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Du capteur basique au capteur « intelligent »

Chapitre I. Introduction générale

I.2. Du capteur basique au capteur « intelligent »

grafite, contorno em nanquim e esfuminho.

Quebra Pedra: Eu vim aqui porque eu trabalho num serviço mágico e tenho

que apresentar prá todo mundo apreciar aqui na população.

Capitão: tá certo!

O Quebra Pedra se deita sobre duas cadeiras, o Caroca coloca a pedra sobre sua barriga e o marreteiro fere uma marretada sobre a pedra até quebrar.

Quebra Pedra: Pronto, provei o serviço. Capitão, mande minha conta que eu já

vou.

Banco: meu relógio deu a hora/ Quebra Pedra vai embora

23. Saltador. Figura circense que apresenta uma sequência de saltos soltos no ar sobre uma lona estirada no chão. Pula para trás, para frente, planta bananeira. Arrecada dinheiro da plateia para exibir tal feito. Para aumentar a façanha, segura duas facas na mão e dá saltos. Também se veste com calça curta, não usa máscara, nem chapéu, nem sapato. Passa um pó branco no rosto e exibe uma sequência de saltos sobre uma lona no chão. Não tem texto. Antonio de Anja era o saltador do Cavalo Marinho do Mestre Zé Onório.

24. Cego e o Guia. Jacinto é o nome do Cego e o Guia se chama Paulo. O

Cego chega com uma saca nas costas segurando o porrete do Guia. Em um determinado momento ele se solta do porrete e fica perdido no meio da roda gritando o nome do seu Guia. As figuras criam uma cena de bastante interação com a plateia.

Banco: Lá vem o Cego e a Guia/ meia noite pro dia. Cego: Paulo, bota eu na roda do Capitão228!

25. Ema229: figura animal sem texto. Surge na roda, o Banco canta e ela dança ao som do bombo. Depois vai embora à mesma toada.

Banco

Oi narinô grita o passo

Oi narinô passo de meu Sertão Oi narinô a redor da camboa Todo passo avoa

Só a ema não

26. Capitão da Aliança Liberá: Chega repentinamente à roda, a procura do

General da Aliança Liberá. É uma figura militar que representa os soldados de quartéis envolvidos em revoltas militares ocorridas na década de 1920, com o surgimento do Movimento Tenentista e sua incorporação a Aliança Liberal que teria contribuído para o surgimento da Era Vargas, após derrota nas eleições de 1930.

Capitão da Aliança Liberá: Capitão, Boa Noite! Eu sou o Capitão da Aliança

Liberá. E vim atrás do General da Aliança Liberá.

Capitão: Boa noite! Eu sou o Capitão da Rua Florentina. E aqui não tem

nenhum General da Aliança Liberá.

Capitão da Aliança Liberá: tem por que eu fiquei sabendo e vim prá conhecer

ele.

Capitão: seu Caroca vá ver na Tolda se tem algum General da Aliança Liberá.

27. General da Aliança Liberá. Vem vestido com roupa de soldado, quepe,

farda militar, espingarda, cartucheira e revólver.

228 Na linguagem do Cavalo Marinho, “bota eu na roda do Capitão” é uma frase de duplo

sentido, com conotação sexual, conhecida por “puía” entre os brincadores do Cavalo Marinho.

229

João Pissica diz que o Cavalo Marinho que comprou de Bida nos anos 1980 tinha uma Ema e outros bichos. Ressalta da mudança do meio transporte do material do Cavalo Marinho. Atualmente seu grupo não põe mais a figura da Ema. “No tempo que eu tinha esses bichos todinho foi o tempo que começamos a carregar de jipe, de ônibus. Porque já não cabia em costa de cavalo” conta João Pissica.

Diálogo

Generá da Aliança Liberá: sou eu o Generá do quarto exército, da Aliança

Liberá. Quem está me procurando?

Capitão: quem chegou lhe porcurando foi o Capitão da Aliança Liberá. Generá da Aliança Liberá: oxente, da minha tribo?

Capitão: é da sua tribo; veio de lá. Disse que era da Aliança Liberá.

Generá se dirigi ao Capitão da Aliança Liberá: pois pronto, eu cheguei aqui

agora o senhor já pode ir embora que eu vou ficar no seu lugar.

Capitão da Aliança Liberá: eu já vou me embora, mas quero que o senhor

venha simbora comigo.

General da Aliança Liberá: eu não vou embora, só vou embora quando

chegar os soldados Cosme e Damião.

Loas

Vou me embora para minha terra/ vou vencer guerra/ tenho minha função/ tô na razão/ agora eu tô trilho/ hoje vou chamar Cosme e Damião

Banco: Generá, Generá/ da Aliança Liberá

Capitão da fulorentina/ eu vou lhe contar/ eu fui chamado na minha função/ eu sou dragão/ agora eu vou chamar Cosme Damião

Banco: Generá, Generá/ da Aliança Liberá

Vim de longe lá da minha terra/ mercado norte tá em revolução/ cheguei aqui/ capitão prá brincar/ agora eu vou chamar/ Cosme e Damião

Banco: batalhão, batalhão/ Lá vem Cosme e Damião

28. Cosme e Damião. Duas figuras empareadas que representam dois

soldados de baixa patente. Surgem vestidos em traje de soldado com quepe, espada, espingarda nas costas, um capote ou uma capa preta sobre os

ombros. Vem buscar o General e o Capitão da Aliança Liberá. O Banco começa a tocar e os soldados dançam juntos. Primeiro o Capitão da Aliança Liberá se afasta e retorna para tolda. Em seguida é a vez do General da Aliança Liberá sair da cena.

Toada: batalhão, batalhão/ Lá vem Cosme e Damião

29. João Cacundo230: figura que recita versos rimando com os nomes das pessoas presentes a fim de arrecadar dinheiro da plateia. Geralmente desenvolve sua cena em conjunto com as duas baianas.

Loas do João Cacundo

Sou eu João Cacundo que você ouvia falar

Eu cheguei cá nesse mundo/ eu cheguei pra trabalhar

Banco: leleo João Cacundo/ vem tomar conta do mundo

Sou eu João Cacundo/ todos me preste atenção Eu estou botando esta figura/ mais Maria Cabelão

Banco: leleo João Cacundo/ vem tomar conta do mundo

O minha Baiana agora eu vou contá/

A sorte de João Cacundo é seu Pedro quem vai dá

Banco: ô João Cacundo/ vem tomar conta do mundo

Ô meu Capitão, agora eu vou lhe contá

Tando mais Maria Cabelão/ nada me acontece má

Banco: ô João Cacundo/ vem tomar conta do mundo

Ô meu Capitão, agora eu vou lhe dizer/

Eu brinco de João Cacundo que é para o povo ver

230

João Pissica conta que aprendeu os versos desse personagem com o figureiro de Zé Onório chamado João Marguião que cantava no Banco. Porém, no momento da figura, João Cacundo fazia questão de interpretar porque era apaixonado pela Baiana Maria Cabelão e durante sua cena revelava publicamente seu amor por Maria Cabelão. Esta figura também se faz presente no mamulengo.

Banco: ô João Cacundo/ vem tomar conta do mundo

João Cacundo não é brincadeira não

Eu tô brincando João Cacundo mais Maria Cabelão

Banco: ô João Cacundo/ vem tomar conta do mundo

Diálogo

João Cacundo: Capitão? Capitão: pois pronto!

João Cacundo: provei meu serviço? Capitão: provou!

João Cacundo: me deseje uma boa retirada!

Banco: O meu relógio já deu hora/ João Cacundo vá embora

30. Pai João231: chega à roda em busca de um serviço e inicia um diálogo musical de pergunta e resposta com o Banco. Representa um homem velho e doente, com um pedaço de pano amarrado na perna dizendo que tá com uma “enxerida” (ferida) e precisa trabalhar. Pela boa relação com o proprietário da terra consegue um trabalho de vigia, porém, não realiza bom serviço e é despedido. Veste-se com uma calça, paletó, chapéu e máscara. Figura não registrada durante a pesquisa de campo232.

Banco: Oi manda nego de Iaiá

231

Pai João representa um homem velho, negro, ex-escravo, conformado com sua condição. De acordo com Manuel Correia de Andrade, após abolição da escravatura, muitos negros, principalmente aqueles de idade avançada, sem ter para onde ir, permaneceram nas propriedades dos seus antigos donos, transferindo-se para a situação de morador. Muitas vezes os sítios eram distantes da casa do proprietário, estrategicamente situadas para aumentar e defender os limites da propriedade rural.

232

Esta figura não é mais representada atualmente. Mestre João Pissica conta que para realizar esta cena teria que ensinar aos integrantes do Banco e aos demais figureiros que não saberiam responder ao diálogo e relembra dessa figura no passado: “Antigamente os banqueiro quando via a figura com o traje, já chamava a figura; hoje em dia não! Alguém tem que ir lá e dizer. Se o Banco não é queimado, a figura sai morna porque quem faz a figura é o banco. Quando o banco é queimado, a figura entra com todo gás. Mas quando o banco é descansado a figura entra descansada” diz o mestre João Pissica.

Pai João: Pai João chegou agora de verdade Banco: Oi manda nego de Iaiá

Pai João: Pai João tá doente de verdade Banco: Oi manda nego de Iaiá

Pai João: Pai João tá com ferida de verdade Banco: Oi manda nego de Iaiá

Pai João: Pai João não pode trabalhar de verdade Banco: Oi manda nego de Iaiá

Pai João: Capitão mandou chamar de verdade Banco: Oi manda nego de Iaiá

Pai João: Pai João quer um emprego Capitão

Banco: oi manda nego de Iaiá

Diálogo

Pai João: ô seu Caroca, pergunte ao Capitão se ele não tem um emprego prá

me ajeitar.

Caroca: Capitão disse pro senhor tomar conta dessa casa. Mas não pode

deixar ninguém passar por aqui.

Pai João senta no tamborete, em representação a uma casa, e inicia sua função de tomar conta das terras do Capitão.

Banco: oi manda nego de Iaiá

Pai João: Eu já tô empregado minha gente Banco: oi manda nego de Iaiá

Pai João: Com ordem do Capitão minha gente

A Baiana se aproxima do Pai João e pisa no pé que está com uma ferida. Ele cai no chão chorando. A Baiana o ajuda a se levantar, dança um pouco e passa pelo caminho que o Pai João deveria evitar que qualquer pessoa passasse.

Banco: oi manda nego de Iaiá

Pai João: Pai João tá na função minha gente

Essa cena se repete até que todas as Baianas e Galantes passem.

31. Selador233 Representa uma autoridade corrupta que exige a licença para brincar, utilizando como artifício um selo para proibir ou autorizar a brincadeira. Veste-se com paletó, máscara, chapéu. A cena inicia com a toada cantada pelo Banco e continua com um breve diálogo com o Capitão e segue com os versos cantados pelo selador.

Banco: selador, tá selando

Diálogo:

Selador: boa noite! Capitão: boa Noite!

Selador: Capitão eu quero a licença do brinquedo! Capitão: a licença eu deixei em casa.

Selador: o senhor está brincando mole?

Capitão: eu tenho licença, mas eu esqueci de trazer! Selador: o senhor tá brincando mole. Eu vou selar tudinho.

Loas:

Selador: Sou eu o Selador, Capitão preste atenção/ o primeiro selo que eu

boto é na casa do Capitão. Selador selando

Banco: Selador, Selador selando!

233

No passado os grupos precisavam de licença da policia militar para realizar as apresentações nas festas municipais, e algumas vezes, em sítios. Estas autorizações eram conseguidas através do contato direto nas delegacias de polícia, com comissários ou delegados. Alguns proprietários exerciam o direto de voz de prisão em suas propriedades e portavam armas. Mestre Zé de Bibi, assim com Mestre Batista, pesquisado por John Murphy, exercia a função de autoridade local, podendo exercer livremente o direito de apresentar sua brincadeira em qualquer lugar. A representação de autoridade local diminuía a possibilidade de brigas ou bagunças durante as apresentações, coisa muito comum nas brincadeiras de donos sem porte de arma, quando pessoas embriagadas bagunçavam e impediam a performance das figuras.

Selador: Sou eu o Selador/ eu selo e não desonero/ primeiro selo que boto é

batente, porta e janela/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou eu o Selador, eu selo e não desonero/ meto selo no fogão e

carimbo na tigela/ selando, meu Selador.

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou eu o Selador/ Capitão vou lhe contar/ agora vou meter o selo no

povo desse lugar/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Mas sou o Selador, Capitão não diga sim/ o primeiro selo que eu boto

é no rapaz do amedoim/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou o Selador eu selo e não tenho patota/ o selo que eu vou botar na

casa do Caroca/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou eu o Selador, meu pensamento adivinha/ meti selo no Caroca/

vou meter no Caroquinha/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou eu o Selador/ cumprindo com a minha sina/ já botei selo no

Caroca/ vou meter na Catirina/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou eu o selador/ com mentira não me engana/ o primeiro selo que

eu boto é na primeira Baiana/ selando meu Selador

Selador: Sou eu o Selador/ Capitão sou meio profundo/ já selei a Baiana vou

selar o rapaz do bombo/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou eu o Selador/ Capitão vou lhe contar/ já meti selo no bombo/ vou

meter no ganzá/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou eu o Selador/ viva as trança da morena mais bonita/ já botei selo

no ganzá vou botar no rebequista/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

Selador: Sou eu o Selador/ é a minha disciplina/ meti selo na rabeca/ vou botar

na Rua da Florentina/ selando meu Selador

Banco: Selador, Selador selando!

O Selador retoma o diálogo

Selador: Capitão, pronto. Aqui tá tudo selado! O Senhor tá selado, a sua casa

tá selada, homem, menino e mulher. Tá tudo selado!

Capitão: Pois eu vou mandar chamar o Tirador de Selo Selador: é melhor ele não vim aqui. Porque eu tô aqui!

Banco: sela, sela, Selador/ tirando selo que o outro botô

Tirador de Selo: Boa noite, Capitão. Capitão: Boa noite!

Tirador de Selo: O que é que há por aqui?

Capitão: É que chegou um Selador e botou selo em tudo. E quero que o

senhor tire o selo.

Tirador de Selo: Eu tiro! Agora, eu só faço por justo! Capitão: E por quanto o senhor faz?

Tirador de Selo: Eu faço por cento e vinte/ um bode capado e uma galinha

Capitão: Pois tá feito!

O Capitão consegue uma garrafa de bebida e dá para o Tirador de Selo.

Banco: sela, sela, Selador/ tirando selo que o outro botô

Tirador de Selo: sou eu o Tirador de Selo/ eu tiro e não desonero/ vou tirar o

selo do fogão/ e o carimbo da tigela/ tô tirando selo

Banco: sela, sela, Selador/ tirando selo que o outro botô.

Ao tirar o selo de cada objeto e pessoa, o Tirador de Selo oferta um gole de sua bebida ao Selador. Os dois bebem e em seguida realizam um diálogo rimado.

Tirador de Selo: Mano, vamos tomar uma?

Selador: Cachaça é prá langana/ bolsa cheia/ passa a semana/ ferro velho/

enferrujado/ tem cana cunhado234?

Tirador de Selo: Ainda tem um pouquinho!

Banco: O relógio deu hora/ o selador vai embora

Cada um bota a bebida na boca do outro. E prosseguem tirando os versos e bebendo.

234

João Pissica contou que numa brincadeira na Rua do Café, em Feira Nova, quando estavam botando a figura do Selador, com Antonio de Anja, a plateia ofertou mais de vinte garrafas de vinho. Conta que ficou embriagado e teve ressaca por mais de três dias. Hoje, não consegue sentir o cheiro de vinho por conta da quantidade de vinho ingerido nesta noite.

Desenho 12: Mané da Guiada e o Cavaleiro.