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Dynamic demography and time since colonization in an expanding population

Tendo em vista que a interdisciplinaridade possui entrada institucional reconhecida na CAPES61 discutiremos adiante a interdisciplinaridade como fato e não apenas como um mero discurso presente em documentos estratégicos, o que requer atenção também para os meandros da instituição e dos caminhos em desenvolvimento no Brasil. Observa-se que não realizamos um tratamento exaustivo – tarefa impossível - das entradas disponíveis na CAPES para o fomento a interdisciplinaridade, mas sim buscamos resgatar as ações exemplares no que tange ao fomento interdisciplinar na interface das ciências sociais nesta agência. Para tanto, abordamos os elementos levantados pelo Comitê Interdisciplinar 45 que apontam para o Estado da Arte e a evolução do campo interdisciplinar no órgão.

Ao abordar a área interdisciplinar e seu rebatimento no contexto nacional aponta a CAPES (2016, p. 02) que

esta atuação deve ser entendida como importante para o sistema de Pós- graduaçao nacional, na medida em que serve como elo de entrada de um número expressivo de universidades em atividades de pesquisa e ensino de pós-graduado, contribuindo para o aprimoramento de seu corpo docente e oferecendo oportunidades de formação avançada em recursos humanos nas várias regiões do território nacional.

Este excerto demonstra uma postura ativa da CAPES na indução não somente do campo interdisciplinar no país, mas também um expresso entendimento de que a área oferta uma inserção especial para universidades localizadas nos mais diversos pontos do país. Neste sentido, a figura 12 abaixo revela a distribuição dos programas

136 de pós-graduação da área interdisciplinar por estados do país, onde é possível notar uma proeminência da região sudeste, porém com a significativa presença de programas na região nordeste do país.

FIGURA 12 – Distribuição dos programas de pós-graduação da área interdisciplinar avaliados pela CAPES por Estado da Federação

Fonte: CAPES, 2016, p. 07.

Portanto, em 2016, o Brasil possuía um total de 351 (trezentos e cinquenta e um) cursos de pós-graduação interdisciplinares distribuidos nas modalidades de mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado acadêmico. Neste universo, a figura 14 abaixo demonstra a liderança dos mestrados profissionais com 39% dos cursos interdisciplinares no país, o que revela uma forte demanda do campo profissional por uma formação que escapa aos meros limites disciplinares da formação tradicional. Este dado possui importância na medida em que observamos, em acordo com Velho (2011),

137 a atualidade do paradigma científico contemporâneo da “ciência para o bem da sociedade”, onde a formação de forte viés profissional se entrelaça com as dinâmicas contemporâneas de fomento da formação pós-graduada.

FIGURA 13 – Distribuição dos programas de pós-graduação stricto sensu em funcionamento na área interdisciplinar da CAPES (dezembro de 2016)

Fonte: CAPES, 2016, p.08.

No tocante a divisão dos programas de pós-graduação por Câmaras Temáticas encontramos a área de Sociais & Humanidades com o maior número absoluto de programas. De um total de 340 (trezentos e quarenta) cursos na área interdisciplinar temos o expressivo número de 133 (centro e trinta e três) cursos nesta área, ou seja, quase 40% do universo considerado; em seguida, a Câmara Temática de Engenharia, Tecnologia e Gestão possui um total bruto de 85 (oitenta e cinco) cursos (25%); por fim, destaca-se a Câmara Temática de Desenvolvimento e Políticas Públicas, por sua notável interface com as ciências sociais, com a presença de 40 (quarenta) cursos no país.

Estes dados são emblemáticos da importância atual da interdisciplinaridade em Ciências Sociais e Humanidades no desenvolvimento científico, tecnologico e inovador no Brasil. Estamos tratando de uma área de “expressiva diversidade” (CAPES, 2016, p. 03) com significativo relevo para o entendimento do entrelaçamento das dinâmicas

138 atuais de formação e desenvolvimento em CT&I. Não obstante tal realidade, observa-se ainda que a “média de aprovação de cursos novos pela CAPES, na Área Interdisciplinar, é de 20% do número total de propostas apresentadas” (CAPES, 2016, p. 04), o que demonstra estarmos diante de uma área de forte demanda e atração no contexto atual brasileiro. Esta situação nos encaminhará para uma necessária discussão da agenda das políticas científicas que versaremos no capítulo 5.

FIGURA 14 – Distribuição dos programas de pós-graduação da área interdisciplinar recomendados pela CAPES em funcionamento por câmara temática (dezembro de 2016)

Fonte: CAPES, 2016, p. 05.

No tocante a qualidade reconhecida destes cursos pela CAPES, encontra-se uma nítida tendência de concentração, em uma escala de 0 a 7, nas notas 3 e 4. Esta situação, em que pese fugir ao escopo desta tese, denota a necessidade de forte atuação governamental na indução da qualidade destes cursos. Considerando-se que estamos diante de cursos plenamente reconhecidos pela esfera governamental federal, de uma área com forte tendência de desenvolvimento e recente criação, caberá a CAPES, CNPq, MCTIC e demais atores do SNCT o fortalecimento da área interdisciplinar, entendida enquanto expressão de um movimento para além da esfera

139 nacional, ou seja, uma tendência mundial da produção do conhecimento científico, tecnológico e inovador.

Na fase final de elaboração desta tese, a CAPES publicou seu Relatório de Avaliação 2013-2016 da Área Interdisciplinar (CAPES, 2017a) onde, por exemplo, todos os cursos de doutorado da área de Ciências Sociais atinentes a discussão das Américas foram classificados com nota 2, ao mesmo passo em que sofreram redução na nota de seus cursos de mestrado. Em especial, destacamos – pelo aspecto ilustrativo - tal nota 2 para os mais antigos cursos de doutorado da área, a saber, o Programa de Pós-graduação em Estudos Comparados sobre as Américas da Universidade de Brasília (PPG-CEPPAC/UnB)62 e o Programa de Pós-graduação Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (PROLAM/USP).

Sem adentrarmos no mérito das avaliações e considerando-se as tendências mundiais, regionais e locais amplamente reconhecidas e imbuídas neste trabalho, entendemos que colocar na berlinda – de maneira geral e irrestrita – todos os cursos da área interdisciplinar que versam acerca das Américas é, no mínimo, uma atitude temerária para o futuro da interdisciplinaridade em Ciências Sociais no país. Ora, se o Brasil, conforme apontado no capítulo 2, possui reconhecidos intelectuais e produção circulante acerca das Américas com forte repercussão regional e internacional, qual seria então a referência de padrão de qualidade para a área? Devemos esperar que os parceiros internacionais - com todo o reconhecimento da produção estrangeira em diálogo neste trabalho - nos ofertem a leitura sobre as Américas que então deverá ser importada pelo setorial de CT&I? Ou antes se trata de uma vedação a priori no país do desenvolvimento da área que remonta a autores nacionais da magnitude de Fernando Henrique Cardoso, Darcy Ribeiro e Rui Mauro Marini?63

E, no entanto, em seu documento de área de 2016, convida a CAPES para um exercício do pensamento complexo a partir do esboço de alguns princípios para a área, tais como

62 Na fase recursal, o Programa de Doutorado do CEPPAC/UnB retornou a sua anterior nota 4,

garantindo assim sua manutenção no quadro de cursos oferecidos pela UnB.

63

Esta discussão não será aprofundada em virtude do cronograma de tais fatos, contudo não poderia deixar de constar neste trabalho.

140 - Promover a abertura para o enfrentamento de novas perspectivas teórico- metodológicas de pesquisa, ensino e inovação.

- Atender aos desafios epistemológicos que a inovação teórica e metodológica apresenta às pesquisas e ao ensino interdisciplinares, o que requer diálogos cada vez mais estreitos entre disciplinas de diferentes áreas do conhecimento e das áreas entre si, assim como destas com as filosofias das ciências, em suas diferentes vertentes.

- Promover a incorporação de metodologias interdisciplinares nos projetos de pesquisa dos docentes e discentes.

- Reconhecer que diferentes concepções podem ser adotadas nas pesquisas e no ensino interdisciplinar, pois é possível construir significados distintos,

valorizando e reconhecendo a diversidade que a área comporta.

[...]

- Identificar canais para a intensificação do diálogo inter e intra Câmaras Temáticas da Área Interdisciplinar, para as trocas de experiências entre os Programas e a divulgação do conhecimento interdisciplinar gerado. (CAPES, 2016, p. 10, grifo nosso)

As concepções de pesquisa e formação interdisciplinar, conforme apontadas pela própria CAPES, possuem uma multiplicidade de significados que devem ser reconhecidos e valorizados. O entendimento histórico da CAPES, ainda no ano de 2001, quando começava a se esboçar a então área interdisicplinar, é de que “a comissão interdisciplinar tem um papel semelhante à de uma incubadora” (CAPES, 2001, p. 43). Esta perspectiva se calcava na ideia de que à medida que as demais comissões fossem incorporando os avanços científicos e tecnológicos tenderiam a absorver os cursos pertencentes à comissão interdisciplinar. Contudo, não foi o movimento histórico observado, pois - em um movimento de maior desconcentração - observou-se a formação de novas áreas específicas, como, por exemplo, a antiga Câmara Temática I – Meio Ambiente & Agrárias que deu origem, em 2011, à área de Ciências Ambientais (49 Camb).

Nesta área encontramos cursos com forte interface interdisciplinar em Ciências Sociais64 que foram avaliados com nota 7 pela CAPES no último Relatório de Avaliação 2013-2016 da área de Ciências Ambientais (CAPES, 2017b, p. 48) como, por exemplo, o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Sustentável do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB). Não se trata aqui

64 Para discussão dos diversos campos científicos que atravessam os temas ambientais e conhecimento

141 de propugnar a inevitável eterna criação de áreas específicas do conhecimento científico e tecnológico com o fim de resguardar um corpus de área, mas sim de apontar que o fortalecimento e o desenvolvimento de determinadas áreas tem indicado a consolidação de novas comissões na CAPES.

De todo modo, a interdisciplinaridade requer um intercâmbio orgânico de ideias e produção que estão para além de possíveis propostas artificiais ou oportunistas no campo científico e tecnológico. Assim, ao longo dos anos as aproximações e afastamentos de áreas vão se concretizando de maneira fluída conforme o avanço da CT&I no país e no mundo. De tal modo, o INFOCAPES de 2001 (CAPES, 2001, p. 43) destacava, por exemplo, as seguintes combinações de área: Computação e Biologia; Computação e Linguagem; Física e Biologia; Física e Engenharia de Materiais; Genética, Linguagem e Antropologia; Arqueologia, História e Sensoriamento Remoto; Matemática, Computação e Biologia. Contemporaneamente os programas tem se voltado para “solução de problemas” que exigem um conhecimento agregado com foco, por exemplo, no Agronegócio, Segurança Pública, Políticas Públicas, Educação e Ensino, Desenvolvimento Regional, Direitos Humanos, Envelhecimento Humano, Inovação, Tecnologias e Aplicações da Computação, das Ciências Sociais e da Saúde (CAPES, 2017, p. 03).

Por tudo isto, implantar um curso com características interdisciplinares se constitui em tarefa mais complexa do que um curso disciplinar que possui tarefas, áreas e comunidade de pares já estabelecida (CAPES, 2001). Em tal desafio, aponta a CAPES a caracterização de um curso disciplinar:

em linhas gerais, um programa interdisciplinar caracteriza-se por: contar com corpo docente disposto a abrir as fronteiras do conhecimento, com experiência, competência e produtividade nas respectivas especialidades; conter proposta integradora, com poucas áreas de concentração, caracterizadas por objetivos focalizados; corpo docente, com formação disciplinar diversificada, porém coerente com as áreas de concentração, linhas e projetos de pesquisa integradores, dispostos a ampliar a base do conhecimento fora de suas respectivas áreas de especialização, visando aprofundar processos de cooperação produtivos; estrutura curricular apropriada à formação de alunos, sólida e integradora, a construção de linhas de pesquisa fundamentadas; formar profissionais com um perfil inovador; e promover a emergência de novas áreas

142 do saber, o desenvolvimento e a inserção social do conhecimento produzido. (CAPES, 2009, p. 08)

Apesar desta caracterização remontar ao ano de 2009 possui plena afinidade contemporânea dado que diversos documentos da área interdisciplinar subsequentes coadunam tal direção (CAPES, 2012; 2016; 2017). Ademais, desenvolve-se um corrente entendimento da agência de que os princípios e metodologias da área interdisciplinar devem ser difundidos para todas as Coordenações de Área. Assim, busca-se que as demais áreas possam albergar propostas de programas interdisciplinares (CAPES, 2017, p. 03), ou seja, a interdisciplinaridade construiu uma gama de ações, entendimentos e metodologias que podem e devem abarcar as demais áreas do conhecimento.

No que tange aos pontos fracos desta área para a CAPES, os Seminários de Acompanhamento da Área Interdisciplinar apontaram como debilidades uma série elementos que nos revelam a formação e as possibilidades de desenvolvimento da área no contexto brasileiro:

1. Baixa produção científica qualificada, concentrada em periódicos de estratos inferiores e mal distribuída entre os docentes,

2. Pouco apoio institucional além de burocracia, falta de autonomia administrativa, baixa representatividade nos colegiados,

3. Tradição disciplinar na instituição, como dificuldade para o maior reconhecimento institucional dos Programas de Pós-graduação na área interdisciplinar,

4. Alguns programas apontaram deficiência no corpo docente, particularmente no tocante à rotatividade, pouca dedicação ou falta de priorização devido a participação em outros programas e falta de experiência em orientação,

5. O corpo discente foi citado também algumas vezes. Entre as principais dificuldades mencionadas foram indicadas deficiência na formação, bolsas insuficientes e dedicação parcial,

6. Baixa produção discente em periódicos qualificados, bem como pouca participação em eventos,

7. Infraestrutura deficiente,

8. Carga horária elevada dos discentes em suas instituições/empresas, particularmente no caso de cursos profissionalizantes,

9. Pouco intercâmbio de alunos com Instituições do Exterior,

10. Dificuldade de transformar dissertações em artigos publicados em periódicos. (CAPES, 2013b, p. 02-03)

Apesar desta tese não avançar na compreensão das dinâmicas externas às agências de fomento no que tange ao desenvolvimento da área interdisciplinar no país,

143 tais "pontos fracos" nos revelam as fortes dificuldades encontradas pela área no espaço acadêmico. Desse modo, podemos destacar que a atuação assertiva das agências de fomento possuem fundamental importância no incremento do conhecimento de cunho interdisciplinar pois mesmo diante de tais fatores limitantes a área vêm apresentando significativas taxas de crescimento em consonância com as tendências detectadas nos documentos estratégicos analisados na subseção 4.1.1.

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