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O módulo na arquitetura é uma unidade de medida convencional adotada para estabelecer dimensões, proporções (na fase de concepção) e ordenar a construção de um determinado organismo arquitetônico. Qualquer que seja o seu valor, ele é adotado como unitário (ACRÓPOLE, 1968).

A utilização de módulos na arquitetura há muito é estimulada. Como unidade de medida remonta desde a antigüidade para a função estética (ACRÓPOLE, 1968). Seu uso atualmente, apresenta também outras finalidades; como técnicas, utilitárias e construtivas.

Em alvenaria estrutural, a coordenação modular é um sistema de referência baseado no componente bloco, que compõe todas paredes estruturais. A partir das dimensões modulares deste componente, pode-se criar todo um sistema de coordenação dimensional que parte do projeto arquitetônico. As dimensões serão então definidas em múltiplos dos módulos horizontais e verticais, ficando assim todas as medidas coordenadas plani e altimetricamente, como mostra a figura 5.2. a seguir.

A altura dos componentes deve guardar uma coerência dimensional com o processo como um todo, e com todas as dimensões dos elementos da escala industrial. A escolha da altura do bloco, deve ser em função da compatibilidade com outros componentes como a dimensão e a locação de aberturas , intersecções, ou atendimento de requisitos legais como dimensão do pé direito dos edifícios, com respeito aos respectivos processos de fabricação e transporte. No mercado nacional a altura de bloco, comumente mais encontrado é a de 19cm.

A planta de elevação, que apresenta as paredes em vista, tem sido denominada por engenheiros e arquitetos de paginação, ilustrada na figura 5.3..

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Os elementos estruturais devem se coordenar com a malha utilizada para as alvenarias. Assim, vigas, lajes e elementos como vergas e contra-vergas pré-moldadas, elementos de escada pré-moldadas, devem guardar coerência dimensional com a modulação ou seja, estes elementos ou subsistemas deverão ser constituídos de múltiplos ou submúltiplos dessas medidas, respeitadas as devidas tolerâncias para cada situação.

legenda:

es

bloco estrutural 39 x 19 x 14

a

meio bloco estrutural 39 x 19 x 14

bloco de vedação 39 x 19 x 14

tc5og bloco e meio estrutural 54x 19 x 14

ra

bloco estrutural 34x 19 x 14

A representação dos componentes da alvenaria estrutural devem ser claras, sendo que não existem normas para estas graficações. A figura 5.3. mostra uma elevação onde "c" é utilizado para salientar a posição dos blocos canaleta, a numeração horizontal identifica a quantidade de blocos na l 3 fiada, e os números na horizontal dizem respeito a quantidade de fiadas que compõem o pé direito da edificação. Este arquiteto, relaciona o número da elevação com o número da prancha para facilitar o manuseio na obra.

Figura 5.3. - Exemplo de paginação com módulo de 20cm.

O sistema modular proposto por FRANCO et al. (1991), utiliza o módulo de 20 cm, então a dimensão padrão das portas na altura é de 210 cm. O vão modular para o encaixe das portas na altura é de 221 cm (11 módulos + uma junta). O ajuste modular entre essa duas medidas é feito mediante o emprego de peças especiais, que perfazem o espaço necessário na altura e tem o tamanho no sentido do vão horizontal, variável

conforme a largura da porta. Cabe ressaltar a importância da escolha desta dimensão variável, que deve prever as espessuras dos revestimentos de pisos empregados e as folgas necessárias.

Além da consideração das dimensões dos componentes, para o dimensionamento dos compartimentos, o projetista deve levar em conta o processo construtivo, principalmente no sistema de amarrações padrão, para atender requisitos de ordem estrutural, sem comprometer a produtividade na execução da alvenaria, nem tomar complexo o desenvolvimento dos projetos.

Deve-se considerar que a obediência de todos subsistemas à modulação leva a necessidade de se trabalhar com uma precisão acima da comumente utilizada nos edifícios convencionais. Se por um lado isto pode parecer desvantagem; por outro, os pequenos custos e esforços adicionais decorrentes deste aumento da precisão são amplamente compensados pela diminuição dos desperdícios provocados pelas improvisações.

ROSSO (1996) acrescenta como vantagem desta precisão a geração do fornecimento de insumos mais racionalizado, pois se recebe menos material a granel e um número maior de materiais paletizados e com especificações mais rígidas, o construtor consegue desenvolver um sistema de controle mais eficaz

A malha modular, ou módulo segundo (OLIVEIRA, 1993) é o resultado da coordenação modular, expressa pelo reticulado espacial que serve como unidade de medida para o desenvolvimento do projeto

Entre as vantagens da adoção da coordenação modular, FRANCO et al. (1991) destacam:

• aumento de precisão da produção; • redução de perdas

• diminuição da variedade e número de peças complementares produzidas e empregadas, facilitando a padronização e a produção em série

• introdução de procedimentos padronizados, que agiliza a execução; • facilidade no controle da produção

• redução de peças especiais, evitando cortes, quebras de componentes, enchimentos e improvisação na execução, e ajustes no canteiro;.

• abre caminho para importantes medidas de racionalização, como a utilização de formas modulares para execução das lajes.

• utilização de uma sistemática de projeto baseada em regras definidas. Isto é, além de facilitar a elaboração do próprio projeto, permite a utilização de um pequeno número de detalhes;

• facilidade da mão de obra em assimilar estes detalhes.

O projeto modulado permite a adoção de uma verdadeira linha de montagem, onde as funções são bem definidas e a quantidade de materiais rigorosamente calculada, concorrendo para o aumento da qualidade na execução dos serviços (AREMAC, 1996).

FRANCO et a/. (1991), recomendam que exista uma relação de compromisso entre as dimensões dos componentes e seu peso, de forma que se utilize o menor número de componentes possíveis por metro quadrado da alvenaria, e ao mesmo tempo possua um peso que propicie a manutenção das atividades do operário sem que o mesmo chegue à exaustão, o que diminuiria a produtividade do serviço padronizados, racionalizando a própria tarefa de execução do projeto;

Apesar de todas vantagens da modulação, GRIMM (1997), afirma que alguns arquitetos rejeitam a aceitar a disciplina de alvenaria modular, porque esta não expressa seu modo de pensar o desenho. A modulação deve ser encarada como uma ferramenta de auxílio e não uma camisa de força.

Ela funciona como uma diretriz na composição e dimensionamento de compartimentos, não como geradora de formas ortogonais. E possível a criação de formas curvas e paredes chanfradas, mediante um profundo estudo da relação custo benefício das mesmas por parte do arquiteto em conjunto com o empreendedor e demais projetistas.

Outro equívoco freqüente cometido pelos arquitetos, é interpretar a modulação como único diferencial entre projeto arquitetônico para alvenaria estrutural e para o sistema construtivo convencional. A simples modulação de um projeto arquitetônico com as medidas dos componentes do sistema, não conferem ao projeto conteúdo suficiente para ser considerado um projeto completo para alvenaria estrutural

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