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Du modèle néoclassique de la demande de soins…

De acordo com McAdams (2000), a nossa compreensão do mundo é representada a partir da construção de histórias, pelo que a identidade surge como reflexo de uma história de vida construída a partir do pensamento narrativo. A análise da construção de narrativas em relação à História de Vida, no sentido de procurar regularidades ou irregularidades nesses percursos, foi possível a partir da recolha de dados sobre a trajetória de vida dos jovens, sendo-lhes solicitado que a dividissem por capítulos. A maioria dos participantes (10/11) designou um capítulo reservado à infância, um capítulo sobre a adolescência e um outro que consideraram contemplar a transição para a vida adulta.

Ressalvamos aqui também, a importância de perceber qual o papel que ocupam os usos de SPA na história de vida dos sujeitos – se central para organizar a trajetória, secundária ou inexistente.

A maioria (7/11) refere uma narrativa da infância normativa, feliz “Então, é assim, a

minha infância, espetacular, muito boa(.)”(J8), livre, no seio de famílias acolhedoras, onde

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criação de laços afetivos e a partilha de momentos com outros elementos da família (e.g. primos). Neste contexto, ressalva-se que, durante a infância as relações familiares constituem a base de suporte emocional da criança e a falta deste constitui um fator de risco para o seu desenvolvimento saudável (Moreira & Melo, 2005). As experiências com o grupo de pares assumem para os participantes uma conotação marcadamente positiva (2/11), sendo nesta fase parece despertar o início do estabelecimento de relações duradouras: “Tive muitos amigos. As crianças fazem amigos facilmente. Fazia amigos que

se vieram a prolongar durante a vida toda (.) desde os cinco anos que ainda hoje me dou bem com eles.”(J7). O grupo de pares é composto por iguais, tornando a relação mais

aberta e espontânea e permitindo à criança fazer escolhas no que toca à amizade, o que contribui e complementa o desenvolvimento da identidade social (Michener, Delamater & Myers, 2005).

Quatro jovens reportam nesta fase da vida recordações negativas, caraterizadas por uma certa ambiguidade de sentimentos, más recordações a nível familiar: “Temos a

infância que considero mais ou menos (.) foi uma altura boa e má ao mesmo tempo mas a maior parte das minhas recordações são más, devido a problemas que tinha em casa e assim.” (J5) e por acontecimentos marcadamente negativos que são centrais na narrativa

(3/11): “A minha mãe e o meu pai divorciaram-se quando eu tinha cinco anos, depois

passado dois anos houve grandes trips e deixei de ver o meu pai (.) o meu pai foi a tribunal para estar comigo e obrigou-me a estar com ele (.) mas eu não curtia, não curtia estar com ele”(J4), em que é notável uma certa repressão de emoções e distanciamento:

“sei lá, da minha infância não tenho assim grandes memórias, sinceramente, acho que o

que marcou a minha infância foi a separação dos meus pais, quando eu tinha cinco anos. A partir dai acho que não houve algo que me marcasse muito. A ausência do meu pai também não me faz grande diferença.”(J1).

A adolescência é caracterizada pela procura de uma maior autonomia e afirmação pessoal e podemos verificar que, num determinado momento das suas vidas, todos os jovens vivenciaram uma fase de mudança, para além das transformações desenvolvimentais características da puberdade. Assim, os participantes nos seus discursos sobre a adolescência fazem referência a novas experiências e descobertas (5/11) - “(.)comecei a aprender a tocar, a cantar, também por outras experiências, perder a

virgindade(.)”(J10); alguns problemas normais da idade (6/11): “tive problemas como toda a gente tem”(J7), sendo estes a nível familiar (2/11) – “na minha adolescência, se calhar problemas relacionados com a minha mãe mas que hoje em dia já não (.) já consegui isso,

24 acho que desde esse momento a minha mentalidade mudou completamente”(J1), e

relacionados com relações amorosas (2/11): “(.)onde tive o meu primeiro desgosto de

amor(.)”(J3) mas que foram ultrapassados por todos os participantes: “passei uma fase menos boa que me tornou na pessoa que sou hoje(.)e consegui recuperar da situação.”

(J6); mudanças (2/11): “sim, associo a minha adolescência muitas mudanças” (J4); início dos consumos de SPA (3/11) “noutra fase da minha vida entrei ate foi com 15/16 anos, no

secundário, fumei o meu primeiro charro, acho que foi ai uma das mudanças da minha vida”(J7), e variações emocionais (2/11) “foi uma altura de muitas emoções, de picos de emoções”(J3). Esta fase da vida dos participantes traduz a normativa necessidade de

experimentação, de conhecimento do mundo e de descoberta de si. Allen & Land (1999) referem ainda que, com o aumento da autonomia em relação aos progenitores, a relação com os pares surge como um contexto de procura de proximidade e conforto valorizado pelos adolescentes (2/11): “tive momentos muito felizes principalmente com as minhas

amigas, é isso que me recordo desse período, são os momentos com as minhas amigas”(J5).

O terceiro capítulo foi reservado, pela maioria dos participantes, para o início da idade adulta e a idade adulta em que já se encontram, onde são relatados progressões graduais em direção a escolhas mais estáveis: “estou a tentar fazer a minha vida, não tenho tanto tempo

para sair embora gostasse”(J5), um acréscimo da independência e de sentido de

responsabilidade (2/11): “(.)mais responsabilidade em cima, o que me obriga que organize

mais as coisas”(J8), a valorização da autonomia em relação à sua própria conduta,

traduzida pelo aumento da independência instrumental e emocional (2/11): “fui viver

sozinho”(J4), maturidade emocional (4/11): “(.)penso que a mudança principal seja a alteração na minha maneira de pensar(.)na estabilização da relação com os meus pais(.)”(J3) e investimento na formação e na atividade laboral (3/11): “(.)trabalho levá-lo certinho(.)”(J9). Segundo Ferreira, Medeiros & Pinheiro (1997), este é um período

específico de transição psicossocial, de investimentos importantes e decisivos e de mudanças.