O alfabeto manual será expresso por meio de letras do alfabeto separadas por hífen.

*MÃE: TU L-É-O Tu és o Léo.

Quadro 4.10: Exemplo de transcrição da soletração manual.

4.1.3 Marcações não-manuais

Foram considerados os quatro tipos de marcadores não-manuais, conforme apresentado por Hoiting, N.; Slobin, D. I. (2002):

1. Operadores: têm escopo sobre uma expressão ou oração (negação, interrogação, tópico, oração relativa, condicional).

2. Modificadores: podem acrescentar uma dimensão para o significado referencial de um item lexical ou uma proposição por meio de uma articulação não- canônica do sinal e/ou pelo acompanhamento de expressões faciais, tanto aumentativas quanto diminutivas de tamanho, proporção ou intensidade.

3. Afetivos: são acompanhamentos dos sinais realizados pelo rosto, boca ou corpo, indicando a postura do sinalizador frente à situação que está sendo comunicada (surpresa, excitamento, angústia, raiva).

4. Marcas do discurso: regulam o fluxo da conversação, as trocas entre os interlocutores, verificando se há compreensão, concordância, por parte dos mesmos. Esses componentes não-manuais correspondem à entonação e interjeições nas línguas faladas.

A transcrição dos dados deve contemplar estas diferentes categorias. As duas primeiras serão diferenciadas através de símbolos sob o escopo da marcação. A

terceira será indicada no contexto. A última apresenta um papel fundamental na segmentação.

As marcações não-manuais dos operadores são as seguintes: Interrogativa QU à <qu>

Interrogativa QU~5 à <qu~> Interrogativa sim/não à <s/n> Negativa à <neg>

Tópico à <top>

Foco de ênfase à <E-foc> Foco de contraste à <C-foc> Oração relativa à <r>

Condicional à <c>

4.1.4 Segmentação

As marcas não-manuais, principalmente as marcas do tipo operadores e do tipo do discurso, são fundamentais para indicar a segmentação. As pausas também indicam a segmentação. Observando apenas a transcrição manual, a compreensão da mesma torna- se bastante confusa. A seguir apresentamos o primeiro exemplo sem segmentação e posteriormente passamos a segmentá-lo:

*LÉO: NÃO ÁGUA DAR ESPERAR

*LÉO: <NÃO>neg <ÁGUA>top <2DAR1>imp | <ESPERAR>mc Não! Me dá a água. Está certo, tenho que esperar.

Quadro 4.11: Exemplo de trecho de transcrição incluindo marcas não-manuais e com segmentação indicada por meio do símbolo | .

5 São aquelas interrogativas da LSB que aparecem normalmente em orações subordinadas com expressão

4.1.5 Tipos de verbos

Segundo Quadros e Karnopp (2004), os verbos na LSB, bem como na ASL, estão divididos nas seguintes classes:

a) Verbos simples (+plain) – são verbos que não se flexionam em pessoa e número e não incorporam afixos locativos. Alguns desses verbos apresentam flexão de aspecto. Todos os verbos ancorados no corpo são verbos simples. Há também alguns que são feitos no espaço neutro. Exemplos dessa categoria são CONHECER, AMAR, APRENDER, SABER, INVENTAR, GOSTAR.

*LÉO: IX<1> COMER. Eu como.

*LÉO: IX<Zeca> TOMAR LEITE. Zeca toma leite.

Quadro 4.12: Exemplos de transcrição de trechos contendo verbos simples.

b) Verbos com concordância (+agr) – são verbos que se flexionam em pessoa, número e aspecto, mas não incorporam afixos locativos. Exemplos dessa categoria são DAR, ENVIAR, RESPONDER, PERGUNTAR, DIZER, PROVOCAR, que são subdivididos em concordância pura e reversa (backwards). Os verbos com concordância apresentam a direcionalidade e a orientação. A direcionalidade está associada às relações semânticas (source/goal). A orientação da mão voltada para o objeto da sentença está associada à sintaxe marcando Caso. Assim, sempre que possível, deve-se indicar nas anotações do contexto a marcação da orientação da mão e da direção.

Concordância pura

*MÃE: IX<Zeca>a aDAR1 LEITE. Ele me dá leite.

*LÉO: ÁGUA 2DAR1. Tu me dás água.

%Comentário: O verbo DAR foi sinalizado com a marcação da direção e da orientação da mão.

Quadro 4.13: Exemplo de um trecho de transcrição contendo um verbo com concordância pura.

Concordância reversa

*PAI: IX<1> ESCOLA 2BUSCAR1 Eu te busco na escola.

%Comentários: O verbo BUSCAR foi sinalizado da segunda pessoa para a primeira com a orientação da mão voltada para a segunda pessoa.

Quadro 4.14: Exemplo de um trecho de transcrição contendo um verbo com concordância reversa.

c) Verbos espaciais (+loc) – são verbos que têm afixos locativos. Exemplos dessa classe são COLOCAR, IR, CHEGAR.

*PAI: IX<2> CAIXA locyMOVERlocz

Tu moves a caixa daqui para lá.

Quadro 4.15: Exemplo contendo um verbo espacial.

d) Verbos simples incorporando pontos espaciais (+plain, +agr, +loc)

*PAI: IX<1> CASAd PAGARd

Eu paguei a casa.

Quadro 4.16: Exemplo contendo um verbo simples com a incorporação do loc de CASA.

O sinal de casa foi estabelecido em um ponto no espaço (d) e o sinal do verbo foi realizado em cima deste mesmo ponto tornando a expressão definida e específica.

e) Verbos manuais (+hand) – são os verbos que representam a ação incorporando instrumentos ou outros objetos.

*MÃE: IX<1> BOLO ABRIR-FORNO COLOCAR-FORNO-BOLO Eu abri o forno e coloquei o bolo dentro dele.

Quadro 4.17: Exemplo com verbos manuais.

f) Verbos modais – PODER, DEVER.

*LÉO: <IX<1> PODER DORMIR>qu Posso dormir?

*MÃE: IX<2> DEVER DORMIR 9H Tu deves dormir às nove horas.

Quadro 4.18: Exemplo contendo verbo modal.

g) Outras flexões – podem ser incorporadas ao verbo outras flexões, como aspecto (+asp) - que pode ser durativo, contínuo, incessante, exaustivo, entre outros - e também a forma imperativa (+imp), conforme exemplos a seguir:

*PAI: IX<2> RODAR++ (+asp) Tu rodaste insistentemente. *PAI: DORMIR 1IRb (+imp) Vá dormir.

Quadro 4.19: Exemplo contendo verbos com aspecto e com forma imperativa.

A força da flexão de aspecto obriga a mudança na ordem da frase recolocando o verbo em posição final (Sujeito Objeto Verbo+aspecto) (Quadros e Karnopp, 2004).

A marcação de reciprocidade na língua de sinais brasileira se dá da mesma forma descrita por Klima e Bellugi (1979) na ASL, ou seja, através da duplicação do sinal feita simultaneamente.

*PAI: OLHARAM-SE (recíproco)

Os dois olharam-se reciprocamente.

Quadro 4.20: Exemplo contendo verbo com marca de reciprocidade.

A flexão de aspecto está relacionada com as formas e a duração dos movimentos. As flexões de foco e aspecto temporal são diferentes das flexões de aspecto distributivo, uma vez que referem exclusivamente a distribuição temporal sem incluir a flexão de número.

4.1.6 Classificadores

O uso de classificadores é indicado através da abreviatura ‘cl’. Os sinais produzidos sempre são glosados de forma descritiva. Várias palavras do português são usadas descritivamente unidas através de hífens para indicar o uso de um classificador.

*LÉO: LEITE <ENCHER-COPO-DEVAGAR-PEGANDO-PONTA- SACO>cl

Coloca o leite no copo devagar pegando na ponta do saco.

Quadro 4.21: Exemplo contendo classificador.

4.1.7 Tradução para o português

Para compreensão do significado da transcrição torna-se necessária a tradução para o português. Observou-se que, muitas vezes, a partir apenas das glosas, não há compreensão do significado produzido pela criança.

*LÉO: <NÃO>neg <ÁGUA>top <2DAR1>imp | <ESPERAR>mc Não! Me dá a água. Está certo, tenho que esperar.

Os itens apresentados acima são os utilizados no protocolo de transcrição dos dados de aquisição da língua de sinais nas pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Este protocolo ainda está em desenvolvimento, pois o objetivo é aprimorá-lo, tornando-o ainda mais sistematizado através do equilíbrio entre a sofisticação e a simplificação. Entretanto, a sua criação já representa um avanço nos estudos da língua de sinais brasileira.

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