phoenicis
Mudas envasadas de cada uma das espécies vegetais foram infestadas com 100 ácaros contaminados, procedentes da criação-estoque realizada sobre frutos, de citros da variedade Pêra-rio, no Departamento de Fitossanidade FCAV/UNESP. As plantas
foram mantidas em casa de vegetação, onde permaneceram durante 90 dias, tempo suficiente para que ocorressem dois ciclos biológicos do ácaro e superior longevidade do adulto, assegurando-se, assim, a ausência dos ácaros inicialmente transferidos, pois segundo Haramoto (1969) a longevidade de B. phoenicis , à temperatura de 25 °C, é de 44 dias.
Para avaliar a transmissibilidade da leprose das cercas-vivas, quebra-ventos e plantas daninhas para citros através de B. phoenicis, adotou-se o delineamento estatístico de blocos casualizados, onde 9 tratamentos (cinco cercas-vivas ou quebra- ventos e três plantas daninhas) foram repetidos quatro vezes.
Após esse período, as plantas das diferentes espécies vegetais, em laboratório, foram repicadas e submetidas à máquina de varredura para a retirada dos ácaros. Dentre esses, 200 ácaros adultos mais ativos presentes na placa de vidro do equipamento foram transferidos para oito mudas cítricas, sendo quatro de cada variedade, Natal e Valência, atingindo o número de 20 ácaros/muda.
Uma vez infestadas, as mudas foram levadas à casa de vegetação (Figura 3), onde permaneceram durante 60 dias. Durante esse período, os dados relativos à temperatura e umidade foram registrados diariamente através de um termoigrógrafo e os valores médios foram calculados de acordo com a fórmula universal:
T°= T°máx.+ T°min.+ T°9h+ 2 X T°21h (Equação 1) 5
U= valor da umidade a cada 2h (Equação 2) 12
Os dados médios das umidades relativas do ar e das temperaturas, registrados durante a condução deste trabalho, foram: outubro 64,64±18,89 % e 23,23 ± 4,83 °C, novembro 69,90±14,33 % e 28,66 ± 7,12 °C e dezembro 68,89±10,51 e 28,48 ± 7,82
Figura 3– Vista das mudas de citros em casa-de-vegetação após infestação com ácaros contaminados provenientes de mudas de cercas -vivas, quebra-ventos e plantas daninhas.
Findo o período de 60 dias, quantificou-se o número de lesões de leprose em folhas e ramos das plantas de citros das variedades Valência e Natal, com a finalidade de verificar quais, dentre as cercas-vivas, quebra-ventos e plantas daninhas, se comportam como hospedeiras do vírus da leprose.
Os dados relativos às contagens de lesões de leprose foram transformados em 5
, 0
+
x para serem analisados pelo teste F, e as médias comparadas pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade. A Figura 4 apresenta o fluxograma do experimento.
Figura 4 – Fluxograma do no ensaio de transmissibilidade da leprose de frutos de citros da variedade Pêra-rio para cercas -vivas, quebra-ventos e plantas daninhas e destas para mudas de citros de variedades Valência e Natal através de Brevipalpus phoenicis.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O número de lesões de leprose observado nas mudas de Valência com ácaros
B. phoenicis transferidos de mudas de citros, variedade Pêra-rio, inicialmente infestados
com ácaros contaminados, foi significativamente superior ao número de lesões
Colonização dos ácaros por 90 dias
Recuperação dos ácaros através de varredura das
plantas
Natal Valência
Colonização dos ácaros por 60 dias
Cerca-viva, quebra- vento e planta daninha
Avaliação dos sintomas de leprose Ácaros contaminados
provenientes da criação estoque
constatadas com ácaros criados sobre mentrasto, urucum, sansão-do-campo, hibisco, malvavisco e grevílea, todavia semelhante ao número de lesões com ácaros procedentes de trapoeraba e guanxuma (Tabela1).
Ácaros transferidos de guanxuma, mentrasto, urucum e trapoeraba para mudas de Valência acarretaram um número de lesões de leprose estatisticamente semelhante (Tabela 1).
Mudas de Valência com ácaros provenientes de sansão-do-campo, hibisco, malvavisco e grevílea não manifestaram sintomas de leprose, ou seja, total ausência de lesões; outrossim, não diferiram significativamente, quanto ao número de lesões, daquelas cujos ácaros foram criados sobre urucum, mentrasto e trapoeraba (Tabela 1).
Nas mudas de Natal, verificaram-se lesões de leprose naquelas cujos ácaros provieram de Pêra-rio, trapoeraba, mentrasto e urucum, exceto urucum, com número de lesões significativamente maiores que as demais. As plantas infestadas com ácaros criados sobre guanxuma, sansão-do-campo, hibisco, malvavisco e grevílea não apresentaram nenhuma lesão de leprose. Somente aquelas com ácaros criados sobre urucum apresentaram um número reduzido de lesões, que não diferiram significativamente das anteriores, que não apresentaram lesões(Tabela 1).
De análise conjunta das plantas cítricas Valência e Natal, constatararm-se sintomas de leprose nas plantas cítricas cujos ácaros provieram de Pêra-rio, com número de lesões significativamente superior as demais plantas hospedeiras estudadas. Trapoeraba, mentrasto, guanxuma e urucum não diferiram significativamente entre si, porém, trapoeraba e mentrasto diferiram daquelas cujo o número de lesões foi nulo (Tabela 1).
O comportamento de ambas as variedades, Valência e Natal, independentemente da procedência do ácaro não apresentou números de lesões diferentes significativamente entre si (Tabela 1).
Dado o urucum hospedar o vírus da leprose, não deve ser recomendado como cerca-viva e/ou quebra-vento nos pomares cítricos.
As plantas daninhas trapoeraba, guanxuma e mentrasto devem ser radicalmente eliminadas dos pomares cítricos, dada a possibilidade de hospedar o ácaro, bem como o vírus da leprose dos citros.
Em se tratando do número de lesões, ao se comparar as variedades observa-se maior número para a variedade Valência. Isto confere com os resultados encontrados por Chiavegato & Mischan (1987) que verificaram ser esta variedade mais favorável ao desenvolvimento do acarino. Entretanto, estes resultados diferem dos encontrados por Rodrigues (2000) que afirma ser a variedade Natal mais suscetível a danos desse acarino. Entretanto, neste trabalho, não se observou diferença significativa entre as variedades (Tabela 1).
Quanto ao aparecimento das lesões, estas iniciaram-se por volta do vigésimo dia após a infestação, como já observado por Chiavegato & Salibe (1986), que verifiacaram que a maioria das lesões de leprose surge após 17-20 dias da inoculação do vírus através da alimentação do acarino.
Tabela 1 – Número total de lesões de leprose em folhas e ramos de citros das va riedades Valência e Natal, e respectivas médias avaliadas 60 dias após a permanência de ácaros Brevipalpus phoenicis, criado em diferentes espécies hospedeiras intermediárias. Jaboticabal-SP, 2001.
Variedade 1 Hospedeira
intermediária Valência Natal Média
1 Trapoeraba 5,00 ± 1,87 a ABC 5,50 ± 2,60 a AB 5,25 ± 1,49 B Guanxuma 8,50 ± 3,01 a AB 0,00 ± 0,00 b B 4,25 ± 2,13 BC Mentrasto 3,25 ± 1,97 a BC 5,50 ± 2,25 a AB 4,28 ± 1,45 B Sansão-do-campo 0,00 ± 0,00 a C 0,00 ± 0,00 a B 0,00 ± 0,00 C Urucum 3,75 ± 2,25 a BC 2,50 ± 1,44 a B 3,13 ± 1,26 BC Hibisco 0,00 ± 0,00 a C 0,00 ± 0,00 a B 0,00 ± 0,00 C Malvavisco 0,00 ± 0,00 a C 0,00 ± 0,00 a B 0,00 ± 0,00 C Grevílea 0,00 ± 0,00 a C 0,00 ± 0,00 a B 0,00 ± 0,00 C Citros 13,50 ± 2,53 a A 12,50 ± 0,87 a A 13,00 ± 1,25 A MÉDIA 3,78 ± 0,86 a 2,89 ± 0,74 a 3,33 ± 0,57 1
Médias seguidas da mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P≥0,05).
5 CONCLUSÕES
Urucum (Bixa orellana) é depositária do vírus da leprose, transmitido pelo ácaro
Brevipalpus phoenicis, não devendo ser recomendada com cerca-viva ou quebra-vento
As plantas daninhas: trapoeraba (Commelina benghalensis), guanxuma (Sida
cordifolia), e mentrasto (Ageratum conyzoides), por serem hospedeiras do vírus da
leprose, devem ser radicalmente eliminadas dos pomares cítricos.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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