Na Bahia, em 1974, houve a aprovação do Plano de Policiamento Ostensivo Integrado da Região Metropolitana de Salvador, criado pelo Cel PM João Damasceno Mansur de Carvalho, o qual definiu como doutrina de emprego operacional na Polícia Militar da Bahia o sistema integrado. Dessa maneira, no referido Plano, ficou estabelecido que o policiamento ostensivo integrado consistiria na realização integrada dos diversos tipos de policiamento ostensivo praticados à época, a exemplo do policiamento ostensivo normal, do policiamento de trânsito e do policiamento de guardas. Essa aplicação integrada do policiamento seria executada pelos Batalhões de Polícia Militar (BPM) e Companhias de Polícia Militar (Cia. PM), que eram unidades centralizadas, de maior porte e responsáveis pela cobertura de áreas extensas (BORGES; BOAVENTURA, 2009).
Após isto, especificamente em 1985, o Cel PM João Araújo dos Santos, então Comandante Geral da PMBA, designou o 7º Batalhão de Polícia Militar, localizado no bairro do Barbalho, para efetuar a experiência de execução do referido policiamento ostensivo integrado, só que agora a partir de um pelotão, ou seja, uma unidade policial militar menor, responsável por áreas menos extensas. Essa unidade passou a ser responsável pela aplicação das variadas modalidades de policiamento ostensivo, além de intentar uma aproximação com a comunidade em que atuava. Conforme relatam Borges e Boaventura (2009), dentre os procedimentos a serem seguidos na implantação dessa experiência, constavam os seguintes: a divisão e definição dos limites das subáreas, a adoção de um micro levantamento estratégico de tudo que existia nas proximidades do módulo ou posto PM num raio de 500 a 1.000 metros e um estudo pormenorizado de cada subárea para melhor identificar os fenômenos físicos, sociais e culturais.
Posteriormente, a partir de 1997, depois de um convênio firmado entre a Polícia Militar da Bahia e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou-se a
implementação do Projeto de Implantação de Qualidade na Prestação dos Serviços de Segurança Pública, que foi denominado de Projeto Polícia Cidadã. Primeiramente, houve a sua implantação como projeto piloto nos 5º e 8º Batalhões de Polícia Militar, experiência esta oficializada pela Nota de Serviço nº. 001, de abril de 1997. Em um segundo momento, o Projeto Polícia Cidadã foi estendido para as demais unidades operacionais da PMBA, a partir de 1999, conforme ficou estabelecido por meio Nota de Serviço nº. 00121. Esse projeto previa a integração com a comunidade como sua primeira linha de ação, pautando-se em fundamentos de policiamento comunitário e na criação de Conselhos Comunitários de Segurança Pública - CONSEG22. O Projeto Polícia Cidadã dispunha, ainda, que também era seu objetivo atingir a excelência, utilizando-se, para isso, de modernos conceitos de gerenciamento. Também, trazia expressamente que, sempre que possível, o policiamento ostensivo a pé deveria ser priorizado (PROJETO..., 1997). Contudo, ocorreu a interrupção do Projeto Polícia Cidadã alguns anos depois de sua implementação, tentando-se retomá-lo em 2003, com a elaboração do Resumo Executivo da Ação de Retomada do Projeto Polícia Cidadã. Nessa tentativa, foi realizada a capacitação de parte do efetivo da Polícia Militar, direcionada para a aplicação das diretrizes do projeto. Porém, mais uma vez, houve descontinuidade das ações do Projeto Polícia Cidadã nos anos posteriores.
Tempos depois, especialmente após a adesão oficial do estado da Bahia ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), através de convênio firmado em 2007, houve interesse novamente em programas baseados na estratégia de policiamento comunitário. O instrumento desse convênio de cooperação elencou a implementação de programas sistêmicos de policiamento preventivo de proximidade e de polícia comunitária dentre as ações a serem executadas. Ademais, integrantes da Polícia Militar da Bahia já haviam começado a participar do Curso Nacional de Multiplicador de Polícia Comunitária, desde 2006, e, depois, do Curso Nacional de Promotor de Polícia Comunitária, ambos desenvolvidos pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
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Disponível em: http://www.pm.ba.gov.br Acesso em: 30 jul. 2012.
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Conforme o art. 1º da proposta de Estatuto presente no Projeto Polícia Cidadã, ―O Conselho Comunitário de Segurança é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, que tem por finalidade ser o canal de comunicação entre a Polícia Militar e o cidadão-cliente, com vistas à parceria nas atividades de preservação da ordem pública‖ (PROJETO..., 1997).
Em junho de 2010, foi editada a Diretriz Operacional nº. 092-COPPM/2010, da lavra do Comando de Operações Policiais Militares, com o título ―Fortalecimento da doutrina de emprego operacional com ênfase na filosofia de polícia comunitária como base para a execução do policiamento ostensivo na Polícia Militar da Bahia‖. Essa diretriz pretendeu retomar as linhas de ação do supramencionado Projeto Polícia Cidadã e trouxe como objetivo geral o fortalecimento da filosofia de polícia comunitária na Polícia Militar da Bahia como forma de enfrentamento da criminalidade e da violência. A Diretriz Operacional n.º 092-COPPM/2010 estabeleceu a elaboração de indicadores de gestão, incluindo o registro de ocorrências não criminais, tais como prestação de socorro, atendimento a parturiente e apoio a outros órgãos. Contemplou, também, alguns procedimentos de operacionalização da filosofia de polícia comunitária, entre esses: identificação e contato de lideranças locais, identificação dos problemas do bairro e coleta de informações junto à comunidade. Ao final, a referida Diretriz Operacional, em um de seus anexos, trouxe o Manual de Procedimentos do Policial Comunitário, que descreve vários procedimentos relativos a variados tipos de ocorrência.
A partir daí, em continuidade às ações relacionadas ao policiamento comunitário e integração com a comunidade, em 27 de abril de 2011, é inaugurada oficialmente a primeira Base Comunitária de Segurança (BCS), implantada no bairro do Calabar, na cidade de Salvador. Desde então, outras Bases Comunitárias foram criadas, tanto na capital como no interior do Estado, já existindo atualmente doze BCS, enquanto outras já estão em fase de implantação.
3.2 DIMENSÃO INSTITUCIONAL DAS BASES COMUNITÁRIAS DE SEGURANÇA: