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Embora alguns autores defendam que as primeiras áreas de proteção ambiental pensadas no país datem de 1821 por José Bonifácio de Andrada e Silva, ainda no período imperial, que teve seus ideais seguidos pelo engenheiro André Rebouças no ano de 1876, com a proposta de criação dos Parques Nacionais da Ilha do Bananal e de Sete Quedas, estas UCs não chegaram a ser contempladas, tendo a implantação de fato de uma Unidade de Conservação, apenas em 1937 (BRITO, 2000; PARANÁ, 2004; OLIVEIRA, 2012).

Assim, foi criado por meio do Decreto nº 1.713 de 14 de junho de 1937 o Parque Nacional do Itatiaia, que inclui a área da então Estação Biológica do Itatiaia e a amplia seus limites, desapropriando terras particulares e de outras de domínio da União, subordinadas ao primeiro Código Florestal brasileiro (BRASIL, 1937). As justificativas para a mudança de categoria apoiaram-se na preservação de matas primitivas, córregos e que seus recursos ficassem perpetuamente conservados no seu estado primitivo (BRASIL, 1937).

Em seguida, no ano de 1939, o estado do Paraná foi o local escolhido para a criação da segunda Unidade de Conservação de mesma categoria no país, o Parque Nacional do Iguaçu (PNI). Este Parque, subordinado à época ao Serviço Florestal do Ministério da Agricultura,

teve como fundamento a proteção aos monumentos naturais, paisagem e locais particularmente dotados pela natureza (BRASIL, 1939).

O Parque Nacional do Iguaçu serve como exemplo para gestores de outras Unidades de Conservação sobre como conciliar a preservação do meio ambiente com o uso sustentável de seus recursos naturais, gerando renda e desenvolvimento local. Em 1986, o Parque foi reconhecido como Sitio Mundial Natural pela UNESCO, o primeiro do país (ICMBio, 2013).

As atividades que podem ser realizadas nesta UC, além da trilha para apreciar as Cataratas, incluem almoços com vistas para as quedas, vôos panorâmicos de helicóptero, trilhas, arvorismo, rapel, rafting e passeios motorizados nas águas do rio Iguaçu. Este amálgama de atividades proporciona uma grande diversificação de produtos que promovem o interesse de diferentes grupos de pessoas.

Para tanto, o Parque Nacional do Iguaçu fornece concessões para empresas privadas explorem estes serviços, gerando receita para a manutenção do Parque sem necessitar de investimentos da esfera pública para operacionalização dos mesmos.

Após a criação do PNI, mesmo com a grande necessidade em proteger o patrimônio natural do Paraná, apenas 50 anos após a criação deste, o Estado recebeu sua segunda unidade de mesma categoria. Localizado no litoral norte, em Guaraqueçaba, o Parque Nacional do Superagui foi criado em 1989, com posterior ampliação de sua área em 1997.

Os motivos que levaram à ampliação de seus limites se devem à presença de aves marinhas na Praia Deserta e da maior dispersão do mico-leão-da-cara-preta, primata endêmico da área (ICMBio, 2013). Os principais atrativos desta UC estão relacionados ao Ecoturismo, sendo possível a observação de botos e papagaios, a caminhada em trilhas e o desfrute de 38 km de praias virgens, proporcionando grande contato com a natureza.

No âmbito cultural, é possível presenciar remanescentes do Fandango Caiçara, dança típica da região onde o ritmo é marcado pelas rabecas e violas, instrumentos que os próprios moradores da ilha produzem, e pelos tamancos de madeira, utilizados para acompanhar o ritmo.

Esta manifestação foi reconhecida em fevereiro de 2013 como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Infelizmente pelo desinteresse dos jovens ilhéus, a tradição vem perdendo força nos últimos anos.

O terceiro Parque Nacional reconhecido no Paraná, estendendo-se também para o interior MS, foi o de Ilha Grande, através do Decreto S/Nº de 1997. Esta UC está disposta no mesmo local onde, em 30 de maio de 1961 havia sido criado o extinto Parque Nacional das Sete Quedas, para possibilitar o enchimento do Lago de Itaipu.

De acordo com o Cadastro Nacional de Unidades de Conservação – CNUC (BRASIL, 2013), o objetivo de sua criação está voltado à preservação de ecossistemas e de sua beleza cênica, devendo possibilitar pesquisas cientificas e atividades de educação e interpretação ambiental, conforme regem os princípios determinados pelo SNUC (BRASIL, 2000) sobre qualquer Parque Nacional.

No momento, as visitas ao Parque Nacional de Ilha Grande restringem-se à visitação não regulamentada, sem periodicidade, realizada através de duas embarcações privadas, para a contemplação da natureza e por veranistas em determinados locais que o nível da água encontra-se baixo (BRASIL, 2013).

Administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, os 760,4271 km² que formam o polígono de conservação ainda encontra-se sem plano de manejo, apesar constar como aprovado pela Portaria nº 95 de 21/11/2008, pelo CNUC (BRASIL, 2013). Tanto a documentação do plano quanto a portaria não foram encontradas durante a investigação realizada.

Em 2001, o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange foi criado no litoral paranaense, abrangendo os municípios de Guaratuba, Matinhos, Morretes e Paranaguá, com o intuito de proteger e conservar o bioma “Mata Atlântica existentes na área e assegurar a estabilidade ambiental dos balneários sob sua influência, bem como a qualidade de vida das populações litorâneas”, nos seus 251,1914 km² (BRASIL, 2001).

Neste Parque, o domínio das terras ainda está sob particulares, não tendo sido realizada suas desapropriações. Desta forma, a entrada de turistas no local é restrita aos espaços já utilizados por visitantes antes mesmo da sua criação no ano de 2001. Assim, as atividades disponíveis no interior desta UC resumem-se a trilhas, banhos em cachoeiras e a contemplação da natureza, sem instalações de infraestrutura turística ou de apoio (BRASIL, 2013).

Na atualidade, o Paraná possui 84 Unidades de Conservação, estando 16 subordinadas à administração federal por meio do ICMBio (BRASIL, 2013) e outras 68 pelo âmbito estadual, sob responsabilidade do Instituto Ambiental do Paraná – IAP (IAP, 2012), excetuando-se as Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPNs.

Entre as áreas protegidas pelo IAP, destaca-se o Parque Estadual de Vila Velha (3.803 ha), o primeiro instituído pelo Estado em 1953 e que representa um dos principais atrativos da região dos Campos Gerais, devido seus aspectos geológicos e geomorfológicos, além de suas características em relação à fauna e a flora (MOREIRA; ROCHA, 2007).

As UCs administradas pelo ICMBio dividem-se entre os grupos de Uso Sustentável, com cinco Unidades: APAs de Guaraqueçaba e Ilhas e Várzeas do Rio Paraná e as Florestas Nacionais de Açungui, Irati e Piraí do Sul e outras onzes de Proteção Integral, sendo: Estações Ecológicas de Guaraqueçaba e Mata Preta, Refúgio da Vida Silvestre dos Campos de Palmas, Reservas Biológicas das Araucárias, Perobas e Bom Jesus e os Parques Nacionais de Iguaçu, Superagui, Ilha Grande, Saint Hilaire/Lange e dos Campos Gerais.

Assim, na região dos Campos Gerais no Paraná é possível encontrar nos limites dos municípios de Ponta Grossa, Carambeí e Castro os últimos remanescentes do bioma Mata Atlântica, composto por Floresta Ombrófila Mista e Campos Sulinos, sendo estas, as principais formações fitogeográficas naturais do sul do país. (BRASIL, 2002). Esta formação representa também um dos mais importantes patrimônios naturais do Paraná e motivador para a instituição do quinto Parque Nacional do estado do Paraná, o Parque Nacional dos Campos Gerais, que será pormenorizado no próximo subitem.

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