• Aucun résultat trouvé

Dynamic theory of nematics

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 36-56)

A principal preocupação do sistema de saúde no Brasil é evitar o estabelecimento da doença ou detectá-la o mais cedo possível, de forma que o problema possa ser resolvido em níveis de cuidados primários, e que apenas uma proporção pequena de casos precise ser encaminhada para o nível de atenção secundária (MALTZ; JARDIM; ALVES, 2010).

Recentemente, objetivando a promoção da equidade em saúde e a melhora da qualidade de vida da população, o Ministério da Saúde brasileiro tem implantado

políticas públicas de saúde bucal amplas, centradas no cuidado integral à saúde para todas as idades. Assim, a partir de 2001, iniciou-se a expansão contínua do setor saúde a partir das proposições da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Entretanto, as dificuldades em adotar uma atenção à saúde bucal ampla e efetivamente universal ainda são verificadas no cenário nacional (ANTUNES; NARVAI, 2010).

Por essa razão a Academia Americana de Odontologia Pediátrica (AAPD) recomenda que as crianças devam ir ao cirurgião-dentista no primeiro ano de vida (ou quando da erupção do primeiro dente) e que uma relação entre o lar da criança e este profissional deve ser estabelecida o mais cedo possível. Essa relação deve ser contínua, e abranger todos os aspectos de atenção à saúde bucal, incluindo uma acessibilidade planejada e centrada na família (AAPD, 2010). Dessa forma, é importante que as crianças façam visitas regulares ao cirurgião-dentista, que incluem a avaliação do risco de cárie, estratégias de prevenção individualizadas e orientação antecipada, sendo a periodicidade necessária para cada criança dependente do risco individual desta de desenvolver a doença cárie (AAPD; AAP; AAPDCCA, 2005-2006).

Uma avaliação de risco individualizada da criança ou do bebê ajuda tanto os profissionais de saúde quanto os pais/cuidadores a identificar e entender os fatores associados à doença, e desta maneira possibilita que um planejamento de cuidado preventivo e educativo possa ser desenvolvido. A informação especifica, adquirida com uma avaliação sistemática do risco de cárie, orienta o cirurgião-dentista na tomada de decisões acerca do estabelecimento de protocolos de prevenção e/ou de um plano de tratamento, para as crianças com doenças bucais ou consideradas de alto risco (RAMOS-GOMEZ et al., 2010).

A ocorrência, de doenças crônicas bucais está fortemente associada à presença de doenças crônicas sistêmicas. Nesse contexto, de acordo com Maltz, Jardim e Alves (2010) os profissionais da área odontológica devem ter ciência dessa relação, e usar esse conhecimento para melhorar suas ações de promoção de saúde, tanto as de cunho preventivo quanto as terapêuticas.

O controle mecânico do biofilme dentário pode ser implementado como estratégia de prevenção da cárie, uma vez que não provoca efeitos colaterais, podendo ser realizado pelo próprio indivíduo, através da escovação e uso do fio dental; ou através da profilaxia profissional. A escovação e o uso do fio dental são

medidas bastante eficazes, simples e amplamente utilizadas. Entretanto o modo como a técnica é desempenhada apresenta eficácia reduzida no grupo etário infantil, devido às limitações psicomotoras próprias da idade, que dificultam o aprendizado e a realização adequada da técnica. Ainda assim, para crianças pequenas a prática da escovação revela-se bastante útil para demonstrar a técnica adequada de escovação para os pais/cuidadores (HUEBNER; RIEDY, 2010).

Tem sido reconhecido que a família pode influenciar a saúde das crianças de forma direta ou indiretamente. Por um lado, as crianças são dependentes da responsabilidade dos pais em adquirir comportamentos positivos sobre saúde oral e ter acesso a cuidados odontológicos regulares. Por outro lado, o ambiente social pode ou não apoiar as famílias a ter acesso aos cuidados e às estratégias de promoção de saúde bucal. Além disso, os pais de baixa renda, baixa escolaridade, diferentes origens socioculturais, bem como aqueles que vivem em áreas rurais podem apresentar saúde bucal precária e maus hábitos de higiene, podendo refletir essa condição na saúde oral dos filhos (WIGEN; WANG, 2010).

Em estudo no México, Cook et al. (2008) observaram em relação aos hábitos de higiene bucal que a maioria das crianças das cinco comunidades estudadas tinham seus dentes escovados aos menos duas vezes por dia, com exceção da comunidade um. Ainda foi observado que 24,7% dos pais ajudavam na escovação dentária das crianças, estando essa variável associada às comunidades estudadas (p=0,0015). Os autores ressaltam que mais estudos são necessários para esclarecer como de fato estes fatores de risco contribuem para a ocorrência da cárie dentária.

Em 2008, Leake, Jozzy e Uswak investigaram a ocorrência de cárie dentária em crianças de dois a seis anos de idade e verificaram associação estatística entre a frequência de escovação dentária e a experiência da doença cárie (p=0,01), de modo que 60% das crianças com cárie severa não realizavam nenhuma escovação diária. Ressalta-se assim, a importância de desenvolvimento de programas de incentivo a saúde bucal.

Pesquisando acerca da cárie dentária e sua associação com fatores relacionados à saúde bucal, Simratvir et al. (2009) em entrevista com os pais/responsáveis de crianças de três a seis anos na Índia, verificaram que 36,2% das crianças sofriam de dor de dente, entretanto apenas 11,4% dos pré-escolares já haviam ido ao dentista. De acordo com os autores os pais devem ser encorajados a perceber que desempenham papel dominante como modelo de comportamento para

seus filhos e ressaltam a importância de se enfatizar essa característica em programas de saúde bucal e geral.

Ao estudar a ocorrência da cárie dentária e os seus fatores associados, González-Martínez, Sánchez-Pedraza e Carmona-Arango (2009) observaram, em relação aos cuidados odontológicos, ausência de associação entre cárie dentária e a frequência de visita ao cirurgião-dentista superior a uma vez/ano (p>0,05), e em relação à frequência de escovação dentária de uma vez/dia (p>0,05), entretanto verificaram que a doença mostrou resultados significativos quando analisados em relação à exposição ao flúor (p=0,03). Foi possível concluir que a utilização de fluoretos contribui de maneira significativa na prevenção da doença cárie.

Seguindo esta mesma linha de estudo, Slabsinskiene et al. (2010) puderam verificar como resultado do trabalho desenvolvido que 52,5% dos pais de crianças com cárie severa não escovavam os dentes dos seus filhos. Os autores elucidaram que a ausência de escovação dentária representa um determinante significativo para o desenvolvimento da doença. Entretanto, por a cárie dentária ser uma doença multifatorial pode ser prevenida a partir de programas de prevenção bem organizados.

A tabela 10 sintetiza alguns trabalhos que avaliaram a presença da doença cárie em relação aos cuidados com a saúde bucal em crianças pré-escolares.

Tabela 10 Estudos que verificaram associação estatística entre a cárie dentária e os cuidados com a saúde bucal.

Autoria (ano) Local Faixa etária Amostra p-valor

Cook et al. (2008) Hidalgo, México 2-18 anos 208 p=0,0015

Leake; Jozzy; Uswak (2008) Inuvuk Region, canadá

2-6 anos 349 p=0,01

Simratvir et al. (2009) Ludhiana, Índia 3-6 anos 608 ____

González-Martínez; Sánchez- Pedraza; Carmona-Arango (2009)

Cartagena, Colômbia

3-5 anos 238 p=0,03

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 36-56)

Documents relatifs