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Considera-se o custeio baseado em atividades ou ABC (Activity Based
Costing) muito mais uma ferramenta de gestão de custos que de custeio de produto,
e de acordo com Martins (2009), ele visa a reduzir distorções causadas pelo rateio dos custos indiretos. A ideia básica deste método é atribuir primeiramente os custos às atividades e, posteriormente, o custo das atividades aos produtos.
O ABC surgiu por volta da década de 80 quando Kaplan e Cooper desenvolveram uma importante ferramenta para as decisões gerenciais e estratégicas, através da qual as companhias cortavam desperdícios, melhoravam os serviços, avaliavam iniciativas de qualidade e impulsionam para o melhoramento contínuo (...). (CREPALDI, 2010, p. 321)
De acordo com Crepaldi (2010, p. 321), “pode-se definir um custeio por atividade como sendo um método que identifica um conjunto de custos para cada transação ou evento na organização e este age como um direcionador de custos”. O direcionador de custo, para Martins (2009, p. 96), é “o fator que determina o custo de uma atividade [...], é a verdadeira causa dos seus custos”. De acordo com Crepaldi (2010, p. 326), os direcionadores de custo “são os fatores que determinam os consumos dos recursos pela atividade e pelo produto” ou como define Padoveze (2003, p. 207) “o principal trabalho ou tarefa que é executado pela atividade como forma de desempenhar sua principal função, que possa claramente ser identificada e quantitativamente mensurada e monitorada” (PADOVEZE, 2003, p. 207).
Nakagawa (1994, p. 39) acrescenta que
No método de custeio baseado em atividades ou ABC, assume-se, como pressuposto, que os recursos de uma empresa são consumidos por suas atividades e não pelos produtos que ela fabrica. Os produtos surgem como consequência das atividades consideradas estritamente necessárias para fabricá-los e/ou comercializá-los, e como forma de se atender as necessidades, expectativas e anseios dos clientes.
O sistema de custeio baseado em atividades, segundo Martins (2009), atua com três formas de alocação dos custos: alocação direta, quando existe uma identificação clara, direta e objetiva de certos itens de custos com certas atividades; rastreamento, feito com base na identificação da relação entre a atividade e a geração dos custos; e rateio, realizado apenas quando não há a possibilidade de utilizar nem a alocação direta nem o rastreamento.
O custeio baseado em atividades pressupõe que as atividades consomem recursos, gerando custos, e que os produtos utilizam tais atividades, absorvendo seus custos. Assim, os procedimentos do ABC consistem em seccionar a empresa em atividades, supondo-se que as mesmas gerarão os custos, calcular o custo de cada atividade, compreender o comportamento destas atividades, identificando as causas dos custos relacionados com elas, e, em seguida, alocar os custos aos produtos de acordo com as intensidades de uso. (BORNIA, 2002, p. 122)
A Figura 5 demonstra exatamente o que foi exposto na citação de Bornia (2002) acima, em que, pela lógica de funcionamento, os produtos usam atividades, que consomem recursos. No modelo prático, os custos são atribuídos às atividades, e, posteriormente, o custo das atividades são atribuídos aos produtos.
Figura 5: O ABC
Fonte: Adaptada pela autora a partir de BORNIA (2002, p. 122)
Leone (2000a, p. 252) explica que
Uma das razões para o aparecimento do novo critério baseia-se na evolução tecnológica, que alterou bastante a composição dos custos dos fatores de produção, tornando mais significativos os custos indiretos de fabricação e menos significativos, como consequência, os custos do fator mão-de-obra direta.
Produtos Atividades Recursos
Custos Atividades Produtos
a) Lógica de Funcionamento
Usam Consomem
b) Modelo Custeio do
No Quadro 4, foram elencadas as principais vantagens e desvantagens do sistema de custeio baseado em atividades.
Quadro 4: Vantagens e desvantagens do custeio baseado em atividades
Vantagens Desvantagens
"Custos aparentemente mais precisos. [...] O critério ABC tem uma sólida base lógica, tem potencial, e será [...] um importante instrumento de análise de custos" (LEONE, 2000a, p. 267).
O critério ABC é dispendioso, e é preciso que os direcionadores de custos sejam determinados pelos contabilistas de custos com o auxílio de recursos estatísticos. (LEONE, 2000a).
"Permite uma análise que não se restringe ao custo do produto, sua lucratividade ou não, sua continuidade ou não etc., mas permite que os processos que ocorrem dentro da empresa também sejam custeados" (MARTINS, 2009, p. 294).
"O ABC em sua forma mais detalhada pode não ser aplicável na prática, em virtude de exigir um número excessivo de informações gerenciais que podem inviabilizar sua aplicação" (COGAN, 1999, p. 49).
Permite "uma melhoria nas decisões gerenciais, pois deixa-se de ter produtos subcusteados ou supercusteados permitindo-se a transparência exigida na tomada de decisão empresarial, que busca em última análise otimizar a rentabilidade do negócio. [...] Permite, ainda, que se tome ações para o melhoramento contínuo das atividades de redução dos custos/despesas indiretas” (COGAN, 1999, p. 48-49).
"Pelo método ABC, todos os custos, inclusive os fixos, são rateados entre os centros de atividades e os produtos, perdendo-se a noção de responsabilidade por sua incorrência. [...] Dessa forma, esse sistema não se constitui numa ferramenta totalmente eficaz para gestão de custos" (WERNKE, 2004, p. 24).
"Informações gerenciais relativamente mais fidedignas por meio de redução de rateio; proporcionar melhor visualização dos fluxos dos processos; eliminar /reduzir atividades que não agregam ao produto um valor percebido pelo cliente; identificar os produtos e clientes mais lucrativos; melhorar significativamente sua base de informações para tomada de decisões"
(CREPALDI, 2010, p. 324).
"Gastos elevados para implantação; alto nível de controles internos a serem implantados e avaliados; levar em consideração muitos dados com informações de difícil extração; dificuldade de
envolvimento e comprometimento dos
empregados da empresa; não é aceita pelo fisco, gerando a necessidade de possuir dois sistemas de custeio" (CREPALDI, 2010, p. 324).
Fonte: Elaborado pela autora com base em Leone (2000a), Wernke (2004), Cogan (1999), Crepaldi (2010) e Martins (2009).
A importância da utilização do custeio baseado em atividades se dá em virtude de não ser apenas um sistema que dá valor aos estoques, mas também por proporcionar informações gerenciais, auxiliando assim o processo de tomada de decisão.